Saturday, February 04, 2006

Rock and roll

E no princípio eram os Beatles.
Eu amo rock. Não adianta. Eu tinha uns onze anos e assistia um programa na TV Cultura com o tresloucado e ótimo Kid Vinil. Lia a Bizz e o André Forastieri, e todas as polêmicas que são a glória e o sarro do mundo dos roqueiros e metidos a roqueiros. Eu tinha um pôster dos Mutantes e procurava as músicas deles no rádio. Não adianta, eu amo rock.
Eu gosto de tudo, desde rockabilly até White Stripes. Do rock progressivo ao heavy metal, pra mim todas as experiências foram válidas.
É tanta gente interessante, é tanta coisa legal... tanta história. Tanto solo de guitarra, tanta maluquice, pra mim o velho ritmo deu origem aos trovadores modernos. Inovadores como o pessoal do Dante, do Petrarca, que escandilazavam Florença com os cabelinhos, a boemia e a criação de um universo de sentimentos, de idéias e imagens onde cabe o mundo inteiro e todo mundo.
Nunca tive dinheiro pra ser descolada, e também muito acesso a informações. Por exemplo, as bandas chegam pra mim com atraso, pelo rádio, pelos amigos e festas. Muita coisa em CD pirata, agora nas rádios pela internet da vida. Ou seja, se você me perguntar o que está na crista da onda agora, eu sinceramente não tenho a mínima idéia. Historiador vive atrasado.
Mas os Beatles, os Stones, Led Zeppelin, The Who, Cat Stevens, Creedence, Janis, Elvis, os pioneiros ( Chuck, Little Richard, Bill Halley, etcs, etcs), The Police, Clash, Smiths, os loucos da new age ( B-52's), o U2, REM, os 80's ( onde surgi, afinal), David Bowie, meu Deus, como recusar a companhia dessa gente? Como dormir depois de ouvir os Stones? Me diz, eu estou morrendo de vontade de pegar um Cometão e dormir na areia pra ver os velhos. Tá na playlist do show, Honky Tonky Women, essa ressuscita até gente escrevendo relatório da FAPESP ( comprovadamente uma das experiências mais cacetes que um ser humano pode ter)...
E tem as grandes paixões. Pra quem me lê há algum tempo, sabe que eu amo o Bruce Springsteen. Eu sempre fui fã, desde que era pequena, pra mim era uma figura masculina forte, positiva. E nos EUA, eu me enfurnei nas livrarias e li a bibliografia sobre ele. E acabei descobrindo uma história ótima.
Se você for ler algo sobre o Bruce, assim como sobre o Dylan, o Lennon, ou o Elvis, vai se deparar com polêmicas infindáveis. O Bruce se vendeu ao sistema na década de 80? Afinal, o Dylan gostava ou não dos hippies? O Elvis não morreu? E talvez a mais intrigante, porque o Lennon casou com a Yoko?
Mas o primeiro texto de um crítico sobre o Bruce, o primeiro que deu o que falar, é de 74, de um cara formado em História na Universidade Brandeis, conceituada pra cacete. O cara se chama Jon Landau. Esse cara era músico, tocava numa banda, e acabou virando crítico da Rolling Stones, na época áurea da revista.
Uma bela noite, Landau assiste um show do Bruce numa taverna. Os caras da banda estavam no início, o Bruce era um ilustre desconhecido. Bom, o Landau escreveu um texto dizendo que era madrugada, ele estava com 27 anos, casado com uma moça que não o compreendia, e sofrendo de uma doença rara. E que havia perdido, em algum lugar, o prazer que o rock lhe dava, na época da graduação.
Mas naquela noite, Landau viu "o futuro do rock, e o futuro do rock se chama Bruce Springsteen"...
O resto é história. O Landau virou empresário do Bruce, depois de uma briga judicial com o primeiro empresário do cara. Empurrou Bruce pro estrelato, produzindo um disco que agora tá fazendo 30 anos, Born to Run. Se você nunca ouviu, ouça, faça como eu, pegue na Terra Rádio, em mp3, roube do vizinho, faça uma macumba, sei lá.
Mas esse artigo é uma pérola. Porque virou uma experiência arquetípica: o cara ferrado que ouve o roqueirinho biruta e tem uma revelação. Hoje em dia o povo gosta muito do Nick Hornby. Ele é ótimo, porque revive a todo minuto nos escritos dele a experiência Landau. Pra mim, essa experiência é forte porque é uma recriação da relação artista-crítico, uma coisa que fascina desde o Baudelaire com o Delacroix.
Por isso eu gosto do rock. Porque ele tem a força da experiência estética. O resto é firula.

Saturday, January 28, 2006

Cozinha

Hoje tô feliz. Vi minhas amigas queridíssimas Débora e Tanara, e ainda de quebra fiz duas novas amiguinhas: as filhas da Tanara, fofíssimas, Taísa e Melissa.
Acordei com um desejo estranho de fazer um pavê. Como narrei, na semana passada lasquei uma torta de palmito e um pudim no povo. Amanhã tem churrasco no meu cunhado, e acordei pensando num pavê. Vi receitas no Dona Benta ( sim, eu ganhei um exemplar da minha sogrinha!) e na internet, mas acabei escolhendo a da minha sogra mesmo.
Fiquei ouvindo Rolling Stones no Terra Rádio. Os caras GRAÇAS A DEUS puseram a discografia completa dos caras no site, e 99% dá pra ouvir inteiro ( algumas gravadoras não permitem que as músicas sejam tocadas mais que 30 segundos, uma palhaçada).
Ao som de "You Can't Always Get What You Want", "Ruby Tuesday" e "Honky Tonky Women", relembro momentos na cozinha.
Eu adoro comer, mas paradoxalmente acho que tudo que faço fica uma porcaria. Não gosto da minha comida.
Aprendi a cozinhar com a minha mãe. Eu ajudava na cozinha. No início, pequena, só secava a louça e guardava, aquela chatice. Depois, era picar isso, picar aquilo, e aos poucos eu fui incumbida de tarefas mais complexas mas não menos chatas, como bater clara em neve, ver o sal do molho ou vigiar o frango no forno. Isso quando não era o temível descascar e picar... alho.
Almoço de domingo, era a gente lascando pra servir seu Pedrão. Graças ao bom Pai dos Céus o pai lá de casa gostava da minha comida.
Passaram-se os anos, vieram as repúblicas. De vez em quando, o pedido: faz strogonofe, faz lentilha, faz não sei o quê. De vez em quando, uma receita nova, como a do macarrão a carbonara, que aprendi com Letícia... ou do pimentão recheado da Malu.
Quando vim morar sozinha, lembro de um peixe que eu assei... pra mim mesma. E ainda tive a pachorra de tomar um vinho branco.
Mais strogonofe. Tem um amigo meu que diz que strogonofe é comida de quem não sabe cozinhar. Acho que é mesmo. Minha culinária não é muito refinada não. Mas eu um dia ouvi da Malu, ela mesma ótima na cozinha, que meu strogonofe era melhor do que o da dona Fy, outra mestre Jedi das panelas. Foi o melhor elogio que eu ouvi na vida!

Débora e Tanara, ou a eternidade da amizade

Outro dia tive uma super surpresa no Orkut. Agradável, acho que tá todo mundo cansado de surpresa desagradável naquela joça.
A minha amiga e colega do colegial, Tanara, me achou e me adicionou. Scrap pra lá, scrap pra cá, ela me ligou e ficamos três horas no telefone.
Tanara e eu combinamos de nos encontrar. E no meio da bagunça, consegui contactar Débora, e hoje nós três vamos nos ver, depois de... doze anos.
Na verdade, a turma é maior. Ainda tem a Raquel, a Ísis, a Fabiana, a Patrícia... Raquel, Ísis e Fabiana estão por Campinas também, mas a Paty, por onde andará? Ninguém sabe dela... a última notícia que tivemos é que ela estava na Bolívia, estudando Medicina. Era o sonho dela.
E nós, hein? Bom, eu me mudei pra Campinas em 1992, na boléia do caminhão que trouxe os Vermeersch para essas terras. No primeiro dia de Sagrado Coração de Jesus ( já narrei num post abaixo, o do show de rock fajuto) fiz amizade com a Débora, que ficou para sempre Debão. Ela era a minha melhor amiga, a companhia constante e alegre numa adolescência difícil, solitária, penosa. Era de quem eu roubava bolacha no recreio e quem eu infernizava o dia inteiro, com as mais torpes brincadeiras, como chamá-la de cabeça de tender ( porque ela fazia umas trancinhas e ficavam uns quadradinhos...). Essa aí, heroína, mesmo. Foi comigo pra Unicamp, formou-se educadora, agora é professora da UNESP, um orgulho.
Tanara, era tímida e acanhada, nada vaidosa, se enfeiava. Pois não é que aquela menina inocente de tudo foi a primeira de nós a se tornar mãe? Vinte anos, já estava grávida. Logo depois veio outra menininha, e minha amiga suportou o final do casamento. Mas agora está ótima, linda, vaidossíssima, super cuidada e gata. Agora trabalha com casamentos, aguenta a chatice das noivas pra realizar lindas cerimônias. Mas ri do mesmo jeito...
Eu avisei as meninas pra não se assustarem, eu estou muito, muito mais gorda do que era no colegial... além disso, agora tenho muitos cabelos brancos, e tenho que pintar o cabelo pra disfarçar. E dentro da minha cachola penso, gente, tanta coisa aconteceu, mas quando falei com as duas ao telefone, parecia que foi ontem.

Saturday, January 21, 2006

O caso do pudim

Hoje eu fiz um pudim. Tinha reunião na casa de uma amiga, amigos queridos e crianças na piscina. Tô dura pra variar, e pudim, mesmo com dureza, dá pra fazer: açúcar pra caramelar a fôrma velha de guerra, três ovos, lata de leite Moça, leite e liquidificador.
Tudo bem que tem uma técnica embutida no negócio, porque fazer calda de caramelo é negócio delicado, e o bicho cozinha em banho-maria, fogão alto e uma hora e meia de suadouro de quem passa na cozinha. Mas vale a pena. Eu tenho a seguinte teoria: batata frita e pudim de leite condensado, quando tem ninguém recusa.
Mas o que eu queria contar é uma história engraçada de pudim. Pudim na minha família era instituição no Natal. Todo ano tinha o velho e bom pudim. Pois teve um Natal que meu pai comprou carro novo, um Voyage verde-metálico. Todo mundo se dividiu entre a casa da minha tia e da minha avó, em Campos. Muita gente, criança, confusão... duas cozinhas pra assar pernil, fritar rabanada, mexer na farofa, aquela zona. E a fila pra tomar banho, e criança que corre pra cá, e benzinho cadê a minha camisa, e gente dormindo até embaixo da mesa.
Lá pelas tantas, dez da noite, todo mundo estava na minha avó já, de banho tomado e enchendo o saco, rodeando a mesa como mosquinhas. Menos minha mãe e minha tia Marilze, que ficaram na casinha da minha outra tia, Maria José, esperando assar a última coisa que faltava: o pudim.
As duas se embonecaram, e estavam com carro, recém-lavado, do seu Pedrão. Quando o pudim ficou pronto, minha mãe falou pra minha tia: embrulha essa fôrma num pano de prato e vamu embora. Mas minha tia Marilze, muito artista, falou, não, quéisso, deixa eu desenformar o tal e por cerejinhas em cima. Chegando na casa da mãe a gente põe na geladeira o pudim lindo e decorado.
O pudim estava pelando. O normal é esperar esfriar bem e pôr na geladeira. Depois de frio, fica fácil desenformar. Não sei porque milagre de Santo Onofre minha tia conseguiu desenformar e o bichinho não virar uma meleca. Pôs as cerejinhas, decorou o prato de vidro, e vamos.
As duas, arrumadíssimas, perfumadíssimas, entram no carro, minha mãe dirigindo e minha tia do lado, com o pudim no colo. Iam devagar, conversando, bem devagarinho... como elas não estavam na Suíça.... uma cratera no asfalto, um mini Grand Canyon, estava no caminho.
O carro caiu no buraco, e foi pudim pra tudo quanto era lado. As duas ficaram imundas, o carro ficou cheirando doce seis meses depois e naquele ano, excepcionalmente, não teve pudim no Natal.

Sunday, January 15, 2006

De relance

De relance penso que você pode ser louco, ou covarde. Cutucou onça com vara curta. Quem mandou?
Isso aqui é um canavial, meu filho.

Tratamento literário

Pois enfim, preciso dar um tratamento literário às minhas confusões interiores. Como você, filósofo pré-socrático, preciso escrever sobre a matéria e o Universo, e as prementes necessidades.
Te vejo me olhando num canto de olho distraído, mas será mesmo que tudo aquilo morreu? E aqui estou eu, de volta à transcendência mais barata e de almanaque. Oswald lascou pra Tarsila, "Ando desperdiçando beleza longe de ti", no verso de uma foto da fazenda. E o Largo de São Bento permanece invulnerável.
Já o de São Francisco guarda a lembrança da missa que mandei rezar pelo meu pai e pelo seu. Não adianta, estou presa na metafísica mais medíocre, coisa de gente que não tem refinamento, não adianta, moça fina não sou, apenas disfarço com bravatas fáceis de desmontar pelo filósofo.
Pego o metrô e desço na estação Paraíso. Com o mundo entalado na garganta. Difícil pensar nos movimentos dos átomos com essa dor presa no peito.

Friday, January 13, 2006

O que você leu hoje?

Em meio a esse verão assustador de tão quente, três livros têm sido meus companheiros nos dias solitários e supostamente dedicados ao relatório FAPESP, na velha Padre Vieira:
-Memórias de uma Gueixa, Arthur Golden. O autor, professor de japonês e estudioso da cultura nipônica durante décadas, escreveu esse romance sobre uma gueixa, Sayuri, estrela do bairro das gueixas em Kioto, Gion. Atravessando as décadas de trinta até oitenta, Sayuri narra em detalhes o treinamento e as agruras do universo fechado das mulheres-entretenimento. Virou filme, vaiado na Ásia porque a atriz principal é chinesa ( imagina!)... talvez o filme seja mesmo uma xaropada, vamos aguardar. Mas o romance é bonito, apesar da tradução um tanto quanto marrenta da Lya Luft.
-Carmen, Ruy Castro. Pois é, a Pequena Notável me acompanhou, e muito, em Chicago. Mal sabia eu que ela andou muito por lá, se apresentando nos teatros que tantas vezes passei em frente, no Loop! E que ficou amiga do sobrinho do Al Capone... voltando pra Terra Brasilis, vi que o sempre eficiente Ruy Castro escreveu a biografia da minha nova "ïdola"... acho que meus amigos antropólogos desmontariam os clichês da biografia tradicional em cinco minutos... mas vale muito a pena! Primeiro porque a própria Carmen merece a convivência, e porque o autor se esforça em fazer uma pequena história da música e do cinema, tanto nos EUA quanto no Brasil, tão modificados pela presença de Carmen.
-Diálogos com Leucó, Cesare Pavese. Esse livro é de assustar. Pavese se veste de Esopo, de Homero, e alerta para as múltiplas implicações dos deuses e heróis. Belíssimo diálogo da poetisa Safo e da ninfa marinha Britomártis, bem como o de Dioniso e de Ceres, o de Hércules e Prometeu... leitura obrigatória para os pesquisadores em Ciências Humanas.

Wednesday, January 11, 2006

Carreira Acadêmica II

Continuando na linha desgraça pouca é bobagem. Vejam no site da Folha, hoje, notícia sobre desvio de verbas no CNPq. Sim, o Conselho pega grana que deveria ser destinada à bolsas de estudo e paga conta de luz, água, viagem de funcionário e o call-center ( a terceirizada que faz o atendimento telefônico). A notícia ainda acrescenta que os fiscais das contas estão no pé do CNPq desde 2001, ou seja, que a situação é antiga e continua.
Brincadeira... O bom são os comentários à notícia. Bolsistas, ex-bolsistas e professores num ranger de dentes. E uma desavisada falando que a FAPESP é exemplo pros órgãos federais. Graças ao bom Pai dos céus um anônimo gaiato acrescenta que a FAPESP não é exemplo nem pra ela mesma.
Ou seja... fazendo a linha ultrapassada Bóris Cassoy, é uma vergonha. O povo fica revoltado com a suposta frase do De Gaulle, mas esse país não é sério mesmo. Outro comentador da notícia aponta com justeza: daqui a pouco a gente perde até o processo técnico de tirar o veneno da mandioca.

Sunday, January 08, 2006

Na veia

Falando em musiquinhas, lista do que rola em Neguinho do Pastoreio, meu i-pod:


1)Wonderful Life, Black: do fundo da gaveta 80's. O refrão é meio básico: It's a wonderful, wonderful life... cantada por uma voz depressiva. De homem das ilhas, Colin Vearncombe, no caso, Liverpool.
2)You Got It, Roy Orbison: um dos últimos hits do mestre, que virou febre por causa da gravação de Pretty Woman. Já dizia o velho Springsteen que Roy Orbison canta para os solitários, enquanto ele, Bruce, olha a musa rodopiar na varanda.
3)Higher Love, Steve Winwood: um desses caras que eram do rock progressivo e fez pérolas do pop rock, hoje esquecidas, nos oitenta. Talvez o maior representante da espécie seja o velho Phil Collins, hein?
4)And She Was, Talking Heads: dispensam apresentações os homens que apresentaram ao mundo a bomba Psycho Killer.
5)Human, Human League: outros ingleses classudos que fizeram o pop girar. Essa é classudíssima: "I'm only human/ Of flesh and blood I'm made/ Human/ Born to make mistakes", mais elegante que isso impossível, meu filho.
6)Love Changes Everything, Climie Fisher. Não tenho nenhuma informação pra dar sobre esse cidadão e a internet aqui de casa, no momento, tá muito lerda. Pronto, descubro que os autores dessa gema são uma dupla, Rob Fisher e Simon Climie, outros ponta de lança da British Invasion no pop oitentinha.
7)Gimme Hope, Joanna, Eddy Grant. Esse cara é da Guiana e é um dos grandes produtores de música caribenha. Antes disso, ele povoou as mentes dos adolescentes do mundo inteiro com essa Joanna aí, num inglês que dá gosto de ver. Não que meu inglês seja britânico, mas o dele é engraçadíssimo também!
8)Chorando se Foi, Kaoma. Sim, meus caros, Neguinho do Pastoreio, filho legítimo de Steven Jobs e febre no Primeiro Mundo, lasca uma lambada nostálgica para essa que vos escreve lambujas de quando em quando!

O fascínio do brega

Eu já escrevi aqui que muito me admira o fato de hoje eu ser fã do Roberto Carlos.
Lá em casa, o bom gosto imperava. Tudo bem que até um certo ponto: seu Pedro e dona Meire não eram ouvintes de música clássica. Era Milton Nascimento, Chico Buarque e Caetano Veloso, além dos Beatles.
Mas, pra viajar, nos nossos Voyages metálicos, a gente tinha um toca-fitas. Lembro que era uma das primeiras coisas que meu pai punha no carro, um estojo com as cassetes. Nas longas e sofridas viagens pra Campos dos Goytacazes, a gente ouvia Milton ( o lindo disco Sentinela, de 82, acho), uma fita com coisas da Jovem Pan ( eu lembro que tinha a Morena Tropicana, do Alceu Valença, uma linda do Queen, e Memory, de um cara chamado Barry Manilow, conhece?), e outra, azul, que era a grande curtição. Eram os grandes sucessos do Abba.
Eu adorava aquela fita, apesar de não entender lhufas do que as moças cantavam. A única palavra que a gente entendia era Fernando, que lástima...
Outra paixão era o som lá de casa, um Gradiente prateado, daqueles enormes. Toda vida ouvi muito rádio, mesmo hoje não passo sem rádio, agora no caso a Terra Rádio, na internet. Ouvia tudo. Aos onze anos, ganhei o primeiro micro-system ( sim, lembram-se deles?) e o mundo da música popular, nacional e internacional, se abriu pra mim.
Escutava escondido, e baixinho, as estações de música brega. Os meus pais tiravam sarro, o meu irmão tirava sarro, e na escola então? Lembro bem que queria construir a imagem de uma garota séria, estudiosa, e isso não batia com música brega, de jeito nenhum.
Os leitores, por favor, me entendam nesse ponto. Eu gosto de música, todo tipo de música. De Bach a mpb, de forró a Erick Satie. Devo ser um dos raros casos de gente que gosta de Leandro e Leonardo e Billie Holliday, de rock pesado e Ray Conniff, eu gosto de tudo. A chamada música clássica, sem sombra de dúvida, inspira e alimenta. Mas como explicar o fascínio do brega?
De uns três, quatro anos pra cá, tá essa moda brega escancarada. De repente, é legal ouvir Sidney Magal a todo volume nas festinhas. É natural discutir horas a fio, via msn, telefone ou mesmo pessoalmente ( coisa rara hoje em dia) sobre Menudos. Ou sobre... Leandro e Leonardo. Tem música que deveria ser proibida pelo Ministério da Saúde: ou porque é muito infame, ou porque é glicose pura. Mas como explicar que multidões enlouquecidas, de todas as idades, raças, credos, classes sociais e leituras preferidas ( da Bíblia aos Manuscritos Econômico-Filosóficos do Marx, passando por Quem Mexeu no meu Queijo) possam se emocionar ouvindo Wando? Outro dia o Nando Reis, ele mesmo, super cabeça, declarou que é fã do Wando. Como explicar?
Eu tenho por mim que o brega fascina porque é divertido. É divertido quando é infame, tipo Tiririca; é divertido quando é romântico, porque quando você está no estágio de amar, se emociona até com Celine Dion, e quando você ainda não caiu na besteira de amar de novo, ou se emociona de lembrar do amor que se foi ou se emociona ao lembrar que um dia você já se emocionou daquele jeito. Ou ri porque mesmo que tenha lido as Obras Completas de Baudelaire, Verlaine e Rimbaud, sim, você é brega pra cacete!

Saturday, January 07, 2006

Carreira Acadêmica

Aos dezessete anos, precisei preencher as fichas do vestibular. Queria ser jornalista. Prestei Jornalismo na USP, na UNESP e na Federal do Paraná. Meu sonho era estudar na ECA. Unicamp prestei por acaso. Minha amiga Débora, ansiosa por prestar o vestibular da filha de Zeferino Vaz, comprou um manual de manhã; chegou em casa, seu pai, o mítico senhor Jeffrão, havia comprado outro.
Paguei o prejuízo e não sabia o que prestar. Pensei em Letras. Na fila do ginásio, naquilo que considerava um fim de mundo ( Barão Geraldo), nas costas do meu pai, preenchi Ciências Sociais.
Passei na UNESP. UFPR, minha mãe escondeu o resultado positivo da segunda chamada, pra filha não ir virar vítima do vampiro de Curitiba. E num dia chuvoso, recebi a notícia que não havia passado na primeira chamada da ECA. Chorei muito naquele dia, e de tarde, no velho Ciclo Básico, vi meu nome na lista das Sociais.
Uma amiga da minha mãe me alertou pro fato de que não me via jornalista. Achava que eu tinha jeito de professora. Professora universitária, pesquisadora, o que o então presidente foi, durante muitos anos. Aquilo me deslumbrou. Entrei na Unicamp e no primeiro mês o sonho de se tornar uma professora universitária se formou.
Corri atrás desse sonho durante doze anos. Quatro de graduação, quando, afobada, matei Bacharelado e Licenciatura em Sociologia e Antropologia, gastando meus dias na biblioteca com ardor, três bolsas de iniciação científica e estágio no Centro de Memória. Quatro de mestrado, gastos em uma rotina insana de disciplinas e textos pra matar Sociologia e História da Arte, e o Programa de Formação do Cebrap. E agora, mais quatro de um doutorado em Teoria Literária, entre aulas no IA, pesquisas, artigos, Chicago e Botticelli e Dante.
Fui bolsista de todas as instituições governamentais. Dei aula em cursinho de periferia e palestra no MASP. Torrei a paciência da minha mãe, que sonhava em me ver advogada. Trabalhei em troca de livros e escrevia de madrugada. E agora, preciso escrever uma tese, conseguir uma renovação de bolsa na FAPESP. E o ânimo me falta. Dois amigos não conseguem bolsa, outros tantos não conseguiram. O Projeto Temático ao qual me insiro não existe mais.
Corro atrás dos concursos. Todos pedem doutorado. Pati, minha amiga e companheira de jornada no Cebrap, me alerta para o fato de que muito concurso abre e fecha sem inscritos, e depois os departamentos baixam o nível de exigência. Vejo que o ânimo me falta.
Preciso escrever a tese, o ânimo me falta. Preciso pensar em prestar concurso, o ânimo me falta. Gastei doze anos e o sonho começa a desbotar. Será que conseguirei vencer a politicagem, a falta de profissionalismo, o corporativismo mesquinho, o diz-que-me-diz, a mediocridade, a não-racionalidade dos processos seletivos, essas marcas da academia brasileira?
Pela primeira vez nesses doze anos, duvido do meu sonho. Não, não acredito mais que a academia é meritocrática. Muito vi nesses doze anos. Vi até demais. Vi muitos colegas talentosos serem esmagados por uma engrenagem perversa e uma lógica que muitas vezes pressupõe arrivismo e uma certa falta de caráter. Estou cansada, isso é tudo. Adoro o que faço, e não me arrependo da minha dedicação, eu sei que o trabalho me salvou. Mas cansei. O fato da minha dissertação não ter sido aceita pela Editora da Unicamp despertou de novo o cansaço, o desalento. Não sei se vou ter forças pra dar o pulo do gato. A força me falta, eu quero a doçura de caráter, eu quero a tranquilidade do amor e do afeto, não a máscara que é preciso ter. Talvez, o retorno de Saturno me deixou mais amena. Talvez, vamos ver.

Wednesday, January 04, 2006

Citação do dia

"Nestas páginas analiso algumas das obras maiores de Piero della Francesca (...) sob um duplo ponto de vista: a clientela e a iconografia. Não me refiro aos aspectos propriamente formais destas pinturas, porque me falta a devida competência ( sou um estudioso de história, não de história da arte). Trata-se de uma limitação grave. Pode uma pesquisa assim circunscrita atingir resultados relevantes? Penso que sim: por motivos de ordem específica, ligados à situação dos estudos sobre Piero, e também por motivos de ordem geral". Carlo Ginzburg, Indagações sobre Piero. Rio de Janeiro: Paz e Terra,1989.
E eu pergunto: e quando junta iconografia com aspecto formal?

Depois de Valparaíso

Então, fomos pra Valparaíso, perto de Araçatuba, terra dos ancestrais maternos da pequena Dani, a eterna menina-xamã.
Ficamos na velha fazenda Tangará, com o divertidíssimo pai de Dani, doutor Jorge, criador de gado kanchin e cardiologista nas horas vagas, e dona Eloísa, cozinheira das melhores e tradutora de Thomas Mann. Gente fina é outra história.
Comemos toneladas, e eu fui picada por tudo quanto é tipo de inseto. Mas valeu muito a pena, a companhia de Dani e Chris, Celo, do Fubá ( um gatinho muito fofo e cinza que tem lá) e do General, um sapão que estava, segundo a Dani, a fim de mim. Além das maritacas no telhado. E das terríveis mutucas. E de Neguinho do Pastoreio tocando sem parar hits dos anos 80.
Volto pra Campinas, dou um show chiliquento em casa porque perdi o IPVA do carro. Janeiro é dose. E taca pagar conta, e taca ir em academia, e eu ainda gastei uma fortuna na Decathlon, em tênis, maiô e camiseta. Ou seja, vou me acabar de malhar pra compensar as compritchas.
Começo a trabalhar no relatório pra FAPESP sem muita empolgação. Não sei o que fazer pra convencer o parecerista que sou uma pessoa séria, e que meu trabalho é cientificamente relevante.
Aliás, momento desabafo: tive a publicação da minha dissertação negada na Editora da Unicamp. Justificativa, nenhuma. Sei que o negócio tá feio, mal costurado e mal escrito, mas puxa, eu merecia uma resposta. Descubro por Letícia que talvez a mesma alma penada que me atazanou a vida esses tempos cometeu tal feito. Que beleza. De novo, entrei na cidadela de Dite.

Tuesday, December 27, 2005

Mudando de assunto

Os posts anteriores foram desabafos. O assunto é sério e merece ser discutido, e mando meus parabéns pelos ex-membros que tem a coragem de vir a público e desnudar os meandros da instituição. Parabéns e coragem, coragem pra enfrentar essa selva escura.
Indo pra outro canto. Amanhã vou me encontrar com minha querida menina-xamã, no sítio dos pais dela, perto de Araçatuba. Meio do mato, sem internet, posto no blog quando voltar, dia 2 ou 3, por aí.
Muito mato e muito sol e papo com Dani, Chris e Celo, o trio parada dura do blogger.com. Acho que vai rolar muita partida de Banco Imobiliário, e muita discussão sobre nossos blogs. Ehehehehe, blogueiro mesmo sem internet fica ligadão!
O Celo já pôs todas as porcarias anos 80 em Neguinho do Pastoreio, e Porpetta está pronta pra registrar nossas aventuras campestres. Caronte fica por aqui,afinal trabalhar é que eu não vou!
Um Feliz 2006 pra todos, muita saúde, disposição, amor, e porque não dinheiro no bolso porque tá todo mundo precisado! Vale pular ondinha, comer lentinha, usar calcinha de cor, vale tudo, Ano-novo vale fazer qualquer mandinga, qualquer macumbinha, qualquer promessa. Mesmo que não dê certo, quando os homens abriram a caixa de Pandora, ficou lá dentro a esperança.

Opus Dei II

Mas o que mais me dói nem foi a minha amiga. Foi o meu irmão.
Amor incondicional que eu conheci aos dois anos, meu irmão, estudante de Engenharia Mecânica da Unicamp, também foi cooptado pela Opus Dei. No caso dele foi pior, foi bem pior.
Não sei bem ao certo como ele entrou na onda, mas hoje eu juntei os fatos e entendi porque depois da morte do nosso pai meu irmão se tornou alguém insensível, ao ponto de manipular toda uma situação e me agredir fisicamente.
Infelizmente, meu irmão também foi vítima da lavagem cerebral feita pela Opus Dei. Ao invés de sentir a morte do pai, meu irmão se trancou num círculo de rigidez e ressentimento, que agora, pensando e juntando os fios da meada, sei que vieram de um determinado colega, que o arrastava para um Centro Cultural.
Minha mãe comentou comigo, num momento de rara lucidez, que foi muito difícil pra "tirar o seu irmão daquilo"... porque essa organização, que se diz cristã, prega o desamor nas famílias, a desavença com o diferente, até chega a aconselhar um garoto que acabou de perder o pai que essa dor é nada, e que a irmã é um inimigo porque dorme com o namorado?
Não, não é legal usar cilício. Não, eu discordo do celibato, discordo da política suja e da ocultação dos propósitos. Eu me alisto na fila das pessoas que tiveram ou têm membros da famíla ou amigos que foram abduzidos por uma estrutura desumana e cruel, que de cristã não tem nada ou tem muito pouco.

Opus Dei

Hoje fui com o Celo levar minha mãe ao aeroporto.
Passamos pela La Selva, e vi As Crônicas de Nárnia, de C.S.Lewis ( a gente assistiu ao filme essa semana), a biografia da Carmem Miranda do Ruy Castro, e o livro Opus Dei- A Falsa Obra de Deus, cuja autora, Betty Silberstein, teve o filho desaparecido na grandiosa e sinistra obra de Josemaria Escrivá.
Vi a capa do livro e isso provocou uma enxurrada de lembranças. E idéias nada agradáveis. Chegando em casa, fuçando no Orkut, descobri comunidades discutindo essa Igreja dentro da Igreja. A maior parte contra, e indicando o site www.opuslivre.org. Nesse site, de utilidade inquestionável, ex-membros contam o terror totalitário dessa estrutura de poder montada durante o franquismo, para apoiar tal regime na guerra civil.
Lendo os depoimentos, me vi em 1996, segundanista de Ciências Sociais na Unicamp. Havia acabado meu primeiro namoro de forma um tanto quanto desastrada demais, acabado de ler Marx, de aprender a dirigir e de escrever um projeto de iniciação científica. Nesse torvelinho, uma colega, que eu gostava e simpatizava muito, se aproximou de mim.
Na época, eu me sentia meio deslocada na turma de faculdade, porque ao contrário da maioria, morava com os meus pais e era muito mais nova, quase sem nenhuma experiência de vida. Também não colaborava com a situação o fato do meu pai ser um rematado pão-duro. Me vestia super mal, não saía pra nada e não tinha condições de acompanhar as meninas da turma que eu admirava nos programas.
Bom, essa colega era simpática, engraçada, e me convidou pra ir passear em São Paulo. Ela morava muito perto da CESP, e meu pai consentiu em minha mãe ir buscá-lo, depois de uma consulta minha no dentista, e me deixar na casa dela. Foi um sábado muito agradável, e ela passou a me chamar pra tomar lanche, essas coisas.
Um dia, ela me convidou para ir a um Centro Cultural no Guanabara. Era no caminho do ônibus pra casa, topei na hora. Ansiava por ter uma vida cultural, por eventos grátis, e era uma casa antiga, onde todas as moças eram simpáticas. Havia uma boa biblioteca e conversas legais.
Comecei a frequentar o local, e um dia, uma das moças simpáticas me chamou num canto. Perguntou se minha família era católica, e eu confirmei.
Um tempo depois, minha amiga me contou que era um Centro Cultural pertencente à Igreja. Não vi nisso nada de mal, apesar da minha crescente desconfiança em relação aos dogmas e de ter lido Marx com afinco. Minha experiência em Jundiaí com os padres salvatorianos, amigos do meu pai, era muito boa: meus livros de religião eram da Editora Vozes, e os padres falavam em Teologia da Libertação, Comunidade Eclesial de Base e São Francisco de Assis. Valores que não eram tão contrastantes ao IFCH e nem ao pensamento esquerdinha que eu sempre tive.
Em nenhum momento me foi explicado ou dito que ali era o Centro do Opus Dei, seção feminina, de Campinas. Mesmo quando, meses depois, fui convidada para ir pra Piracicaba, junto com outras garotas, passar uma semana das minhas férias de julho numa escola de periferia, fazendo atividades recreativas com as crianças do bairro.
Dormíamos nas salas de aula e tomávamos banho na creche ao lado. Um frio horroroso e um esquema de atividades surreal, que eu enfrentava porque sempre fui meio hiperativa. Lembro que na turma destoava uma mulher mais velha, sempre em roupas severas, e que me tratava meio no deboche. Um dia, uma das meninas veio me repreender porque eu saía pelada do banho, com a toalha amarrada na cabeça ( além de hiperativa sou uma pequena tupinambá). E algumas garotas rezavam muito. E a comida que a gente comia era duzentas vezes melhor que as roscas duras e o leite de soja azedo que se dava às crianças.
Voltei pra Campinas e um dia, num passeio pela Unicamp, com outras colegas, confessei que tinha perdido a virgindade meses antes, e minha amiga passou a me evitar. Deixei de ser convidada pro Centro.
Ela ainda tentou me chamar um ano e meio depois. O Centro estava numa mansão no Taquaral, e lá eu fui chamada para uma missa. E pela primeira vez eu vi um padre espanhol, vestido de negro dos pés a cabeça, tão diferente dos bonachões salvatorianos da minha infância.
Ali percebi que o Opus Dei era algo meio sinistro. As garotas que moravam no Centro viviam uma vida estranha, longe das famílias. Minha mãe, sempre avessa à Santa Madre, passou a sabotar as tentativas de contato de uma das meninas do Centro.
Minha colega não desistiu, porém. Depois da morte do meu pai, eu já saída da casa da minha mãe e recém-ingressa no mestrado de História da Arte, me chamou para dar uma palestra sobre Arte renascentista num Centro de São Paulo. Peguei um paletó risca de giz que até hoje me acompanha e fui encontrá-la na estação Vergueiro. Dessa vez, fui parar num lugar definitivamente sinistro, com pessoas estranhíssimas, parecendo cena de filme do Fellini.
Falei de Leonardo, Michelângelo e Rafael com a desenvoltura de quem sabe que a fé católica deles era pré-Concílio de Trento, ou seja, nada mais longínquo de Escrivá. Bom, essa minha amiga, perdi o contato, só a encontrei na exposição dos Manuscritos do Mar Morto ano passado. Magérrima, sofrida, envolta num pulôver que era da época em que ela ainda sorria. Ao lado de um marido de olhos ausentes e um menino.
Fiquei feliz de reencontrá-la. Ela me olhava de um dos piores jeitos que alguém já me olhou. Disse que havia tido uma filha e que a menininha faleceu. Fiquei chocada com o jeito horrível com o qual ela falou isso. Ela me disse que eu estava muito gorda, e que precisava me cuidar. E foi só. E pensei, ela continua na Opus Dei. Ela aceitou a morte da filha, aceitou casar com um idiota qualquer, aceitou perder a alegria, tudo porque é vontade de Deus.

Monday, December 26, 2005

E quando eu quero me consolar?

Retirei o útimo post porque a braveza passou, a raiva deu lugar à minha melancolia habitual.


Nos últimos dias, devido a vários problemas, precisei me consolar um pouco. Mas como? Comer é a solução mais imediata. O problema é que engordo muito fácil. Em três semanas de Brasil, um quilo e meio entrou na silhueta. A comida brasileira é gostosa, fazer o quê? E Natal também não facilita.


Tá bom, comida não dá. Academia não pude voltar porque senão teria que pagar um mês e usar uma semana, não tô podendo me dar esse luxo. Nem interurbano posso fazer de casa, e meu celular é pai-de-santo há muito tempo, só recebe, e recebe em lugares estratégicos porque a TIM não cobre o distrito de Barão Geraldo.
Roupa e sapato, as grandes paixões de consumo, livros e CDs, tampouco posso adquirir no momento. Vamos fazer uma viagem simples, sítio dos pais da Dani pro Ano-Novo. Mas depois, nada de praia nem de curtição. Até o trabalho, que é meu grande consolo nas horas difícieis, tá emperrado.
Ouço música, leio bobagem na internet, pelo menos isso tenho em casa. E recorro ao meu velho estoicismo, um que bate no meu pescoço milagrosamente sempre que eu preciso. Não sei como, acho que em outra encadernação fui um escravo de grande mestre estóico. Ou um monge copista. Brincadeira. A vida é ruim às vezes, só isso. E aí, a gente tem que apelar pra única coisa que salva. O bom humor.

Friday, December 23, 2005

Dissabores

Sempre dei muita importância para a amizade. Acho, sinceramente, que amor de amizade é uma das melhores coisas que existem. Salva a gente de muita dor causada pela família ( que a gente não escolhe e por isso mesmo se vira pra aceitar) e pelos relacionamentos amorosos ( a eterna loteria). Infelizmente às vezes as amizades também fazem a gente sofrer.
Lembro que amava muito a minha primeira amiguinha, a Sílvia. Nossa, como eu gostava dela. E no final da segunda série, sofri muito quando ela aos poucos foi se afastando de mim. Desde pequena fui passional, ciumenta. Quando amo, amo de pisar na jaca, compro a briga da pessoa, empunho a espada e combato o bom combate.
Mas esse meu jeito já causou muitos dissabores e continua causando. Nem sempre as pessoas querem a espada e o bom combate. Nem sempre é o caso de falar a verdade, de alertar para os erros, e de tentar evitar o sofrimento. Nem sempre dá pra fazer o que se a gente realmente quer fazer. Deixar o outro ir, a lição do desapego. Essa semana sofri com esse tipo de reflexão, peguei um torcicolo, quatro dias de dor e pensando, cheguei no meu limite com beltrano, fulano, sicrano. Nada do que eu possa fazer.

Deixei meu sapatinho

Essa música de Natal é de lascar, não é mesmo? E me lembra uma história triste.
Minha mãe deveria ter uns cinco anos, e ouviu essa música. Convenceu os irmãozinhos a por os sapatinhos na janela. No outro dia, criança pobre de Campos dos Goytacazes, só viu sereno nos sapatinhos.
Meu pai, ouvindo essa história, xingava o sogro que não conheceu, e acrescentava que seu pai, o internacionalmente famoso Seu Armando, podia ser um duro, mas comprava presente da Natal pros seis filhos. Presentes simples, mas que mantivessem na cabeça e no coração dos filhos a imagem do São Nicolau secularizado.
Por isso, digo e repito a máxima: o Natal é das crianças. E não importa o valor do presente, é óbvio. Sim, eu sou piegas. Chega essa época do ano, eu juro por todos os orixás que não vou enfrentar supermercado e essas pragas da vida moderna chamadas shopping centers. Que não vou me render ao capitalismo selvagem e que de mais a mais nem boa cristã sou, eu que aos quinze anos deixei de ir no curso de crisma pra ficar assistindo Simpsons, que coleciono pecados veniais e capitais a torto e a direito, que desde os dez anos não me confesso e quando comungo, de dez em dez anos, o faço no trágico estado de pecado sem remissão.
Mas não adianta. Vai chegando perto da data, lembro do sorriso do filho de uma amiga, do sorriso da amiga, daquela pessoa que me deu tanta força o ano inteiro, do bom funcionário do prédio, enfim, e enfrento as filas dos supermercados, shopping centers, compro uma roupa nova e lasco dois quilos a mais por causa do tender, peru, farofa e nozes. E lembro da velha lição franciscana do presépio, da simplicidade de caráter, do menino judeu nascendo, e canto a musiquinha da Vida de Bryan, do Monty Phyton.

Thursday, December 22, 2005

Comidas que fazem bem à alma

Na verdade, toda comida boa e bem-feita, feita com carinho, com aquela disposição divina que só os cozinheiros e os artistas podem ter, faz bem à alma. Mas tem umas coisas imbatíveis, tava aqui pensando:

1)chá. Qualquer um. Limpa o pensamento, clareia tudo.

2)azeite. Extra-virgem. Serve pra desintoxicar, pra dar uma engorduradinha básica, pra temperar, e segundo outros, até pra tirar cutícula de unha.

3)chocolate. Mesmo quem não é fã sorri diante de uma caixa de bombons.

4)batata. Frita, ensopada, cozida, batata é o que há.

5)tudo que vem do mar. Menos caranguejo no meu caso. Descobri que era alérgica da pior maneira possível: enchendo a cara de moqueca de caranguejo em Vitória.

6)fruta. Em dezembro, manga, daquelas bem amarelas e gordinhas....hihihihi....

7)queijo minas. Da civilização mineira também vem os clássicos bolo de fubá, pão-de-queijo e tutu de feijão.

8)por último, a coisa da qual sou mais fã. Fico esperando o ano todo junho chegar, e vir a época da mandioquinha. O cheiro de mandioquinha cozinhando empata com o de alho e cebola fritando.

Wednesday, December 21, 2005

E eu que achava...

1) que nunca faria regime. Comia como uma louca e não tava nem aí. Pois é, no início do ano, precisei me pesar pra tomar vermífugo e levei um puta susto. Tive que perder dez quilos e ainda estão faltando seis pro meu IMC ser normal. Enfim, é a vida.
2)que nunca escolheria marca de xampu. Eu comprava do mais barato no Atacadão Vila Nova e tirava sarro das amigas enlouquecidas e viciadas em Phytoervas. Foi ganhar e usar xampu do Boticário, viciei em xampu bom. A gente fica velho e burguês.


3)que nunca seria fã do Roberto Carlos. Hoje foi especial dele e tocou Amor Perfeito ( que nem é dele, é do Sulivan e Massadas!) e eu cantei junto. Cantei junto, eu que li Marx aos dezessete anos. E odiava passar Natal na casa da minha tia no Rio por causa do especial do Roberto.

4)que nunca chegaria no fundo do poço por causa de homem. Orgulhosa aos quinze anos, pensava, mas eu nunca vou me ferrar por amor. Me ferrei várias vezes. E de verde-amarelo.

5)que teria que aprender a cuidar de casa. Eu berrava pra minha mãe que teria dinheiro sempre pra pagar uma funcionária. O poder aquisitivo da classe média brasileira caiu, e o meu se tornou inexistente. Precisei aprender a fazer faxina completa, cozinhar, lavar, passar e fazer fuxico.

6)que compraria um biquíni branco. Hoje precisei ir no Carrefour comprar macarrão, bebidas alcóolicas para o Natal, pão light e panetone não-light. Sempre dou uma olhada nas roupitchas do Carrefour, e lá eu vi. Um biquíni simples, doze reais. Branquinho, branquinho. Trouxe pra casa e vestiu super bem. Vai entender.

Tuesday, December 20, 2005

O motoqueiro cor-de-rosa

Já faz um tempo, apareceu uma figura maravilhosa nas ruas de Campinas.
Motoqueiro, moto antiga, daquelas da Corrida Maluca, com banco do lado e tudo. Mas o detalhe básico: a moto, tudo, tudo, é pink. E um som poderosíssimo anuncia a chegada da Penélope Charmosa...
Toca de tudo naquele som, I will survive, Gloria Gaynor, o hino-mor dos GLS e XYZE, de quem quer se divertir, viver sem o preconceito feio na cabeça.
Livre, livre, passa sorrindo, ouvindo Abba, alegrando todos. Criando raiva na cabeça dos campineiros burgueses, desses que não suportam a feira hippie no Centro de Convivência ( meu, vai morar em outro lugar, você compra um apartamento do lado de um lugar chamado Centro de Convivência e não quer barraca e show na porta? Vai morar em outro lugar!) nem os travestis e as moças nas ruas do Bosque.
Hoje, pseudo-engarrafamento, daqueles típicos campineiros. Explico: não é excesso de tráfego, é sempre uma dona em fila dupla atendendo o celular, neguinho dando marcha-ré louca, coisa de gente provinciana que entope a via. Plena Moraes Salles, eu de saco muito cheio dos pseudo-rushs que infestam essa cidade, passa o querido motoqueirinho, livre, leve e solto, do outro lado.
Vou pra Barão pela velha e enjoada Dom Pedro. Na altura do Tilli Center, a surpresa: ouço Jingle Bells, é ele, de chapéu de Papai Noel e tudo, e laços vermelhos na motoca. Passou rápido, não deu tempo de eu fazer o que decidi na Moraes Salles: abrir a janela do meu Celta e gritar: EU TE AMO, MOTOQUEIRO COR-DE-ROSA! Eu amo seu jeito alegre, sua moto doidinha, a cor e o som! Amo quando você aparece em Barão, e eu olho pro Celo e a gente concorda, manso, simples: você é nosso ídolo!
Corro atrás do charmoso, que, esperto como ele só, se enfia a toda na Estrada da Rhodia. Não consegui segui-lo. Mas não vou desistir: motoqueiro cor-de-rosa, eu ainda vou gritar eu te amo no meio dessa cidade tão sofrida.

Monday, December 19, 2005

O equilíbrio possível entre todas as coisas

Hoje, Universidade Estadual de Campinas. O velho canavial transformado na universidade modelo.
Reencontrar amigos e o café expresso. Ansiosa e pior ainda, tomando café expresso. A sandália arrebenta, o coração com saudade de todos. Preciso trabalhar, preciso ser produtiva, e a luta contra a ansiedade. Natal, família, grana, sentimentos. Meu Deus, dez anos no canavial, e as coisas mudam devagar, devagarinho. Quando mudam.
Reencontrei Nancy e Betta, as duas grandes queridas. Ganhei as duas de presente junto da História da Arte. As grandes incentivadoras e companheiras, o que seria de mim sem vocês? Ligo no Paulo, no celular. Ligo no amigo advogado em São Paulo, antiga, antiga paixão, sempre ocupado e sério, enquanto eu dou risada. Tem coisas que nunca mudam, os laços e lealdades.
Todos dizem que estou mais magra, mais clarinha, muita neve e Chicago no meio. Como fiquei feliz, acertei no presente da Nancy, né?
O sentido se constrói. E a amiga distante, há tantos anos sofrendo pelo mesmo, rodopiando pelo mesmo, e eu, será que mudei? Tento pelo menos. Só sei que procuro o equilíbrio possível entre todas as coisas.

Sunday, December 18, 2005

É a vida...

Ontem, estava ouvindo rádio e fazendo café, telefone tocou, era Dani.
Companheira de baladas e desventuras desde o longínquo 1996, Dani queria tomar um café. Deixei a Belletti entornada e a mala por desfazer, e levei um casaco de couro e um sutiã que ela me emprestou no ano retrasado ( pois é, pois é, depois tem gente que acredita em horóscopo e diz que como toda a virginiana eu sou organizada e certinha) e o secador de cabelo que comprei no Walgreen's do lado da Newberry.
Nem precisa dizer que as duas comadres fofocaram a tarde toda, que do café passamos pro hambúrguer light, e daí pra bolinha de queijo com cerveja... os respectivos companheiros chegaram, e cada uma tomou o seu rumo, com as dietas estragadas e a alma feliz.
Mas antes, muita conversa, muita lembrança, muito amor que se foi. Mas que dor essa, né, Dani? O amor que se foi. Aquela hora em que tudo brilhou e depois... só o disfarce, como diria nosso lindo Springsteen.
Eu tinha perdido meu pai. De uma hora pra outra. Perdi o pai, o melhor amigo, o incentivo, o apoio, a compreensão. O namorado termina comigo. O irmão e a mãe... e no meio daquele abandono, daquele sofrimento, surgiu o convite da amiga tão querida. Vamos com todo mundo pra Vitória do Espírito Santo, pro congresso da Associação Brasileira de Antropologia. O último ano da graduação, e eu chorando a viagem inteira, ligando em cada parada pro namorado, peloamordedeus volta pra mim.
Chega em Vitória, aquela confusão, gente saindo pelo ladrão, e dois colegas da Unesp querendo vaga no ônibus. No hotel, chorava, chorava, e as meninas me proibiram de ligar pro namorado irredutível. E me tacaram na festa, no Forró dos Argonautas, onde só se vendia tequila pra beber. E o colega na Unesp lá. E deu uma epidemia de soluço no povo, passava de uma pra outra.
Dani lembra. Daqui a pouco, a Tati, louquinha mas sempre mãezona, cadê a Paula? As meninas doidas de preocupação, menos a Dani, óbvio, que com seus poderes de menina-xamã sacou tudo. Deixa a outra, o amor queria carona no ônibus, gente.
Tantos anos depois, eu me lembro, Dani lembra, do moço alto, de barba, arqueólogo de profissão, caminhoneiro de coração, que pegou umas malárias escavando na Amazônia, e que veio uma vez me ver em Barão. Tudo isso pra sair correndo sem olhar pra trás. É a vida.

O setor de serviços e a picaretagem

Mais um capítulo da novela Cartão Visa International Nossa Caixa Nosso Rolo. E uma prova de que o capitalismo brasileiro não vai pra frente por causa da picaretagem.
Pois bem, depois de clonagem, cartão bloqueado, fatura cobrada duas vezes, estorno pedido pra conta corrente, a gerente da agência da Reitoria da Unicamp liga constrangidíssima pra mim, ainda em fuso horário do Meio-Oeste... gringo.
Bem que eu pedi pra ela tirar a fatura do débito automático, mas tudo bem. Ainda meio dormindo, fui uma lady, a tratei super bem. Hoje, domingão do Faustão, tentei como sempre trabalhar, e meu futuro cônjuge foi almoçar na mamma. Matei a fome com o clássico spaghetti de molho de atum ( a falta de grana) e sentei no Caronte pra começar os trabalhos de Hércules.
O futuro cônjuge volta acalorado de Barão. Depois, deu fome no povo, vamos sair pra jantar. Ligo na Central de Cartões, vulgo a Porta da Desesperança, e recebo a notícia que tenho o limite intacto. Nada em fatura, nada em nada, resolvo presentear o amore e eu mesma com o super jantar nipônico do Shogun, aqui no Convivência campinense.
Enfrentamos a tempestade típica do clima subtropical, nessa época natalina. Portas fechadas no Shogun. Nishino, Costelaria Carro de Boi, todas as estrelas do firmamento gastronômico de Campinas, tutti chiusi, e filas gigantescas nos fast foods da Norte-Sul. Cidade admirável, centro nervoso do interior do Centro-Sul brazuca, no domingo não tem lugar nenhum pra comer nada.
Vamos pro horrível, tenebroso e lotado Shopping Dom Pedro. Pelo menos lá tem o Premiatto de sempre, as boas carnes e bons risotos. Vou pagar, transação negada.
Chego em casa com a fome saciada e a sede de vingança. Ligo na Central, o carinha me diz que preciso usar o cartão novo, que neguinho mandou por debaixo da minha porta essa semana. E que o estorno ainda, ainda não entrou na minha conta. Sei disso, a luz e o telefone já me deixaram cinquenta paus negativa na conta corrente. E vocês não vão pagar os juros e o limite da conta estourada.
Tentei me conectar o dia inteiro. Explico: aqui na Padre Vieira, centro da Ponte Preta, tenho acesso discado ao provedor Terra. E nada, nada o dia inteiro. Ligo no Auxílio Técnico. O rapazola me diz que o meu modem ficou preso de tanto tentar, muda minha senha, pede pra eu desligar Caronte e tentar novamente. E se não der certo? Aí, minha senhora, precisa migrar de plano. É, migrar de plano. Prum mais caro, porque o meu, o mais simplinho, não garante meus direitos de consumidora.
Detalhe: se eu mudava a opção de cobrança dos pulsos, conectava, e caía numa página da Telefônica, gentilmente me convidando pra entrar num Plano SuperMegaUtraPlus de Internet Ilimitada. É demais.

Friday, December 16, 2005

O melhor de Campinas para você!

Espantando a depressão natalina e campineira, o melhor do melhor de Campinas do Mato de Dentro de Jundiaí para você ( na área Baixa Gastronomia):
1)o pastel do Voga. Difícil explicar, é um fenômeno. Vem sequinho e com recheio. Um pastel com recheio! O de palmito e o de bacalhau são os the best of.
2)o café de bule do Café Regina. Lá tem pastelzinho também, mas eu prefiro os doces portugueses. E a tabacaria.
3)pães e doces na Padaria Orly, na frente do Café Regina. Em Chicago não tem padaria, tá vendo?
4)as tortas salgadas da feirinha hippie. E o espetinho de frango da feirinha hippie. Depois, uma torta de limão... hum...
5)os sorvetes da Sergel. Outro fenômeno. Por dois e cinqüenta você toma um cascão bola dupla matador. Ah, tantos finais de tarde, eu pegava meu possante, enfiava um dos amigos e cruzava o tapetão, linda e maravilhosa, pra enfrentar um sorvete de café arrebatador. E baratinho.
6)dois restaurantes japoneses: o Yaki-Ten, em Barão, e o Shogun, no Centro de Convivência. Maravilhosos, tudo fresquinho, muito sushi e sashimi, muito tempura, muito missô e vontade de viver depois.
7)as pizzas da Ritorno e a agora, da paulistana e incorrigível Bráz. Pizza em qualquer outro lugar não dá.
8)eu gostava muito de uma mini-tortinha de nozes da Dolder. Não sei onde a Dolder foi parar... sei que é no bairro do Gramado, alguém sabe me informar?
9)as comidinhas light e bem sacadinhas do Spice, no Cambuí. Tem uns molhinhos de fruta lá que eu sempre quero levar pra casa.
10)a feijoada do Frangonete em Barão Geraldo. Eu adorava a feju do Bandex da Unicamp, mas agora não sei mais quando tem. Se alguém quiser me avisar... mas toda quarta-feira rola no Frangonete uma de primeira.
11)o bufê com carpaccio e as sopas do Éden Bar. Esse aí nem é baixa gastronomia, é da alta mesmo, assim como os salgados do Giovanetti. O problema do Giovanetti é o preço, meu Deus do céu!
12)o caldinho de feijão e a caipirinha do Ponto Um, em Barão. Não adianta, sou fã do Ponto Um. E do caldinho de feijão.
13)o bolo de aipim da Padaria Ki-Pão, na Moraes Salles. É a única coisa que presta naquela padaria.

Campinas

Ontem, fiquei pelo velho e sempre combalido centro de Campinas. E me deu uma depressão...
Não quero que o povo me entenda mal. Problemas, tive muitos em Chicago, a cidade não é um paraíso na Terra, e blá, blá, blá. Aliás, andando pelo centro desta cidade que me acolheu em 1992, percebi que a administração doutor Hélio deu uma boa garibada, luzes bonitas de Natal, recapeamento de algumas das principais vias, a praça do Centro de Convivência revitalizada, e o pastel do Voga continua o melhor do melhor.
A Praça Carlos Gomes resplandece, é Natal, a decoração é de bom gosto e alegra as senhoras no ponto de ônibus, esperando o velho 370, rumo a um Terminal Barão Geraldo com placas novas, e grafites bonitos e coloridos nas paredes. Os ônibus estão coloridos também, as placas nos pontos voltaram, e no Palácio Municipal um enorme pinheiro de luzes me esquentou o coração. Mas...
Campinas carece de vida cultural. Isso não dá pra negar. O mais estranho é que as instituições existem: nós temos um Museu de Arte Contemporânea, uma Biblioteca Municipal, temos o Bosque, o Taquaral, o Centro de Convivência, o Observatório de Joaquim Egídio, temos o Teatro Castro Mendes... a CPFL... às vezes acontecem coisas muito legais. Lembro das exposições no Museu, Lasar Segall, Portinari, até o rinoceronte do Dalí, que tanto encantou e que desejou ficar pra sempre no início da velha Rua Padre Vieira. A Orquestra, impecável e soberana. A nossa Catedral, com alguns concertos. Mas algo falta, algo falta.
Uma política de valorização do acervo do Museu. Uma completa e bem-feita reformulação da Biblioteca. Exposições dos artistas locais, discussão, cinemas. Falta dar uma ajuda pro povo do Paradiso. Teatro, a Campanha de Popularização do Teatro, nos últimos anos, tem servido pra despopularizar o teatro. E o calcanhar de Aquiles: a falta de uma política social, o cinturão de miséria e violência ao redor da cidade, e que os campineiros do Cambuí e Taquaral cismam em não ver, se trancando dentro de casa e na highway que virou a Rodovia Dom Pedro. Menos shopping, Campinas precisa de mais espaços públicos.
O outro calcanhar de Aquiles, no meu ponto de vista, é o transporte público. Inviável uma cidade onde todo mundo usa carro. Há alguns anos atrás, lecionei num cursinho pré-vestibular popular, num bairro imenso, a Vila União. Pra se chegar lá era um sacrifício, e eu via meus alunos sofridos nos parcos e atrasados ônibus. Peguei o mapa da lista telefônica e fiz as estações do METROCAMP. Sim, Campinas precisa de um metrô. Cidades muito menores tem. Campinas é uma cidade horizontalizada, segundo os dados do censo mais da metade mora em casa. Com uma malha urbana tão espalhada, Campinas se daria bem com um metrô. Sei que é caro, e que uns filhos da mãe pegaram o nome METROCAMP e disso fizeram uma faculdade particular ( não tenho informações para avaliar a qualidade do ensino na citada instituição). Sei que é utópico. Mas um pouco de utopia não faria mal a Campinas.

Wednesday, December 14, 2005

Jump

Estou aqui com meu novo brinquedo, o I-POD. Segundo um povo descolado aí, falar de I-POD já datou. Como sou pobre e não comprei o meu na crista da onda, fazer o quê, estou deslumbrada com o bichinho, que é negro e atende pelo nome de Neguinho do Pastoreio.
Agora Neguinho lascou Jump, do velho Van Halen. Pois é, segundo descolados em geral, a onda 80's já datou também, ou seja, sou uma pessoa duplamente brega: hoje escrevo sobre um I-POD afro-descendente que toca esse cráçico do rock da década revirada.
Com essa música eu tenho uma relação especial, porém. Em 1992, vim pra Campinas, saída de Jundiaí. Nada contra a Terra da Uva, mas aquilo tudo, a italianada, a falta de vida cultural ( naquela época, naquela época), as parreiras, tudo aquilo me enfastiava. Num momento de rara rebeldia, falei pro seu Pedro que iria fazer o colegial ( naquela época era colegial, estou traindo a minha idade) em Campinas. Sei lá porquê, lasquei Campinas.
Meu pai estava de saco cheio de pegar ônibus todo dia e ir trabalhar em plena Avenida Angélica. E fomos procurar um apartamento em Perdizes, achamos um cujas portas eram roxas. Aquilo era demais pro nosso pretenso bom gosto, e a vida não é uma partida de Banco Imobiliário. Nem saindo da cadeia a gente comprava algo em São Paulo.
Viemos todos pra Campinas. Fui estudar no Sagrado Coração de Jesus, e no primeiro dia, de uniforme novo ( um moletom cinza que mais parecia, e depois virava mesmo, um pijama), comecei a andar por um corredor largo, sem conhecer ninguém, e ouvia uma bateria, uns acordes do que reconheci ser rock and roll. Não é que as freiras resolveram contratar uma banda de rock pra tocar pra molecada no primeiro dia de aula? Lógico que os caras assassinaram, entre outras, Jump.
Vi que estava num colégio meio esquisito quando, no dia seguinte, saiu um jornalzinho com uma foto tirada do palco. Meia dúzia ficou na frente; o fotógrafo ( uma das irmãs) fez a coisa de um jeito que parecia que uma multidão enlouquecida assistia os Rolling Stones! Na verdade, o povo todo tinha ficado atrás, super constrangido do mico. E a manchete dizia: MEGA SUCESSO NO SHOW DE ROCK DO CORAÇÃO! Foi aí que aprendi a desconfiar de jornais...

O matuto e os pobreuma

Terceiro dia de Brasil. O fuso horário ainda atrapalha um pouco, o calor, e esse sol, onde estava?
Ontem fui dar um rolê pela Unicamp. Precisava ir na agência da Nossa Caixa desancar a gerente. Pra quem não lembra: paguei a fatura do meu cartão de crédito, via débito autorizado para a gerente, antes do vencimento. Teve a clonagem, e depois disso, não é que os caras cobraram a mesma fatura de novo? Fiquei sem nada na conta, e puta da vida.
Encontrei o Paulo, e conversa vai, conversa vem... alguns alunos fofos do IA fizeram festa pra mim, e fomos almoçar, Paulo, Celo e eu, no Seu Pimenta, no centro de Barão. Só digo isso: é caro mas vale a pena esse danado do Seu Pimenta. Depois desse almoço digno dos deuses, voltei com o Paulo pra Unicamp e só deu cantina do IEL. Vinha um, vinha outro, parecia uma barraquinha de festa junina. Não conseguia levantar, apareceram quase todos os maloqueiros, sendo que o último, o Beto, talvez seja dos piores. Quando o supracitado indivíduo sentou, já eram quase quatro horas. Só me restou ir pagar o condomínio num forno de microondas que os caras dizem ser um caixa eletrônico do Nossa Caixa no Ciclo Básico.
No final, liguei na famigerada Central dos Cartões desse maldito banco. A moça gentilmente confirma que paguei a fatura duas vezes ( e nada de avisar, né?) e que poderia usar esse saldo para compras. Falei pra ela, mas nem a pau, eu quero um estorno e agora! Essa foi boa, eu sou uma pessoa cristã, quero assar um pernil no Natal, e acho que o açougueiro não aceita Visa International. O estorno demora dez ( sim, DEZ) dias úteis pra chegar. Mas que palhaçada.
Ah, sobre a clonagem: meu cartão foi preventivamente bloqueado, os caras chegaram a conclusão que eu não poderia gastar três vezes o meu limite em meia-hora ( bem que eu queria, mas o fato de ser cristã não me permite), e não vão me cobrar os valores indevidos que não reconheci, na conversa desesperada que tive com a atendente via telefone. Que alívio, pra mim e pra torcida do Flamengo.
Conclusão: até dia 23 de dezembro, antevéspera de Natal, não tenho nada na conta, estou muito de saco cheio e resolvi que vou tacar fogo na agência da Nossa Caixa na Reitoria.

Tuesday, December 13, 2005

Terra Brasilis

Primeiro post... na velha e boa Campinas do Mato de Dentro de Jundiaí.
A emoção da volta, a viagem, a última nevasca, eu conto depois. Só quero informar que estou bem, meio zonza ainda, revendo a Unicamp e hoje, fui tudo, menos produtiva. Precisava ir na agência da Reitoria da Nossa Caixa Nosso Problema, mas nada, só papo com Paulo, Beto, Luís Fernando, a trinca de ouro do café do IEL. Fazer o quê, né?
Queria também mandar um beijo especial pra Jana, minha cunhada! Eu fiquei sabendo que você também andou lendo meu blog! Jana, saiba que eu gosto muito de você, viu?
E esse friozinho de dezembro, gente, de onde vem?

Saturday, December 10, 2005

A United Airlines agradece a todos a preferência e lhes deseja uma boa viagem

Em tempo, a emoção me fez esquecer um pedido.

A todos vocês, que do outro lado da tela, durante esses três meses, acompanharam meus sofrimentos e aventuras em Chicago, um muitíssimo obrigada! Esse blog se transformou em algo especial pra mim, graças à vocês. Muitos acontecimentos, eu vivia e já pensava como ia escrever, como ia contar pra vocês....
Eu só queria pedir que vocês continuassem me acompanhando... mesmo em Campinas! Beijos a todos, Nancy, Tati, Dani e Chris, Celo, Beto, todos, todos!

Despedida

Bom, gente, esse é meu último post em terras chicagoans. Estou sem internet e telefone novamente no apê, e ontem e hoje, correria dos preparativos. Doei algumas roupas pra não ter excesso de bagagem, vou deixar as toalhas e o cobertor Paraíba no cafofo...
Acabei de me despedir dos livros na minha charrel tão querida, aqui na Newberry. Entrei na Newberry hoje chorando, meu Deus, como vou sentir falta dessa biblioteca fofa e querida.
Hoje de manhã fiquei presa em casa, mais uma nevasca terrível se abateu sobre Chicago. Morreu muita gente na quarta-feira, num acidente perto do aeroporto, e hoje muita gente ficou presa de novo, no trânsito, em casa... eu saí e uma multidão na rua, de gente comprando comida, usando orelhão, enfim, tentando viver depois da nevasca.
Eu consegui sair de casa só duas e meia, corri no brechó das velhinhas fofas e deixei as calças muito largas, a jaqueta meio sujinha, o pijama, esse um farrapo, e corri prum orelhão, sabia que o Celo estava me esperando. Só posso dizer uma coisa, a Embratel salva a gente.
Newberry, Newberry. Os livros que tanto sonhei consultar. Artie, o Hooper, o Seurat, o Van Gogh, os Monet e as artes ameríndias. Ana e Gabriel, Oliakla, Daniel e Jen, os meninos gaúchos de W Chestnut... as beluga do Shedd, a amabilidade, as sixtie songs, o hot dog, a cor azul do Michigan, tudo isso vai estar no meu coração, pra sempre.

Friday, December 09, 2005

Nevasca e chimarrão

Ontem caiu uma enorme nevasca aqui.
Tudo ficou absolutamente branco, as ruas, os prédios, tudo, tudo branco, brilhando.
Bom, descobri que são três os apartamentos da gauchada em W Chestnut: dois casais, e uma república com três rapazes. O povo todo combinou comigo que quem folgasse na quinta à noite, me levaria pra jantar num restaurante chinês, especializado em frutos do mar, que eles descobriram em outro bairro.
No final, fomos eu, Gasparetto e outro dos rapazes da república, chamado Edson. O restaurante é excelente, super barato ( oito dólares! que diferença da churrascaria, hein)? Tudo branco na rua, água na entrada do metrô. Conversando com os rapazes, percebi um pouco de perto a realidade de quem vem pra trampar aqui, arrisca às vezes ficar ilegal, o sofrimento de deixar a família... depois, a gente foi pro apartamento deles ( duzentas vezes maior que o meu) e tomamos uma cerveja. O Edson pegou o violão, e eles desfiaram um monte de cantiga do Sul, muito legal.
Pois é, Chicago até o final foi uma caixinha de surpresas.

Thursday, December 08, 2005

Últimas notícias chicagoans

Sei que meus fãs querem saber por onde andei, nessa última e derradeira semana potawatomi.
Na segunda-feira, como relatei, fui visitar o Shedd Aquarium e o Adler Planetarium. Na terça, mais Artie e o Field Museum. Ontem, enfrentei pela última vez a Regenstein Library da Universidade de Chicago. Tudo isso num frio de lascar, que assustou mesmo os mais empedernidos chicagoans: ontem olhei pro termômetro da Avenida Chicago e estava 15... abaixo de zero.
Gente, a sensação de um frio desses, piorada pelo vento cortante e constante que vem do Lago, é horrível. Sofri muito esses dias na rua, sofri mesmo de frio. Com blusa, casacão urso polar, cachecol, dois gorros... ontem fiz um sacrifício e enfrentei todas as livrarias e sebos da 57th Street, na Universidade, em busca de uma lista de encomendas brazuquinhas. Não achei quase nada, o que comprova a tese do Gabriel ( meu amigo daqui) que é melhor comprar pela Internet mesmo. Por mais coisas que as livrarias tenham ( e elas tem coisa pra caramba, acredite), dar conta do maior mercado editorial do mundo é fogo.
Depois, fui ter com o Leviatã que é a Regenstein. Consegui achar uma bibliografia bacana e up-to-date, pra impressionar o meu parecerista da Fapesp. Trabalhei até as nove da noite, horário de um ônibus miraculoso que descobri, que sai da frente da Biblioteca e pára aqui do lado de casa, graças a Deus. O problema é que me enrolei pra variar com a máquina self-service de xerox e quase perdi o busão... mas no final deu tudo certo.
Chegando em 55 W Chestnut, dei de cara com um dos meus vizinhos gaúchos. A gente conversou bastante, e sim, Dani, eles trabalham na Fogo de Chão e em outra churrascaria, a Sal e Carvão, dos mesmos donos.
O rapaz que eu conversei ontem se chama Gasparetto, e vem do Paraná. Obviamente tirei sarro dele, mas como que é isso de não ser gaúcho e usar bombacha, mas que coisa picareta, e daí ele me lembrou do que o velho Borges escreveu: gaúcho não é quem nasce no Rio Grande do Sul, é quem vive a cultura que vai desde o Pantanal até quase a Patagônia...
Nem precisa dizer que eles estão ganhando rios de dinheiro aqui. Esse grupo que mora no meu prédio veio pra trabalhar na Flórida, mas os caras de lá não pagavam... daí, os sulistas vieram pra Chicago. Em dois anos, o Gasparetto me disse que comprou terras e ajudou a família, ou seja, faz todo o sentido pensar no porquê decidir imigrar. E ainda ofereceu um emprego de prenda pra mim. E eu, nessa dureza Fapespiana, pensei, mas seria uma boa idéia, eu trazia o povo pra cá e a gente montava um restaurante baiano, quem sabe?

Tuesday, December 06, 2005

Recordes!!!!!!!!

Recordes batidos pela vossa comentadora de Dante e visitante da Windy City nas horas vagas:
1) 11 visitas ao Art Institute, correspondendo ao total das terças-feiras passadas pela escriba na cidadela potawatomi. Toda terça-feira, o velho dude Artie é de grátis; cheguei aqui numa terça, mas compensei indo num sábado, para assistir uma palestra também. Foi o único dia em que paguei ingresso meia na veneranda e supracitada instituição;
2)4 visitas, em segundas-feiras frias e ensonadas, à Coleção Dante na Universidade Notre-Dame, em South Bend, estado vizinho, e dezenas de visitas à Seção de Coleções Especiais da Biblioteca Newberry, perfazendo o total de consultas à trinta incunábulos ( livros do século XV), Comédias e edições de Virgílio;
3) o recorde mundial de 449 na lista Músicas Prediletas no site Terra Rádio, esse i-pod de pobre que consumiu madrugadas, tardes, noites e dias dessa que vos escreve, lista preenchida com Sidney Magal, The Smiths, Bruce Springsteen e músicas árabes;
4) o consumo de aproximadamente 20 litros de limonada da marca Tropicana ( sim, existe), o que impediu de ficar gripada mesmo pegando neve e chuva na cachola, e o pior que tudo isso, o vento chicagoan;
5)travar conhecimento com três ( sim, três) gaúchos vestidos à caráter... sim, isso é a pura verdade! Existem duas churrascarias rodízio brasileiras em Chicago, famosas pela qualidade e preços exorbitantes ( mire na filosofia, 50 dólares por cabeça). Uma delas fica do lado da Fewkes Tower, que vem a ser... meu prédio! Um dia, descendo as escadas com meu saquinho de lixo reciclado, encontro.. um gaúcho! Paramentado com bombacha e tudo o mais. Dias depois, no elevador.... mais um gaúcho! Estava eu porventura tendo alucinação depois de tanto chá Earl Grey ( sim, queridos, marca Twinnings, que aqui custa um doleta) ou limonada Tropicana? Não! Três garçons e um gerente do estabelecimento citado moram... tchanananananan.... na Fewkes Tower! Tamos combinando de sair essa semana, eu, a gauchada, e as prendas deles ( as moças trabalham na recepção)... ou seja, vi três gaúchos vestidos à caráter no meu próprio prédio em Chicago? Isso é ou não é digno do Guiness ( do livro, gente, parem de pensar na cerveja)!

Monday, December 05, 2005

Shedd Aquarium

Hoje, deixei a Newberry e a Dante Collection de Notre Dame pra lá, peguei um ônibus na Michigan e fui parar no Museum Campus de Chicago.
É uma imensidão, às margens do Lago ( pra variar), depois do Artie e do Grant Park. Lá, existem três instituições muito famosas: o Field Museum, o Shedd Aquarium e o Adler Planetarium. O Field Museum, o Museu de História Natural, ficou pra amanhã. Hoje, fui no Shedd e no Adler.
Bom, pra início de conversa devo avisar ao querido leitor: Chicago está um terror de fria. Hoje, passei frio, mesmo com meia calça de lã, calça de veludo, casacão, dois gorros, luva, cachecol, o escambau. Se você um dia quiser saracotear pela cidadela potawatomi, não faça como eu: venha em agosto, e fique até o Dia de Ação de Graças. Depois, pegue sua malinha e vá para as Bahamas ou para Campinas mesmo, porque isso aqui fica o último círculo do Inferno de Dante: nem o Diabo em pessoa aguenta tanto frio ( sim, porque, segundo Dante, Lúcifer vive congelado, não em chamas)...
Enfim, tomei a coragem que me restava ou faltava, sei lá, e fui pro Museum Campus. Comecei pelo Shedd, um prédio neoclássico que abriga... o maior aquário do mundo! Você entra e dá num saguão elegantíssimo, com a inevitável e adorável e irressistível lodjinha; o ingresso é meio salgado, 25 pilas, mas residentes tem desconto, e finalmente minha conta de telefone serviu pra alguma coisa. Entro por 15 paus!
No primeiro salão, lindíssimo, está o Coral Caribenho. É um aquário mega ultra super gigante, com um ecossistema dos mares equatoriais. Dentro, toda sorte de peixinhos e peixões coloridos, tartarugas de todos os tamanhos, corais, anêmonas, arraias, e de tempos em tempos um mergulhador entra naquela imensidão e, enquanto dá comida pros bichinhos, mostra tudo pra platéia embevecida. Você pode fazer perguntas pro Aqualouco, e pensa, cara, eu queria ter esse emprego aí!
Depois, você vira à direita e entra em quatro salões gigantescos com uma emocionante exposição: as Estações do Ano no Rio Amazonas. Isso mesmo: são aquários gigantes que mostram os meses do ano em recortes do grande rio e seus afluentes, as cheias e as secas. Eu chorei pra caramba: primeiro porque você sente o cheiro de rio, de bicho, de planta, o calor, e vê o Amazonas encher e descer... tudo bem-feito, incrível.
Aprendi milhões de coisas, e as populações ribeirinhas aparecem em milhões de fotos, cartazes, pôsteres, tudo politicamente correto, tudo insistindo na preservação... mapas, e milhões de palavras, tão comuns pra nós brazucas. Eu tirei uma foto dum negócio engraçadíssimo: os caras tentando explicar qual é a alimentação ribeirinha, botaram umas mandiocas de plástico... e tem um cartaz imenso do lado, com um caboclo ralando a dita, e embaixo, olha, é man-di-okha... há, há, há! Fiquei rindo, emocionada, gringo é fogo!
Depois, tem salões e salões... um só de anêmonas, outro de tubarões, outros com ecossistemas do mundo inteiro, desde o Mar Morto até os lagos interiores da Austrália. E um aquário enorme, só de... piranhas!!! E tem embaixo assim: as piranhas ( as pi- ra-was, quá, quá, quá) não comem gente nem bois, só quando atacadas! Essa é boa!
Bom, mas o melhor está no andar de baixo. O grande e portentoso Oceanário. Gente, é um troço lindíssimo: todo de vidro, monumental, em cima do Lago Michigan, você tem um mini-oceano, com... golfinhos, baleias, leões-marinhos, pinguins... é incrível! É uma espécie de anfiteatro grego, e no meio, um mini-mar, que você pode ver inclusive por dentro, porque existe um andar de baixo, inteiro de vidro também.
A coisa toda é uma experiência sensorial. Começa com você chegando perto dos golfinhos, que, espertos como são, nadam bem perto de quem está olhando, mergulham e voltam, mergulham e voltam... quando você está no vidro, olhando debaixo d'água, é lógico que eles dão o show, e vêm fazer charme.
Mas, do lado, estão os seres mais fofos do Universo. As canadenses, branquinhas e cabeçudas Baleias Beluga. Cara, é muita fofura! Primeiro que você fica no vidro, elas fazem charme. Na superfície então, elas ficam suas amigas! Riem, falam no beluguês, chegam pertinho, e olham com olhos tão doces... que você esquece do mundo e fica feliz, feliz! Olha, eu comprovei a tese de que as baleias são os seres mais inteligentes do mundo. São sim! Você fala, elas respondem. É incrível a interação! Todo mundo se derrete com as Beluga. Não tem jeito, elas são as grandes estrelas de um lugar de sonho, de um lugar muito legal. Chicago é fogo.

Sunday, December 04, 2005

Haikais novos

caminho na neve
firo meus pés
reviro o passado




mas porque
o lago
aumenta

Vita Nuova

Eu tinha sete vezes três anos quando o vi.
E começou a minha vida nova.
Ano do Jubileu, as multidões em Roma andavam em círculos para entrar na Basílica veneranda.
Eu entrava no outro círculo do que os antigos chamavam a quadra da razão. E perdi a razão por dois olhos verdes e sobrancelhas espessas. Vestido de branco ou azul? Não me recordo mais.
Atravessei a Ponte Vecchia, e vi o Duomo.
Depois veio o exílio.
Desprezo não exprime o que ocorreu, nem tampouco menosprezo. Deixei de existir. Nunca mais a Ponte Vecchia, nunca mais o Duomo.
Outros círculos me acolheram, adentrei os portões de Averno. Vi Vergílio e os condenados, e um dia, libertei-me dos braços peludos de Lúcifer graças a Pai-Nossos.
Agora, o que me resta, nessa margem do Adriático? No meio do caminho de nossa vida, me perdi numa selva escura.

Quarta neve

Essa noite, caiu a nevasca definitiva.
Tudo branco na rua, uma mão de largura de neve...
Saí pra tirar fotos. Último domingo chicagoan, e é que abriu um sol? Abro a porta do cafofo, uma gatinha gorda e ruiva pula pra dentro. É Gaby, um dos três gatinhos fofos da minha vizinha, também fofa. E lá está ela, loirinha e descabelada, com a porta aberta, e Gaby e Emy pelo corredor. Papeamos bastante, ela correu pra acudir uma sopa que tava fazendo, eu fui aproveitar o sol com neve.
Tirei fotos da praça em frente à Newberry, agora inteira branca e resplandecente. Algumas fotos de casas do bairro, incluindo uma que tem uma estátua de uma menina e um menino, lendo, e que no Halloween apresentava uma mini-abóbora em cima do livro.
E andei pela orla, pra me despedir e tirar foto do velho Michigan, agora verde e mais calmo. Neve, neve, neve. Eu, sem muita experiência, sinto o pé faltar várias vezes... a neve derrete e congela de novo, e vira um vidro, fácil de escorregar. Quase caio dentro do Lago e viro iceberg.
Pego o jeito e vou até o fim da praia, a Ohio Street Beach. E me despeço da praia, dos prédios... Chicago começa a ser um pouco minha, a ser um pouco de todos nós.

Saturday, December 03, 2005

Baixa Gastronomia em Chicago

Teclando no msn com o Celo, veio a inspiração pra esse post... baccio, amore.

O pai do Celo, meu venerável sogro, sofre de uma terrível dislexia gastronômica. Ele acha, por exemplo, que a pizza da Pizza Hut é o supra-sumo da civilização ocidental, que você pode pôr pimenta dedo de moça au naturel em salada e uma vez, em Frankfurt, espantou-se com o refinamento e se perguntou porque que no Brasil não existia aquela maravilha do gyros ( pois é, churrasquinho grego, que tem em tudo quanto é biboca do Brás)...
E ele, que viveu uns tempos com a família em Maryland, acha que não tem nada melhor que pizza americana. Jesus, que heresia.
Eu cheguei aqui e notei que, no meu bairro aqui de Chicago, só existe um McDonald's, nenhuma Pizza Hut e um Dunkin Donuts. O resto dos estabelecimentos são ou restaurantes chiques ou médio chiques, ou pé-sujos que fazem o melhor trash junk power food do mundo.
Aqui do lado de casa tem três. Um eu não fui, porque é pub também, com a bandeirinha da Irlanda e tudo, aquela testosterona básica. Outro é um pé sujo que tem uns pratos feitos, hambúrgueres e spaghetti. Hoje almocei lá, uma shrimp basket ( camarão empanado, salada, molhinhos e a big soda), por seis dólares. Ótimo.
O outro é um barato. É mais pé-sujo ainda, e só tem trash food. Hot dog, hambúrguer... nem onion rings tem, só french fries e um abraço. Os atendentes são um barato, todos mexicanos e maluquinhos. O John Belushi tinha um quadro no Saturday Night Live, em que ele era atendente de lanchonete pé-suja de Chicago ( são instituições aqui). Chegava o vivente e dizia, I wanna a dog, e ele, Not dogs, Vienna Beefs, e o cara, I wanna a Coke, e ele, Not Coke, Pepsi. Os mexicanos dizem exatamente isso pra você.
No Loop, tem um lugar chamado Golden Coast, que tem o melhor Vienna Beef da cidade. Eu fui lá uma vez e adorei. O problema é que me esqueci aonde fica, e agora toda vez que estou pelas bandas do Museu, eu me perco... uma droga... Eu já descrevi o dog daqui, é ótimo, a salsicha é uma delícia, grande e rosa, e vem relish de pepino, pimenta, pão preto e sal grosso em cima, além de vinagrete.
Mas a pizza... se os poloneses contribuíram para essa maravilha da baixa gastronomia, a pizza é um fiasco. Não tem perdão. Aqui tá cheio de pizzaria. Eu perguntei pro Gabriel e pra Ana no início se a pizza daqui valia a pena. Os dois, paulistanos como eu, falaram que conseguia ser pior do que a pizza carioca, que até um tempo atrás conseguia ser a pior do mundo ( gente, nada contra a Cidade Maravilhosa, eu sempre comi super bem lá, mas é a verdade)...
Achei que era a clássica implicância de paulistano. E fui pra pizza Chicago style. Gente, é uma droga. Eles inventaram um horror de pizza estufada, a pizza tem dez centímetros de largura, parece um quiche de quinta categoria. Em cima, molho de tomate, em baixo peperoni e aquela massa indigesta. Não tem desculpa, e a imigração italiana? E o bom gosto nos prédios, no Museu, em tudo? Vai ver a italianada daqui não tinha tempo pra fazer pizza, tutti mafiosi!
Ah, aqui tem churrasquinho grego também. Eles põem dentro do Vienna Beef, o tal do gyros ( CREDOOOOOOOOOOOOOOOO)...

Urban Outfitters

Uma das primeiras lojas que eu conheci aqui em Chicago se chama Urban Outfitters.
Ela fica aqui próximo da Newberry, e eu já a descrevi como uma Zara brecholenta. Tem roupas dos estilistas jovens da cidade, cutting the edge como se diz aqui, na crista da onda.
Muita coisa maluquinha, com cara de roupa-que-você-roubou-da-sua-avó-e- pôs-uma-lantejoula-em-cima. Do lado tem outra, chamada American Appearel. Essa é uma rede tipo Hering, com umas malhas de cores alucinantes.
Hoje na hora do almoço fui pra American primeiro, pensando num vestido de malha tomara-que-caia. Qual não foi minha decepção quando descobri que o tal vestido existe num tamanho único, e é de um algodão strech horroroso. Fui super mal atendida por uma moça que parecia o Gasparzinho, de tão branca. Ela me olhou com aquele olhar cínico de vendedora de loja, e me passou o vestido, que, lógico, ficou horroroso em mim.
Saí da Appearel me sentindo uma baleia. Triste, triste, entrei na Urban. A Urban tem de tudo, livros alternativos, coisas de decoração, roupas de homem, criança. Tudo diferente e lindo.
Bom, fui direto pras sales. Todas as lojas aqui tem um moquifo permanente de promoções, liquidações e descontos. E não é que achei as blusas que queria tanto mais um casaquinho super fofo, verde, do jeito que eu queria, custando 9 dólares cada? Fui experimentar a blusa, entrou o tamanho P em mim. Ou seja... saí da Urban me sentindo a própria musa fashion. Detalhe: as blusas são tomara-que-caia, e segundo Malu, minha amiga super mega ultra fashion, estão na moda e tudo de bom.

Friday, December 02, 2005

Disneylândia

Se você, como eu, um dia foi criança em meios urbanos, com certeza não passou imune ao mundo de Walt Disney.
A primeira referência dos EUA, além da Coca-Cola que minha tia comprava nos Natais acalorados e calorentos no Rio, com certeza, foi um Mickey de pelúcia mal-ajambrado que eu tinha, sei lá quem me deu, e que figura no meu álbum de fotografia de bebê.
Aqui perto do meu apartamento, fica a loja da Disney em Chicago. Nem precisa dizer que é um monstro, que tem tudo e etcs e etcs. Hoje, depois do salvamento via Western Union, retomei ao meu projeto compra de presentes. Quero levar lembrancinhas a todos os queridos e queridas que ficaram no Brasil.
Entre esses queridos e queridas, estão alguns pequenos e derivados, como minha afilhada Camila, que de pequena não tem mais nada, mas que continua a ser, na cabeça da madrinha teimosa, quase aquela menininha.
E o que comprar pra gurizada? Vi milhões de brinquedos na Gringoland, alguns alternativos e engraçadíssimos na loja do Museu de Arte Contemporânea, como os Ugly Toys. São bichos de pelúcia horrendos, sangrando, cheios de espinhas ou caolhos. Mas pro meu azar, tudo que é alternativo, artesanal e bacana, custa os olhos da cara aqui.
Andando pela Avenida Michigan, frio da joça, multidões enlouquecidas cheias de pacotes, entrei na loja da Disney. Cansei de brigar com o capitalismo, façamos os pequenos felizes.
Realmente, a loja tem de tudo, super bonito, bem arrumado. Fantasias caríssimas e caprichadíssimas vestem a molecada de Cinderela, Nemo, todos os heróis e heroínas dos desenhos tão queridos. Pijamas, canecas, orelhas de Mickey e Minnie, enfim, o mundo da parafernália.
No meio de tudo isso, e de uma pequena multidão enlouquecida de gringos vivendo e respirando Natal ( depois do Ação de Graças, a verdadeira obsessão americana), a fatal promoção. Que colocou essa tentativa de intelectual de quase meia-idade ( esses quase matam) pra escanteio: o cidadão comprava um bichinho de pelúcia, ganhava outro.
Meu Deus! E toca revirar Patos Donalds, Tigrões, Ursinhos Puffs, Bambis, todos charmosos, lindos, bem-feitos ( na China, claro) e fofos, fofos, fofos demais. Todo mundo comprando, pirando, mas é o Dumbo, que fofo! Mas é a Marie dos Aristogatas! Eu amava esse desenho! E todos os 1001 Dálmatas, e eu me lembrei das tardes de sábado, em que meu pai levava a gente pra assistir filme no auditório do prédio da CESP, na Paulista, aquele que pegou fogo.
Prédio lindo, auditório super-caprichado, e muitas sessões de Pinóquio, Branca de Neve, A Bela Adormecida... e um desenho belga tipo Disney, A Ratinha Valente... Fievel... e a alegria de ter Branca de Neve no meu bolo de aniversário, ou a carinha sorridente do Mickey... e as revistinhas, e o sonho de ir pros parques.
Por um momento, o lado rabugento, aprimorado por dez anos de IFCH, veio à tona, mas que ridículo, a gente sabe muito bem que o Walt era canalha de marca maior, roubava as idéias da equipe e era fascistão. Que esse mundo de fantasia é só pra fazer o povo gastar grana em bobagem e o fetichismo da mercadoria, e enquanto isso na favela do Rio uma criança passa fome, e pá, pá, pá, e a ruína da civilização ocidental, e o estabelecimento da neurose enquanto solo do grande e sinistro e devorador edifício do modo de produção capitalista...
E eu lembrei do sorriso do Felipe, sobrinho do Celo, bebê ainda, quando viu o Tigrão de pelúcia que o tio comprou, no início do nosso namoro, e que a gente pôs no carro sentado no banco de trás. E eu lembrei do sorriso da Ana Clara, filhinha da Elisa, quando pusesse a mão na Bu, a menininha tão fofa do Monstros S.A... e aí, meu filho, a coisa foi pras cucuias. Sentimental eu sou, voltei pros bichinhos. O Mickey de aprendiz de feiticeiro sorria.
Um menino negro atendendo, jeito humilde, mas muito sorridente, me ajudou a escolher os fofos. E me deu uma super cesta pra pôr meus novos amiguinhos. E dizia sorrindo, mas é muito fofo mesmo, olha só esse Pluto vestido de duende...
Fila imensa, nem precisa dizer. O estranho é que tinha muita criança, mas todas muito obedientes e quietinhas. Em quinze minutos, forrei a minha mala de volta de sonhos, saudades, lembranças... e dois Tigrões natalinos, um Mickey que toca violino, uma Bu segurando um monstrinho....

Tomando tento

Aos leitores preocupados comigo, perdida no Mid West, em meio à neve, clonagens, falta de dólares e salvamentos via diligências:
Informo para os devidos fins que hoje, depois de sofrer um mês com insônia, dor de cabeça e dor de dente, tomei juízo e dormi do lado direito da cama. Sim, dormi como um anjo, sem dor e sem frio. Acho que preciso parar de ser do contra.

Salva pela diligência da Western Union

Gente, fui salva por uma diligência. Literalmente.
Lembrando aos leitores que escrevo do Meio-Oeste, terra dos bravos potawatomi e dos franceses colonizadores...
Enfim, clonaram meu cartão. Foi uma saga na Central de Cartões Nossa Caixa, e outra no telefone e no msn. E liga pro Celo ( meu futuro cônjuge) e liga na Dona Meire ( a genitora dessa que vos fala) e liga na Central, e Celo vai pro Bosque buscar fatura, e eis que o prof. Dr. Paulo entra no msn. Eu tenho sorte na vida; além de cultíssimo e refinado, meu amigo professor doutor é homem prático e viajado, e lembrou da existência de um negócio chamado Western Union.
Desde os tempos dos bangue-bangues, a Western Union é especializada em remessas de dinheiro. Hoje eles operam em 55 países no mundo todo e nos 50 Estados da Federação azul, vermelha e branca. Assim como a American Express, a Western é conhecida por ser, como os heróis dos filmes de faroeste, rápida no gatilho e infalível.
Pois bem, só era necessário achar um correntista do Banco do Brasil, outra venerável instituição do mundo capitalista, e fazer esse coitado mandar dinheiro pra mim. Mais telefonemas, e Jujuba, amiga minha também professora, falando no msn de Cuiabá, ajuda na investigação...
Celo se lembra da existência do tio dele, professor também ( categoria unida!) que é correntista no banco fundado, nunca é demasiado lembrar, por Dom João VI. Hoje, a remessa foi feita. Em quinze minutos ( sim, QUINZE minutos) o dinheiro é liberado. Fui na agência da Western aqui do lado de casa ( sim, DO LADO da minha casa), preenchi um formulário amarelo e em DEZ, sim, DEZ minutos, o dinheiro estava na minha mão.
Eu fiquei me sentindo uma pequena potawatomi, esposa de um francês perdido pelo Oeste, que recebeu dinheiro pela diligência da manhã da Western Union. E fui tomar um Caramel Macchiato no Starbucks!
Agora, me fala, de um lado a competência total, de outro a mais completa bagunça. E como diria Fellini, e la nave va.

Thursday, December 01, 2005

Clonaram meu cartão

Alegria de pobre dura pouco.
Hoje, em meio à neve, saí e tirei um dinheiro, e comprei meu i-pod.
Voltei pra casa e tentei pagar a conta de telefone via internet. O negócio não dava certo, não dava certo... liguei pra companhia telefônica, pra tentar pagar via fone, e a moça me diz que meu cartão não tem limite.
Mas que estranho... daí começou minha peregrinação pela Central de Cartões Nossa Caixa Nosso Problema. Descubro que às cinco horas do dia de hoje, justamente o momento infeliz que tentava pagar minha conta de telefone, um filho da puta surrupiou o número do meu cartão e fez a festa. Em dólares.
Moral da história: cartão bloqueado e dor de cabeça. O cara gastou o equivalente a 1600 reais, todo o meu limite. A minha sorte foi que a primeira coisa que eu fiz hoje de manhã foi tirar um pouquinho de dinheiro. Bom, pode ser que eu entre no prejuízo. Mas que merda.

Terceira Neve

Bom, hoje à noite minha cachola doeu. Explico: graças à minha natureza um tanto quanto, deixa eu ver, idiossincrática, desde o início eu durmo na cama do cafofo chicagoan com a cabeça do outro lado da cabeceira. Encasquetei de dormir assim, só que desse jeito eu fico com a cabeça na direção das duas janelas, a do quarto e da sala. Solução, eu me enrolei no meu cobertor Paraíba ( sim, eu trouxe o meu velho e bom cobertor Paraíba) e acordei, tudo branco.
Ligo na Central dos Cartões, o dinheiro saiu. Bom, que biblioteca, tese e Dante que nada, vou sair e comprar! Nesses dois meses aqui eu me segurei, agora vai ser a festa da mandioca. Me aguardem!
Na lista:

1) um i-pod ( esse aí nem precisava falar, né)
2)roupitchas na GAP ( ehehehehe)
3)presentes pro povo. Incluindo livros, filmes, bonés e até gente que me pediu água do Lago Michigan ( o bom que isso é de graça)