Wednesday, February 29, 2012
Saturday, February 18, 2012
Desejo de uma tarde na praia, com meu amor

A felicidade dói. É um desespero gostoso. Estou inebriada de felicidade, essa semana tive momentos de plenitude, de compreensão, surpresas tão boas que ainda não acredito que elas aconteceram.
E daí, a felicidade gera felicidade; ela se espalha, ela causa prazer, se multiplica, cria sorrisos e conexões inesperadas. E cria desejos, e de repente, me vi em plenas férias na praia, dormindo na rede, vendo o mar, fazendo amor, comendo acarajé... felicidade, vem!
Acima, Itapuã. José Pancetti (1902-1958), 8 de junho de 1956. Site da Bolsa de Arte do Rio de Janeiro.
Monday, February 13, 2012
Saturday, February 11, 2012
Os itálicos e a arquitetura
Quando estive em Pisa, estudei na biblioteca da Scuola Normale Superiore di Pisa, instituição veneranda daonde saíram os mestres dos mestres da História da Arte. Meu coração de pequena historiadora da arte mirim batia mais forte ao entrar na Piazza dei Cavalieri, a sede da instituição, construída por Giorgio Vasari, o grande biógrafo que, em 1550, lançou a lista telefônica do Renascimento italiano, com todas as fofocas e historietas que amamos ler.
Além de biógrafo e pintor, Messer Vasari de fato teve trabalho para escrever as Vite, em meio às incumbências que recebia do duque Cosimo I de Medici. Consta que o duque Cosimo era meio intratável. Nas cartas ( disponíveis no site da profa. Paola Barocchi, www.memofonte.it), o duque está sempre em Pisa, em meio à sua armada, e Vasari sempre em Florença, escapando de vez em quando para a Arezzo natal.
Mas não teve jeito, e Vasari teve que ir pra cidade da torre torta, construir um prédio para o duque. O caso é que o prédio antigo teria sido construído, por volta de 1260, ou seja, três séculos antes, por Nicola Pisano, escultor e herói da panda mirim que vos escreve. Então hoje eu me deparei com a seguinte frase, na biografia de Nicola, escrita por Vasari:
"Nicola, il quale in que' medesimi tempi fece in Pisa il Palazzo delgi Anziani vecchio, oggi disfatto dal duca Cosimo per fare nel medesimo luogo, servendosi d'una parte del vecchio, il magnifico palazzo e convento della nuova religione de' Cavaglieri di S. Stefano, col disegno e modello di Giorgio Vasari aretino pittore et architettore, il quale si è accomodato come ha potuto il meglio, sopra quella muraglia vecchia, riducendola alla moderna".
Esses itálicos... sempre construindo e destruindo, fazendo e refazendo catedrais, pontes, palácios.
Mein Meister

Eu tinha 17 anos, e, intrépida, magricela e dentuça, de cabelos espantados, e vestido de malha da José Paulino, comecei a ler Jacob Burckhardt. Dei sorte; no meio da minha burrice, ter contato com um dos grandes historiadores de todos os tempos, foi extraordinário. Devo minha iniciação científica, o mestrado e o doutorado a este senhor, aqui numa foto do tempo da juventude dele, quando descobriu os tesouros dos homens do Renascimento.
Apesar de tão grande amor e respeito por Burckhardt, minha preguiça e de novo a minha burrice me impediram de chegar perto de sua sabedoria, por um motivo bastante banal: minha incapacidade de me organizar, para aprender a língua deste, e de outros tantos outros mestres.
Mas resolvi, quase aos 35 anos, corrigir essa falha e me inscrevi num curso intensivo de alemão. Claro que sofri que nem uma condenada e achei, na primeira aula, que o simpático professor estava me mandando para o reino germânico de Lúcifer, quando na verdade só estava me perguntando o nome. Enfim. Agora não há mais desculpa: daqui a dez anos, quem sabe, lerei meu mestre no original, e farei tortas de maçã com as receitas da Deutsch Welle!
Thursday, February 09, 2012
Lindo lago do amor
Algumas coisas na vida são lentas. A gente às vezes só entende uma música, uma pessoa, um lugar, um livro, muito, muito, muito, muito tempo depois que nos deparamos com aquele, ou aquilo. Pra mim a canção de Gonzaguinha tocava no rádio, tocava muito no rádio, e eu só a ouvia.
Você, para mim, sempre foi alguém; assim como a canção antiga, eu o conhecia, você era familiar, um lugar para voltar, era como a árvore da rua em que eu morei, naquela casa muito velha, quando você veio me visitar.
Nós dois somos água salgada e mato. Mas o mar encontra o mato; na terra dos meus ancestrais o velho Paraíba deságua em delta, e os braços são canais de água salobra, com igarapés tão delicados, mangues cheios de vida, mas que, poluídos, viram tristeza, imundície, pobreza. Nós somos essa coisa delicada, uma confluência de faunas e floras, águas profundas e frias, chuva e folhas no chão. Nós nos encontramos, nos esbarramos, muitas vezes e por muito tempo calamos e não nos vimos mais.
Mas só agora, tantos anos depois, eu entendo perfeitamente Gonzaguinha, e você; e depois desse milagre, só posso dizer: foi uma das coisas mais bonitas da minha vida, te ver no lindo lago do amor.
Monday, February 06, 2012
Rolos

Acima, monumento fúnebre de Carlo de Medici, por Vincenzo Danti (1530-1576), escultor de Perúgia que chegou a Florença em 1557, no Duomo de Prato. Está aqui por que achei, nas cartas de Vasari, que Cosimo grão-duque encomendou o tal túmulo a Vasari, e no final Danti o fez. Rolos, rolos de historiadora da arte mirim.
Calor
Hoje está um calor de matar. Vim ter à cidadela zeferinítica. Encontrei meu primeiro mestre da História da Arte, que hoje chamo pelo nome, com um carinho e gratidão infindos.
Também me deparei com um dos meus melhores amigos, talvez seja o meu melhor amigo, que com tanto carinho analisa minha (segundo ele) falta do que fazer. E encontrei um casal de conhecidos. A moça talvez seja uma das criaturas mais ciumentas da História. Não falo com o cara há anos, hoje o vi e ela chegava, e me olhou com uma cara tão horrível que eu fiquei com dó do inferno em que ela vive. Hoje eu tenho pena do inferno que as pessoas vivem.
Também me deparei com um dos meus melhores amigos, talvez seja o meu melhor amigo, que com tanto carinho analisa minha (segundo ele) falta do que fazer. E encontrei um casal de conhecidos. A moça talvez seja uma das criaturas mais ciumentas da História. Não falo com o cara há anos, hoje o vi e ela chegava, e me olhou com uma cara tão horrível que eu fiquei com dó do inferno em que ela vive. Hoje eu tenho pena do inferno que as pessoas vivem.
Thursday, February 02, 2012
Odoyá

Segundo a tradição afro-brasileira, hoje, dia 2 de fevereiro, é dia da Grande Mãe, da origem, da beleza e da riqueza infinita das águas profundas.
É dia que muitas e muitas pessoas, em toda esta margem do Atlântico, oferecem suas oferendas à Iemanjá; e, segundo a tradição longínqua dos búzios e rezas, é o dia da proteção de todas as pandinhas libano-batavo-luso-hispânico-afro-brasileiras que estudam Dante! Acima, Iemanjá, por João Makray.
Wednesday, February 01, 2012
Sonho adolescente
Sei que é doideira. Mas outro dia vagava eu pela Francisco Glicério, na frente da Catedral, e numa das lojas de cosméticos tocava essa música da Katy Perry, Teenage dream. E fiquei ouvindo e pensando que você é o que eu sonhava quando tinha 15 anos, era tão magra e só usava calça de moletom, e vim para esta cidade de Campinas do Mato de Dentro de Jundiaí.
Trabalhei na loja do MacDonald´s e tinha uma paixão platônica ( pra variar) por um menino que ia na loja. Claro que, no escuro dos meus sonhos, você é ele, e eu ainda tenho 15 anos ( em algum lugar do coração juro que tenho) e tudo que eu sonhei esses anos todos eu vivo com você- o céu estrelado de Joaquim Egídio, o final de semana na praia, o final de semana em Monte Verde, o almoço de novo em Joaquim, os passeios de carro, encontrar os amigos pra dançar, ir pra São Paulo tomar aquela cerveja na Freguesia, mais final de semana na praia, mais ouvir a música da Katy Perry no rádio a todo volume, mais rir, mais tanta coisa que não sei como cabe tanta coisa no meu coração tão velho e cansado... veja que situação mais embaraçosa, para uma jovem senhora de seus quase mezzo del camino, mas você é o resumo de todas as utopias que eu tive, das fantasias que elaborei, do banho de banheira que nunca tomei, das palavras que nunca ouvi e que nunca tive coragem de falar.
Como eu vou me despedir de tudo isso? Me deixe sonhar com você mais uma vez, mais uma vez, mais uma vez, por favor...
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