Wednesday, July 26, 2006

Meditações sobre um Cavalinho de Pau

Tudo bem, o título eu tirei do Sir Gombrich, recomendo vivamente, bláblábá.

Nesse tempo desértico, litros e litros de Rinosoro, depois de muito passar mal e de mais uma aula no programa Teia do Saber, aqui na Unicamp, retomo as atividades blogueiras, com uma dica...
Descobri o link pro bróugui do Luis Fernando, amigo velho de guerra e que chupinha minhas idéias e escreve artigos no site da Caros Amigos: http://luisvita.blog.terra.com.br/. Tô brincando, vale a pena dar uma passadinha, o Luis além de combativo arruma cada confusão engraçada...

Thursday, July 20, 2006

Paulistânia II

Sujinho.O Gato que Ri.Espetão.Zi-Tereza.
Porque uma cidade são seus restaurantes,
Gigetto.Famiglia Mancini.Ritz, e no fim, Pastelaria Yokohama.
Café no Largo de São Bento.E café na Praça da Sé.Café no Viaduto do Chá.
Pausa prum refresco na Consolação ( em qualquer boteco).
Risco, São Paulo é isso.

Monday, July 17, 2006

Foi falar...

Foi falar, pronto, peguei uma sinusite monstrinha.

Ontem e hoje, sofrendo com dor no rosto, febre, e má disposição geral. Pelo menos, ontem fomos assistir a um concerto da Sinfônica de Campinas. Regida pelo maestro Karl Martin, suíço, a orquestra apresentou o programa do Festival de Inverno de Campos do Jordão. Mozart, Prokofiev e Stravinsky, num programa de mais de duas horas, belíssimo. Depois reparei, os músicos saíram exaustos, mas felizes da vida.
A Sinfônica é uma das coisas que fazem Campinas valer a pena, às vezes... lembro de alguns concertos muito tocantes.
Hoje acordei mal, mal. Dodói mesmo. Entro na net, dia do julgamento von Richthofen. O advogado de defesa de Suzane chegou arrasando, acreditando que o ataque é a melhor defesa literalmente. Segundo ele, Suzane foi coagida pelo namorado Daniel, com quem viveu a primeira experiência sexual. O advogado disse que a pobre Suzane tomava anti-concepcional injetável, "que doía e fazia a pressão baixar", porque era da vontade do namorado. Já Daniel, no seu depoimento já no tribunal ( coberto minuto a minuto por vários órgãos de imprensa e mídia, veja lá no Portal Terra) disse que os pais de Suzane "o tratavam com violência e ambos tinham amantes". Enfim, todos têm o sagrado e inviolável direito de defesa. Todos têm direito a um julgamento, conforme a lei. Agora, os que assistem também possuem o sagrado e inviolável direito de se irritar.

Thursday, July 13, 2006

Panda no médico

Todo ano é a mesma chorumela.

Seguindo os ensinamentos de dona Meire, minha famosa progenitora, me obrigo a marcar ginecologista, oftalmo, dentista, nas férias. E todo ano eu enrolo, enrolo, enrolo.

Explico: eu odeio ir em médico e dentista! Eu sempre acho que o dentista vai falar que eu vou perder todos os dentes e que o médico vai me dar seis meses de vida. Sempre chego morrendo no consultório. E morro de medo de fazer exames, também piro, sofrendo, e fazendo drama.

Pra quê? É irracional mesmo. Hoje me enchi de coragem e vamos lá, marquei os doutores. Já a dra. Solange, minha dentista, tá de férias, então dá pra eu melhorar o tratamento dispensado à minha dentadura antes do confronto com o motorzinho.

Então, caros amigos-panda, rezem para eu não entrar realmente em extinção!

Tuesday, July 11, 2006

Introdução ao Bruce- I

Para os curiosos leitores do Mezzo:


Aqui a canção predileta da panda de seu roqueiro predileto, ele mesmo, o Boss. A música que se segue se chama "The River", e deu nome ao disco do tio, lançado em 1982. Não sei porque, mas toda vez que eu escuto o rio, penso na poesia chinesa. Deve ser defeito de fábrica no meu cérebro.
Os créditos vão para o amigo de Orkut Colorado, salvação da lavoura nas comunidades que trocam MP3 ( ainda, apesar da sombra das gravadoras e etcs e tais):
obs:) eu tava aqui pensando, eu acho que minha canção predileta do Tio de Nova Jersey ainda é "Dancing in the Dark", mas essa todo mundo conhece. Então ouçam o rio e esse homem combalido.

Monday, July 10, 2006

E o Murilo nasceu!!!!!!!!!!

Hoje amanheceu um dia feio, chuvoso, frio. Fui lavar roupa, louça, ou seja, cuidar do doméstico. E veio a boa notícia, nasceu Murilo, no meio da madrugada. Murilo é nosso mais novo sobrinho, e nasceu de parto normal, como a Jana tanto quis.
E o dia ficou lindo, até sol saiu. Fomos saudar nosso mais novo amigo, que além de muito fofo parece ser muito tranqüilo, acordando só para mamar e fazer charme.
Beijos para o Murilo, beijos para a Jana, para o Henrique e para o Felipe, o irmãozinho que ficou na casa dos avós e que adora jogar uma bolinha. E para os leitores do Meio, um presente: duas músicas em homenagem a todos os nenês do mundo, When a Child is Born, do Johnny Mathis, e Rock and Roll Lullaby, B.J. Thomas...
obs) o Murilo estava num berço chamado berço-panda... com um pandinha cuidando dele... os pandas vão dominar o mundo!

Sunday, July 09, 2006

Panda na Copa 3- E deu Bota na cabeça, ou melhor deu a cabeça do Zizou

Eu não estava dando a mínima pelota pra Azzurra nessa Copa. E deu no que deu.
Não jogaram bem, o segundo tempo seguraram na zaga, impecável, e no Buffon, que pode ser mafioso mas nas horas vagas é bom goleiro. Jogo feio, retrancado, nada de contra-ataque, neguinho cavando falta e catimbando. Mas a França, ainda que coroada com os talentos individuais, não encontrava o ataque, o caminho do gol. Quando chutava, chutava feio, longe, pro nada... Deu dor de cabeça, é verdade, uma grande seleção essa francesa.
Até que veio o inexplicável, o injustificável, o inconcebível, o que confirma que futebol é uma caixa de surpresas. No último jogo pela seleção francesa, o grande, o melhor do mundo Zidane dá uma cabeçada, literalmente. Gente, Zizou não precisava disso. Eu tenho a maior simpatia por ele, apesar de tudo ( Brasil, etcs, etcs), mas foi de uma deselegância extrema. O carcamano xingou? O sangue esquentou? Nada justifica. Momentos antes, a gente comentava, na casa da mãe do Cris, onde assistíamos a partida, da falta lamentável, da cotovelada covarde de Leonardo na Copa de 94. Cara de bom moço, ídolo da torcida são-paulina, Leonardo manchou pra sempre sua carreira. Nessa hora o cara tem que ser profissional, encerre a carreira com a classe, dignidade e grandeza de sempre.
Nos pênaltis, eu apelei pra Madonna della Coppa, ou pra San Vitale. Eu sabia que os conterrâneos do Dante, se fossem pros pênaltis, iam matar. Porque italiano é assim, no final eles inventam a Pietà, a Capela Sistina.
Agora agüenta, lá deve estar a loucura da polenta.

Monday, July 03, 2006

E agora, ao trabalho!

Retomo as minhas atividades de historiadora da arte mirim, patrocinada pela Fundação de Desamparo, vulgo Bat Caverna.
Finalmente, o parecer do relatório, elogioso. O gnominho do Papai Noel disse que eu mandei bem, que "trabalhei intensamente" nos EUA. Ufa, meses de sufoco, agora deu um alívio...
Juro, esse relatório escrito no verão campineiro, depois do inverno chicagoan ( relatório amplitude térmica) foi a melhor coisa que escrevi na vida. Não que eu tenha escrito muita coisa boa, mas foi resultado de força de vontade, e da minha cabeça dura em ir pros States em plena era Bush financiada pelo Alckmin.
Agora, exame de qualificação. Marquei na secretaria, e a banca está ciente. Retoques no texto, pra mandar pro orientador. E volta aquela trabalheira insana, Caderno de Imagens, Bibliografia Temática moldes ABNT, Garamond 12 espaço um e meio. A qualification será nos idos de agosto, como o assassinato de Júlio César. E depois... será que a pequena panda sofredora e defensora dos frascos e comprimidos irá para a terra da macarronada e do Berlusconi?
Queridos leitores, em 1997 eu era uma menina que morava com os pais, tinha um namorado, uma bolsa de iniciação científica, e um amigo no mestrado. Um dia esse amigo veio e me falou, escuta, vai ter um curso de História da Arte na Itália. E eu cheguei em casa e pasmem, meus pais me falaram, vai. Com um dinheiro guardado eu fui, e no primeiro dia veio a pancada. Uma porta imensa, do Michelângelo. Puxei a manga do casaco do meu amigo e perguntei baixinho, mas é o cara da Sistina? E ele, é, psiu, fala baixo... e eu descobri que Michelângelo era o cara da Sistina, do Campidoglio, da Basílica de São Pedro, da Porta Pia, da Capela Paulina, da igreja Santa Maria degli Angeli ( as termas de Diocleciano), do Tondo Doni, da escada da Laurenziana, do Moisés, etcs, etcs, etcs...
Nem preciso dizer o que Roma, Nápoles e a Sicília representaram pra mim. Dessa viagem para a Itália, me alimentei durante esses nove anos, com o sonho de voltar e jogar mais moedinhas na Fontana. A menina perdeu o pai, saiu de casa, engordou, teve outros namorados, mas ficou pela História da Arte mesmo. E agora quer voltar, pra ver mais da Bota. Será? Será? Me aguardem...

Sunday, July 02, 2006

Panda na Copa 2- mas que m^&(*!

Olha, eu não ia falar nada, tava pensando em respeitar o sofrimento geral da nação, mas não me agüentei.

Tudo bem que toda Copa é essa josma, da escalação do técnico às vitórias e derrotas da esquadra canarinha, passando pelo fato do país parar e de termos péssimas memórias ( 70, tricampeonato e Médici, 82 e o time que não foi, 86, a guilhotina Platini e o fim do Plano Cruzado, 90, Collor e a volta dos mortos vivos, 98 e o Ronaldinho amarelando).
Eu evito falar de futebol, por dois motivos: primeiro, sou mulher, e mulher supostamente não entende de futebol, e dois, porque estou na universidade, e tirante alguns machos alucinados, supõe-se que mulher nem fale de futebol, e sim de quadros de Miró e roupinhas da Zara ( isso, escondido no banheiro pras amigas íntimas).
Mas agora vou chutar o pau da barraca ( ou melhor, vou chutar a trave) e afirmo categoricamente que, sim, eu adoro futebol ( só não aprendi a jogar porque minha mãe me batia, dizendo que eu era menina e menina não joga bola) e adoro fazer mesa-redonda. E minha tristeza pela derrota de anteontem foi genuína, minha decepção, mais que amarga.
É totalmente inadmissível um técnico de Seleção Brasileira se portar como se portou Parreira. Por vários motivos. Eu sei que muita gente falará e pensará, acertadamente, que futebol é roubado, que existe máfia na FIFA, na CBF, e a dominação do capital, e blablabla, e tem coisa mais importante pra discutir, e que futebol precisa deixar de ter tanta importância assim na Terra de Santa Cruz. Mas, caralho, o cara fazer o que fez, é fora de qualquer padrão de conduta de gente inteligente, é abaixo da linha da miséria. Cafu conseguiu um feito:errou 150% dos passes; Roberto Carlos chutava para o nada, Kaká corria meio metro e caía diante da elegância de Zidane, Ronaldos esquece, só Lúcio e Juan tentaram, assim como Cicinho e Robinho, fazer algo, mas de um jeito esmaecido e às vezes meio covarde ( o carrinho que o Lúcio deu no moço que agora esqueço o nome). E o cara lá, parado, braços cruzados, língua pra fora naquele cacoete nojento, olhando o relógio, "Pois é, minha patroa tá me esperando pra janta"...
E agora o povo desgostoso comenta, a CBF tá sem dinheiro, e precisaram fretar o mesmo avião da seleção argentina. E que venham as eleições, Alckmin e Lula. Olha, a situação está preta, e o Bussunda morreu.
obs) quando eu tava mandando a filha da minha vizinha à merda ( leia o post abaixo) eu soltei um caralho. Ela, ah, mas tá vendo que tipo de amiga você tem, minha mãe, olha o vocabulário. Então, bater na mãe pode, falar palavrão não pode. E como diria a divina Leila, sem asteriscos please, meu, vão se fuder seus filhos da puta, porra, caralho, que merda!!!!!!

Climb Every Mountain

Antes que eu me esqueça, queria mandar um beijo muito grande pro meu amigo e companheiro de IFCH e Cebrap Alex, que me escreve no Meio do Caminho da enevoada e cinzenta Curitiba. O Alex é agora professor da Federal, poxa vida, é super legal ver um amigo, um colega ir pra frente na carreira acadêmica pelo seu próprio esforço e dedicação. Beijos, Alex, você é do time dos pandas...
Falando em time. Fim de semana frio, cinzento e triste. Bom, nem vale a pena comentar a atuação ( atuação? tô sendo generosa) da Seleção do Parreira contra a França, quer dizer, vale sim. Eu achei um absurdo a falta de dignidade dos caras, inclusive do técnico. Futebol Geraldo Alckmin: zero de resultado, zero de emoção, zero de qualquer coisa que preste. Bom, tive uma festinha de amigos queridos, hoje fui no shopping do passarinhão ( como diz Felipe meu sobrinho) com Yna, enfim, tudo bem dentro da medida do possível, frio e começando a torcer pra Portugal, chego em casa.
Eu tenho uma vizinha muito fofa, dona Lourdes. Sempre me socorre na hora em que eu preciso de um desentupidor de pia, essas coisas. Eu notava um ar de tristeza e desamparo na sua figura, sempre de moletom e tênis brancos, simples, contrastando com a filha, orgulhosa nas últimas roupas da moda e na beleza padrão atual, carro do ano e muita empáfia no elevador. Pois bem. Hoje eu chego no meu moquifo, no corredor dona Lourdes, chamando por mim, machucada e chorando. A filha bateu na mãe para extorquir dinheiro. Simples assim.
Cara, o sangue subiu na cabeça. Entrei com ela em sua casa, SUA casa, que abriga essa vagabunda desgraçada dos Infernos. Lá dentro, uma ex-sogra da nega, que tem 35 anos, advogada de porta de cadeia, divorciada duas vezes e vagabunda. A ex-sogra defendendo a tal, e eu falei, olha, bater na mãe é fogo, hein? Daqui a pouco a maldita vem, enrolada numa toalha ( tava tomando banho a coitadinha) me encher o saco. Enfim, que beleza não?
Moral da história, quebrei o pau,e agora tô pensando numa coisa. Existe uma resistência muito grande, na classe média brasileira, de viver. Sabe como? Meu, sai de casa, vai dar a cara à tapa, vai tentar ser feliz. Não culpe os outros pela sua infelicidade. A nega bateu na mãe pra roubar e me disse, ah, mas eu perdi meu pai, e agora sou uma coitada. E eu, eu perdi meu pai também, o prédio tá de saco cheio de você, sai fora. Vai à luta.
Essa resistência está estampada na infelicidade das famílias, na hipocrisia dos almoços de domingo. Por covardia, todos ficam no mesmo teto, alimentando ressentimentos, batendo uns nos outros, criando constrangimentos, enchendo o saco. Existe um termo bonito na Psicanálise, individuação. Pega e vai trabalhar, os filhos da classe média gostam do bem bom. A ex-sogra, mas ela vai pra onde? E eu, vai pruma quitinete. Eu fico louca da vida com quem se esconde, se esconde da vida, da luta, e desconta nos outros.
Tem uma cena piegas pra caramba, mas que eu adoro, na Noviça Rebelde. Isso mesmo, Noviça Rebelde, agora vão falar, ah, mas é Hollywood. E daí? É a cena que a Maria, vivida pela Julie Andrews, fala com a Abadessa, que canta magistralmente, em voz operística, Climb Every Mountain. Escale toda montanha, siga todo arco-íris, até você achar seu sonho. Um resumo do que é o processo de individuação. No caso, a pequena noviça estava com medo de encarar uma paixão, sair do convento e ir viver. E a Abadessa, não, aqui não é o seu lugar. Não dá pra fugir da vida: no início, é mais cômodo, é o caminho mais fácil. Mas a frustração tem um preço alto demais. Eu prefiro a pieguice, prefiro escalar cada montanha. Prefiro o caminho mais difícil.
obs) agora me dei conta. Quando Vitor Negrete chegou ao Everest, muita gente de classe média de Campinas falou, mas que irresponsabilidade, com filhos pequenos escalar o Everest. Isso é comentário de burguês ressentindo com a vida, que não foi nem pra Praia Grande. Que não entende o que é uma paixão, um ato de heroísmo, de desprendimento, de coragem. Um tentar passar dos próprios limites. É isso aí.