Monday, October 26, 2009

Le plat pays

Eu não sei muito, infelizmente, de parte da história da minha família. Mortes prematuras, distâncias, e o fato de que família de imigrante e migrante perde raiz, as pessoas começam do nada em cada geração. O pouco que sei da minha família paterna, porém, me faz ter um carinho enorme pelo sobrenome deles que carrego, um sobrenome cheio de es e puxado pro estrombótico, na língua portuguesa.
Só sei que saíram da confusão meio Bélgica-meio Holanda, em que as pessoas são católicas mas falam a língua cheia de oos, consoantes, erressss, que ninguém além dos próprios entendem. Confusão daonde saiu também uma das minhas grandes admirações: o imenso Jacques Brel. Apesar de meu conhecimento de holandês continuar negativo, o meu francês melhora a cada dia, graças aos esforços titânicos da minha brava professora fofa. Daí, a minha admiração pelo Brel virou uma cálida paixão, e a voz poderosa me acalmou nesses tempos meio difíceis. Não sei como alguém podia ser tão grande, mas o Brel era; o que dignifica parte das minhas origens familiares, uma terra em que nasceram os Van Eyck da vida e ele, apesar de cinza, me faz feliz.

Friday, October 23, 2009

Só por Deus

E nessa semana de retomada de atividades catedraizísticas e quetais, a pandinha caiu dodói. Mudanças bruscas na temperatura fazem a pequena habitante do Tibete campineiro ter asma, e outros sofrimentos essa semana vieram se juntar a esse. Ou seja, nobody deserves. Agora, aparentemente, estou bem, e no repouso que tive que fazer aproveitei pra retomar outras atividades há tanto emperradas.
Não me queixo de uma coisa: como aprendiz de historiadora, sempre achei coisa interessante demais. O problema é processar o material, como se diz por aí. Um documentinho maldito leva a outro, que leva a outro, que leva a outro... e tem coisa que é pesadona mesmo. Trabalho eu tenho, bastante, acumulado: trabalho de pesquisa, aquela coisa formiguinha. Agora, dar um jeito nisso tudo...
Um exemplo são os vários desdobramentos da tese. Eu não mexi neles até agora, pra vocês terem uma idéia. Fiquei hoje pensando que esse ano foi meio paradão nesses termos, por conta da correria dos concursos e porque eu tive que parar, algumas vezes, pra cuidar da saúde que andava meio abalada.
Outro exemplo, pra piorar a situação, são os desdobramentos da dissertação de mestrado, defendida no longínquo 2002... quer dizer, coisa pra fazer eu tenho de montão, e se a acupuntura der certo,e não aparecer mais NENHUM documentinho maldito nem obra de arte esquecida, alguma coisa disso tudo eu faço, juro que faço.

Thursday, October 22, 2009

Dureza II- a missão

Deu na Folha e no UOl hoje:

"22/10/2009 - 10h06
Concurso para garis atrai 22 mestres e 45 doutores no Rio


da Folha de S.Paulo, no Rio

Com inscrições abertas desde o dia 7, o concurso público para a seleção de 1.400 garis para a cidade do Rio já atraiu 45 candidatos com doutorado, 22 com mestrado, 1.026 com nível superior completo e 3.180 com superior incompleto, segundo a Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana).

Para participar do concurso, basta ter concluído a quarta série do ensino fundamental. As inscrições terminam amanhã.

Somados, os candidatos que já passaram pelos bancos de universidades representam quase 4% dos 109.193 inscritos até anteontem. Os anos de estudo a mais, porém, não devem colocá-los em vantagem na disputa --a seleção é feita por meio de testes físicos, como barra, flexão abdominal e corrida.

Aqueles que forem contratados trabalharão 44 horas por semana e receberão salário de R$ 486,10 mensais, tíquete alimentação de R$ 237,90, vale-transporte e plano de saúde. A remuneração poderá ser acrescida ainda de um adicional por insalubridade.

Aluno do segundo período de história da Estácio de Sá, no Rio, Luiz Carlos da Silva, 23, disse ter ouvido muitos comentários preconceituosos dos colegas quando contou que disputaria uma vaga de gari.

"Disseram que eu era maluco, que eu ia ficar fedendo a lixo... Mas a faculdade hoje não garante emprego nem estabilidade para ninguém. Eu quero segurança", diz ele, que, no entanto, planeja continuar estudando para no futuro trocar o trabalho de gari pelo de professor de escola pública.

"Meu sonho é dar aula, é o que eu gosto de fazer", afirma o estudante de história.

Já Ronaldo Carlos da Silva, 42, ex-aluno do curso de letras da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), vê no concurso de gari a chance de reorganizar a vida, após um ano de desemprego.

Se for bem-sucedido, pretende voltar à sala de aula, que teve de abandonar quando ainda estava no terceiro período do curso -sem trabalho fixo, tinha dificuldades até para pagar o transporte para ir à universidade. Insatisfeito com a faculdade de letras, porém, quer cursar direito. "Vou fazer um curso preparatório", planeja.

Também desempregada, Thaiane do Prado Gomes, 21, estranhou ao ouvir que iria disputar vagas com pessoas com curso superior e até mestrado e doutorado. 'Isto aqui é para quem não tem escolaridade. Para os outros tem mais oportunidade. Eu mesma, que completei o segundo grau, fiquei na dúvida se devia me inscrever.' "

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u641621.shtml


Moral da história: nem pra concorrer pra gari o doutorado garante algo pro indivíduo, neste país.

Moral da história II: o gari no Rio tá ganhando mais do que professor da rede pública em São Paulo.

Monday, October 19, 2009

La vecchia

Hoje, confirmando o ditado que Deus ajuda a quem cedo madruga, acordei de manhãzinha com o barulho da chuva, o que me salvou de um atraso homérico, já que eu tinha esquecido, devidamente, de acertar o relógio do meu celular-despertador.
Fui pra minha aula de francês e pela primeira vez em muito tempo ganhei elogios da minha santa professora, confirmando mais uma vez o ditado supracitado.
Depois de voltar e almoçar, confesso que enrolei um pouco pra entrar na malditinha, ops, Catedral. Eu ando meio em falta com o povo de lá, feriados e outros compromissos me afastaram da italianada, do Ramos de Azevedo, da talha e dos santos sem cabeça; sabia que ia encarar uma parada dura, porque os documentos continuam lá e tudo o mais.
Hoje, la vecchieta estava uma zona de guerra: não sei quem tinha brigado com não sei quem que tinha dito não sei o que e um micro subia e descia, subia e descia conforme a discussão ia avançando. Pra piorar, eu e o Ricardo conseguimos desencavar um monte de documentinho que estava sumido e no meio de uma acalorada discussão e de um escaneamento de documentinho puff! A luz sumiu.
Sério, gente: dona Fátima liga o aspirador lá em baixo, a luz acaba no andar de cima... acredito que o fio que leva energia pro andar de cima sai da tomada que a dona Fátima usa pra ligar o aspirador, ou algo espiritual impede a gente de escanear documento no Museu e o pessoal limpar dignamente o tapete embaixo da cadeira do arcebispo.
Teve uma hora que eu pensei seriamente em me jogar do janelão, e ir parar ou na rua ou do lado do altar de Santo Antônio, tamanha a confusão que reinava... mas tudo bem. Fazer o quê, no fundo eu tava com saudades.

Thursday, October 15, 2009

Dureza

A fonte para a notícia que dou aqui é o Diário Oficial do Estado de SP, de 30/09/2009, Executivo- Caderno 1, p.134, disponível no site www.imprensaoficial.com.br.

Refere-se a Edital para Concurso Público para Docente, no Ensino Médio Técnico Estadual, em várias áreas, aqui na região de Campinas. A carga horária pra cada área também varia... então, pra vocês terem uma idéia, peguem o caso de História; carga horária de 12 horas aula por semana.

"II- Dos vencimentos e composição da carga horária

1. O valor da hora-aula prestada é de R$10,00.

2. A carga horária mensal é constituída de horas-aula, acrescida de 20% de hora atividade, referente ao número de aulas efetivamente ministradas. Para efeito de cálculo da retribuição mensal correspondente às horas prestadas, o mês será considerado como tendo 4,5 semanas, acrescido de 1/6 a título de repouso semanal remunerado."

Peguei a calculadora: ou eu sou muito ruim na Matemática ( de fato, sempre fui), ou o pobre professor de História ganha, pra ministrar aula no Ensino Médio Técnico estadual paulista, menos de mil reais.
Interessante que as ETEPs e CEETEPSs (Escolas Técnicas Estaduais e Centros de Ensino Paula Souza são as meninas dos olhos do PSDBão paulista, caros ao coração de Alckmin e Serra, por serem boas bases de campanha eleitoral (todo mundo quer escola profissionalizante nesse São Paulo de meu Deus, e as três Marias, Unicamp-Unesp-Usp, não dão conta da demanda). O povo vive querendo implantar tal modelo por esse Brasilzão afora, cheio de gente, terra e saúva. Agora, eu aconselharia ao nosso bravo governador aumentar, só um tiquinho, esse valor da hora aula aí, porque tá dureza demais.

Friday, October 09, 2009

A um velho amigo


Hoje, vou para Unicamp para homenagear o prof. Alexandre Eulálio (1932-1988) , que não conheci pessoalmente, mas com quem tive um diálogo muito interessante nos últimos anos. Ele tinha uma paixão especial por um velho amigo meu, a quem tenho grande apreço e consideração: o crítico de arte carioca Luiz Gonzaga Duque Estrada (1863-1911).

A história eu conto depois. Deixo aqui o registro da minha, portanto, dupla homenagem...

Sunday, October 04, 2009

Lutar

Aqui, minha pequena homenagem à Mercedes Sosa, cuja voz foi uma das primeiras pelas quais me apaixonei.

http://www.4shared.com/file/134049584/f8a9f213/Milton_Nascimento_e_Mercedes_Sosa_-_Sueo_Com_Serpientes.html?s=1

De fato, Mercedes, você foi das indispensáveis.