Aqui da minha janela vejo o relógio do Itaú. Relógio de neon, aparece Itaú, listas azuis, estrelas laranjas, a hora em dígitos brancos a orientar as noites desoladas de Campinas.
Agora escuto Led Zeppelin, "All my Love", e penso nos sentimentos por tantas, tantas, tantas, pessoas que passaram na minha vida, deixaram marcas na minha alma e iluminaram minhas cavernas interiores. Amigos, amores, pessoas vão e vem e que estão em vários lugares agora, nesse instante em que minhas unhas, compridas depois de tantos anos, batucam Caronte iluminado pelas estrelas do relógio do Itaú.
E tudo é muito simples e ao mesmo tempo complicadíssimo e hoje me espantei. Fiz as contas e me espantei, faço 29 anos. E tudo é o mesmo e tudo é tão diferente. A primeira vez que fui aos dentistas da Unicamp, eu era uma menina de 17 anos com quatro dentes de ciso obstrusos e vontade de vencer na vida. A segunda, era uma jovem combalida de 22 com guna, gengivas vermelhas e vontades desesperadas espatifadas num chão de ardósia. E hoje sou alguém de 29 anos com duas obturações, dores perfuradas no peito e nenhuma vontade sobre o sol.
E tudo fica lindo com Robert Plant me mandando todo, todo seu amor, como ele sempre fez desde 1979, e fará por toda eternidade, isso foi antes, antes, muito antes do dentista, do meu dente pré-molar quebrado em um terço e tudo isso acontece agora, porque o Jobs lançou o mini-Ipod shuffle, e claro que se eu estivesse às margens do Hudson eu iria correndo comprar, apesar de achar que o capítulo sobre o fetichismo da mercadoria no Capital é como os versos de Safo, belos, intocáveis e eternos como a bateria do Bonham, a guitarra do Page, e tudo isso na minha janela, como diria Caetano lá atrás.
E como seria entrar num velho templo e me apresentar aos deuses e dizer, vocês podem ser eternos, e eu eterna duro no instante que a vida passa, segundos e a vida passa, e o compasso me mostra que, sim, a vida é tudo isso e mais um pouco, é sempre mais um pouco, e nunca será o bastante para mim, para quem eu amo e até mesmo para quem eu desfaçatamente desgosto. E tudo isso, vocês me perdoem, mas vive dentro de mim e eu não posso disfarçar, agora não mais, agora e sempre, agora e ainda já.

1 comment:
Amore, você é minha eternidade em cada instante, que por ser eterno enquanto dure jamais deixa de existir...
Um beijão do dudu aqui pensando na entrevista que passou e em tudo que você representou para mim nesses últimos anos...sem você não haveria para mim, nem por um instante, um fundo profundo de esperança.
Te amo,
Celo
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