Sunday, December 24, 2006

Feliz Natal

Esse ano foi corrido e sofrido, o Natal chegou bem antes do que eu esperava. Hoje devido ao calor, ao sono e às reflexões atrasadas, não pude contribuir muito pro espírito natalino, e os queridos e queridas que apareceram via telefone, msn, orkut, pessoal e espiritualmente, também estavam todos atribulados. A vida não está fácil, me diz o amigo querido via Telefonica; não, não consegui comprar um cartão na padaria pra ligar pros outros queridos que estão espalhados pelo mundo. Nem a torta de morango consegui encomendar na padaria, mas em compensação fiz camarão com molho branco, e servi panetone rodeado de suspiros de diferentes formatos.
Agora vou embrulhar os presentinhos trazidos da Velha Bota, tomar um banho e ajeitar qualquer roupa decente, ceia na mãe, e daqui do meu cantinho mando bons votos a todos os leitores.
Em outro blog, de um conhecido, leio a velha cantilena que o Natal é enganação, que devemos dizer não ao consumismo e bla bla bla. Eu gosto do Natal por duas razões: primeiro porque adoro panetone ( hahahaha) e segundo, e mais importante, porque no Natal a gente revê ou vê melhor quem a gente ama. Feliz Natal!!

Tuesday, December 19, 2006

Retrospectiva 2006?

Esse calor tá matando e tá deixando todo mundo louco. Não consigo dormir e estou num cansaço inacreditável, imagino que os queridos leitores do Meio estão me lendo embaixo do ventilador.

Resolvendo pinimba. Seguro do carro, PUCC ( que foi um horror), e finalmente a panda resolveu encarar um tratamento dentário, sério, no CECOM. O dr. Ricardo, que foi o dedicado profissional que tirou meus sisos, há muitos anos atrás, muitos mesmo, me deu uma das maiores broncas que eu levei na vida. Merecida. A panda é desmiolada no quesito saúde. Acordei ontem e hoje num mal estar, num cansaço novo pra mim, mas rumei pro CECOM, e assim vai ser. Preciso passar no banco, e esqueço a maldita senha da PUCC em casa.

E assim, aos trancos e barrancos, acabo 2006. Ano comprido, custou a passar pra mim, coisas muito, muito ruins, e coisas muito, muito boas. Como contrabalançar a dor pela amizade perdida, com a visão da torre torta? O sofrimento da suspeita do câncer, com a alegria de ver o Duomo? O rostinho dos meus queridos e queridas e os assaltantes? O dente quebrado, a mancada, o sorriso? As lágrimas e as alianças, antigas e novas? O Prado, o Thyssen Bornemisza, os Uffizi, os dois relatórios FAPESP, qualificação, artigos, congressos, Toscana e Minas Gerais? Curso de maquiagem, Hermes Trimegisto, músicas no i-pod, insônia, cozinhar, os segredos passados e futuros? Principalmente segredos, esses dentro do coração. Não é pra menos essas olheiras panda, no dia de hoje.

Thursday, December 14, 2006

Reflexões leves

Volta, crises emocionais, calor, chuva, pobreumas burrocráticos ( seguro de carro, diário de classe, tratamento dentário) me tiraram do sério nos últimos dias. Chatices, chatices sem fim. E eu torrando o saco do meu Sancho Pança, o Luís Fernando, e achando que os dragões na verdade são moinhos, e vice-versa.
Sabe aquelas fases onde as coisas ficam mal paradas, o camarão no congelador espera a receita, aliás no meio de tudo isso inventei uma receita nova de molho de atum, frita-se cebola e alho em azeite libanês ( vai por mim, é gostoso demais, é caro mas os libaneses sabem o que fazem), pega-se tomate italiano pelado cortado em cubos ( custa mais eu sei, mas vale a pena porque o tomate dos caras realmente não é ácido), tempera-se na panela com bastante manjericão, pimenta do reino, sal a gosto, um tiquinho de nada de noz moscada, atum light ( sei que é frescura, mas se não der pega o normal e tira aquele óleo). O toque seria gergelim torrado, põe no final e não exagera porque senão já viu. Veja, é o velho molho de atum de sempre com ingredientes bacanas. Enfim, o segredo é fazer o de sempre inovando nos fatores? Ah, eu servi com penne da Barilla, al dente, pelamor.
Recebi mensagem que me acalmou a alma, eu tava aflita demais. E botei no I-Pod Martinho da Vila, Chris Rea, Nina Simone, xotes de Elba, muito Milton, mas principalmente Tudo, do Sentinela. Essa canção do Milton fala do que eu queria falar nesse post, mas eu não sou o Milton, então vai a receita de molho de atum mesmo.
Ah, o gergelim foi invenção do Celo.

Friday, December 08, 2006

To Love Somebody

Voltei. Depois dos últimos dias em Pisa, que foram uma correria ( textos e textos pra xerocar na Normale e na Universidade), de tropeços e desacertos, e tristeza por abandonar aquela cidadezinha tão querida, fui pra Madri e foi aquela maravilha, salas e salas de obras de arte no Prado, no Thyssen-Bornemisza, parques e tortillas, amigos e risadas. Madri foi lindo.
Voltei, pra tese, pra terminar o semestre na PUCC, pra acertar contas e cortar as pontas. E aí um amigo me estraga o dia, a vida, com um sentimento novo, na voz de Nina Simone. E com To Love Somebody, começo a tese e termino o doutorado.

Sunday, November 26, 2006

Pisaaaaaaaaaaaa

Pisa continua insuperavel no quesito coisas legais. A comida é legal, a cidade é linda, as pessoas que conheci sao fofas e a cidade guarda um segredo. Voce anda no Lungarno, que é a avenida ao longo do rio Arno como bem diz o nome, aparece um lugar lindo, com arvores, depois uma viradinha, e se chega na bela igrejinha romanica de San Michele. E la se ve, a outra torre tortinha. Sim, Pisa tem DUAS torres tortas... tirei fotos para todos verem e comprovarem tal fenomeno.

Em quesito de comidas, eu e Patricia, minha amiga brasileira que faz o doutorado aqui, descobrimos dois restaurantes otimos, um do lado do outro, num bequinho. Olha, um nhoque com molho de legumes e um negocio chamado tagliata: picanha mal passada cortada em tiras, perto da gordura, poe no prato com rucula e queijo parmesao ralado grosso em cima, vinho, pao do mais rustico, e vai com Deus meu filho, a Toscana é linda demais.

O milagre do cachecol

Sim, depois de uma semana dificil, estou viva e ainda perambulo pela Toscana.


Dificil porque a sinusite veio matando, esfriou, muito xerox na Normale, e duas dias pra Roma. Bom, essas duas idas foram de matar: eu precisava ir ao Vaticano, problemas da tese e curtiçao tambem. Saio de Pisa, atraso em trem, enfim, todo tipo de percalço que nao vou narrar pra nao aborrecer a paciencia dos meus santos leitores. So digo que depois do Ratzinger a coisa piorou muito e que eu sou brasileira e nao desisto nunca, entrei duas vezes na Sistina. Foi o milagre do cachecol. Explico. A vo do Celo, meu ursinho arqueologo, tricotou um cachecol azul no ponto apertadinho no qual sempre fez as coisas pra familia dela. Esse cachecol foi comigo, emprestado, pra Chicago, e agora esta na Italia.
Precisei acordar cinco da matina pra pegar o trem pra Roma, e pus o cachecol azul do Celo. Enfim, depois de uma saga, chego na Sistina. Sento, faço anotaçoes, como todos os visitantes aguento a grosseria dos muitos funcionarios do Vaticano, que se dividem entre nao fazer nada, serem grossos e paquerarem as turistas. E saio empurrada como todos, depois de alguns minutos diante de tudo aquilo.
No corredor da volta, que é estreito, apertado e cheio de gente, e que nao se pode voltar atras, percebo que o cachecol azul do Celo, feito pela dona Nair, de noventa e oito anos, catolica de tudo, ficou na Sistina.
Nao tenho como voltar atras. Fico triste, afinal o cachecol pode ser simples, tem ate furinhos porque dona Nair distraida errou os pontos, mas é uma coisa de valor sentimental. E eu no meio do povo sem saber o que fazer. Dou uma volta, e retorno ao caminho da Sistina, que é um inferno.
Escolho um dos caras pra falar, um com uma aliança grossa no dedo, e jovem. Penso, esse vai me entender. Explico a situaçao no meu melhor italiano, que ate que vai bem, e o cara se comove com a historia. Me deixa furar a fila, e eu entro de novo na Sistina, de olho no Botticelli na parede, no Juizo Final, em tudo. O cachecol estava no cantinho em que sentei, embaixo da Historia de Moises, do meu mestre.
Enfim, depois eu peguei um desses onibus cata-turista, so pra rever a cidade. Nao vou ter dinheiro nem tempo pra voltar dessa vez, e estava com muita saudade de Roma. Roma foi o primeiro lugar que conheci fora do Brasil, e la fui eu ver tudo de longe, sei que numa coisa super brega, mas foi muito legal rever o Coliseu e etcs e etcs.
Bom, hoje sai pra tirar fotos de Pisa. Mais no proximo post...

Saturday, November 18, 2006

Sinusite na Umbria

Mais da serie Pequena Panda na Toscana, Parte III, O Retorno de Jedi.


Ontem fui pra Assisi. Sim, doida pra ver o Giotto, peguei il treno basico pra Firenze Santa Maria Novella, pra depois pegar outro pra Foligno, que para justamente em Assisi. No trem, em Empoli, entram varios africanos, que lotam o vagao e sentam do meu lado, espremendo eu e um italiano com uma cara de antipatico. E ai começa meu drama.

Eu desde criança tive crises de sinusite. Quando ia pra praia, piscina, quando esfriava em Jundiai, onde eu morava. De vez em quando rola, e é um Deus nos acuda, porque como ja tomei muito antibiotico pra isso, nem trezentas Bezetazil resolvem. Tem que comprar muito lenço de papel, tomar muita agua, no maximo uma aspirina, e sentar e esperar. Mas no meio da Toscana, o negocio começa a doer, doer, e o diluvio apareceu.
Gente, passei muito mal nos dois trens. Porque detalhe, cheguei em Firenze e precisei correr pra nao perder o outro, a viagem, o Giotto, tudo. Corro de um binario pra outro, graças aos britanicos atrasos dos trens de Pisa pra Firenze ( todos que eu peguei atrasaram religiosamente) o trem pra Umbria estava indo embora, sem tempo de ir a um banheiro, a uma farmacia, a uma igreja pra rezar. Sento no trem. Na estaçao Firenze Campo di Marte, sobem varios professores italianos de escola media catolica, que estavam indo pra alguma reuniao em Assis. Uma delas, uma senhora mal educadissima, me espreme na cadeira e sem olhar pra minha cara, começa a falar todo tipo de besteira: fofocas da escola, intrigas, maldades, uma enciclopedia. Eu passando mal, fico pior. Levanto e vago pelo trem, observando a paisagem que começa a se elevar em morros, rios, lagos, belissimos. Estou na Umbria, sim, e estou com sinusite. Felicidade com dor de cabeça, ja ouviram falar?
Chego em Assis. Tomo um cafe, como uma focaccia bonita, gostosa, na estaçao, e me sinto melhor. Ja sabendo e tendo a experiencia de Siena, compro o bilhete de onibus e pego a unica linha de Assis rumo a Basilica de Sao Francisco. Bom, nem precisa falar, Assis é linda, linda, preciosa, como uma pérola: simples, elegante, comedida. Uma doçura. A Basilica é tudo e mais um pouco, o Giotto é algo celestial, enfim, felicidade pura, simples, completa.
Na volta, tiro fotos da paisagem, da cidade, das outras igrejinhas, compro medalhinhas e terços, lembrancinhas da peregrinaçao, e encontro um rapaz mineiro, com quem volto pra Firenze conversando e com a cabeça doendo. Ainda tive forças pra em Pisa ir numa Osteria comemorar, comer bem, tomar vinho, fazer tudo como manda o figurino. E fiquei pensando, ainda bem, ainda bem que mesmo com sinusite, eu peguei aquele trem pra Umbria.

Wednesday, November 15, 2006

Aventuras da Panda na Toscana

Mais da série Panda na Toscana II, A Missao.

Ontem fui pra Siena. Peguei il treno pra Firenze Santa Maria Novella, desci em Empoli, um desses lugarejos no meio do verde toscano, e segui pra Siena. A paisagem linda, daqueles cartoes postais classicos da regiao.

Cheguei na cidade, estranhei nao ter um posto de informaçao pro turista na estaçao de trem. Voce chega e ta no meio do nada, com uma construçao monstro de um predio desses rayban ( espelhados) na frente e nada, nada. A moça da banca com muita ma vontade me vende um guia com um mapinha, onde a Estaçao nao existia. Resolvo seguir o povo.
Um velhinho com um saquinho de pao começa a subir uma ladeira. Ué, vou atras. Porque, penso, Siena deve ser como Firenze, Pisa: essas cidades nao sao nenhuma metropole, pititinhas, logo se chega no centro com o classico Duomo deslumbrante, a Piazza del Campo ( onde tem o Palazzo do governo sienense e a praça em forma de concha do Palio, o jogo medieval dos cavalos que é a gloria da cidade e o horror dos defensores de animais).
A ladeira vai ficando pesada, a ladeira vai ficando pesada, e de repente vejo a muralha medieval. Gente, nunca andei tanto na vida... quase morri. Descubro que Siena é tipo Ouro Preto, e a estaçao, detalhe, fica na depressao mais deprimida da cidade.
Depois de muito subir, subir, subir, subir, chego na beleza aristocratica, na fineza, do detalhe do mais puro luxo estetico e delicadeza de alma. No Duomo, que é simplesmente um show a parte, toda animada pego Matelda, a nova maquina fotografica, pra tirar foto do meu homem sienense, o Hermes Trimegisto do piso decorado de marmores coloridos ( sim, isso existe e existe em Siena). E a maquina pifa.
Depois, pra descer foi outra loucura, despenco na estaçao mais morta que viva e sigo de novo pra Empoli. Chegando la, os trens estao parados. Sim, dois trens pra Pisa Centrale, um no binario 2 outro no 3, lado a lado, lotadissimos ( tipo sete e meia da noite, manja?) e nada. Sim, senhores, o trem tava com duas horas de atraso!!!!!!!!!!!!

Faço amizade com uma moça, no meio da italianada em revolta. Gente, o pessoal aqui tem duas coisas pra dar e vender: nariz grande e braveza. Os narigudos tavam querendo por fogo na estaçao. Cheguei em Pisa mais morta que viva- detalhe, tres horas depois do que a Trenitalia tinha me prometido, com a Matelda pifada e muita, muita, muita Siena no coraçao.

Friday, November 10, 2006

Oficios

Carissimo Messer,


Ontem fui para Firenze, sua terra, pela segunda vez. Trem, Duomo, e uma intuiçao. Cheguei nos Oficios, construido pelo outro mestre em honra dos mecenas, e a intuiçao estava correta. Sem fila, sem ninguem, adentrei nas galerias do predio cinzento.

De sala em sala meu coraçao batia ao ver as obras de mao dos outros mestres. E me perdi no meio de tanta beleza conhecida nos livros e em sonho. Mas a sua sala nao avistei. Cai no outro corredor, diante do Tondo Doni, de um dos alunos do Jardim de Lorenzo,o Magnifico. E nada. Uma senhora me informou onde o senhor estava, sala 10-14.

Na terceira porta, depois de fra Fillipo, eu avistei a beleza vindo ao mundo, chegando nua de seu nascimento na praia. Sozinha. A intuiçao estava certa, e tive vinte minutos de solidao frente ao esplendor.

Carissimo mestre, nesses anos de convivio sempre sonhei com o momento de ve-lo pessoalmente, em meio a corte da Adoraçao Lama. E ontem finalmente pude me apresentar diante de seus olhos argutos que construiram esse mundo onde a beleza é possivel.

Tuesday, November 07, 2006

Manias italianas

Voltando a vaca fria.


Bom, os dias na Toscana tem sido azuis e dourados, muito lavoro nelle biblioteche, etcs e etcs. Florença é linda, mas muito fresca. Voce chega na cidade, sai da estaçao que da de cara em Santa Maria Novella, a igreja do Trecento construida pela Ordem Dominicana, e cai nas butiques das grifes de luxo: Armani, Dolce e Gabanna, Versace et caverna. Uma loja imensa da Victor Hugo, etcs e etcs. E ai voce se depara com uma das manias nacionais italianas: o prestigio das marcas consagradas.
Porque no inicio, tudo era artesanal, o Valentino fazia um vestido a cada cinco anos pra Jacqueline Kennedy. Depois dos anos Berlusconi, a Italia se desindustrializou: voce vai no supermercado e ate o iogurte é alemao. Mas ao mesmo tempo, esse pais que era pobre ate ontem virou a patria da frescura da marca.
E ai, é aquela coisa nouveau riche: eles usam marca até o pé. Tudo carissimo, tudo cheio de strass, peles, estampa de oncinha, cores berrantes, laque no cabelo e muita, muita, muita maquiagem. Saias irregulares com botas de cavalaria, usadas com casacos de pele e muita, muita, muita, muita joia ou bijuteria, ai entra no bolso de cada um. A antiga elegancia italiana? Ainda se ve nos velhinhos e num moço ou moça ou outro, de tweed, cashmira e um jeito simples.
Bom, aqui em Pisa eu fiz um amigo. Dei sorte, no dia que cheguei em Madri e precisava voar ate Milao, conheci o Giovanni, que faz Direito aqui em Pisa. Ele me rebocou de trem ate a Toscana e agora a gente se encontra quase todo dia. O Giovanni estuda num predio na frente da Normale, que é onde eu fico de manha. Bom, toda vez que eu encontro o Giovanni, que é calabres e tem uma namorada brasileira ( de Belem do Para), ele ta com seu tenis Puma dourado gritando no celular. Outra mania italica: o telefonino. Todo mundo, ate o mendigo na rua, tem um. E a coisa se passa da seguinte forma: o Giovanni, que tem cara mesmo de calabres ( ou seja, de arabe) grita, grita, grita no celular, desliga, olha pra mim e começa, mas voce precisa comprar um celular, mas é um absurdo, como eu vou falar com voce? Voce some ( detalhe, a gente se ve quase todo dia) e eu tenho que fazer o que, sinal de fumaça? Ta ficando maluca? Vou te falar uma coisa ( ai esquece, quando a italianada te diz, vou te dizer uma coisa, esquece, eles começam e nao param nunca mais), essa sua mania de ficar sem telefone, e bla, bla, bla, bla...
Depois, o Giovanni te introduz na outra mania italiana: reclamar. Ele começa a reclamar de voce, do tempo, de Pisa, da Normale, da Universidade, do papa, da selecao italiana, da politica italiana, mundial e brasileira, e ta, ta, ta, ta, ta, ta... Ou seja. Uma comedia. Eu dou risada ( porque alem de tudo eles ainda nao se unificaram, tem sotaque dos mais diferentes jeitos na Bota) e so fico escutando.
Os italianos sao assim: ou eles nem olham na sua cara e sao os mais grossos do mundo, ou eles te adoram e ai, sinceramente, eu acho pior. Porque eles querem falar, falar, falar, falar... ontem o Giovanni me deixou quase maluca, porque alem de reclamar de tudo ele ainda desceu a lenha no meu casaco (!!!!!). So falei assim, Giovanni, essa semana a gente enche a cara, ele riu e falou, seu italiano ta otimo.

Aos meus queridos aluninhos...

Esse post é pra galera que tem a infelicidade de ser meu aluno...


Entao, como estao as coisas? A profa. Paula me escreveu falando sobre o andamento do processo das palestras. Gostaria de noticias, se ta todo mundo ainda vivo, etcs e tal, duvidas sobre os trabalhos, blablabla.
Lembrei de voces no dia em que fui a Livraria Feltrinelli. Essa Feltrinelli é a maior rede de livrarias aqui da Italia, e toda loja tem uma seçao imensa de Design. Bom, aqui nem precisa falar, ate cadeira do bandeijao é assinada, italiano tem a mania de coisa bonita, colorida e arrojada.
Outro dia, lembrei dos meus queridos estudantes quando estava lendo o comentario do Jacopo Alighieri, filho do Dante, a obra do pai. Bom, os renascentistas so conheceram a Poetica do Aristoteles a partir de 1520. Ou seja, nem o Dante nem o filho dele, nem nenhum dos comentadores, conheceu as indicacoes aristotelicas sobre os generos artisticos.
E outro dia em que meus queridos vieram na minha lembrança foi aqui no Istituto di Storie delle Arti, na biblioteca cheia de livros sobre as Artes no século XX.
Por enquanto é isso pessoal. Mandem sinal de vida...

Saturday, November 04, 2006

Na terra de Dante, Botticelli e a turma toda

Hoje resolvi investir dois suados euros e entrar numa lan house pra escrever, messenger, essas coisas. E porque precisava dividir uma das mais bonitas experiencias da minha vida.

Depois de uma dura semana pisana, lavoro, lavoro e muita reflexao sobre a vida, tomei coragem e fui pra cidade aonde Dante nunca mais pisou.

Peguei il treno, aquela toda coisa italiana basica, e desci em Santa Maria Novella, ontem. Bom. O dia estava lindo, céu azul, azul, friozinho de outono, a luz dourada da Toscana. E andei e dei de cara com o Duomo e o Batistério. Chorei muito, precisei por os olhos escuros pra disfarçar. O Duomo é um sonho, as portas de bronze do Donatello, no Batistério, sao realmente as portas do Paraiso, como dizia Michelangelo.
Depois, Palazzo Vecchio, Piazza della Signoria, Ponte Vecchio, Santo Spirito... Santa Croce... a Galleria dos Uffizi, tudo, tudo, mais lindo do que eu sonhava. Marina foi um anjo, me levou pra passear, me ofereceu hospitalidade e ainda me aguentou chatissima, eu que ando cheia de tristeza por eventos anteriores. Mas no claustro de Santa Croce ela me afirmou o quanto é importante a gente ser a gente mesmo. E Florença, bela e orgulhosa, na verdade traz a liçao da simplicidade de carater.

Thursday, November 02, 2006

Mais Pisa

Sumi do hiperespaço por um motivo muito simples: to sem telefone nem internet no cafofo de Via Marche, so tenho acesso aqui no San Matteo mesmo.

Aqui em Pisa, existem duas grandes instituiçoes universitarias. A primeira é a Universita degli Studi di Pisa, fundada em 1300 e bolinha, a segunda depois de Bologna, se nao me engano. Os institutos sao espalhados pela cidade. O Instituto de Historia da Arte, como eu disse, é aqui no convento de San Matteo, nas margens do Arno ( a avenida na frente se chama justamente Lungarno). Olhada no www.unipi.it.

Ja a outra instituiçao foi fundada no periodo da invasao napoleonica, e é a prestigiada Scuola Normale Superiore di Pisa, www.sns.it. A Normale fica na Piazza dei Cavalieri, lindissima, com prédios antigos. Anteontem, fui encarar a biblioteca de la, tambem espalhada e imensa, imensa. Pra voces terem uma ideia, eu estava pesquisando na famosa torre della Gherardesca. Nos idos de 1260, um nobre daqui de Pisa, o conde Ugolino, foi traido e encerrado na torre com seus filhos. Conta-se que os filhos morreram de fome, e o conde comeu parte dos corpos para poder sobreviver, mas morreu também. Essa historia escabrosa esta na Comédia, no Canto 33 do Inferno. A torre é conhecida como a Torre da Fome, e tem uma placa explicando o tenebroso episodio.
Nem precisa dizer que a biblioteca é algo de celestial, tem tudo, tudo, eu entrei num desespero... porque so tenho um mes aqui. Pouco pra explorar essa biblioteca de sonho. Ontem foi feriado aqui ( na Italia eles comemoram Finados no dia 1), tutto chiuso, de modo que fui tirar fotos do Campo dei Miracoli. O Campo dei Miracoli é o espaço da Catedral, do Batistério, do Camposanto e da torre tortinha. Tirei varias fotos, mas ainda nao consegui tirar a craçica foto segurando a torre porque tava sozinha!!!!!!!!!!! Entao, para os fas, um pouco mais de paciencia, please.
obs) desculpem os erros de ortografia, é que o teclado italiano aqui do venerando San Matteo nao ajuda em nada...
obs2) ja tomei muito sorvete e comi muita coisa boa em homenagem a todos os leitores!

Monday, October 30, 2006

Piazza San Matteo

Escrevo daqui do Instituto de Historia da Arte da Universidade de Pisa. A famosa Piazza San Matteo.

A biblioteca é fantastica, e o acesso é livre. Conversei com um professor daqui que foi super simpatico. Hoje mudei pro meu cafofo pisano, um apartamento térreo, na casa de uma velhinha. Tudo antiguinho, moveis anos 50, mas comodo e limpo. Beleza. Estou feliz por estar aqui e poder trabalhar num lugar tao bom. Vediamo.

Pros meus alunos, um abraço especial nessa segunda-feira, e começam as palestras. Terei acesso a internet aqui no Instituto, por breves periodos, porque os micros sao pra todo mundo. Observem a diferença de fuso, quatro horas a mais, ok?

Bacci pisani a tutti!

Sunday, October 29, 2006

A cidade da torre torta

Primeiras notícias pisanas no Meio do Caminho!

Depois de uma saga que não recomendo pra ninguém ( São Paulo- Madri- Milão-Pisa), cheguei viva, sã e salva na cidade da torre torta. Bom, avião é sempre aquele tédio, cheguei em Barajas e a zona era completa. Um monte de gente perdeu a conexão e eu só não fui parar em Estocolmo porque sou insistente. No final, descobri no vôo pra Milão Giovanni, calabrês birutinha ( ops, pleonasmo, todos os calabreses são doidinhos) que estuda Direito em Pisa, e essa criatura me rebocou até a Toscana. O fato é que o Giovanni tinha comido algo de estragado e estava passando mal, mas mesmo assim veio falando de Milão a Pisa, com direito a uma parada na segunda estação de Florença, de onde vi o Duomo.
Cheguei em Pisa mais morta que viva, e fui resgatada por Patrícia, outro anjo em forma de gente, que me hospedou nesses primeiros dias. Além de cama, mesa e banho, Patrícia foi comigo procurar lugar pra ficar, forneceu passagem de ônibus e até bicicleta me arrumou. Ou seja...
No final, aparentemente consegui alugar um quarto na casa de uma velhinha, que nesse domingo desapareceu. Estou um pouco ansiosa com isso, mas acho que tudo correrá bem.
Fui super bem recebida no Instituto de História da Arte da Universidade de Pisa, o famoso San Matteo. A biblioteca de lá é excelente e o acesso é livre. Também fui na Scuola Normale Superiore, a outra biblioteca de Babel, e com um euro você consegue a carteirinha. Enfim, acredito que a pesquisa vai correr de vento em popa.
Ontem fomos jantar, sorvete, e vi Pisa by night, super agradável. Pisa é um sonho, molto carina. E a torre? Realmente, a torre é torta. O Campo dei Miracoli é um lugar celestial, o Batistério e o Campo Santo, além da Catedral, fazem felizes o coração de qualquer um, principalmente de quem é historiador da arte mirim. Estou muito feliz de estar aqui e ter a oportunidade de pesquisar, ainda que rapidinho, tanto na Universidade quanto na Normale. Ah, sim, eu chorei muito depois de ter visto a torre.

Tuesday, October 24, 2006

A Ibéria agradece e deseja a todos uma boa viagem

A todos os passageiros... uma boa noite!


Amanhã será a saga rumo a Pisa. Paro em Madri, depois em Milão, depois em Pisa. Acredito que só terei acesso a Internet no final de semana. Ou seja... estou ansiosa, nervosa mesmo, mas acredito que tudo correrá bem.
Depois da correria toda, preparativos, mil providências, o frio na espinha. Mas tudo bem, uma missão necessária. E agradável! Novas aventuras no Meio do Caminho!
E para vocês, um grande beijo, e uma indicação de música: "Sete Desejos", do Alceu Valença, que me acompanhava na época da minha primeira viagem à Itália, e agora me acompanha mais uma vez, nove anos depois. A caminho da Itália, me sinto eu mesma novamente.

Friday, October 20, 2006

I Don´t Feel Like Dancing

Dias loucos sempre antecedem viagens. Preparativos de todas as espécies: seguro, grana, levar e buscar roupa em costureira, fazer mala, segurar a ansiedade, contratação na PUCC, cansaço, aulas, tudo, tudo.

Como um ano atrás eu tava nessa, parece que só vou descansar realmente quando retornar. A mesma ansiedade, eu morro de medo de avião, fico com medo do avião cair, da imigração me encher, da mala sumir, do meu italiano sbagliato e da torre tombar de vez. Mas enfim, nessas horas do medão e da ansiedade, eu firmo pé e penso, vamos lá.
O chato foi que juntou a contratação na PUCC, um troço sinistro. Pra começar, exame de sangue, e o cara arrebentou minha veia. Estou com um roxo digno de filme de horror. Mas nada perto do alívio que foi vir a biópsia.
Muitas coisas aconteceram essa semana, fichas de anos caíram, dias que antecedem viagens são dias mágicos, dias de vida intensa. E no meio dessa, no msn, a Vivi, leitora fiel do Meio desde seus primórdios e uma das minhas cobaias de vida docente no IA me passou uma musiquinha.
Os meus fiéis companheiros, Gerião ( meu carritcho) e Neguinho do Pastoreio ( meu I-Pod, lembra dele?) rodaram essa semana. E Neguinho do Pastoreio tocou sem parar esse hit de agora, sim, de agora... na primeira vez que eu ouvi, presente da Vivi, achei que fosse algo desconhecido dos 80 que neguinho desencavou. Não, que nada, os caras são jovens, de Kentucky ( olha lá o meu querido Mid West de novo), gays lindos que chamaram o Elton John e compuseram esse chiclete ma-ra-vi-lho-so pra dançar, pra acompanhar a vida, pra queimar calorias, pra festa. Então terminei a minha semana cruzando a Moraes Salles entupida gritando, I Don´t Feel Like Dancing, a vida começa a ser uma festa colorida, boba pode ser, mas colorida.

Tuesday, October 17, 2006

Ciao!

Dando sinal de vida no Trópico de Capricórnio...


Agora que passou posso contar. Fiz exames e apareceu uma suspeita de câncer. Vocês podem imaginar o desespero, a angústia e o desamparo que senti nas três semanas em que esperei o resultado da biópsia. O povo amigo de sempre ajudou e a barra pesou, ma non troppo. Ontem fiquei sabendo que o troço era, como se diz, benigno.
Eu não contei antes aqui no Meio porque depois de dois assaltos, ficar sem bolsa, crises existenciais múltiplas e problemas variados, os queridos leitores iam se encher de tanta patacoada acontecendo com a panda. Preferi sublimar e escrever os textinhos poéticos aí de baixo, pra falar de coisas boas e não ficar chorando no meio do caminho, literalmente.
Pois passou o pesadelo, quer dizer, esse pesadelo, e, daqui a uma semana, vou pra Itália. Quer dizer... a passagem mais barata que consegui arrumar foi Ibéria, pára em Madri, e depois sigo para a imensa Milão. Fortes emoções aguardam a pequena panda, na terra de Dante, Botticelli, Brancaleone e imperadores narigudos.
Hoje e ontem entrei num desespero, porque tenho um monte de coisa chata pra fazer antes da ida: banco, conta, médico, PUCC, e convencer os germânicos colegas do Gabinete de Estampas e Desenhos de Berlim que preciso ver desenho lá. Tô com medo, vocês não imaginam.
Primeiro, da movimentação toda que vai ser, segundo, porque eu tô de FAPEPANDA, os recursos estão exíguos, pra não dizer mínimos. Ou seja, não percam o próximo episódio da saga, A fome da panda na Toscana.

Sunday, October 08, 2006

Paixão

Derrubar as paredes que existem entre nós, consumação.


De todos os nós que nos prendem, fazer um ninho e destruir os entraves da língua, do peito, de tudo que nos constrói e ensina.


Porque essa dor atravessada quando não te vejo, essa insensibilidade extrema e essa vontade de ler Pessoa sem parar, Camões sem parar, Bocage parando. Porque essa vontade louca de se fazer o que não se deve, se andar na diagonal para não pisar nos outros que afortudanadamente, naquele instante, não amam.
E saber-se só na multidão, porque no céu estrelado das possibilidades nada existe a não ser seu sorriso sem graça quando eu surjo, morta de fome, sede, de olhos turvos e faces rosadas. Porque há muito tempo aquele homem que amo tanto escreveu, trazia no rosto, do Amor, tantas de suas insígnias, que não podia mais ocultar, e porque ele escreveu assim se fez.
Vivo na curva do tempo, suspensa por fios de pérola que me prendem a mim mesma, e no entanto sou incapaz de fugir, de correr, de esconder-me de você, onda, onda cada vez maior que me arrasta para dentro do mar do meu absurdo.
Porque no meio da tarde a luz amarela na veneziana das janelas me lembra você, porque meu suspiro frustrado entre as refeições me lembra você, porque deveria pensar no trabalho e não o faço, e porque no meio de minha angústia sei, e você também sabe, morrer disso deve ser doce.

Thursday, October 05, 2006

40 Anos de Unicamp

E hoje a Unicamp faz 40 anos.

As comemorações, no meu ponto de vista, foram as piores possíveis. Tudo no tom oficialesco dos órgãos da Reitoria, tudo centrado na figura do Zeferino Vaz, que fez muito mas não fez sozinho.

Fecharam a rua na frente do Ginásio, onde a elite foi se encontrar. Os funcionários não foram dispensados, mas as aulas não aconteceram. Ninguém no campus, tudo calmo, calmo até demais.
Achei tudo um porre. Nesses doze anos que estou na gloriosa Universidade Estadual de Campinas, deixaram de vender cerveja, fecharam a única farmácia do campus ( que era embaixo da Biblioteca Central; hoje, se você fica menstruada, não tem onde comprar um absorvente sequer), não tem mais festa, seguranças e carros por todos os lados, os alunos assistem aula e vão embora, e pra piorar o bandeijão se tornou algo pior do que já era.
Outro dia, li no oficial e chato Jornal da Unicamp que os caras gastaram uma grana pra fazer uma pesquisa e constataram que o número de alunas grávidas no campus aumentou. Claro, não tem onde comprar um preservativo!
Não tem piscina decente, pros alunos e professores da FEFI, não tem Brigada de Incêndio, Controle de Zoonoses, o prédio da BC não tem escada de emergência nem extintores e pra completar, as ambulâncias do HC não podem atender a comunidade do campus. Já teve caso de professor enfartado, aluna tendo filho, empregado das empresas terceirizadas que caiu de andaime... e você tem que ligar no SAMU, no Hospital Municipal Mário Gatti ( onde fui super bem atendida quando de um acidente grave de carro que quase fez a panda virar anjo-panda) no outro lado da cidade.
Descobri isso num dia que uma moça, conhecida, teve um ataque epiléptico na cantina do IFCH. Ligamos pro HC e eles falaram que não podiam fazer nada. Comentei com seu Paciência, restaurador de livros da Seção de Obras Raras da BC ( sim, ele se chama Paciência)... ele me disse que alertou a Prefeitura do Campus para o fato de que as muitas pombas no forro do prédio ( sem reforma desde sua fundação) estavam fazendo suas necessidades e que isso corroía o concreto armado da fachada do edifício. Ninguém veio atendê-lo. Seu Paciência tentou descobrir se havia Controle de Zoonoses na Unicamp. Não, não há ( pra quê, com capivaras, cachorros, gatos, morcegos, insetos no campus???). Seu Paciência foi pro bandeijão, um pedaço da brise de concreto caiu na sua cabeça, e sim, não há ambulância para levar o acidentado no HC.
Parece piada, mas aconteceu mesmo. Eu queria um dia que na Unicamp, as pessoas pudessem fazer festas, comprar camisinha, treinar natação em piscinas adequadas, ter uma Biblioteca Central transada, segura, com canais de comunicação entre os professores, alunos e funcionários.
Gastaram uma grana pra construir os novos Ciclos Básicos. As salas são ótimas, munidas de bons equipamentos, mas não puseram cortinas nas janelas, então no solão campineiro a tela do Data Show vira um Gasparzinho.
Aqui vai minha homenagem pro Seu Paciência, pro seu Luís do xerox do IFCH, pro Mundinho do café do IEL, pros meus amigos, pra idéia que norteia e norteou nossos sonhos nesses quarenta anos, e que os próximos sejam melhores.

Saturday, September 30, 2006

Azul Giotto

Catas Altas, Minas Gerais
filha linda
céu estrelado
cozinhar frango com ora-pro-nobis e polenta com molho de tomate
Cecília Meirelles
olhar, conversar

pensei em ficar invisível só pra te ver, só pra te ver, ficar perto, bem perto


porta aberta
posso entrar?

Fase Re

Assim como nosso Ministro da Cultura, estou na fase Re. Refazenda, Realce, Refavela, Renascimento, Rever a canção e que tais. Realizando e reapropriando, algo assim tipo sei lá entende.
Revi muita gente esses dias, com acidentes de percurso cabíveis nesse tipo de processo. Mas um beijo especial vai pra Tatinha e Márcio, leitores antigos do Meio e amigos antigos, adorei (re)vê-los.
Fechando a semana em ritmo de Elis, é com esse que eu vou sambar até cair no chão. Revendo as roseiras do IEL. Alguém já notou nas lindas roseiras do IEL? Tem uma amarela no caminho da biblioteca. Reavaliando muita coisa, mas já percebi o seguinte. Eu não dou conta de muita gente. Pra mim, o negócio é no tête-a-tête, luz de vela e carta escrita com caneta borrando. Isso na minha ( primeira) juventude era diferente, lidava com multidões no maior estilo. Agora só dois ou três e olhe lá. Com esse negócio de ficar na Unicamp dois dias seguidos, tive uma crise de angústia que não tinha há muito tempo, acúmulo de informações e deu tilte.
Roubei uma citação da Clarice Lispector do perfil da Deborah, beijos pra você Deborah, e desculpe o roubo, mas que esssa frase tá calhando pra mim:
"Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. (...) há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo." (Clarice)

Wednesday, September 27, 2006

Evento panda!

Dia desses, baixei na cantina do Instituto de Estudos da Linguagem, vulgo Amarelinho do IEL. Encontrei a pandinha Natália, revoltada com as péssimas condições de trabalho e pesquisa no Instituto de Artes, vulgo Casa da Mãe Joana.

Fomos, eu e ela, pra reunião da Matilha, que é o grupo dos alunos em torno da professora Lygia Eluf, grande artista e educadora. A Lygia andava puta da vida com uns debates, que aconteceram tanto na Unicamp quanto na USP, a respeito da guerra no Líbano. Nos dois casos, teve gente que reivindicava o fim do Estado de Israel. A comunidade judaica protestou e começou a zona.
Eu ouvindo e pensando, Israel precisa sair imediatamente do Líbano, é certo. Mas em 1945, todo mundo literalmente assinou um tratado, criando o Estado de Israel, o Palestino, e a ONU. Porque ninguém respeita essas coisas, a gente sabe, o problema do petróleo, EUA e afins.
Depois falamos da comemoração dos 40 anos da Unicamp. Um fiasco. O pessoal do Arquivo Central pôs algumas fotos antigas no site, mas não há identificação das pessoas que aparecem nas fotos.
Vai daí, eu falei, poxa, mas a gente precisava fazer algo sobre isso. Sobre o problema da intolerância, que acontece em todos os níveis, no nosso dia-a-dia, e sobre a memória.
A Andréia, também artista panda, sugeriu um evento em que nós fizéssemos retratos das pessoas que vivem na Unicamp. Me empolguei, e falei, mas isso parece a Ronda Noturna do Rembrandt, a gente podia fazer uma coleção de retratos, de todas as pessoas que estão na Unicamp, falar com elas, todo mundo mesmo, do faxineiro ao reitor, pra gente viver mesmo a diferença, a diversidade, essa coisa holandesa de ser. E amanhã a Ronda vai sair da frente do IA e a gente vai desenhar.
obs) eu não tô na reportagem porque o pessoal ficou com preconceito contra os batavo-descendentes... ehehehe, brincadeirinha...

Monday, September 25, 2006

Something Happened On The Way To Heaven

Caríssimos, e a panda aniversariou.


Teve de tudo nesses últimos dias. Fiz exames de saúde que detectaram possíveis problemas na panda. Fiquei mal, mal mesmo, chorei, chorei, mas decidi que disso não morro, dessa vez é que eu não entro em extinção não. Farei todo o possível para me reestabelecer, vocês vão ver.
Sinto, como disse nos últimos posts, que tudo de ruim que aconteceu comigo, nesse ano, foi pra corrigir minha rota.Às vezes, a verdade está na nossa frente, a gente passa por ela todos os dias, mas teima em não ver, ou até vê, mas finge que não está lá ou que não vai dar tempo de consertar tudo que tem pra consertar. Bobagem, é sempre tempo de recomeçar, é sempre preciso tirar coragem e iniciativa daonde a gente não tem pra perseguir nossos sonhos.
Sei que tudo isso é muito brega, mas eu sou cafona até a raiz dos meus agora repitados cabelinhos.
Meu aniversário esse ano foi tudibão, dei aulas, almocei com os amigos queridos e ainda ganhei presentes de quebra, além das centenas de recados carinhosos, no Orkut, na secretária, foi lindo. Me senti super querida, e isso me dá uma força pra continuar que vocês não imaginam!
Fui pra minha cidade natal, o Piratininga, com Paulo, o anjo em forma de amigo, jantar bacanérrimo, e no outro dia qualificação. Foi um desastre, apanhei, apanhei, mas de lá ( acho ) que finalmente saí com uma pálida idéia do que será a tese e uma nova admiração intelectual, o professor Maíque.
Voltei mal, fiz uma macarronada pra ver se melhorava, mas a panda alquimista pintora escrevedora de blog e comentadora de Dante tava cansadinha. No outro dia, mais macarrão, a Lala veio me maquiar ( tá vendo? o curso surtiu efeitos), e lá fui eu para casamento de amigos queridos e dois anos de namoro com o Celo.
Pra vocês verem. E agora começa a corrida Panda rumo a Pisa, chegou a passagem!!!!!!!!!!!! Então, brega, maquiada e meio gordinha, estou rumo a um lugar que vocês vão concordar comigo, é simpático porque deve ser o único lugar do mundo que as coisas tortas tem que permanecer tortinhas para todo o sempre!!!!!!!! Me aguardem...

Wednesday, September 20, 2006

Dos símbolos alquímicos e da necessidade de viver

Eu descobri uma coisa. Pequena, insignificante, quase, mas para mim uma coisa legal.
Estudo para o meu doutorado os desenhos que o Botticelli fez, ilustrando a Comédia. Momento feliz esse, o final do século XV. Grandes caras se encontram, conversam, e deixam o mundo bem mais belo.
Descobri que o Virgilinho do Botticelli, que me acompanha há quatro anos, e que literalmente paga as contas lá de casa ( via a Fundação de Amparo, não se esqueçam) tem a mesma fuça, o mesmo jeitão, do Hermes Trimegisto do piso de mármore de outro mundo da Catedral de Siena. Os dois são a mesma pessoa, o mesmo sujeito. O Hermes Trimegisto que é o pai da alquimia, dos processos de transmutação dos metais, dos materiais, dos sentimentos e das idéias.
Fiquei feliz porque, conversando com menino João Francisco, alquimista e fofo nas horas vagas, percebi que meus últimos posts são sobre isso, no fundo. O retorno de Saturno, pra mim, acaba agora. A crise dos 30 passou, tenho certeza disso. Agora quero ser alquimista, quero transformar tudo numa grande atmosfera brilhante, como no gloss do curso de maquiagem, como no porco a porchetta, e quero viver simples e linda como London, London do Caetano.
E estou nisso, com Hermes Trimegisto, quando sei que uma tragédia aconteceu na Unicamp. Um menino, calouro do curso da História, almoçou com um amigo, subiu a torre da caixa d'água do Ciclo Básico e se jogou. Morreu no meio-dia do campus. Amigos meus estão chocados, muita gente comentando, uma tristeza infinda. O Chris no blog dele afirma ter o pressentimento que tudo está muito, muito ruim, Getúlio no msn concorda, eu com saudade de tanta gente, porém, sinto que infelizmente no meio-dia tragédias como essa podem acontecer.
Gostaria de deixar uma mensagem de carinho ao menino, aos seus familiares, aos amigos, a nós. Ultimamente, no meio da correria em que tô metida, no meio literalmente, sinto um amor profundo por tudo e todos, como em London, London. Na minha cabeça Caetano sentiu algo parecido. Tudo é muito ruim, escuro, mas a gente continua transmutando a tristeza em riso, o som em música, o peixe em assado, a cor em vida. Mesmo com tanta tristeza, com tanta tragédia, com tanta dor.

Tuesday, September 19, 2006

Tá acabando...

Não acredito em Astrologia. Sempre duvidei desse negócio de ser virginiana, logo seria uma pessoa racional e organizada. Só pelo Meio vocês podem ter uma idéia do que é minha organização. Depois que eu li o livro do Adorno sobre isso ( The Stars Down the Earth), aí fiquei mais incrédula ainda. Pra quem não sabe, o Adorno, exilado nos EUA, teve a pachorra de ler as colunas de astrologia por um ano, e depois fez uma análise descendo a lenha nesse ramo dos conhecimentos esotéricos.
Pois bem, mas talvez astrólogos, tarólogos e afins estejam certos quanto a esse lance de inferno astral. O meu esse ano foi expandido, começou cedo, mas segundo a crença, daqui a pouco acaba ( sim, completo 29 primaveras, e daí?).
Um vizinho aqui do prédio começou uma obra faraônica, literalmente. Às sete da manhã em ponto começa a barulheira insuportável. Eu e Celo quase piramos. Eu precisando preparar aula pra Pucc, ele com as coisas dele, e ninguém consegue fazer nada com um estrondo desses. Eu fui descer a lenha via interfone, o dito não funciona.
Tive um trabalho do cão pra preparar aula, saio de casa arrumada, banho tomado e tudo o mais, na saída do prédio tem uma pequena porém íngreme ladeira. O Celo usou o carro antes, e ele é duas vezes e meia maior que eu. Arrumei o banco antes de sair, mas na ladeira o bicho foi lá pra trás. Agarrei o volante com força e enfiei o pé no acelerador, porque senão o portão de ferro da garagem me pegava. Passado o susto, vejo que abri o pulso esquerdo. Uma dor, e aula pra dar. Paciência, fui pra Pucc.
Não sei o que acontece com alguns alunos. Eles falam, falam sem parar, e eu dando esporro. Daí uma menina fala, mas professora, passe a lista no início da primeira aula e eles vão embora. Talvez ela tenha razão, mas eu não me conformo, não estou dando aula pra quinta série ( talvez quinta série fosse melhor).
Então é isso, uma semana quebra o dente, na outra abre o pulso, e o saco vai enchendo. E o conteúdo, inexpugnável, Expressionismo e Fauvismo na mesma aula.

Friday, September 15, 2006

Atmosphère Brillant

Hoje fiz uma coisa bacanérrima.
Andando pela Renner do Shopping Iguatemi com as meninas, daqui a pouco aparece Vanessinha com um folheto. Descobrimos que a rede oferece, nesse mês, vários cursos de maquilagem, patrocinados por grandes empresas de cosméticos, como Payot, Revlon, e até a boa e barata Elke ( dela mesma, da rainha Elke Maravilha). Mas pra quê, a mulherada se assanhou toda.
Passou a semana, e desencontro vai, desencontro vem, descubro que as meninas marcaram o curso e eu fiquei sem vaga, porque elas não sabiam se eu ia ou não. Fiquei triste mas a linda elfinha, ops, Vanessinha, conseguiu cavar uma vaga pra mim.
Acordei, dei duas aulas ( gratuitas, uma num cursinho aqui de Campinas e outra na velha Unicamp), almocei num japonês muito bom que tem aqui, porque não sou de ferro, e às quatro horas descubro da vaga. Voei pro Shopping Dom Pedro, entrei na Renner e sou atendida pelas meninas do famigerado balcão de cosméticos. Elas me levam pro interior da loja ( lá dentro é imenso, imenso), no segundo andar, e no salão de treinamento está a mulherada. Nenhum sinal das meninas, fico triste.
A marca ( não vou falar qual é porque senão parece propaganda) manda uma maquiadora profissional, toda equipada, bem maquiada e simpática. Uma mulher bonita, dos seus 4o e poucos anos, impecável, auxiliada por uma menina da Renner, não tão bem maquiada assim ( mas aí dá um desconto, a menina era super novinha). Lanchinho ( biscoitinhos), Leite Ades de Soja, guaraná e café. Presentes duas meninas chinesinhas fofas, duas mocinhas e duas amigas um pouco mais velhas. As duas mocinhas eram filhas de uma das mais velhas, muito despachada, que foi escolhida pra ser a cobaia. Não sei porque, mas era a mais esteticamente desfavorecida, no sentido tradicional ( não estou me incluindo).
A moça senta na cadeira, e a maquiadora começa. Limpa bem a pele, e fornece os produtos pra gente limpar a pele também. Que delícia, tudo cheirosinho. Daí, a base. A base é um negócio horroroso. Se é vagabunda, a cara da cidadã fica caiada, artificial, no calor derrete e é um estrago. Atualmente, as marcas se esforçam pra fazer bases e pancakes muito naturais. E não dá outra, pele de porcelana em cinco minutos. Muitos, muitos pincéis, de diferentes formas e tamanhos, que a maquiadora vai molhando de levinho na loção tonificante.
Tudo é delicado. Não se usa o indicador, dedo que pesa, mas o pai-de-todos e o anular. O blush é um show à parte, passa-se da têmpora pro osso da face, não o contrário. O olho é o que dá mais trabalho, primeiro o delineador ( eita coisa difícil, esse pra errar é três segundos), depois a sombra clara em cima, a sombra mais escura, e todo mundo desanda a perguntar. Cada passo é acompanhado por um "uau! mas tá super bonito!"... a cobaia pede um espelho, e se vê mais bonita sim, é verdade. Tudo truque, mas quem disse que mulher não pode usar truque? Sou super a favor de truque nessa vida. Salto alto, lingerie mágica, pancake, eu sou uma perua enrustida. Tudo vale, pra se sentir bem e ficar feliz.
Cada pozinho é usado supermegaultra pouquinho. Bom, pelo menos isso, considerando que toda a maquinaria é literalmente o olho da fuça, a maquiadora é a mais econômica do mundo. Por exemplo, o batom, que toda cidadã tem ( eu tenho dois, não uso nunca, never, jamé, em tempo algum)... e que a gente passa na boca direto. Errado, pega um pincelzinho chinfrado, daquele pequeninho, e três passadinhas são o suficiente. Depois, gloss delicados.
Daí vira espetáculo. A filha da cobaia se anima. Porque agora é a vez do pancake, seco, que se usa molhando a esponjinha, e alguém pergunta de delineador colorido. Mas nem precisa de delineador colorido, diz a orientadora ( nos termos do questionário da Renner). Molha o pincelzinho no tônico, e pega a sombra azul que você tem no seu estojinho básico. Pra quê, uma linha lápis-lázuli Giotto aparece no olho. Chiquérrimo! Truque do bom esse.
Uma das chinesinhas quer ir no casamento da amiga. Reclama que os olhos puxados são barra de maquilar. A representante da multinacional, essa filha de Eva que te entende como ninguém ( entende o mais profundo desejo de todas as filhas de Eva, ser bonita) não se dá por vencida. Pele de seda em cinco segundos, puxa delineador, sombra e o olho da chinesinha abre como um leque. Truque em cima de truque.
Nem preciso dizer que adorei. Sei que muitos vão pensar, a moça do Meio pirou, pirooooooou... sei que aparência não é tudo na vida, e que muitos passam fome e etcs. Sei que é peruíce. Mas um pouco de cor, de sabor, não faz mal. Lógico que no final a menina da Renner te oferece tudo. Não comprei nada, a socialista-marxista falou mais alto, mas que fiquei com vontade fiquei. No final, as meninas não apareceram porque foram no curso no Iguatemi ( êêê cabeças-de-pudim)! E eu mofando no Dom Pedro.
E um detalhe: um dos gloss se chama Atmosphère Brillant. Gente é pra cintilar, não pra morrer de fome.

Tuesday, September 12, 2006

Aqui, já, nesse instante, agora mesmo

Aqui da minha janela vejo o relógio do Itaú. Relógio de neon, aparece Itaú, listas azuis, estrelas laranjas, a hora em dígitos brancos a orientar as noites desoladas de Campinas.


Agora escuto Led Zeppelin, "All my Love", e penso nos sentimentos por tantas, tantas, tantas, pessoas que passaram na minha vida, deixaram marcas na minha alma e iluminaram minhas cavernas interiores. Amigos, amores, pessoas vão e vem e que estão em vários lugares agora, nesse instante em que minhas unhas, compridas depois de tantos anos, batucam Caronte iluminado pelas estrelas do relógio do Itaú.
E tudo é muito simples e ao mesmo tempo complicadíssimo e hoje me espantei. Fiz as contas e me espantei, faço 29 anos. E tudo é o mesmo e tudo é tão diferente. A primeira vez que fui aos dentistas da Unicamp, eu era uma menina de 17 anos com quatro dentes de ciso obstrusos e vontade de vencer na vida. A segunda, era uma jovem combalida de 22 com guna, gengivas vermelhas e vontades desesperadas espatifadas num chão de ardósia. E hoje sou alguém de 29 anos com duas obturações, dores perfuradas no peito e nenhuma vontade sobre o sol.
E tudo fica lindo com Robert Plant me mandando todo, todo seu amor, como ele sempre fez desde 1979, e fará por toda eternidade, isso foi antes, antes, muito antes do dentista, do meu dente pré-molar quebrado em um terço e tudo isso acontece agora, porque o Jobs lançou o mini-Ipod shuffle, e claro que se eu estivesse às margens do Hudson eu iria correndo comprar, apesar de achar que o capítulo sobre o fetichismo da mercadoria no Capital é como os versos de Safo, belos, intocáveis e eternos como a bateria do Bonham, a guitarra do Page, e tudo isso na minha janela, como diria Caetano lá atrás.
E como seria entrar num velho templo e me apresentar aos deuses e dizer, vocês podem ser eternos, e eu eterna duro no instante que a vida passa, segundos e a vida passa, e o compasso me mostra que, sim, a vida é tudo isso e mais um pouco, é sempre mais um pouco, e nunca será o bastante para mim, para quem eu amo e até mesmo para quem eu desfaçatamente desgosto. E tudo isso, vocês me perdoem, mas vive dentro de mim e eu não posso disfarçar, agora não mais, agora e sempre, agora e ainda já.

Monday, September 11, 2006

Pequenos desastres cotidianos e o Dadaísmo

Hoje bati o carro e minha obturação caiu. Graças a Deus, no carro não deu nada e na boca não sinto dor. Fila do CECOM amanhã, será que eu consigo ser atendida? Dinheiro não tenho pra pagar um dentista, que saco. Tô com medo, sou hipocondríaca e acho que vou morrer, e nunca me aconteceu de chupar bala e cair o negócio.
De resto, aula na PUCC. Hoje, cubistas e Duchamp. Uma aluna perguntou, e o Duchamp, era o quê? Eu respondi, era o Marcel Duchamp, oras. Essa coisa de classificar artista é complicado. Em alguns livros, ele aparece, no início da trajetória, como ligado ao Futurismo. Num texto de 1946, que está no Teorias da Arte Moderna, H.B Chipp, Martins Fontes, o Duchamp diz que não, que nunca teve a ver com a italianada. Enfim, pelo menos a gente chegou nos ready-mades.
Já a aula de Teoria anda meio desastre. Hoje comecei o Aristóteles. Meu programa é um curso com a leitura de pequenos trechos de Estética. A gente leu o Mito da Caverna do Platão e agora vamos ler a Poética. Mas tive que explicar o Édipo e me enrolei.
Vi uma nega que eu não gosto, fiquei impressionada e fui tirar o carro. Estacionado na ladeira ali do IFCH, sabe quando o bicho cai e bate? Daí me aparece do nada uma figura famosa do IEL, famosa pela chatice e inconveniência. Ele: mas você bateu nesse aqui ( o carro da frente era dele)? E eu, engraçado você me perguntar isso.
Como diria Picasso, só decompondo a forma mesmo pra se agüentar. Mas fiquei feliz porque vi o Luis e a Deborah, agora minha amiga no Orkut e que me disse via scrap que de vez em quando passa pelo Meio. Legal, né?

Sunday, September 10, 2006

Una giornata particolare

Se você ainda não viu esse filme, veja correndo... gente, tinham que usar o poder da ciência e clonar o Mastroianni. E de preferência mandar um clone aqui pra casa porque eu não ia reclamar.... mas enfim...
Hoje eu tive "una giornata particolare".... acordamos, e saímos de Campinas do Mato de Dentro de Jundiaí, rumo ao velho e combalido Piratininga. E vamos para a Pinatoteca, ops, Pinacoteca, ver amigos, e o Calder.
A exposição está lindíssima. Pequena e bela, como os móbiles-mini do tiozinho.Fiquei emocionada vendo o "Lufada de Neve"... o tema da exposição é a atuação do Calder no Brasil; pra quem não sabe, ele foi um grande amigo do crítico Mário Pedrosa, e veio ao nosso país três vezes... nas três ocasiões, trabalhou, expôs, fez e aconteceu. Pegou o MASP no seu início, a Lina e o Bardi a todo vapor... lindo, lindo. Uma grande ironia a exposição acontecer no velho e acadêmico Liceu de Artes e Ofícios, e não no Assis Chateaubriand. E uma grande ironia uma das mais belas obras do Calder ser do Instituto dos Arquitetos do Brasil, o prédio magistral do Rino Levi, que hoje está no osso, literalmente. O Brasil já foi melhor.
Depois, a mini-excursão rumou para o Acrópole, o restaurante grego do Bom Retiro que virou moda, depois que a Veja São Paulo botou estrela e tudo. O restaurante é um barato, com decoração pseudo-grega, gente saindo pelo ladrão e preços, digamos, nada módicos. Mas a comida é di-vi-na, comemos mussaká ( aquela "lasanha" de carne e berinjela, com purê em cima), um risoto de frutos do mar que está dentre as melhores coisas que eu já comi na vida ( vermelho, com camarões gigantes e polvo macio), e lula recheada. Depois disso tudo, ainda teve um doce folhado, com molho doce de laranja e cravo, e recheio de creme de semolina, recém-saído do forno.
Olha, o Acrópole vale cada centavo investido, vale até pelo dono, um velhinho biruta que tira os pratos correndo e é, digamos, um casca-grossa daqueles. Nada limpo nem organizado, o Acrópole chateou muito uma conhecida minha, nega metida a grã-fina, besta e chatérrima, que se escandalizou com a zona e com o fato do local supracitado não ter cardápio ( o preço é feito de acordo com a sua cara, eu acho). Eu, como adoro um moquifo ( acho que nunca fui tão feliz como em Nápoles, a cidade-moquifo por excelência, comendo pizza no meio da rua, daqueles fornos que os caras constróem fora de casa, pizza de massa grossa mas deliciosa, tomate, manjericão, queijo e uma cantada em dialeto do maluco que está naquela janela cheia de varal de roupa) me realizei no Acrópole.
Só não gostei muito da exposição do Oscar Pereira da Silva, pintor acadêmico, muito do chatonildo, que nem essa nega que não gostou do Acrópole. Pra mim e pro Paulo, o melhor do cara foi uma cópia que ele fez da Bunda do Amoêdo ( outro pintor acadêmico brasileiro, Rodolfo Amoedo em 1887 escandalizou o Rio de Janeiro, mandando de Paris, onde era bolsista do Imperador, seu quadro Estudo de Mulher, um nu fantástico; o centro da composição é a parte transversal da supracitada moça)...
Depois, café no sempre bagunçado e caro café da Pina, alguns pensamentos infelizes, e muita alegria de ver o delicado equilíbrio das formas.

Thursday, September 07, 2006

Santos, a cidade heróica dos Andradas

Anda tão frio que hoje tive minha dor de dente chicagoan.

Os leitores antigos do Meio sabem que, devido ao frio intenso das margens do Michigan, eu tive dores de dente inacreditáveis, por conta da única obturação que possuo ( a maldita é muito perto da raiz). Então, tá tão frio nesse início de setembro que a dor de dente Al Capone me visitou.
Estranho fazer tanto frio em setembro, mas enfim. Correndo que nem uma louca, prepara aula daqui, email, telefonema, reunião, o escambau. Qualifico o doutorado finalmente nos idos de setembro, no meu aniversário.
E hoje foi dia da Independência. Quando eu era criança, era meu feriado favorito. Nasci às margens do Ipiranga literalmente, no hospital Leão XIII, quase no monumento. Meu pai me levava lá, e eu tinha uma boneca de pano que adorava, a Marquesa de Santos. Mas não lembro de um 7 de setembro tão frio, só lembro de um poema que recitei numa festa da escola, e começava com o verso do título.
A professora me abraçou porque consegui decorar tudo: "Santos, a cidade heróica dos Andradas/ O príncipe voltava feliz e satisfeito/ Com a luz da justiça a iluminar-lhe a alma/ e o fogo da justiça a queimar-lhe o peito/ Quando vê cartas ofensivas/ Vindas do antigo Portugal glorioso/ sua voz vibrou como um clarim/ gloriosamente forte/ e o vento acariciando as faces do colosso/ em breve repetiu, Independência ou Morte"... e hoje não cozinhei, não declamei poemas, só estabeleci hipóteses e sofri dor de dente gringa.

Wednesday, August 30, 2006

Vou-me embora para o Japão

Como diria Manuel, minha Pasárgada é a terra do Sol nascente.
Cinco minutos, Japão. Ruas cheias de gente com olhinhos puxados, o máximo da tecnologia, os jardins de pedras brancas e o Fuji. Maquiagem Shisheido e as garotas-colegial safadas e de cabelo verde, dobra esquina, uma senhora de quimono cinza.
Kyoto, e todos os palácios, o velho Gion, o bairro das gueixas. Comidas que você tem medo de provar e depois que prova não quer mais parar de comer. E todas as lojas, o metrô com o guarda de luvas brancas empurrando o povo pra dentro, pior que a Sé às seis e meia da tarde. E a língua, não entender nada, absolutamente nada, do que se escreve e do que se fala. Deve ser bom. Chá verde, misso-shiro, tudo eletrônico.
Meu pai morou muitos anos da Liberdade. Lá conheceu uma nissei. O cara ralou pra ser minimamente aceito pela família, com todas as ressalvas nipônicas aos gaijins. Depois, numa viagem de férias aos velhos Goytacazes, conheceu dona Meire na fila da Caixa Econômica Federal. Eu às vezes penso, e se meu pai tivesse se casado com a moça? Pau-rá-san, já pensou?
Vou-me embora para o Japão, lá terei o micro computador que quero, no sushi bar que escolherei.

Saturday, August 26, 2006

O fim do mistério

Graças à coisinha, ops, Vanessinha... o mistério dos bolinhos de chuva foi solucionado ( lembra da discussão????).


Manja o rótulo de Creme de Leite Nestlé? A pequena filósofa, lendo Schopenhauer e blog de amiga nas horas vagas, sabia da minha procura pela receita de bolinhos de chuva, vamos dizer assim, diferentes! Então, vou postar a receita do rótulo, eu, Vanessa e Thaise vamos experimentar, além de postar é claro:

BOLINHO DE CHUVA

1 lata de Leite Moça
1 lata de Creme de Leite
2 xícaras de chá de farinha de trigo
1 colher de sopa de fermento em pó

Misture bem, até a massa ficar homogênea. Nas colheradas, forme os bolinhos e frite em óleo quente até que fiquem dourados. Polvilhe com açúcar e canela, faça um café bem forte, e me chame. Agradecimentos às leitoras e aguentadoras fiéis Vanessinha e Tata!!!!!!!!!!

Thursday, August 24, 2006

Porco a porchetta

Retomando o Meio, que ficou meio fora de foco...


Boas novas! Agora sou docente da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, vulgo PUCCAMP. Isso mesmo. Entrei para ministrar Estética e História da Arte, pro curso de Artes Visuais. Carga horária 4 horas, permitida pela FAPESP, ou seja... mas estou feliz, animada, na segunda-feira lasquei o Mito da Caverna do Platão e tudo mais. Terminei meu exame de qualificação, o Teia do Saber, e no italiano direto. A Itália vai rolar, e tudo o mais.
Agora, hoje retomei minhas atividades de mestre-cuca. Minha sogrinha descobriu algo ótimo, anotem: Filé mignon suíno. É uma delícia, o topinho do lombo, sabe como? Vem quatro numa bandeja dos congelados Sadia. Vale a pena. Hoje temperei o dito com um molho que inventei no carro, vindo pra casa depois da lezione di italiano. Guarda, bello: vinagre balsâmico, com água e açúcar, até retirar a acidez ( fui experimentando na colher mesmo) e alho. Embebi o porquinho nessa vinha d'alho, sal e pimenta do reino. Coloquei numa assadeira, com batatas passadas na manteiga Aviação e alecrim, pétalas de cebola e quartos de tomate. Asse. Servi com arroz com passas. Pra quem gosta da mistura doce-salgado, ácido-pimenta, olha, fica bom demais esse Porco à Porchetta.
Saudades de todos, apareçam, o Meio ressuscitou do purgatório dos blogs sem atualização!

Friday, August 11, 2006

Zica da fubica

Gente, eu tô rindo aqui, mas tudo que eu conto no Meio é verdade, acontece mesmo, então eu sei que muita gente já deve estar de saco cheio das minhas desventuras 2006 ( vocês entram aqui e só lêem plobreuma, etc)... mas é que hoje o negócio superou.
Há uns dois meses, eu tava com o Celo no escritório. A gente tem um colchão no chão, e o Celo pisou no meu óculos. O bicho ficou torto. Ontem, no mesmo colchão, eu pisei de novo, daí a haste foi pro brejo.
Detalhe: eu tenho sete graus e meio de miopia, meus óculos são muito caros ( 770 a lente sextavada fina, que me deixa com uma cara de pessoa normal) e eu só tenho um par, desde sempre.
Hoje, pus a lente de contato que ganhei de graça e sofri o dia inteiro com os olhos ardendo. Cheguei em casa e falei, não dá, vamos pro shopping Dom Pedro visitar a ótica e mandar fazer o raio do óculos novo em 500 prestações no cartão.
Saindo, na esquina de casa, no carro, vejo uma moça parada e um cara debruçado na janela do carro. Olhei aquilo e pensei, assalto. Sete e meia da noite, centro de Campinas, o cara bate na janela com a arma prateada. Levou 20 reais do Celo e meu celular de 90 pilas pai-de-santo ( pré-pago que só recebia).
Gente, eu sei, impressionante. Mas aconteceu. Moral da história: fui assaltada duas vezes nesse ano.

Tuesday, August 08, 2006

Boa noite, meu amor

Ando chateadíssima, problema em cima de problema, infelicidade, mal-estar geral e etcs. O lado bom ( vamos fazer o jogo do contente da Poliana) é que tenho uma passagem comprada pra Itália, e que minhas aulas tem sido boas. E eu descobri uma música, vagando pelo Orkut. É de um cara, um guitarrista, chamado Mike Pinera, e fez sucesso na trilha da novela Plumas e Paetês... segundo as informações, era o tema do personagem do José Wilker. É bem setentinha, meio Antena Um, mas tem sido legal pra mim, uma coisa afetiva. E por aí vai... se vocês tiverem curiosidade, eu posto aqui o link pra música.
Além dessa seventie's love song, descobri uma coisa. Que eu gosto, e preciso, pintar. Foi assim, depois de uma semana terrível, fui pra Teia do Saber. Teve uma atividade com uma modelo, uma moça belíssima, e rolou um clima muitíssimo legal, todo mundo pintando com guache preto e azul. E eu peguei o pincel, enrolado no bambu, sentei e saiu, uma coisa extraordinária.
Eu não pintava desde os meus 13 anos. Tinha uma professora acadêmica e horrenda, dona Odila. Ela quase me reprovou na sexta série porque eu fazia as coisas mais estilizadas, lembro que meu pai foi falar com a tal e ela me esculhambou, porque numa árvore feita a nanquim ela queria que eu fizesse todas as folhas ( a tal não conhecia Monet, vamos dizer assim)... também ocorria o fato de que eu não tinha dinheiro pra comprar os materiais caros que ela solicitava, sempre tendo que pagar o mico de pedir um pouco de tinta pras amigas. Minha maletinha de madeira, com o meu nome pirografado, vivia vazia, com lápis da Labra ( o que a docente, descendente da brava família Faber, não perdoava).
Como a gente perde tempo na vida porque outros nos sacaneiam... meu Deus, isso é impressionante, tem gente que faz muito mal pros outros. Ando meio revoltada, meio da pá virada, sem paciência com essas picuinhas infernais. Não ando bem, desde que voltei de Chicago estou sem paciência. Desculpem os posts revoltados e as discussões esdrúxulas, mas de vez em quando a vida é assim.

Wednesday, July 26, 2006

Meditações sobre um Cavalinho de Pau

Tudo bem, o título eu tirei do Sir Gombrich, recomendo vivamente, bláblábá.

Nesse tempo desértico, litros e litros de Rinosoro, depois de muito passar mal e de mais uma aula no programa Teia do Saber, aqui na Unicamp, retomo as atividades blogueiras, com uma dica...
Descobri o link pro bróugui do Luis Fernando, amigo velho de guerra e que chupinha minhas idéias e escreve artigos no site da Caros Amigos: http://luisvita.blog.terra.com.br/. Tô brincando, vale a pena dar uma passadinha, o Luis além de combativo arruma cada confusão engraçada...

Thursday, July 20, 2006

Paulistânia II

Sujinho.O Gato que Ri.Espetão.Zi-Tereza.
Porque uma cidade são seus restaurantes,
Gigetto.Famiglia Mancini.Ritz, e no fim, Pastelaria Yokohama.
Café no Largo de São Bento.E café na Praça da Sé.Café no Viaduto do Chá.
Pausa prum refresco na Consolação ( em qualquer boteco).
Risco, São Paulo é isso.

Monday, July 17, 2006

Foi falar...

Foi falar, pronto, peguei uma sinusite monstrinha.

Ontem e hoje, sofrendo com dor no rosto, febre, e má disposição geral. Pelo menos, ontem fomos assistir a um concerto da Sinfônica de Campinas. Regida pelo maestro Karl Martin, suíço, a orquestra apresentou o programa do Festival de Inverno de Campos do Jordão. Mozart, Prokofiev e Stravinsky, num programa de mais de duas horas, belíssimo. Depois reparei, os músicos saíram exaustos, mas felizes da vida.
A Sinfônica é uma das coisas que fazem Campinas valer a pena, às vezes... lembro de alguns concertos muito tocantes.
Hoje acordei mal, mal. Dodói mesmo. Entro na net, dia do julgamento von Richthofen. O advogado de defesa de Suzane chegou arrasando, acreditando que o ataque é a melhor defesa literalmente. Segundo ele, Suzane foi coagida pelo namorado Daniel, com quem viveu a primeira experiência sexual. O advogado disse que a pobre Suzane tomava anti-concepcional injetável, "que doía e fazia a pressão baixar", porque era da vontade do namorado. Já Daniel, no seu depoimento já no tribunal ( coberto minuto a minuto por vários órgãos de imprensa e mídia, veja lá no Portal Terra) disse que os pais de Suzane "o tratavam com violência e ambos tinham amantes". Enfim, todos têm o sagrado e inviolável direito de defesa. Todos têm direito a um julgamento, conforme a lei. Agora, os que assistem também possuem o sagrado e inviolável direito de se irritar.

Thursday, July 13, 2006

Panda no médico

Todo ano é a mesma chorumela.

Seguindo os ensinamentos de dona Meire, minha famosa progenitora, me obrigo a marcar ginecologista, oftalmo, dentista, nas férias. E todo ano eu enrolo, enrolo, enrolo.

Explico: eu odeio ir em médico e dentista! Eu sempre acho que o dentista vai falar que eu vou perder todos os dentes e que o médico vai me dar seis meses de vida. Sempre chego morrendo no consultório. E morro de medo de fazer exames, também piro, sofrendo, e fazendo drama.

Pra quê? É irracional mesmo. Hoje me enchi de coragem e vamos lá, marquei os doutores. Já a dra. Solange, minha dentista, tá de férias, então dá pra eu melhorar o tratamento dispensado à minha dentadura antes do confronto com o motorzinho.

Então, caros amigos-panda, rezem para eu não entrar realmente em extinção!

Tuesday, July 11, 2006

Introdução ao Bruce- I

Para os curiosos leitores do Mezzo:


Aqui a canção predileta da panda de seu roqueiro predileto, ele mesmo, o Boss. A música que se segue se chama "The River", e deu nome ao disco do tio, lançado em 1982. Não sei porque, mas toda vez que eu escuto o rio, penso na poesia chinesa. Deve ser defeito de fábrica no meu cérebro.
Os créditos vão para o amigo de Orkut Colorado, salvação da lavoura nas comunidades que trocam MP3 ( ainda, apesar da sombra das gravadoras e etcs e tais):
obs:) eu tava aqui pensando, eu acho que minha canção predileta do Tio de Nova Jersey ainda é "Dancing in the Dark", mas essa todo mundo conhece. Então ouçam o rio e esse homem combalido.

Monday, July 10, 2006

E o Murilo nasceu!!!!!!!!!!

Hoje amanheceu um dia feio, chuvoso, frio. Fui lavar roupa, louça, ou seja, cuidar do doméstico. E veio a boa notícia, nasceu Murilo, no meio da madrugada. Murilo é nosso mais novo sobrinho, e nasceu de parto normal, como a Jana tanto quis.
E o dia ficou lindo, até sol saiu. Fomos saudar nosso mais novo amigo, que além de muito fofo parece ser muito tranqüilo, acordando só para mamar e fazer charme.
Beijos para o Murilo, beijos para a Jana, para o Henrique e para o Felipe, o irmãozinho que ficou na casa dos avós e que adora jogar uma bolinha. E para os leitores do Meio, um presente: duas músicas em homenagem a todos os nenês do mundo, When a Child is Born, do Johnny Mathis, e Rock and Roll Lullaby, B.J. Thomas...
obs) o Murilo estava num berço chamado berço-panda... com um pandinha cuidando dele... os pandas vão dominar o mundo!

Sunday, July 09, 2006

Panda na Copa 3- E deu Bota na cabeça, ou melhor deu a cabeça do Zizou

Eu não estava dando a mínima pelota pra Azzurra nessa Copa. E deu no que deu.
Não jogaram bem, o segundo tempo seguraram na zaga, impecável, e no Buffon, que pode ser mafioso mas nas horas vagas é bom goleiro. Jogo feio, retrancado, nada de contra-ataque, neguinho cavando falta e catimbando. Mas a França, ainda que coroada com os talentos individuais, não encontrava o ataque, o caminho do gol. Quando chutava, chutava feio, longe, pro nada... Deu dor de cabeça, é verdade, uma grande seleção essa francesa.
Até que veio o inexplicável, o injustificável, o inconcebível, o que confirma que futebol é uma caixa de surpresas. No último jogo pela seleção francesa, o grande, o melhor do mundo Zidane dá uma cabeçada, literalmente. Gente, Zizou não precisava disso. Eu tenho a maior simpatia por ele, apesar de tudo ( Brasil, etcs, etcs), mas foi de uma deselegância extrema. O carcamano xingou? O sangue esquentou? Nada justifica. Momentos antes, a gente comentava, na casa da mãe do Cris, onde assistíamos a partida, da falta lamentável, da cotovelada covarde de Leonardo na Copa de 94. Cara de bom moço, ídolo da torcida são-paulina, Leonardo manchou pra sempre sua carreira. Nessa hora o cara tem que ser profissional, encerre a carreira com a classe, dignidade e grandeza de sempre.
Nos pênaltis, eu apelei pra Madonna della Coppa, ou pra San Vitale. Eu sabia que os conterrâneos do Dante, se fossem pros pênaltis, iam matar. Porque italiano é assim, no final eles inventam a Pietà, a Capela Sistina.
Agora agüenta, lá deve estar a loucura da polenta.

Monday, July 03, 2006

E agora, ao trabalho!

Retomo as minhas atividades de historiadora da arte mirim, patrocinada pela Fundação de Desamparo, vulgo Bat Caverna.
Finalmente, o parecer do relatório, elogioso. O gnominho do Papai Noel disse que eu mandei bem, que "trabalhei intensamente" nos EUA. Ufa, meses de sufoco, agora deu um alívio...
Juro, esse relatório escrito no verão campineiro, depois do inverno chicagoan ( relatório amplitude térmica) foi a melhor coisa que escrevi na vida. Não que eu tenha escrito muita coisa boa, mas foi resultado de força de vontade, e da minha cabeça dura em ir pros States em plena era Bush financiada pelo Alckmin.
Agora, exame de qualificação. Marquei na secretaria, e a banca está ciente. Retoques no texto, pra mandar pro orientador. E volta aquela trabalheira insana, Caderno de Imagens, Bibliografia Temática moldes ABNT, Garamond 12 espaço um e meio. A qualification será nos idos de agosto, como o assassinato de Júlio César. E depois... será que a pequena panda sofredora e defensora dos frascos e comprimidos irá para a terra da macarronada e do Berlusconi?
Queridos leitores, em 1997 eu era uma menina que morava com os pais, tinha um namorado, uma bolsa de iniciação científica, e um amigo no mestrado. Um dia esse amigo veio e me falou, escuta, vai ter um curso de História da Arte na Itália. E eu cheguei em casa e pasmem, meus pais me falaram, vai. Com um dinheiro guardado eu fui, e no primeiro dia veio a pancada. Uma porta imensa, do Michelângelo. Puxei a manga do casaco do meu amigo e perguntei baixinho, mas é o cara da Sistina? E ele, é, psiu, fala baixo... e eu descobri que Michelângelo era o cara da Sistina, do Campidoglio, da Basílica de São Pedro, da Porta Pia, da Capela Paulina, da igreja Santa Maria degli Angeli ( as termas de Diocleciano), do Tondo Doni, da escada da Laurenziana, do Moisés, etcs, etcs, etcs...
Nem preciso dizer o que Roma, Nápoles e a Sicília representaram pra mim. Dessa viagem para a Itália, me alimentei durante esses nove anos, com o sonho de voltar e jogar mais moedinhas na Fontana. A menina perdeu o pai, saiu de casa, engordou, teve outros namorados, mas ficou pela História da Arte mesmo. E agora quer voltar, pra ver mais da Bota. Será? Será? Me aguardem...

Sunday, July 02, 2006

Panda na Copa 2- mas que m^&(*!

Olha, eu não ia falar nada, tava pensando em respeitar o sofrimento geral da nação, mas não me agüentei.

Tudo bem que toda Copa é essa josma, da escalação do técnico às vitórias e derrotas da esquadra canarinha, passando pelo fato do país parar e de termos péssimas memórias ( 70, tricampeonato e Médici, 82 e o time que não foi, 86, a guilhotina Platini e o fim do Plano Cruzado, 90, Collor e a volta dos mortos vivos, 98 e o Ronaldinho amarelando).
Eu evito falar de futebol, por dois motivos: primeiro, sou mulher, e mulher supostamente não entende de futebol, e dois, porque estou na universidade, e tirante alguns machos alucinados, supõe-se que mulher nem fale de futebol, e sim de quadros de Miró e roupinhas da Zara ( isso, escondido no banheiro pras amigas íntimas).
Mas agora vou chutar o pau da barraca ( ou melhor, vou chutar a trave) e afirmo categoricamente que, sim, eu adoro futebol ( só não aprendi a jogar porque minha mãe me batia, dizendo que eu era menina e menina não joga bola) e adoro fazer mesa-redonda. E minha tristeza pela derrota de anteontem foi genuína, minha decepção, mais que amarga.
É totalmente inadmissível um técnico de Seleção Brasileira se portar como se portou Parreira. Por vários motivos. Eu sei que muita gente falará e pensará, acertadamente, que futebol é roubado, que existe máfia na FIFA, na CBF, e a dominação do capital, e blablabla, e tem coisa mais importante pra discutir, e que futebol precisa deixar de ter tanta importância assim na Terra de Santa Cruz. Mas, caralho, o cara fazer o que fez, é fora de qualquer padrão de conduta de gente inteligente, é abaixo da linha da miséria. Cafu conseguiu um feito:errou 150% dos passes; Roberto Carlos chutava para o nada, Kaká corria meio metro e caía diante da elegância de Zidane, Ronaldos esquece, só Lúcio e Juan tentaram, assim como Cicinho e Robinho, fazer algo, mas de um jeito esmaecido e às vezes meio covarde ( o carrinho que o Lúcio deu no moço que agora esqueço o nome). E o cara lá, parado, braços cruzados, língua pra fora naquele cacoete nojento, olhando o relógio, "Pois é, minha patroa tá me esperando pra janta"...
E agora o povo desgostoso comenta, a CBF tá sem dinheiro, e precisaram fretar o mesmo avião da seleção argentina. E que venham as eleições, Alckmin e Lula. Olha, a situação está preta, e o Bussunda morreu.
obs) quando eu tava mandando a filha da minha vizinha à merda ( leia o post abaixo) eu soltei um caralho. Ela, ah, mas tá vendo que tipo de amiga você tem, minha mãe, olha o vocabulário. Então, bater na mãe pode, falar palavrão não pode. E como diria a divina Leila, sem asteriscos please, meu, vão se fuder seus filhos da puta, porra, caralho, que merda!!!!!!

Climb Every Mountain

Antes que eu me esqueça, queria mandar um beijo muito grande pro meu amigo e companheiro de IFCH e Cebrap Alex, que me escreve no Meio do Caminho da enevoada e cinzenta Curitiba. O Alex é agora professor da Federal, poxa vida, é super legal ver um amigo, um colega ir pra frente na carreira acadêmica pelo seu próprio esforço e dedicação. Beijos, Alex, você é do time dos pandas...
Falando em time. Fim de semana frio, cinzento e triste. Bom, nem vale a pena comentar a atuação ( atuação? tô sendo generosa) da Seleção do Parreira contra a França, quer dizer, vale sim. Eu achei um absurdo a falta de dignidade dos caras, inclusive do técnico. Futebol Geraldo Alckmin: zero de resultado, zero de emoção, zero de qualquer coisa que preste. Bom, tive uma festinha de amigos queridos, hoje fui no shopping do passarinhão ( como diz Felipe meu sobrinho) com Yna, enfim, tudo bem dentro da medida do possível, frio e começando a torcer pra Portugal, chego em casa.
Eu tenho uma vizinha muito fofa, dona Lourdes. Sempre me socorre na hora em que eu preciso de um desentupidor de pia, essas coisas. Eu notava um ar de tristeza e desamparo na sua figura, sempre de moletom e tênis brancos, simples, contrastando com a filha, orgulhosa nas últimas roupas da moda e na beleza padrão atual, carro do ano e muita empáfia no elevador. Pois bem. Hoje eu chego no meu moquifo, no corredor dona Lourdes, chamando por mim, machucada e chorando. A filha bateu na mãe para extorquir dinheiro. Simples assim.
Cara, o sangue subiu na cabeça. Entrei com ela em sua casa, SUA casa, que abriga essa vagabunda desgraçada dos Infernos. Lá dentro, uma ex-sogra da nega, que tem 35 anos, advogada de porta de cadeia, divorciada duas vezes e vagabunda. A ex-sogra defendendo a tal, e eu falei, olha, bater na mãe é fogo, hein? Daqui a pouco a maldita vem, enrolada numa toalha ( tava tomando banho a coitadinha) me encher o saco. Enfim, que beleza não?
Moral da história, quebrei o pau,e agora tô pensando numa coisa. Existe uma resistência muito grande, na classe média brasileira, de viver. Sabe como? Meu, sai de casa, vai dar a cara à tapa, vai tentar ser feliz. Não culpe os outros pela sua infelicidade. A nega bateu na mãe pra roubar e me disse, ah, mas eu perdi meu pai, e agora sou uma coitada. E eu, eu perdi meu pai também, o prédio tá de saco cheio de você, sai fora. Vai à luta.
Essa resistência está estampada na infelicidade das famílias, na hipocrisia dos almoços de domingo. Por covardia, todos ficam no mesmo teto, alimentando ressentimentos, batendo uns nos outros, criando constrangimentos, enchendo o saco. Existe um termo bonito na Psicanálise, individuação. Pega e vai trabalhar, os filhos da classe média gostam do bem bom. A ex-sogra, mas ela vai pra onde? E eu, vai pruma quitinete. Eu fico louca da vida com quem se esconde, se esconde da vida, da luta, e desconta nos outros.
Tem uma cena piegas pra caramba, mas que eu adoro, na Noviça Rebelde. Isso mesmo, Noviça Rebelde, agora vão falar, ah, mas é Hollywood. E daí? É a cena que a Maria, vivida pela Julie Andrews, fala com a Abadessa, que canta magistralmente, em voz operística, Climb Every Mountain. Escale toda montanha, siga todo arco-íris, até você achar seu sonho. Um resumo do que é o processo de individuação. No caso, a pequena noviça estava com medo de encarar uma paixão, sair do convento e ir viver. E a Abadessa, não, aqui não é o seu lugar. Não dá pra fugir da vida: no início, é mais cômodo, é o caminho mais fácil. Mas a frustração tem um preço alto demais. Eu prefiro a pieguice, prefiro escalar cada montanha. Prefiro o caminho mais difícil.
obs) agora me dei conta. Quando Vitor Negrete chegou ao Everest, muita gente de classe média de Campinas falou, mas que irresponsabilidade, com filhos pequenos escalar o Everest. Isso é comentário de burguês ressentindo com a vida, que não foi nem pra Praia Grande. Que não entende o que é uma paixão, um ato de heroísmo, de desprendimento, de coragem. Um tentar passar dos próprios limites. É isso aí.

Friday, June 30, 2006

Saudades

Hoje chorei de saudades do meu pai.

Meu pai faleceu há quase dez anos. E todo ano, quando chega 29 de junho, que era seu aniversário, a dor é a mesma. Meu pai adorava fazer aniversário: todo ano, três meses antes, ele pedia bolo, festinha, presente, tudo o que ele tinha direito.
Meu pai era assim, alegre, alegre, chegava a ser bobo alegre, sabe como? Do tipo que perde o amigo mas não perde a piada, seu Pedrão era fogo na roupa. Adorava cantar, mas cantava tudo errado, quando não cantava só o refrão o dia inteiro. Adorava comer, mas muita coisa não podia por conta do colesterol alto. Roncava e deixava todo mundo desesperado, e de vez em quando esquentava a chapa e fechava o tempo. Responsável, sério, ranzinza, mas muito apegado à gente, amava a família demais. Fazia a linha sentimental eu sou.
A sua ida foi pra mim o fim de muitas coisas boas. Sei que a vida continuou. Mas sem ele, perdeu muito da graça.

Thursday, June 22, 2006

Boas novas, enfim!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Veio a mardita pinga, ou melhor dizendo, a renovation da FAPESP.
Meu, os gnomos da Batcaverna demoraram séculos, enrolaram, mas finalmente mostraram serviço. Os ajudantes do Papai Noel reconheceram que eu fui uma boa menina durante o ano que passou e me deram mais um ano de borseta.
Ah, e o edital da Federal, que eu queria prestar, abriu de novo, ou seja, neguinho não conseguiu pôr ninguém. Fiquei mais aliviada, pensei em prestar mas aí ontem a FAPESP deu sinal de vida.
Moral da história, saí da vala dos desesperados do Inferno. Receberei novamente as benesses da Fundação de Amparo ( que nome lindo, né?) e amparada, continuo o doutorado.
Boas novas, depois de uma Era das Catástrofes.
Agora a pequena panda comentadora de Dante tem outra missão. Eu preciso tentar ir pra Velha Bota. Fico ouvindo sem parar a musiquinha da Armata Brancaleone: AD AUROCASTRO, A LO CASTELO NOSTRO!!!!!!!! E como diria Dante, mas isso aqui tá um inferno!!!!!!!!!!!

Saturday, June 17, 2006

Olha

Olha, eu hoje descobri que uma amiga falava horrores de mim. Fonte segura. Coisa feia, horrorosa, baixo nível. A criatura que eu considerava meiga, legal, me ferrou a vida. Me conhecia bem, pegou nos pontos fracos, a insegurança financeira e amorosa.
Enfim, foi uma pancada. Estou melhorando da crise financeira, e espiritualmente tô melhor, Copa do Mundo, uma amiga querida veio de outro Estado. Fiz uma canja, um brigadeiro que ficaram muito bons, fiz a felicidade da filha querida de outra amiga. E lá se vai mais um dia, como dizem os mineiros no Clube de Esquina.

Tuesday, June 13, 2006

Panda na Copa

Como bem se diz por aí, lista é coisa de chato, mas rumo ao hexa tudo vale, desde se preocupar com a tabela, com uma prisão do Cafu ou sei lá com o que, e vamos nessa!
CINCO COISAS CHATAS DE COPA
1)Neguinho tocando corneta desde às cinco da manhã do dia anterior do jogo do Brasil;
2)Neguinho tocando corneta desde às cinco da manhã do dia anterior do jogo do Brasil e ainda por cima jogando rojão;
3)Galvão Bueno e seus comentários, Fátima Bernardes e seu cabelinho, ou seja, a cobertura sempre idiota da Globo;
4)O fato do país parar e se alienar de sua situação política, econômica, social, cultural e espiritual;
5)Neguinho pseudo-intelectual reclamando de que o país pára e isso é um absurdo porque o brasileiro se aliena de sua situação política, econômica, social, cultural e espiritual, e que tal fato não ocorre nos países dito civilizados ( tá bom, conta outra, hahahahaha).
CINCO COISAS LEGAIS DE COPA
1)Você comprar uma corneta e ficar tocando desde às cinco da manhã do dia anterior do jogo do Brasil;
2)Você pegar uma pedra e jogar em cima do neguinho da corneta e do rojão;
3)Assistir os jogos na opção "mudo"da TV ou anotar as besteiras do Galvão pra ter assunto na cerveja ou no seu blog;
4)Você reclamar que o país pára e blablabla, mas também parar, assistir , e tudo o mais;
5) Você reclamar, parar e continuar reclamando, tanto do Brasil, da Seleção, do Galvão, do Parreira, do Zagalo, mas continuar parando, assistindo e torcer pro Brasil e pra outras seleções, como o Togo ( coitados, perderam da Coréia ontem), comprando salgadinho Torcida, cervejinha, e rumo ao hexaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa...

Sunday, June 11, 2006

Minha cabeça tá virando fumaça

O título diz tudo. Hoje acordei brava, falando, como se estivesse numa discussão, do "estreitamento lingüístico" ocorrido na tradução, quando da escrita dos Evangelhos ( ????) da experiência histórica vivida em aramaico ( ??) porque a koyné ( o grego geral, usado na época da Roma imperial) tinha menos verbos (????) que o aramaico. Ou seja, tô virando figurante da Santa Ceia, um horror.
Em verdade vos digo, caros leitores, que o negócio ficou feio pro meu lado. Sei que muitos, em contatos telefônicos, via msn, etcs, etcs, procuraram me acalmar e me mostrar que a situação não é tão trágica. Concordo que há situações muito piores no mundo, blablabla, mas a minha angústia não é existencial. Eu me alegro com cada manhã que nasce, com a comida na panela e com café com leite. Meu problema é político. As instituições públicas de ensino superior nesse país foram e estão sendo sucateadas, precisamos defendê-las da invasão bárbara dos cursinhos da vida, mas meus caros, precisamos também reconhecer que tais instituições são umas verdadeiras casas da mãe joana. Agência de fomento então nem se fala. A experiência que estou tendo, todo mundo tem, mas isso não significa aceitar a baixaria como regra. Vivemos situações absurdas, dignas do Castelo do Kafka, e beleza?
Por isso procede a sugestão de Dani, num comentário à última postagem. Precisamos criar um grupo terrorista, o Panda Power. Os integrantes do Panda Power, vestidos de panda, invadirão FAPESP, CNPq, reitorias, DAC, bandeijões, e distribuirão pirulitos para todos. Falando sério, a situação do pesquisador, do professor, do aluno, e também dos funcionários ( tem muito funcionário que trabalha para 57 colegas não trabalharem) tá preta.

Friday, June 09, 2006

Mais uma e não, NÃO ESTOU BEM

Enfim, desculpem os leitores, mas não, eu não estou bem. Não adianta disfarçar. Estou passando a segunda pior fase da minha vida.
Pra completar o quadro de horrores, decidi essa semana prestar um concurso pra professor substituto numa Universidade Federal. Liguei no departamento pra me informar, porque no edital pediam Graduação em História, e eu sou formada em Ciências Sociais. A mulher com uma má vontade de comover pedras me disse que muito provavelmente minha inscrição seria indeferida.
Os boletos desse mês chegaram e eu não tenho dinheiro. É, eu tenho 0,00 reais na conta. Escrevi prum professor de lá sondando, e ele me deu apoio pra prestar. Já outra professora me desencorajou totalmente.
Liguei novamente e falei com o chefe do departamento. Ele me informou que eu poderia fazer a inscrição pelo correio e sem procuração. Argumentei que isso não estava no edital, o cara falou, não, imagina, faça como eu estou falando.
Mandei tudo por SEDEX e comecei a estudar que nem uma louca os pontos do concurso. Hoje liguei novamente e mais uma vez a secretária do departamento atendeu. Moral da história: o SEDEX não chegou, e mesmo se tivesse chegado ela, ELA, sim, a senhora absoluta no departamento, não aceitaria minha inscrição.
Moral da história: o concurso era pra algum fiho da puta de lá, e era pra eu perder a inscrição mesmo. Não, eu não estou bem. Não, eu não estou achando o mundo lindo.

Thursday, June 08, 2006

NOTÍCIA BOMBÁSTICA

Quinta, 8 de junho de 2006, 08h44
Homem vestido de panda interrompe treino da Holanda

"Um torcedor vestido de urso panda invadiu nesta quinta-feira o treino da Holanda para a Copa 2006 no Badenova Stadion, em Freiburg. O treinamento foi aberto ao público.
O homem vestido de urso panda - com uma camisa laranja - pulou as arquibancadas e conseguiu ainda brincar com uma bola antes de ser contido pelo pessoal da segurança.
A Federação Holandesa de Futebol (KNVB, em inglês) comprovou que a iniciativa de oferecer um treino aberto aos espectadores foi um sucesso, com 23.500 torcedores assistindo aos trabalhos.
"Não esperava tantos espectadores no treino. Além disso, todos estavam animados, e a prática foi muito agradável", assegurou o técnico Marco van Basten. Por sua vez, o goleiro Edwin van der Sar, capitão do time, também agradeceu o apoio recebido."
fonte: site do Portal Terra
Questões para debate: se o cidadão estava vestido de urso panda, como vestia ao mesmo tempo a camisa laranjinha da esquadra batava? Como um panda brinca com uma bola? E o nome do técnico e do goleiro, parece piada do Monty Phyton, todo mundo na Holanda é van der Qualquer coisa?
Mas uma coisa é certa: HOLANDESES E DESCENDENTES AMAM OS URSOS-PANDA! E rumo ao hexa!!!!!!!!!!!!