Tuesday, August 26, 2008

Pão de queijo no palito

Passei os últimos dias singrando uma tradução mega difícil. Fui indicada para uma editora de São Paulo por um conhecido, e a moça me enviou um livro que seria supostamente de auto-ajuda. Mas os caras compraram gato por lebre, e o livro era de Psicanálise e Psiquiatria.

Bom, quando o Freud morreu, no exílio, as obras completas do tiozinho foram publicadas numa tradução em inglês, que depois foi contestada pelos franceses e alemães. Durante muitos anos, por exemplo, no Brasil, a gente tinha a tradução da tradução do inglês e umas edições em espanhol, decalcadas tanto do inglês quanto do alemão. A zona toda é que até hoje, alguns termos de Psicanálise nos EUA são uma coisa, e no resto do mundo outra. Os termos em Psiquiatria foram mais fáceis, geralmente as palavras científicas no inglês vêm do latim, mas tinha todo um negócio de Medicina que foi lasqueira. E pior, o tiozinho autor do livro escreve romances, e o inglês dele de resto tinha muito do gênero noir, policial, uma coisa bonita mas foda de transcrever.
Enfim, eu passei dias e noites mergulhada na tradução, e ontem Deus se compadeceu da pequena panda tradutora e acabou o martírio. Fui pro centro pra ir no Perda de Tempo e nos Correios, e eu atravessava a Rua Conceição quando me deu vontade de tomar um suco.
Onde tomar um singelo suco no centro de Campinas? Me encaminhei para o Shopping Center Conceição porque lembrei que numa quina existe uma simpática lanchonete de sucos, Melão & Cia, um negócio bem oitentista no nome e no visual. O japonesinho atendente anunciava uma novidade: pão de queijo no palito. Também nos anos 80 neguinho vendia crepe no palito, vocês lembram disso? Mas a crepe esturricava. Resolveram pôr massa de pão de queijo no palito, com recheio de queijo, e cara, ficou excelente. Tomei um dos sucos com nomes de cidades italianas do cardápio ( Torino, maçã com pera) e foi genial. Depois desse lanche tão gostoso entrei numa livraria e vi uma edição, de capa amarela, da coleção completa do célebre jornal O Planeta, do povo que depois se juntou com a Casseta e deu no que deu. Cara, eu ri sem parar, os caras eram muito bons. Manchete do jornal: Sílvio Santos foge com Lombardi. Eu preciso comprar esse livro! E mandar pra dentro mais um pão de queijo no palito!

Sunday, August 17, 2008

Às armas, cidadãos!

Nessa coisa hinos, queria passar pra vocês duas versões da velha e sempre aguerrida Marselhesa:


1) com a Mireille Mathieu, a tradicional versão que abala todas as estruturas das Bastilhas da vida:
http://www.4shared.com/file/59414151/aea39bd7/marseillaise-mireille_mathieu.html


2) e com o Serge Gainsbourg, "Aux armes et caetera", vejam o que a picaretagem humana é capaz de fazer:
http://www.4shared.com/file/59415590/caa42bf4/la_marseillaise_gainsbourg.html


A mesma praça, o mesmo banco mas porém todavia contudo... grande Serge e linda Mireille...

Thursday, August 14, 2008

Os sete filhos

Hoje, fui ao centro, banco, correios, aquelas coisas. Singrando a rua Ferreira Penteado, paro em frente a dois sebos simpáticos que ficam um do lado do outro, estupefata: de dentro de um deles, soava, garbosamente, o Hino à Bandeira.
Olha, não sei há quantos anos eu não ouvia o "Salve, lindo pendão da esperança/ Salve, símbolo augusto da paz". E de repente, voilà, como diria Proust: eu estava no primário, no Colégio Anglo Latino, situado na Muniz de Souza, Aclimação, São Paulo, Brasil. O colégio ( Anglo Latino, entra burro sai cretino, como se dizia) faliu e não existe mais. Não sei o que foi feito dos amplos prédios, bem ao lado do Parque da Aclimação e de uma Biblioteca Municipal Infantil, onde Monteiro Lobato andou.
Tinha uma professora bem velhinha. Pra minha vergonha, eu que sempre louvo a memória dos meus professores, não me lembro do nome dela, Sílvia, era nossa professora de música. Basicamente, íamos pra um auditório, com os assentos de madeira com escritos como "Vamos invadir sua praia", e ela dedilhava ao piano os hinos: o Nacional, o da Bandeira, o da Proclamação da República e do da Independência. Também não me lembro de muita simpatia na nossa professora de música, mas ela era séria: nos passava as letras cheias de inversões e palavras pomposas e lascávamos nossas taquaras rachadas nos estribilhos como "aceita o afeto que se encerra em nosso peito juvenil", "ouviram do Ipiranga, às margens plácidas", "de esperança de um novo porvir", e que tais. Gostava de cantar e ouvir o piano, e os hinos brasileiros não são tão horrendos quanto a nossa falta de nacionalismo gosta de supor.
O meu favorito era o Hino da Independência, cuja música foi supostamente composta por Pedro I. Sabemos todos que nosso primeiro monarca era mais afeito à aventuras amorosas e a domar cavalos xucros, mas enfim, de fato a letra é legado de Evaristo da Veiga, mineiro que era dono de livraria no Rio dos primeiros Oitocentos, e que era jornalista e depois dono de jornal, combativo defensor de um Iluminismo mineiro: como diríamos hoje, um Iluminismo temperado com queijo meia-cura. Nós, garotinhos e garotinhas da Aclimação, muitos nipo-descendentes, adóravamos transformar o "Já podeis da Pátria filhos" em "Japonês tem sete filhos/ o primeiro é sapateiro, o segundo vagabundo", pra horror da nossa professora.
Voltei pra casa cantarolando nossos hinos, ou o que a minha memória cata-cega lembrava deles. Cheguei e consegui uma pastinha com os hinos todos, em versões cantadas, o que me faz supor serem da Base Aérea de Brasília, de Canoas, algo assim:
Com todo o respeito, baixei os nossos hinos. Como dizia minha professora, em tempos de reabertura democrática, todos em plena voz!

Um desenhítico


Uma igreja de Ouro Preto, na memória, no computador o rabisco.

Tuesday, August 05, 2008

Sonhos, noites árabes e livros raros


Hoje eu dormi no colchão do escritório, no meio dos labores ingratos da tradução que peguei. Tão estranho, eu fui professora durante dez anos, e fazia minhas pesquisas. Agora, sou tradutora, e como disse o rapaz da Net, que veio aqui trocar meu modem, que pifou nessa grande chuva de domingo, faço home office. Dormi e tive dois sonhos: sonhei que caminhava, com conhecidos, pelo Minhocão, até que o dito terminava numa mistura de floresta e monte de entulho, e eu entrava na casa de uma família imaginária. Depois sonhei que um grande incêndio consumia meu prédio, com direito a cenas horríveis, e eu salvava o livro da tradução, meu laptop e saía correndo, em meio a pessoas bem imóveis.


Enfim. Daí depois entrei na Praça é Nossa virtual, vulgo msn, e comecei a querer ajudar o Filipe numa pesquisa sobre ilustrações do Sacode a Espada, o tiozão das ilhas, vulgo Shakespeare. Fuça daqui, fuça dali, achei uma livraria de livros raros na Tailândia (???) e eu lembrei de outro sonho que tive ( ando numa fase Kurosawa), em que eu era a maior dançarina do ventre do Egito (?????????????) e eu ficava dançando, dançando e tal. Depois eu fiquei pasma, entrei no Youtube e vi a Lucy, de fato considerada a maior dançarina do Egito, e eu dançava com ela no sonho. Lembrei de uma edição infanto-juvenil que li, quando eu era, de fato, infanto-juvenil, das Mil e Uma Noites, e achei na livraria de livros raros da Tailândia uma edição ( Rosenthal, Leonard: The Kingdom of The Pearl. London: Nisbet & Co. Ltd. 1920), nem vou falar o preço, uma fábula, mas ilustrada por um tal Edmund Dulac, vocês vejam aí em cima a história da princesa Badoure, a princesa da China, que se envolve em mil peripécias com a princesa Haia, em intrigas de corte e jóias espetaculares.
Estou pouco discreta nos meus sonhos, não reparem!