Os leitores antigos do Meio sabem que, devido ao frio intenso das margens do Michigan, eu tive dores de dente inacreditáveis, por conta da única obturação que possuo ( a maldita é muito perto da raiz). Então, tá tão frio nesse início de setembro que a dor de dente Al Capone me visitou.
Estranho fazer tanto frio em setembro, mas enfim. Correndo que nem uma louca, prepara aula daqui, email, telefonema, reunião, o escambau. Qualifico o doutorado finalmente nos idos de setembro, no meu aniversário.
E hoje foi dia da Independência. Quando eu era criança, era meu feriado favorito. Nasci às margens do Ipiranga literalmente, no hospital Leão XIII, quase no monumento. Meu pai me levava lá, e eu tinha uma boneca de pano que adorava, a Marquesa de Santos. Mas não lembro de um 7 de setembro tão frio, só lembro de um poema que recitei numa festa da escola, e começava com o verso do título.
A professora me abraçou porque consegui decorar tudo: "Santos, a cidade heróica dos Andradas/ O príncipe voltava feliz e satisfeito/ Com a luz da justiça a iluminar-lhe a alma/ e o fogo da justiça a queimar-lhe o peito/ Quando vê cartas ofensivas/ Vindas do antigo Portugal glorioso/ sua voz vibrou como um clarim/ gloriosamente forte/ e o vento acariciando as faces do colosso/ em breve repetiu, Independência ou Morte"... e hoje não cozinhei, não declamei poemas, só estabeleci hipóteses e sofri dor de dente gringa.

3 comments:
Engraçado, eu, que sempre gostei das coisas militares, nunca gostei do 7 de setembro. Por conta dos desfiles chatérrimos e também pelas atividades que minha escola empurrava goela abaixo durante essa semana... rs
Eu adorava Sete de Setembro porque era um prenúncio do meu aniversário ( esse ano não quero nem lembrar porque tô quase balzaca)...
Mas Chris, você precisa narrar pra gente esse amor por coisas militares, né?
E Tata, essas baladinhas deviam ser o canal, né? Beijo pros dois!
Mmmm também queria saber... eu tinha um livro enorme da segunda guerra. Fotos, texto e explicações em esquemas de algumas das principais batalhas. Eu decorava tudo e depois saia tagarelando táticas de batalha para os adultos que vinham em casa - que devem ter achado, com toda certeza, aquilo tudo muito estranho...
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