Friday, April 14, 2006

Lerê, lerê

Baixei a música Retirantes, do Dorival Caymmi. A da Escrava Isaura, isso mesmo.

E tá sendo a trilha sonora perfeita. Tô escrevendo meu exame de qualificação, um texto pra apresentar num congresso em Mariana, MG, e tô traduzindo um texto de Sociologia do italiano, encomenda do Josué.

E aconteceu uma coisa muito legal, mas que vai dar um trabalhão. Eu e Celo mandamos propostas para Mini-Cursos no Encontro de História Antiga e Medieval, promovido pelo NEAM, Núcleo de Estudos Antigos e Medievais, do departamento de História em Assis. E o pessoal do NEAM, que conheci no Encontro do ano passado, aceitou nossas propostas. Mas preciso me preparar e preparar uma apostila para os alunos; serão dois dias.

O problema é que tudo isso encavalou. Estou vesga. E pra piorar, comecei as aulas do curso de renovação da carteira de motorista, três dias, da uma às seis da tarde, além de ter que limpar a casa, cuidar de roupa, blablabla.

Ou seja, estou no lerê lerê. Nada de resposta de FAPESP ainda, nada de nada, não sei como vai ser minha vida no próximo mês. Vou ter que me virar mais que pião pra pagar as contas, que como todos puderam notar, vieram altíssimas esse mês. E detalhe, tudo isso sem carro nem nada, a seguradora não deu sinal de vida essa semana.

Ah, e mais um evento-panda! Eu e Zé, meu ex-aluno mas sempre amigo, vamos agitar uma Lectura Dantis na Unicamp! Sim, sim! Todas às quartas, na Arcádia do IEL, vamos ler a Divina,seis e meia. Vai ter cartaz e tudo noticiando esse grande acontecimento-panda. Seguirei a veneranda tradição, iniciada por ninguém menos que Giovanni Bocaccio, e vamos adentrar na selva oscura. Com direito à bolacha Maria e chá de camomila!

Wednesday, April 12, 2006

Dizeres

Hoje começou a contagem regressiva pra Sexta-feira Santa, dia em que minha santa mãe faz bacalhau à Gomes de Sá ( sem ovo) e canjica.
Não sei porque, mas isso é hábito campista, fazer canjica na Sexta-feira Santa. A canjica campista, porém, não leva leite de coco e amendoim, como a baiana. A minha mãe faz com um pouquinho de leite condensado, bem pouco, e cravo.
De Campos minha mãe trouxe o r puxado, a canjica e dizeres engraçadíssimos. Dela peguei a mania de inventariar falas engraçadas, como por exemplo "Meu, você vai tirar o pai da forca e a mãe da zona?" ( pra neguinho que fica dando farol alto na Dom Pedro), "chamar Jesus de Genésio e urubu de meu louro" ( o desespero), e "chuta que é macumba"...

Mas as minhas favoritas de todos os tempos são: "Tá no inferno? Abraça o capeta!", "Chuta que é macumba", e "Pediu pra ser feio no Vale do Eco"... hahahahahah!

Sunday, April 09, 2006

Reflexões históricas

Pensar que no Brasil a escravidão existiu até 1888. O escravo era coisa, bem semovente. Era arrolado nos inventários junto com o gado.


Pensar que durante séculos existiu o Tribunal da Santa Inquisição, que fez churrasco de milhões de pessoas.


Pensar que dois terços da população européia morreu de peste.


E pensar que Roma foi destruída várias vezes, resistiu várias vezes, e hoje é sede do governo Berlusconi.


E pensar que hoje eu fiz um teste de inglês ( no msn.com.br) e constatei que meu inglês é milhões de vezes melhor que o do presidente George Bush.

Tô que tô

Baixei a trilha de Sol de Verão Nacional.

Lá em casa, meus pais não compravam trilha de novela não. Todo mundo lia a Veja ( pois é, já foi uma revista de esquerda) e ouvia Milton Nascimento. Mas em 1982, aconteceu um fenômeno. Meu pai comprou daqueles Gradientes prateados, e desde 1982, eu ouço música de todo o tipo todos os dias.
E esse disco apareceu lá em casa. Junto com o disco um da trilha de Roque Santeiro, os dois únicos discos de trilha de novela que ouvi na vida. Essa novela ficou famosa por um motivo triste, o ator Jardel Filho faleceu bem no meio, e era o protagonista. Sim, teve época que o Jardel Filho, o Paulo Autran, a Fernanda Montenegro eram protagonistas de novela da Globo, e sim, atores não tão bonitos assim divertiam a gente nos três horários do plim-plim.
Essa trilha é bacana. A música da abertura era sim, a Simone, na época em que era boa cantora, lascando "Tô que tô", dos gaúchos Kleiton e Kledir. Mas o mais legal é um samba bonito, bonito, da Beth Carvalho. A Beth Carvalho, bem como a Simone, angariou antipatias do Oiapoque ao Chuí com pagodinhos rastaqueira ( eu acho pior o caso da Simone, que gravava Chico com o próprio e cometeu aquele disco horrendo de Natal, que deveria ter sido denunciado pra Anistia Internacional), mas gravou um dia esse lindo "Tendência", que é de dona Ivone Lara, I presume. Samba é que nem bolero, quando é bonito, acompanha a gente o resto da vida.
Semana passada, tive discussões horríveis com amigos sobre baixar ou não MP3, e o fato de ter me afastado de Mozart e Bach pra ficar ouvindo trilha de novela oitentista. Fazer o quê, tem dia que "Tendência" faz com que eu me reconcilie com a vida. Em tempo, baixei também "Retirantes"', do Caymmi, sim, sim, a abertura de Escrava Isaura, o lerê lerê, vida de negro é difícil, é difícil como o quê. Essa aí eu vou por de fundo essa semana, porque amanhã é dia de negro, diferentemente do que os racistas diziam por aí.


Lendo aqui esse post, me dei conta que eu me lembro de uma época que o Brasil era um pouquinho, pouquinho melhor do que esse 2006, que até agora foi de lascar. Caymmi em trilha de novela, Simone que gravava Chico Buarque, e a Veja era de esquerda.

Domingo de Ramos

Seguindo a liturgia, hoje é domingo de Ramos, dia em que Jesus entrou, montado num burrico, em Jerusalém, saudado por palmas e alegria. Menos de uma semana depois, a história que todo mundo sabe.
Acordei mal, deprimida com tristezas passadas, presentes e futuras. Fui tentar ligar no celular do Luis ( no orelhão, já que aqui em casa vivo no Plano Favela da Telefónica), a pia entupiu e tive que encher o saco da minha vizinha, desci e fui pra Ki-Pão, o pão nosso de cada dia nos dai hoje. E vejo na banquinha, Suzane von Richthofen na capa da Veja, em close, sorrindo. Puta, aquilo me derrubou.
Faz anos que a Veja tá uma merda, e o povo lascou no Orkut a comunidade "Leu na Veja? Problema seu!"... entre Diogos Mainardis da vida, gente que fala que Mozart não era tão bom assim ( sim, claro, bom mesmo é Geraldo Alckmin), eu fico mal pra caramba, porque eu sou da época que a Veja era, sim, uma boa revista. Agora é um lixo, e nem dá pra usar pra limpar nada. Agora, essa psicopata na capa, sorrindo e limpando sua barra com a opinião pública... quer dizer que ela manda matar o pais de pancada pra ficar com a herança, e agora posa de menina sofrida?
Olha, como dizem por aí, eu sou da turma dos direitos humanos, muito difícil eu me bandear pras raias do autoritarismo de achar que bandido tem que morrer e coisa e tal. Mas essa filha da p*&^& não tem justificativa. O pai abusava? A mãe era uma escrota? Saísse de casa, fosse pruma quitinete. Deixasse de ser a riquinha mimadinha e idiota. Fosse pra luta. Não, matar pai e mãe é injustificável, pruma nega da classe alta paulistana ( elite boa essa que a gente tem, né? Daslu, Suzane, tudo isso dá uma idéia do que essa gente é)... e mais injustificável é essa revista de quinta categoria dar espaço e entrevistar essa desgraçada, que deveria estar presa.
Passei da depressão pra revolta. Olha, meu background católico é forte demais pra eu aceitar isso. PT roubando, nega matando pai e mãe, mas será possível? Virei a esquina e vi uma senhora com uma palma na mão, indo ou voltando da missa. E lembrei, começou a Semana Santa. Lava-pés, última ceia, e o Calvário.

Friday, April 07, 2006

Paulistânia

Tenho a alma deveras paulistana.


A padaria da esquina, os sobrados, os vários tons de cinza e azaléias. O trânsito na Paulista, o Fauno do Trianon, o pastel do Yokoyama, corre e atravessa a Sé, corre e atravessa a Brigadeiro, desce a Arcoverde e sobe a Teodoro Sampaio. Da Lapa a Móoca, a nova estação de metrô no Ipiranga. Volpi, Adoniran, Oswald e Mutantes. O peso das palavras quando ditas na USP. O café e a Oscar Freire. O caldo de cana e a Pinacoteca. E um dia me perdi e achei o Lasar Segall, me perdi e achei o Ibirapuera, mas entrei no portão errado, e tudo nessa cidade é longe e não tem retorno.

Thursday, April 06, 2006

Documentos

Hoje fui tentar resolver duas pinimbas.
Minha carteira de habilitação venceu em setembro, e eu não votei nem justifiquei no referendo das armas.
Bom, chegando na Justiça Eleitoral, uma senhora me pede que eu não faça a regularização do meu título porque o negócio estava burfado de gente. Essa semana é a semana da transferência dos títulos de cidade pra cidade e regularização da situação de gente que nunca teve título...
Fui no Poupa Tempo. Precisei tirar uma foto 3x4, onde obviamente saí com cara de doida, e pagar sessenta pilas. Descobri que vou ter que fazer um curso na auto-escola, mais sessenta pilas, na semana que vem. Que beleza.
Vou no Bradesco, também lotado, pagar uma taxa de um congresso que quero participar, no final do mês. A maquininha dá um pau danado. Depois fui na Renner pagar prestações vencidas e ver se achava algum paninho pra mim. Nada ficou bom, eu tomei chuva na rua e meu cabelo tava um desastre. Vi uma roupinha na vitrine, a blusa M ficou grande demais, a calça 44 pequena demais, e a jaqueta jeans uma estopa. Fiquei parecendo um espantalho!
Na outra loja, um vestido lindo de morrer, estampado, fundo preto e estampa verde. Totalmente fora das possibilidades econômicas do momento, o vestido me deixou uma pessoa decente, quiçá interessante. Mas pensei, cara, nem sapato tenho pra usar com essa coisa linda.
Na auto-escola, tinha uma maquininha pra verificar digitais (???) e meus dedos não batiam. Eu fiquei me sentindo uma ET, pensando no vestido e no fato de ter que gastar grana com besteira como auto-escola, segunda via de documento, e foi estranho ver roupas de inverno nas lojas. Depois do frio de Chicago, isso aqui é bolinho!

Wednesday, April 05, 2006

Romântica, muito romântica

Com esse negócio de baixar MP3, as lembranças vêm e vão.

E comprovo um traço da minha personalidade que é fogo. Eu sou muito romântica, chego a ser brega demais, é horrível.
Um olhar mais doce, um telefonema, uma atenção,e eu me derreto. Nossa, tive tantas paixões platônicas, daquelas platônicas mesmo, tipo Castro Alves, Álvares de Azevedo, um bolero sem fim essa minha vida.
E ao mesmo tempo, esse mundo vive dentro de mim, porque a timidez me acompanha. Não tenho coragem de me declarar, nunca; tento chegar perto, brincando ou inventando uma desculpa mais ou menos racional, sempre.
Eu tinha uns quatorze anos e gostava dum cara do colégio, que não dava a mínima pelota pra mim, claro. E um dia, na saída das aulas, criei uma coragem absurda e perguntei as horas pra ele. Detalhe: no pulso, eu tava com um relógio Casio gigante, amarelo... o cara olhou pra mim pensando, mas essa mina é louca... e eu, esse relógio tá quebrado...
Agora, eu resolvi escancarar. Tô com quase 30, não vou mudar nem melhorar. Durante muito tempo, meu projeto era virar uma mulher desencanada, solta, relaxada e moderna. Mas não adiantou nada, então é melhor assumir. Sim, eu gosto de Roberto Carlos, sim, eu adoro flores, e sim, eu me apaixono com uma facilidade ridícula. Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi!

Monday, April 03, 2006

Pérolas musicais

Descobri que uns maluquinhos adoráveis estão disponibilizando, no Orkut, links pra baixar músicas. Ou seja, essa noite eu não dormi porque fiquei baixando pérolas dos cancioneiros internacional e nacional.
Gente, tem de tudo, e isso me alegrou, porque minha velha mania, a Rádio Terra, foi por água abaixo. Os caras decidiram do nada que não se pode mais ouvir as canções por mais de 30 segundos, um verdadeiro saco. Um menino muito inteligente montou uma comunidade no Orkut, "A Rádio Terra perdeu a graça", e eu entrei, lógico...
E aí, é um problema. Se você ouve a Rádio Yahoo, não pode escolher a seleção, e só pode pular cinco músicas. E se você quer baixar MP3 por aí, é sempre aquela preocupação com a infestação de vírus.
Mas o pessoal no Orkut resolveu usar um site alemão de compartilhamento de arquivos, e o processo fica rápido e seguro. Consegui músicas que queria há anos, desde o tempo eu que eu gravava tudo que queria em duas fitas cassete, gravadas e regravadas de forma absolutamente esquizofrênica.
Baixei coisas que são caras ao meu coração, mas que são verdadeiras porcarias musicais. Outras nem são tão ruins assim, como as do Pepeu Gomes, que eu acho um puta músico injustiçado. Isso me deu um pouco de alegria. Ontem me olhei no espelho e me vi envelhecida e sofrida, olhar em viés, anguloso e dolorido. Agora preciso ir dormir, insônia é fogo.