Vim para as Gerais, tentar um concurso de professor substituto na Federal de Ouro Preto. Aviso aos navegantes que não passei. Foi um stress, concurso sempre é, mas fiquei na casa do Juan, um anjo de menino que quer ser meu orientando... que foi um irmão pra mim. Conheci Virgínia, professora daqui, outro anjo, e isso valeu muito a pena.
Também valeu a pena ter vindo, porque eu pelo menos fiz alguma coisa, no sentido que estava me sentindo sem chão. Bolsa acaba, a tese tá no fim, e eu me sinto numa sinuca de bico, preciso ir pra frente, pra algum lugar. Tentei. A pandinha leu textos cacete, falou de Malinowski, lembrou dos tempos do Cebrap, imprimiu textos em impressora matricial, reviu a praça Minas Gerais e discutiu Mestre Ataíde. Enfim, tentei. No fundo me senti um João Bobo, sabe, levando um pouco de pancada e voltando pro mesmo lugar.
O que me consola é que preparei minha aula em cima do Malinowski, e ficar preso nas ilhas Trobriand por cinco anos não foi bolinho. Conhecimento sempre é um processo agonístico, preciso anotar pra sempre isso no meu caderninho Marco Aurélio ( o imperador gatão começa suas preleções com coisas que a gente tem que lembrar todos os dias quando acorda. Um pouco de estoicismo, com tão boa companhia, não faz mal pra ninguém).

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