Tuesday, September 27, 2011

Rabugice

Sou difícil de entender. Rabugenta, distraída, mal humorada.

Não me olhe, sou cheia de não-me-toques.

Tantos olharam e passaram. Tantos machucaram.

Quem é você, que é tão doce? Por que você é tão diferente?

Não chegue tão perto assim de mim, me dá aflição...carrego uma dor tão funda, tão antiga. Com ela eu já me acostumei. Com você não.

Tuesday, September 13, 2011

Gratidão

Hoje, minha fadinha-terapeuta me disse: o sentimento de gratidão é o mais construtivo que existe.


Recebi um favor gentil de uma amiga, fui embora sem agradecer! No carro, peguei o celular e agradeci com o coração mais cheio de amor... pensei nos meus mestres, na minha alma mater, e fiquei com o coração mais cheinho de amor ainda.... no entardecer, percebi o quanto sou feliz. Obrigada, vida, obrigada...

Thursday, September 08, 2011

Crença

Por que, para você, eu desenterrei uma música velha, da Simone, dos anos 80, brega, mas que diz tanto do que eu sinto que parece feita pra mim, e pra você.


Por que eu tenho tanto medo, nunca tive tanto medo de alguém, mas a cada dia o medo vai cedendo à saudade, ao desejo, à esperança.


Por que apesar de ir contra o relógio, meu coração só aponta a sua direção; apesar de ir contra os compromissos, as agendas, as amabilidades necessárias, os interesses profissionais, as diferenças de gênero, religião, time de futebol, histórias de vida, mapas e calendários, eu acreditei. Eu estava sozinha,e acreditei que um dia verei o céu estrelado, com você, só com você.


Mas meu sentimento pára, quando te vejo; vem a certeza que você não me quer, e eu que eu devo fugir com o meu sofrimento pra bem longe, tão longe que de mim, este aborrecimento, você não tenha mais que se preocupar. Me vem a certeza que sou inconveniente, de novo a que ama e que não é amada... mas quero destruir isso dentro de mim, implodir essa certeza que barra meu anseio, e transformá-la na força que me levará até você.


Quando eu te vejo tão perto, frente a frente, me faltam as palavras, os gestos, o passado infeliz me sufoca. Sou formal, finjo aquela indiferença que é o meu disfarce tão ruim. Mas o que eu posso fazer, se, depois que o nervoso passa, volta o sonho, voltam as fantasias, e a crença.
http://www.4shared.com/audio/lTNvJL4r/07-Amor_Explcito.htm

Monday, September 05, 2011

Limite

Hoje foi um dia importante. Quebrei uma limitação dolorosa que existia dentro de mim. Mas as outras permanecem. A insegurança extrema, a timidez, o medo, um leve fundo paranóico, o passado. Correntes pesadas prendem meu coração à dor, e à limitação. Quero ser livre, amar, ser feliz. Ver a vida com uma barra delicada de renda, com alegria... quero voar! Mas só vejo a minha estreiteza. E a falta de pulso firme.


Tudo, nesse momento, me amedronta. Limite.

Thursday, September 01, 2011

L'amore

Quando era mais jovem, achava que amor necessariamente é compreensão. Quando se ama, pensava, as pessoas se entendem. Existiria um conhecimento, dado pelo amor, que garantiria a concórdia. Se eu não compreendia alguém, ou o contrário, logo sofria, pensando que ao invés do sentimento mais nobre, ali estava o desprezo, ou a indiferença, ou o desamor.

Eu tinha certeza que, quem me amasse, me entenderia nos mínimos gestos e em todas as palavras. Hoje, começo a desconfiar e achar que é exatamente o contrário: quando se ama, menos se compreende, se entende, se aceita... porque o amor não passa por essas esferas. É feito de dor, de calor, de confusão, de desacertos, de erros, de saudades, de conflitos. De angústias. Grandes silêncios.

Hoje, chorei de saudade do meu pai- na minha cabeça de garota, ele, sempre viajando, trabalhando demais, sem tempo pra nada, não me compreendia, não me amava. Pela primeira vez, me ocorreu que ele teve saudades de casa o tempo todo; que viajar pra ele muitas vezes era um sacrifício; e que com certeza ele preferia ter feito qualquer coisa boba conosco em casa, como fazer limonada, estourar pipoca e assistir Noviça Rebelde, do que ficar na estrada, consertando usinas hidrelétricas. Hoje, encontrei o homem que foi minha grande paixão- e olhando para ele, tantos anos depois, tantos silêncios, os cabelos já mais brancos, percebi o quanto fui dura nos meus julgamentos, e que ele também me amou demais. Então, agora posso dizer: o amor não era nada daquilo que eu pensava.