Se você ainda não viu esse filme, veja correndo... gente, tinham que usar o poder da ciência e clonar o Mastroianni. E de preferência mandar um clone aqui pra casa porque eu não ia reclamar.... mas enfim...
Hoje eu tive "una giornata particolare".... acordamos, e saímos de Campinas do Mato de Dentro de Jundiaí, rumo ao velho e combalido Piratininga. E vamos para a Pinatoteca, ops, Pinacoteca, ver amigos, e o Calder.
A exposição está lindíssima. Pequena e bela, como os móbiles-mini do tiozinho.Fiquei emocionada vendo o "Lufada de Neve"... o tema da exposição é a atuação do Calder no Brasil; pra quem não sabe, ele foi um grande amigo do crítico Mário Pedrosa, e veio ao nosso país três vezes... nas três ocasiões, trabalhou, expôs, fez e aconteceu. Pegou o MASP no seu início, a Lina e o Bardi a todo vapor... lindo, lindo. Uma grande ironia a exposição acontecer no velho e acadêmico Liceu de Artes e Ofícios, e não no Assis Chateaubriand. E uma grande ironia uma das mais belas obras do Calder ser do Instituto dos Arquitetos do Brasil, o prédio magistral do Rino Levi, que hoje está no osso, literalmente. O Brasil já foi melhor.
Depois, a mini-excursão rumou para o Acrópole, o restaurante grego do Bom Retiro que virou moda, depois que a Veja São Paulo botou estrela e tudo. O restaurante é um barato, com decoração pseudo-grega, gente saindo pelo ladrão e preços, digamos, nada módicos. Mas a comida é di-vi-na, comemos mussaká ( aquela "lasanha" de carne e berinjela, com purê em cima), um risoto de frutos do mar que está dentre as melhores coisas que eu já comi na vida ( vermelho, com camarões gigantes e polvo macio), e lula recheada. Depois disso tudo, ainda teve um doce folhado, com molho doce de laranja e cravo, e recheio de creme de semolina, recém-saído do forno.
Olha, o Acrópole vale cada centavo investido, vale até pelo dono, um velhinho biruta que tira os pratos correndo e é, digamos, um casca-grossa daqueles. Nada limpo nem organizado, o Acrópole chateou muito uma conhecida minha, nega metida a grã-fina, besta e chatérrima, que se escandalizou com a zona e com o fato do local supracitado não ter cardápio ( o preço é feito de acordo com a sua cara, eu acho). Eu, como adoro um moquifo ( acho que nunca fui tão feliz como em Nápoles, a cidade-moquifo por excelência, comendo pizza no meio da rua, daqueles fornos que os caras constróem fora de casa, pizza de massa grossa mas deliciosa, tomate, manjericão, queijo e uma cantada em dialeto do maluco que está naquela janela cheia de varal de roupa) me realizei no Acrópole.
Só não gostei muito da exposição do Oscar Pereira da Silva, pintor acadêmico, muito do chatonildo, que nem essa nega que não gostou do Acrópole. Pra mim e pro Paulo, o melhor do cara foi uma cópia que ele fez da Bunda do Amoêdo ( outro pintor acadêmico brasileiro, Rodolfo Amoedo em 1887 escandalizou o Rio de Janeiro, mandando de Paris, onde era bolsista do Imperador, seu quadro Estudo de Mulher, um nu fantástico; o centro da composição é a parte transversal da supracitada moça)...
Depois, café no sempre bagunçado e caro café da Pina, alguns pensamentos infelizes, e muita alegria de ver o delicado equilíbrio das formas.

1 comment:
Tata, tem um cirquinho a guache lá, muito bonito, que ele fez pro Pedrosa justamente.
Ué, você não topa ir lá comigo? Beijos!
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