Wednesday, November 30, 2011

Nervoso


Os últimos dias foram bem tensos. Tive uma crise de asma e pela primeira vez usei a mortal bombinha. Enfim, acredito que passou, apesar das seqüelas que ficaram. Tem coisas que me mobilizam muito, demais, e eu preciso aprender a desfocar, relaxar, relevar, mas é difícil.
No final, virei algo muito parecido com um mestre querido meu. Outro dia tive um sonho, que minha alma acordava no corpo dele, e esse sonho foi um dos mais bonitos que eu já tive. Eu senti a dor dele. Sentir a dor do outro é algo inesquecível.
Daí outro dia um amigo querido me disse coisas do invisível, e as coisas do invisível que ele me disse viraram realidade, no velho planalto do Piratininga natal. Tudo parece um sonho, daqueles virados do avesso, Alice no país das Maravilhas, mas dentro da loucura existe uma lógica. Agradeço aos meus mestres. Mas eu virei algo muito próxima do que eu deveria ser, e isso me assustou bastante.

Saturday, November 26, 2011

Volta

Porque eu preciso voltar a sorrir, flertar com o amigo do amigo, tomar sol na cabeça, almoçar com a minha mãe, repetir o manjar e ouvir um Santana na loja de 1,99 do centro dessa cidade.

http://www.youtube.com/watch?v=Od9FkRvvnrg

Tuesday, November 22, 2011

Giving the crazy

Esses dias eu tenho lembrado muito de um negócio que estudei há uns dez anos. Eu estudava os textos do filósofo alemão Theodor Wiesegrund Adorno numa obra coletiva, que este autor assinou com outros, quando do seu exílio ensolorado na Califórnia: The Authoritharian Personality. Pois é,meus caros amiguinhos,eu já contei aqui, em algum lugar, também anos atrás, que a pequena panda era muito destemida e lia páginas e páginas de Freud, Durkheim, Adorno, Fromm e gibi da Mônica, para compreender porque alguns indivíduos resolvem ir pro lado negro da Força. Depois eu cansei e resolvi ir direto na fonte, ler o Inferno do Dante mesmo, porque como todos sabemos o tiozão florentino já investigava os porquês de criaturas matarem, roubarem, não honrarem pai nem mãe, pecarem contra a castidade, além de encherem a paciência do próximo postando besteira no Facebook.

Parêntesis: a razão pela qual o Chefe do Universo, Ele mesmo, o Alfa, o Ômega, o fim e o começo, O que tudo vê, mandou aquele download pro Moisés no Sinai é que Ele em sua infinita sabedoria sabia que as pessoas fazem aquilo tudo o tempo todo. Fecha o parêntesis profético.

Voltando. Nego mata, nego mente a três por quatro, e eu mesma incorro nos pecados capitais com muita freqüência, destacando a preguiça e a gula; o Mal não é algo abstrato, é real e tem a ver com o descumprimento de noções básicas de sociabilidade. Se todo mundo fizer coisas erradas, tudo vai pro brejo, ok. Mas o Adorno estava preocupado com um fenômeno mais curioso: se neguinho tem consciência do que tá fazendo, quando postam besteira no Facebook, por exemplo, ou passam a mão na bunda da mulher do vizinho. O pior, descobriu o filósofo, é que nego dá de louco. Nego sabe que aquilo tá errado, mas vai e faz, dando de louco. Isso é de lascar. Dar de louco é muito comum, às vezes é a única saída pra uma situação familiar, profissional, amorosa, humana, enfim. Mas quando vira hábito, fala sério.

Friday, November 18, 2011

Nostalgia

Vi algumas cenas da festa da queda do Berlusconi. Aquela gente nariguda, berrando na Fontana em Roma, naquele frio da porra... começou a me dar uma dorzinha funda, e a vontade de torrar todo meu dinheiro em gelato, sutiãs, vinho, comida, entrada de museu.


Saudade dos trens atrasados, da umidade do demônio, das noites enevoadas, do café forte, do pinoli, do cheiro de cecina, das salas abarrotadas de Tizianos...


Saudade da sombra da torre, da sombra das ogivas nos sarcófagos gregos, saudade dos templos de Selinunte. Serei mais forte e dominarei essa nostalgia d'Italia. Fala sério, tenho que ser uma pessoa responsável e não parar em qualquer fonte, abraçada com Dionísio e falando na língua do vate, lascia perdere.

Thursday, November 17, 2011

Wednesday, November 16, 2011

Amor pra recomeçar



Depois de um feriado chuvoso, vontade nula de trabalhar. Tenho que ler Curtius, Bloch, Huizinga, Duby, Le Goff, Vasari, Dante e um monte de artigos. Minha burrice é muito grande e minha força de vontade é nula, que faço?

Eu tenho até vergonha de dizer, mas meu emocional me abala muito. De vez em quando, tenho o mau hábito de gostar de gente tosca, de gente que não tem vergonha na cara. Eu vou parar com as drogas, prometo a vocês.

Acima, a Barca de Dante, desenho atribuído a Fillipino Lippi.

Saturday, November 12, 2011

O Google, o sifão e o fim do drama

Hoje tive a brihante idéia de polir as minhas (poucas) peças de prata. Tenho dois colares que foram feitos por uma amiga, há dez anos atrás, quando ela começava a carreira de joalheira; um pingente de pinóquio, todo articulado, que comprei em Pisa; uma pulseira que tem uma bolsinha; e um par de brincos, que eu gosto muito, e que por isso eu nunca uso.


Dizia no rótulo do limpa-prata, que precisava passar o produto com algodão na peça, e depois lavá-la em água corrente. Fui lavar as peças no tanque, pensando, preciso tomar cuidado, porque senão alguma coisa cai no ralo. Da primeira leva, tomei todo o cuidado e nada caiu.


Obviamente que enchi a mão das outras coisas e, animada pelo próprio sucesso, fui pro tanque. Lava,lava, vira a mão... e, claro, um dos brincos cai no tanque.


Pensei em tanta perda que eu tive nos últimos anos, pensei que fosse inveja de alguém, tive tanta raiva de mim, pensei em sair de casa e ir morar com a minha mãe, pensei em ter que mandar fazer um brinco igual... pensei em pedir um arame e uma lanterna pro seu Cássio, o porteiro do meu prédio.


Desço descalça, descabelada e descrente. Seu Cássio estava num telefonema DR com sua digníssima, e demorou um pouco mas me forneceu um arame ( já com uma argola providencial na ponta), a lanterna e indicações de usar um arame pra refazer o laço, talvez.


Volto pra casa, pensando no dia que Pererê, o filhinho amado da minha amiga mais amada ainda, ganhou um elefantinho de plástico, que caiu num bueiro e que teve que ser socorrido de lá por um senhor arquiteto muito habilidoso... que a panda achou na rua, no desespero.


A lanterna se mostrou muito forte, o arame conseguiu puxar um monte de sujeira e empurrar o brinco pra longe do fundo do tanque. Agradeci e devolvi a lanterna e o arame pro seu Cássio, que continuava na DR.


Voltei pra casa. Sentei na poltrona do escritório. De raiva googlei brinco no ralo e no yahoo respostas veio: minha filha, desenrosque o sifão. Desenrosquei o sifão e peguei o brinco. Fim do drama.

Friday, November 11, 2011

O porquê

Hoje, entrevista de emprego. E me perguntaram, delicadamente: por que Dante?


Por que ele escreveu o melhor livro de todos os tempos, onde as pessoas estão onde merecem.
Por que ele enfrentou o medo, e foi quem ele era.
Por que ele foi um dos poucos a pensar o mal.
Por que há sete séculos o que ele fez deu emprego e ensejo pra muita gente, muito boa.

Porque eu sinto que só esse homem, que morreu em 1321, me entenderia, totalmente.


Acima, Dante. Auguste Préalt (1809-1879), 1853. Bronze, 95 x 23 cm. Paris: D'Orsay.

A quem dá tudo de si não se pode pedir mais

O título do post é o título de um livro português; uma professora de Literatura me falou desse título hoje de manhã e eu acho que eu nunca me vi tanto num título de livro.

Tuesday, November 08, 2011

Claro luar em noite de chuva

Pra mim, parece claro que tudo que eu te digo, não tem importância nenhuma. Isso me abala de um jeito difícil de descrever. Acho que o que eu mais queria era alguma compreensão da sua parte... algum apoio, mas nada vem. E eu agora estou num momento duro. E você ali, aplaudindo gente má, gente que o que mais fez foi nos separar, desde o início.

Não sei se suas atitudes são fruto de uma extrema burrice ou de um extremo cinismo, ou de uma burrice extremamente cínica. Sei lá. A conclusão é que dá no mesmo, a ordem dos fatores não altera o produto, e quando você se der conta do tamanho da roubada... eu já serei só um raio de luar, numa noite de chuva.

Saturday, November 05, 2011

Aceitação

Essa semana, tive depois de um longo período, paz de espírito. Vi o céu azul. Me senti feliz. Em paz. Em harmonia com as múltiplas vozes interiores...

Hoje, pus uma blusa que comprei no calçadão, lá pelos idos de 2007. Um dia, quase sem grana, num bacião das almas, achei essa blusa. É uma das minhas favoritas. Tem flores. Pensei: não tinha grana, mas eu era feliz. Me senti feliz, hoje, também: cada dia com o seu mal. E quando se pensa assim, se percebe que os males são sempre muito relativos, no tempo e no espaço.

Hoje, vou visitar o túmulo do meu pai.

Friday, November 04, 2011

Bastidores

Hoje eu andei pela rua meio mancando, porque ontem eu bati o quadril na cadeira do escritório. E eu mancava e pensava, meu coração é um tormento para mim e para os outros; eu tento pôr uma ordem racional no meu mundo, mas tem fases que fica difícil, não consigo e tudo vira um grande caos.

Mas eu continuava a andar e pensar, como diria Leminski é o melhor método, e eu pensava que, também, apesar do coração modelo "trem descarrilhado em alta velocidade rumo ao abismo", eu tentava pôr ordem nas coisas, e daí veio de novo a onda negra da humildade baseada no medo.

E a fisgada no quadril piorou (era uma ladeira), e eu pensei que todas as vezes que eu não respeitei o meu coração, daí que tudo foi pro brejo mesmo, e que eu tinha que, por princípio, respeitar os meus sentimentos, depois os dos outros. Tipo, como nos bastidores dos teatros, gritei merda e mandei pro inferno quem passa por mim como se eu nada fosse.