Wednesday, April 27, 2011

Desejos



Um dos cursos que ministro esse semestre é de Arte Oriental. É a primeira vez que tenho a oportunidade de estudar Arte Chinesa, Japonesa, Indiana... tenho aprendido tanto, tantas coisas interessantes, que mesmo nos momentos de cansaço até físico por conta da maratona que virou meu cotidiano, estou animada e as pessoas dizem que estou com uma cara boa. Enfim.

Ontem, por exemplo, era uma da manhã e eu não tinha decidido o tema da aula de hoje. Depois de um mês de Arte Chinesa ( e tardes no scanner da Unicamp, porque não há um site que preste que traga imagens boas da Arte do Grande Império), resolvi então passar para o subcontinente indiano. Semana passada, investi numa Introdução ao Budismo, então passei os olhos na Wikipédia e encontrei um universo de sonho...

No centro da Índia, na região de Dekhan Norte, existem 31 cavernas, no meio da selva, decoradas com pinturas e esculturas sobre a vida de Sidarta Gautama, o Buda, datadas do século II antes de Cristo. Ficaram esquecidas, depois do século V da era cristã, e um cidadão inglês chamado John Smith as encontrou, no século XIX, caçando tigres. Desde 1983, aprendi, as Cavernas de Ajanta são Patrimônio Universal da Humanidade, tombadas pela UNESCO.

Enchi os olhos com as belezas de Ajanta. São tantas... vale a pena googlar Ajanta Caves. A pintura de cima, por exemplo, representa Sidarta e sua esposa. São elefantes, Budas, Bodhisattvas, arte erótica, pinturas murais a têmpera, grandes colossos de pedra, pequenas figurinhas policromadas... escadas, terraços, a multiplicidade das encarnações de Sidarta, sua iluminação e seu legado infinito. Um oceano de informações, que banhou minha praia de desejos.

Tuesday, April 26, 2011

Tá tudo explicado

Fazia tempo que não lia o Xico Sá. Li bastante o blog dele, quando este aqui dava seus primeiros passos, no longínquo ano de 2005, em Chicago. Hoje, perambulando pela página inicial do UOL, vi um post divertidíssimo dele, num blog novo que ele abriu no portal.

O cara entrevistou Paulo César Pereio num jogo de sinuca. Cito textualmente porque é uma pérola da sabedoria universal:


"-Chegou mulher bonita começa a dar merda no ambiente- Pereio admoesta a diva que flana em volta da área da sinuca.

Homem que é homem não chama uma moça à atenção, homem que é homem admoesta, mata no peito, desliza na coxa, e faz do pito uma tese dramática de catega, jamais uma cantada, tão-somente uma isca para movimentos futuros.

É o que nos professa o cara, agora já retomando a sua melhor fase no jogo depois do alumbramento com o mulherio."


Sunday, April 17, 2011

Je suis malade...

Outro dia, uma pessoa que me fez muito mal perguntou de mim para uma amiga muito querida. Essa pessoa disse, como vai a panda e tal, ela é muito competente profissionalmente, mas tem sérios problemas psicológicos, não é mesmo, etc. e tal. Minha amiga ficou horrorizada e imediatamente respondeu que eu estava ótima, e que todos nós, incluindo ela mesma e a pessoa dos infernos, temos problemas psicológicos.

De fato, os leitores vão compreender que a pandinha estudiosa do Inferno de Dante tem motivos para ter sérios problemas psicológicos, com gente falando assim de mim por aí. E gratuitamente, nunca fiz nada pra essa criatura dedicar um tempo de sua existência me ferrando e reforçando a velha fama da panda doida de pedra.

Sinto muita dor ao pensar que minha fragilidade ficou tantas vezes exposta pra tanta gente ruim, que tanto do meu sofrimento virou piada, motivo de riso sarcástico. De fato, eu tenho sérios problemas psicológicos, pensei, no meio de uma crise de choro, pensando nas coisas que só eu sei o quanto doém, o quanto sofro pelo sofrimento meu, mas principalmente dos outros.

Hoje, foi um desses dias que acordei, respirei fundo e pensei, não estou sozinha nessa, Serge Lama cantou o que eu sinto, há tantos e tantos anos atrás.
http://www.4shared.com/audio/fySdXcxS/Serge_LamaJe_suis_malade.htm

Sunday, April 10, 2011

Vermelho com chuva

Hoje fui ao velho Piratininga natal. Faz uns anos que minhas (raras) visitas a São Paulo se restringiram a compromissos profissionais, e visitas a amigos queridos. No quesito lazer, fico entre tirar fotos mentais da arquitetura paulistânica ( em breve paro com essa mania de esquecer a máquina em casa) e uma coisa que eu não consegui abrir mão, mesmo em períodos de penúria financeira: torrar dinheiro na Liberdade, comprando estojos do Chococat, canetinhas da Pucca, sabonete e maquiagem na Ikesaki e comidas em geral na Marukai. Não vivo sem meu chiclete da Hello Kitty e meu biscoito do Koala, bem como os chás medicinais chineses da loja cujo nome de fato eu nunca vou conseguir pronunciar.

Claro que a pandinha honra a tradição e come também um espetinho, um tempurá, um guioza básico na feirinha que cada vez mais entope de gente, ou pior, desce a linguagem de sinais nas moças do Shi Fu, restaurante chinês venerando do bairro onde absolutamente nada, nada, está em português, vem sempre toneladas de comida boa e que custa nada ( o imperialismo chinês, de fato, crianças, é uma coisa muito impressionante).

Hoje, então, circulei pela Liberdade na maior chuva. Geralmente, eu detesto sair na rua com chuva, outro dia peguei um toró no centro de Campinas e fiquei super aborrecida. Mas não, embaixo daquela água, na Liberdade, eu estava total, e puramente, feliz.