Monday, April 30, 2007

Faça o teste: você é panda?

Na comunidade "Eu sou Panda", da qual eu participo, uma menina fez o teste panda:
"O que mais é panda?
Pandas:
1 - Têm "olheiras"
2 - São fofos
3 - São branquelos
4 - São anti-sociais
5 - Parecem meiguinhos mas podem te matar com uma patada
6 - São meio devagar
7 - São uma nulidade quando o assunto é sexo
8 - Estão em extinção."
O legal é que ela mesma disse que o item 7, todo mundo pularia, na bucha. Mas eu vi no site do Terra que tá tendo um baby-boom de pandas, então pode ser que os adoráveis ursinhos de vez em quando assistam um pornozinho no DVD, sei lá!
Eu só acrescentaria: Pandas são acima do peso recomendável pela revistas Cláudia e Nova! E se pilham um doce de leite Aviação, comem tudo!

http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=239559&tid=2493288608363259540&start=1

Sunday, April 29, 2007

Samba da otária

Na linguagem antiga dos malandros da Lapa, eu seria uma otária. Otário, contrário de malandro. Otário é o cara que trabalha cedo, que é acolchoado no medíocre ( onde li essa linda expressão?), que não sabe usar navalha nem sambar na lama com sapato branco.
Gente simples na expressão. Agora, fora de brincadeira. Acho muita coisa esquisita e fora de moda. Por exemplo: que o tempo mostra a verdade. Mostra nada. Acho que toda boa intenção, vinda do coração, vale mais que mil projetos arquitetados na maldade e egoísmo. Algumas vezes pus desejos e vontades meus abaixo do bem de outros. Adiei satisfações. Se tem alguém na parada que vai se machucar, rezo pra me afastar. Não falo tudo que penso. Escondo muito do que sinto. E às vezes penso, no meio do meu sofrimento, que poderia ser bem pior, e me alegro com essa rematada e comprovada bobagem.
Nem sempre sigo meus impulsos. Sim, faço um monte de coisas cacete só pra agradar os outros, ou pra não ferir os sentimentos dos que eu amo. Sim, eu penso nos outros. Controlo meus impulsos de agressividade. Sou uma otária, no meio da Lapa, quarando roupa de sol a sol, enquanto a diversão, penso, está no carteado, no bar, no flerte, na maledicência. Talvez desse um sambinha, ou uma marchinha de Carnaval.

Friday, April 27, 2007

Serge Gainsbourg

Hoje finalmente esfriou, pela primeira vez no ano do Senhor de 2007.


Fiz uns bifes com saladas de batata e broto de feijão pro almoço, com farofa de raspinha. Na panela onde fritei os bifes, na manteiga Aviação, pus cebola e farinha, a farinha pode ser da sua preferência, torrada claro.


Dormi uma sesta prolongada e não fiz nada de útil, em termos tese, pareceres e tradução, pra minha vergonha. Estava um pouco deprimida, porque ontem tentei ir num analista. O cara me falou coisas super foda, e quer me cobrar o olho da fuça. Saí de lá me sentindo muito pior do que entrei, chorei o dia todo e só ontem à noite, no meio da insônia de sempre, lendo uns trechos do Freud, me toquei que o cara não me entendeu em nada.
Mas esfriou. No final da tarde, fui à padaria e lá estavam todos felizes, clientes e atendentes, porque o padeiro tinha soltado pasteizinhos, fritos numa alegria pelo pessoal do balcão. Comprei petit-fours, bons pro English Breakfast da Ahmad, e fiquei procurando a discografia do Gainsbourg pra baixar. Esfriou, mandioquinha e morango no supermercado. E é isso.

Tuesday, April 24, 2007

Musa blogueira

Do comentário do eminente Celso, sociólogo digno da Escola de Campinas, surgiu a idéia desse post.

Aliás, a musa blogueira é muito eclética. É uma música, é um filme, é um acontecimento, que vira o tal do post. Enfim, sei lá mil coisas, o momento, um lance subjetivo, morou?

Mas eu queria falar de umas expressões idiomáticas que eu e os meus queridos amigos utilizamos no nosso dia-a-dia, porque fiquei rindo do comentário do Celso do versículo abaixo: "Deus chegará e falará, perdeu preibói"!


1) "Deus disse pra mim, vai lá embaixo e arrasa": essa é do Camilo, uma pessoa modesta como se vê.

2) "que cacete!": imagine uma bonequinha em forma de menina; essa é a Jujuba, que pontua tudo com um cândido e doce "Que cacete!"; já adotei.

3) "chamar Jesus de Genésio e urubu de meu louro": confundir as bolas.

4) "dar um ninja": agarrar a pessoa amada. Sabe quando tá no embaço? Você chega lá e dá um ninja, meu filho.

5) "dar um Chuck Norris": resolver no braço. Qualquer coisa e/ou situação. Partir pra ignorância muitas vezes é saudável e necessário.

6) "ficar envorvido": o envorrrrvimento é múltiplo e variável, vai desde pessoas a cachorrinho na rua.

7) "você pra mim é problema seu", "ema, ema, ema, cada um com seus pobrema": base da nova Escola psicanalítica de Campinas, fundada por Luís Fernando.

Mandem contribuições! Canta, ó musa blogueira, as besteiras que o povo fala e tchururu pra vocês.

Monday, April 23, 2007

Desvirar

Nesses últimos dias, sinto uma coisa boa. Sabe quando a gente se machuca, e o machucado começa a cicatrizar? Quando você cuida do roxo, com pomada de arnica, repouso, e ele começa a desaparecer?
Para destruir, basta um minuto. Reconstruir ou construir demora mais. Um coração pode ser cortado em poucas palavras, mas pra voltar a bater, é necessário tempo, dedicação, dias de esforços inúteis. Tantas esperanças jogadas fora, tantas palavras doces mal compreendidas. Tantos sorrisos em direções erradas, mas tudo bem, as coisas voltam. Diz um ditado persa que quando a onda vem, a gente tem que se abaixar, pra furar; ou se pegar, tem que deixar o corpo ir até o fim. Muita areia no biquíni ou no calção, muito mico que se paga, o caldo é triste de levar, a mão fica ralada.
Tudo bem, não sofro mais por você, paciência. Passo e não perco meu tempo, me concentro em quem me faz feliz agora. Você me desculpe, a falta de sofrimento. Me desculpe eu não perder tempo com você, mas outras pessoas surgiram, outras situações, perigos mais graves que seu ressentimento, sua inveja, sua angústia. Te desejo tudo do melhor da vida, seja feliz; mesmo, sério, nesse dia azul e amarelo eu desejo isso. Aprendo, cada dia um pouquinho, a desvirar minha mágoa.

Friday, April 20, 2007

Silent pain and happiness

Eu acordei hoje destruída. Ontem e hoje vaguei pela casa, sem fazer nada de muito útil, sendo que, no final de tese, desempregada e com problemas vários ( não vou repetir porque é piada), eu tinha que estar me esmerando nas minhas atividades-panda. Mas que nada, como diria Benjor.
Falo com a Nenem no msn. Acho que é cansaço, ou início de depressão? Não sei. FAPESP, concurso, ursinho enfartado, na seqüência, e eu me sinto a Torre de Pisa de novo: diferente porém derrubada. Mas preciso daqui a pouco tomar um banho, me vestir ( o que tá sendo um problema, porque a panda está, como direi, mais redondinha ultimamente). Ontem esfolei uma camisa vermelha minha, linda, e não sei o que me fica bem nesse estado.
Que preguiça, bocejo gostoso, de robe, depois de leite gelado, pão integral e dois caquis. Meu Deus, a tese, a casa, a vida. E eu nessa preguiça Caymmi. Ontem era dia de São Expedito, e eu fiquei brava essa semana mas consegui resolver tudo. E tive momentos de uma dor lá no fundo, silenciosa, calma, e felicidade brilhante como o sol numa poça de água.

Tuesday, April 17, 2007

Emília, a boneca gente

Como bem disse Pepeu, "de uma caixa de costura/pano, linha e agulha/ nasceu uma menina valente, Emília/ a boneca gente".
Hoje acordei meio gripada. O incrível é que minha bolsa acabou, eu tenho uma tese emperrada e todos os problemas que todos já conhecem ( privada, chuveiro, carro, dente, tudo quebrado) e desempregada, reprovada em concurso pra professor substituto, e me sinto terrivelmente feliz. Vai entender.
Voltando. Com minha última grana, fui pagar o condomínio, net, e passar no Perda de Tempo pra pegar meu novo RG. Tô andando pela rua, distraída, com meu vestido do reveillón e a havaiana que cruzou Chicago, Pisa e aqui em casa, quando olho numa vitrine de um sebo de livros, e lá está ela. Com seu macacão Mondrian, um avental, e um medalhão dourado Brinquedos Estrela.
Nem precisa dizer que a Emília da Estrela era uma das minhas bonecas favoritas, junto com a Marquesa de Santos, uma boneca de pano loira e toda elegante que ganhei da minha tia e que assim foi batizada por conta da novela com a Maitê Proença, e a Mônica Larissa, um bebezão de vestido de nylon cor-de-rosa. Todas elas conviviam com Napoleão, o Snif-Snif ( um cachorrinho de pano, também da Estrela) que até hoje contempla meus livros na estante do quarto de bagunça.
Minha amiguinha, porém, foi roubada, e desde então eu procurava uma dessas Emílias. Hoje eu surtei! Ela é uma das pequenas, e agora está na sala, em lugar de honra. Tudo isso pra dizer que eu tenho 30 anos e não tenho juízo nenhum.

Monday, April 16, 2007

Oficina literário-sentimental

Quando eu fiz quinze anos, meu pai, cansado da minha indolência e tendência ao isolamento e depressão, me pegou pelos colarinhos, e me levou no posto do INSS, na rua Barreto Leme. Lá, tirei minha carteira de trabalho, e nós rodamos o centro de Campinas procurando emprego pra mim.
O único lugar que aceitava menores era o McDonald's. Duas semanas depois, me tornei funcionária da lanchonete da rede, na Norte Sul. Lá conheci muita gente boa, e um gerente filho da puta que levava as meninas no congelador e em troca de uns beijos e outras coisas geladas, botava as bonitinhas no balcão. Claro que a pequena panda, cuja tendência ao isolamento e depressão se explicava em grande parte às leituras de livros didáticos de Filosofia, com trechos de Simone de Beauvoir, Platão e Adorno, se rebelou contra isso, permanecendo no corredor da morte, o espaço retangular com as grandes cubas de óleo vegetal onde se fritam carnes do Mc Fisch e Mc Chicken, nuggets e tortas. Depois, o gerente tarado me pôs para dar as festas das crianças, quatro, cinco festas nos sábados.
No meio disso, me apaixonei, como sói acontecer com as moçoilas de quinze anos. Meu eleito era um moço esquentadíssimo, que um dia tacou a bandeija nas costas de um cliente, no estacionamento da loja. Evidente que o rapaz trocou alguns beijos com a panda, sabor sundae de morango, e depois de belas férias na praia, enquanto eu penava no corredor da morte e sonhava com o seu retorno, me ignorou solenemente. Desconsolada, escrevi os versos, com canetinha hidrocor, na agenda: "Seus olhos são grossos punhais/ são vítreos, e indecifráveis/ enigmas antigos e ancestrais/ bóiam indiferentes e distantes/ no meu mar de desejos".
Hoje, por acaso, alcancei da prateleira Poesia de Florbela Espanca. E lá estava, sob o título de Frieza: "Os teus olhos são frios como as espadas/ E claros como trágicos punhais/ Têm brilhos cortantes de metais/ E fulgores de lâminas geladas.//Vejo neles imagens retratadas/ De abandonos cruéis e desleais,/Fantásticos desejos irreais,/E todo o oiro e o sol das madrugadas!// Mas não te invejo, Amor, essa indif'erença,/ Que viver neste mundo sem amar/ É pior que ser cego de nascença!//Tu invejas a dor que vive em mim!/E quanta vez dirás a soluçar:/'Ah, quem me dera, Irmã, amar assim...!".
Fiquei tão emocionada! Detalhe, aos quinze anos eu não conhecia Florbela Espanca. Meu plágio foi involuntário. Talvez eu precisasse tanto das palavras dela, como sempre acontece com os grandes poetas, que recriei, de forma desajeitada, a primeira parte do soneto, com a força dos meus sentimentos.
O que é engraçado também é que eu cantava Adoniran enquanto fritava frango processado e montava dez sanduíches por vez ( teve um dia que uma cliente pediu o tal Mc Chicken sem maionese, e eu dei uma de Carlitos nos Tempos Modernos, perdi três fornadas de lanches porque automaticamente pegava o pistolão de maionese e lascava no pão). Depois vim a descobrir que a maior parte dos sambas do Adoniran, ele compôs caminhando, suando a camisa vendendo gravatas. E lógico, eu não tinha nenhum disco do Adoniran, pra mim os sambas dele faziam parte, vamos dizer, da História Oral. Meu pai todo dia, quando chegava em casa, arrepiava nossos cabelos com sua interpretação de Saudosa Maloca; eu enlouquecia o pessoal da cozinha com minha antológica Tiro ao Álvaro, que secretamente dedicava ao moço dos olhos-arma, nos meus momentos de descontração.
Mas da Florbela, deixo o Rústica, para vocês: "Ser a moça mais linda do povoado,/Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,/Ver descer sobre o ninho aconchegado/A bênção do Senhor em cada filho.// Um vestido de chita bem lavado,/Cheirando a alfazema e tomilho.../- Com o luar matar a sede ao gado,/Dar às pombas o sol num grão de milho...//Ser pura como a água da cisterna,/Ter confiança numa vida eterna/ Quando descer à 'terra da verdade'...// Meu Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!/ Dou por elas meu trono de Princesa,/ E todos os meus Reinos de Ansiedade".

Saturday, April 14, 2007

Minha bela Marília, tudo passa/ A sorte deste mundo é mal segura

Fiquei bastante triste ontem pelo concurso, mas passou. Descobri que tinha um problema político cabeludo no departamento, e que segundo fontes seguras é melhor fazer a coisa de outro jeito, em outro departamento. E ainda ganhei um convite para vir pra cá numas três atividades legais, como professora convidada, na maior badalação.
Na verdade, o concurso era meio genérico, e os convites rolaram em História da Arte, o que muito me alegrou. Veremos, mas fiquei feliz também porque mais uma vez percebi que não estou só nesse estradão. Por msn, telefone, sinal de fumaça, os velhos companheiros ficaram comigo durante todo o processo. O Juan ficava doido porque esse jeito italianado da gente levar a vida, nas terras paulistas, é meio diferente da mineirada. Enquanto o bonitinho assava pão de queijo pra mim, neguinho da cidadela de Zeferino Vaz desfiava todos os palavrões possíveis e as opiniões esdrúxulas nos quais somos especialistas. Teve gente que sugeriu, de forma cândida, que eu falasse das feministas pós-estruturalistas lacanianas; gente que mandou dizer que era pra consultar Merleau-Ponty; ou que era pra cantar um samba do Adoniran e picar a mula rumo a BH. Enfim.
A gente só percebe que a cidadela zeferinítica é algo surreal quando tomamos um ônibus qualquer e despenca por aí, sertões e outros labirintos. É claro que eu queria a aprovação, mas pra primeira vez tá bom, não é coca-cola mas é isso aê. Reforçou meus laços de afeto com os habitantes da cidadela e ainda por cima ganhei convite pra vir falar sobre Gonzaga, uma das minhas paixões mais inflamadas. Só queria dizer pra vocês que tô feliz. Hoje vou rever São Francisco de Ouro Preto, um ônibus e tô em casa, novos planos, projetos, pensei bastante, tive um monte de insights, revi Minas, fiz amigos, enfrentei questões íntimas super importantes, aprendi uma nova receita de frango, ontem usei meu vestido novo e tive vontade de dançar.

Friday, April 13, 2007

Os Argonautas do Pacífico Ocidental

Escrevo de Mariana, MG.


Vim para as Gerais, tentar um concurso de professor substituto na Federal de Ouro Preto. Aviso aos navegantes que não passei. Foi um stress, concurso sempre é, mas fiquei na casa do Juan, um anjo de menino que quer ser meu orientando... que foi um irmão pra mim. Conheci Virgínia, professora daqui, outro anjo, e isso valeu muito a pena.

Também valeu a pena ter vindo, porque eu pelo menos fiz alguma coisa, no sentido que estava me sentindo sem chão. Bolsa acaba, a tese tá no fim, e eu me sinto numa sinuca de bico, preciso ir pra frente, pra algum lugar. Tentei. A pandinha leu textos cacete, falou de Malinowski, lembrou dos tempos do Cebrap, imprimiu textos em impressora matricial, reviu a praça Minas Gerais e discutiu Mestre Ataíde. Enfim, tentei. No fundo me senti um João Bobo, sabe, levando um pouco de pancada e voltando pro mesmo lugar.
O que me consola é que preparei minha aula em cima do Malinowski, e ficar preso nas ilhas Trobriand por cinco anos não foi bolinho. Conhecimento sempre é um processo agonístico, preciso anotar pra sempre isso no meu caderninho Marco Aurélio ( o imperador gatão começa suas preleções com coisas que a gente tem que lembrar todos os dias quando acorda. Um pouco de estoicismo, com tão boa companhia, não faz mal pra ninguém).