Hoje eu andei pela rua meio mancando, porque ontem eu bati o quadril na cadeira do escritório. E eu mancava e pensava, meu coração é um tormento para mim e para os outros; eu tento pôr uma ordem racional no meu mundo, mas tem fases que fica difícil, não consigo e tudo vira um grande caos.
Mas eu continuava a andar e pensar, como diria Leminski é o melhor método, e eu pensava que, também, apesar do coração modelo "trem descarrilhado em alta velocidade rumo ao abismo", eu tentava pôr ordem nas coisas, e daí veio de novo a onda negra da humildade baseada no medo.
E a fisgada no quadril piorou (era uma ladeira), e eu pensei que todas as vezes que eu não respeitei o meu coração, daí que tudo foi pro brejo mesmo, e que eu tinha que, por princípio, respeitar os meus sentimentos, depois os dos outros. Tipo, como nos bastidores dos teatros, gritei merda e mandei pro inferno quem passa por mim como se eu nada fosse.

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