Monday, May 31, 2010

A cura

Hoje foi um dia longo e cheio de problemas. Pra vocês terem só uma idéia, comecei o dia sem gasolina, com sono e com brigas entre meus alunos que pareciam insolúveis.
Quando tudo não só parecia perdido, como estava perdido de fato, de repente, aconteceram pequenos milagres. E, no meio de tanta dor antiga, tantos machucados e durezas, gente amiga trouxe alívio, e eu lembrei de uma música velha, boba, do Lulu Santos ( pois é, do Lulu Santos) que dizia direitinho do meu sentimento, algo muito antigo, uma alegria de saber que as coisas estão no lugar, mesmo com tanta quebradeira. E viva aquela, aquela mesma, que é a última que morre.

http://www.4shared.com/audio/3c8AvDTu/Lulu_Santos_-_A_Cura.htm

Sunday, May 30, 2010

Virgílio e Dante no prato!

Dante e Virgílio, projeto de prato. Guache em porcelana de Limoges, 49,4 cm de diâmetro. Séc. XIX. Limoges: Musée Adrien Dubouché.

Friday, May 28, 2010

Final de conversa

Nos últimos anos, acontece uma coisa curiosa comigo.

Encontro sempre gente muito querida, da velha Universidade Estadual de Campinas. E essas pessoas me contam coisas escabrosas que andam acontecendo na cidadela de Zeferino: cantinas muito boas são fechadas a troco de nada, proíbe-se todo tipo de atividade nos recintos da instituição ( inclusive estudar) e docentes fazem todo tipo de jogo sujo para colocar favoritos em concursos totalmente roubados, roubar projetos de discentes e/ou simplesmente encher a paciência de quem passa.
Em algumas unidades, a situação chega a ser tão crítica que o observador, mesmo o mais desatento, se pergunta como as pessoas fazem para limpar seus posteriores, visto que não existe nem papel higiênico nos banheiros. A crise, no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, virou a normalidade, e se você fala qualquer coisa, é identificado como alguém das hostes neoliberais, que mata os pandas na China e persegue docentes do lugar.
Eu sempre renovo minha indignação, e desfio o rosário das lembranças, mágoas, desacertos, pepinos, monstros e todo tipo de desvão de comportamento e de linguagem que acomete as plagas outrora fundadas por Zeferino Vaz. Meus últimos dias não tem sido diferentes. Mas o que ocorre, agora, é que percebo a minha total impotência em relação a tudo que se passa na Universidade. Não sou docente contratada, e sim mera professora palestrante convidada, e recebo menos que o salário mínimo para ministrar um curso na graduação. Não tenho nenhum tipo de acesso às esferas decisórias da instituição. Nada sou, nada posso, nada consigo. Nunca fui chamada para nada, nos últimos anos, a não ser ministrar cursos na graduação, ganhando menos que o salário mínimo, e eventualmente contribuir com minhas pesquisas pessoais para as estatísticas da Pró-Reitoria de Pesquisa e da FAPESP.
Ou seja, percebo que virei, talvez, uma figura trágica, aquela à qual as pessoas endereçam suas queixas, graves e justificadas, mas que é apenas uma figurante indignada. Sinto-me triste por isso. Gostaria de poder efetivamente contribuir para a vitalidade daquela alma mater que me formou, tanto profissionalmente quanto pessoalmente, mas esta mesma que me formou não me dá chances de crescer, de prosseguir meus estudos, de ser alguém no sentido mais pleno. É duro demais chegar no final do salário com muito mês sobrando, é duro demais ver as coisas caírem, quebrarem, ver todo tipo de filhadaputice, e não poder fazer nada, nada, nada. Não existe nada que eu possa fazer, não adianta chorar, espernear, gritar, encher o saco dos amigos, falar um monte de bobagem na cantina, na mesa de bar, e continuar sendo a mera figurante indignada de sempre. Não é justo comigo nem com a Unicamp. Fim de papo.

Sunday, May 16, 2010

Je t'aime encore


"Six pieds sous terre, Jacques/ Tu chantes encore/Six pieds sous terre tu n'es pas mort/ Six pieds sous terre, Jacques/Tu n'es pas mort/Six pieds sous terre, Jacques/Je t'aime encore"
Jojo, Jacques Brel
Túmulo de Jacques, na Polinésia Francesa, a poucos passos do túmulo de Paul Gauguin.

Friday, May 14, 2010

A barca do tiozão



Messer Masiero acaba de me recordar, gentilmente, que hoje faria anos o tiozão mais amado pelas pandas no mundo afora. Nascido por volta de 1265, o narigudo cidadão apagaria em torno de 725 velinhas.
Essa semana, fui convidada a dissertar sobre o legado do grande vate florentino, nas plagas unicampísticas. Resolvi inovar a abordagem, e falei dos conjuntos ilustrativos dedicados à Comédia na virada do XVIII para o XIX, e o XIX: Delacroix, Ingres, Blake, Doré, Rodin, Manet, Degas, Puvis de Chavannes, dentre outros, dedicaram tempo, lápis e tintas para dar vida às paragens infernais, tão bem conhecidas dessa que vos escreve, por leitura do Dante e por experiência própria.
Essa semana, apropriadamente, meu carro, conhecido internacionalmente como Exumóvel, resolveu ir para a UTI, o que causará despesas no meu sempre combalido orçamento e já motivou uma discussão acalorada com a minha progenitora. A panda sempre se esforça para comemorar datas festivas em grande estilo!
Acima: Eugène Delacroix (1798-1863), 1822. Óleo sobre lona, 189 x 242 cm. Paris: Musée du Louvre.

Sunday, May 09, 2010

Cabeça ruim

Eu começo a considerar, cada vez mais, que minha cabeça é ruim demais.

Eu acredito no que os outros dizem pra mim, e de mim.
Eu quero tanta coisa.
Eu sonho tanta coisa.
Eu lembro tanta coisa.
Eu não aguento o tanto de desejos que eu guardo dentro de mim.
E tudo isso é tão atrapalhado, que às vezes eu queria passar o dia na cama, olhando pra parede, pra tentar ordenar, pelo menos um pouquinho, essa zona toda que não consegue ser eu.

Tuesday, May 04, 2010

Deu na Reuters III: protesto na Acrópole deixa filósofos de cabelo em pé


Hoje o velho Partenon, construído pelo grande escultor Fídias no coração da Acrópole, em 450 a.C., amanheceu assim.
As autoridades gregas não sabem como os manifestantes entraram no templo, que é fechado para os visitantes.
Já dizia José de Arimatéia que uma imagem vale mais que mil palavras. Deu na Reuters: essa foto aí deixou filósofos no mundo inteiro, particularmente nos departamentos de Filosofia nos EUA, de cabelo em pé!

Monday, May 03, 2010

Reza pra subir

Hoje eu preciso fazer uma oração. Pedir humildade, paciência, amor, paz de espírito, pra qualquer ente superior que venha a existir ou não, nessa altura do campeonato não importa.

Ando, de novo, com o pavio muito curto, curto demais. É muito difícil! Não aguento mais um monte de gente, um monte de situações, e acabo ficando de saco cheio mesmo. Pronto, eu não preciso ser simpática, eu não preciso ser popular, eu não preciso suportar. Quero algo diferente pra mim, só não sei o quê, ou como.