Wednesday, October 27, 2010

Espelho

Então, você se olha no espelho. E o que vê? Uma moça já com alguns cabelos brancos. Os olhos tristes. Não, a roupa que eu visto não está na última moda. Não, eu não tenho dinheiro pra ir em lojas de grife. Até porque... bem... as roupas de grife não caberiam em mim.
Sim, eu sou mais pra redonda que pra reta. Tenho mais curvas que paralelas. Meu cabelo não é liso. Eu uso óculos. Sou descendente de libaneses, negros, índios, espanhóis, portugueses e um holandês perdido. Não sou uma top model. Não, eu não estou no padrão de beleza atual.
Sim, e eu sofro com isso, claro, como toda mulher. Eu tento me arrumar, dentro do que sou. Compro batom nas Lojas Americanas, e arrumo meu sempre desarrumado cabelo. Às vezes, dói não ser uma moça como as das capas das revistas. E dói não ter grana pra comprar as roupas da moda, como as camisetas de malha leve que estão 100 reais nas lojas mais simples. Eu não tenho tantos sapatos e bolsas assim.
Mas, no final, será que eu não consigo ser bonita? Será que toda mulher, no fundo, não tem um traço de beleza, algo que a faz ser única, o brilho dos olhos, a expressão do sorriso? Será que a doçura do meu caráter não vale nada, no final? Porque toda mulher quer ser bonita pra ser amada. Lembro que eu era pequenina, dois anos, e observava minha tia se maquiando. Minha tia é muito linda, e eu a adorava, e falei pra ela que ela estava tão bonita que meu tio "ia ficar muito apaixonado". Tão pequena e eu já sabia do cerne do problema: tantas vezes eu me arrumei, me maquiei, escovei meu cabelo, esperando o elogio do outro. Se o elogio do outro viesse, meu coração se aquecia; se não, eu morria um pouco por dentro, e, sim, algumas vezes me disseram que eu era feia, que eu não era atraente, e isso me quebrou inteira.
Hoje, no dia de hoje, eu pus uma camisa nova, uma corrente de ouro que foi da minha mãe, a calça velha de guerra, pra ir trabalhar. Olhei pra dentro dos meus olhos e falei, você é linda.

http://www.4shared.com/audio/rInSlpbY/Zeca_Baleiro_-_04_-_Salo_de_Be.htm

Tuesday, October 19, 2010

Aaaaaaaaa

Além de asma, dez graus de miopia, cabeça no mundo da lua, a pequena panda sofre de ansiedade. Isso desde muito pequena. Lembro de não dormir nas vésperas de viagens, de morder drops e de sempre me adiantar nos relacionamentos. Claro que isso não serve pra nada, junto com a culpa a ansiedade é dessas coisas do demo, mesmo.
Agora tô num esforço titânico de viver o momento. De não me antecipar. Fantasiar, eu ainda não consigo parar de fazer. Mas se minha vida tem ausências, aprendi que fugir do vazio não adianta nada. Então, é melhor abraçar o vazio, aceitar, entender.
Sinto falta de muitas pessoas. Mas também já vi que não adianta chorar pelo passado, ad infinitum. A vida taí. Algumas coisas que plantei ao longo desse ano já começam a frutificar, eu já vejo o resultado dos meus esforços. Tão difícil ser mulher, ser gente, mas também, tão gratificante.

Sunday, October 17, 2010

Lavou tá novo

Amanhã falo sobre o Palácio de Versalhes, pros meus fofos alunos arquitetos mirins.
E só pra não perder o hábito, escarafunchando na memória do Caronte, achei esse retrato do tio mais amado e idolatrado do Universo conhecido.
Só fiquei curiosa pra saber o que ele tá fazendo na propriedade de Luís XIV. Dá um artigo isso. Será uma galeria de grandes poetas?
Acima, Retrato de Dante, de Vincenzo Scamuccini (1773-1844), óleo sobre tela, 51 x 43 cm. Versalhes, Palácio.

Thursday, October 14, 2010

The business is black

Outro dia eu criei, conversando com a Carol no msn, uma camiseta: eu vou pôr uma foto do Mussum e embaixo, a frase que dá título a este post. Sim, meus caros, the business is black, totally black.
Faz tempo que eu não comento com os poucos e digníssimos leitores deste venerando blog as desventuras da pequena panda desmiolada no universo de seus interesses profissionais. Aconteceu o seguinte fenômeno paranormal com a panda: depois de terminada e defendida sua mui amada maledetta (vulgo tese), a habitante do Tibete resolveu exercitar seus talentos, tentando entrar pra vários circos, no número de equilibrar pratos nas varetas. Explico: atrás de emprego, prestei concursos, montei projetos, escrevi artigos. Que ótimo, pensarão os leitores; sim, que ótimo, penso eu, seria ótimo se não fosse cada um destes citados produtos sobre temas completamente diversos, que vão das relações da Comédia com as obras dos artistas pisanos do século XIII até o patrimônio arquitetônico campineiro.
Atrás de oportunidades de trabalho, escrevi um monte de emails, contactei pessoas, fui atrás de cursos de línguas, pintei e bordei. Mas, como bem escreveu Drummond, e agora, José? Tenho 5 projetos inacabados, não sei o que vou fazer da vida e dinheiro, que é bom, até agora.... e pior, tô num cansaço... e o foco, que também é bom, necas. Enfim, me ferrei. Não, e eu não aceito sugestões!

Tuesday, October 12, 2010

Apareceu nas águas


Uma pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição, de madeira, apareceu nas redes de pescadores no Paraíba, no século XVIII. Fato banal. Mas que tanta alegria traz aos brasileiros, todos os anos. Salve, Nossa Senhora Aparecida!

Tuesday, October 05, 2010

Fragmento

"Deve-se também aos italianos o tipo de casa dita de operário, que se difundiu pelos bairros proletários e médios, feitas pelos próprios moradores ou pelos mestres e pedreiro. Eram simples, geminadas, iguais, no alinhamento das ruas e divididas entre si por um parede fina. Obedeciam sempre ao mesmo esquema, que se repetia em casas de bairros médios, em maiores proporções, seguindo as posses do proprietário: entrada lateral, fila de cômodos dando para o corredor, até chegar à cozinha e abrir-se para um quintal. Definiram-nas como cubos ou caixotes com decoração aplicada ao gosto neoclássico.” Maria Cecília Naclério Homem, O prédio Martinelli: a ascensão do imigrante e a verticalização de São Paulo. São Paulo: Projeto, 1984, p.35
A casinha acima fazia par com outra, igual, aqui nas cercanias da toca da panda, na velha Campinas do Mato de Dentro de Jundiaí. Foi demolida, como todo "caixote com decoração aplicada ao gosto neoclássico" que se preze. A minha máquina fotográfica quebrou. Fim.

Monday, October 04, 2010

Onde

Por favor, me diga, onde você está.

Porque, se eu o encontrar, não serei mas eu. Mas o som dos seus passos, o eco do seu sorriso, o brilho do seu riso, o som do seu abraço, o calor do seu amor. Serei sua ausência, sentirei sua falta, e só na saudade sua as estrelas brilharão. Me diz, onde você está. Eu vou correndo te encontrar, só me diga onde te encontro. Em que esquina, em que dobrada, em que virada, em que cilada, será que você pegou o avião, foi pra tão longe, não volta mais! Sumiu, evaporou...e eu só tenho uma lembrança sua, uma lembrança Renoir, um almoço de domingo, um barco, sol. Hoje é noite, dor. Onde, onde, onde...

Sunday, October 03, 2010

Boitatá, Mula-sem-cabeça e Caipora

Num serviço de utilidade pública, a pequena panda resolveu alertar seus poucos, mas muito fiéis, leitores, de mentiras, mitos, lendas urbanas, figuras do folclore brasileiro, que aterrorizam os habitantes da Terra Brasilis e outros reinos da galáxia. Sim, meninos, eu vi: a destruição que essas mentiras causam na vida de muitas pessoas, incluindo na que assina estas mal ajambradas linhas.
1) "dinheiro não traz felicidade": essa é perigosa, pois se trata de uma meia-verdade. É claro que os bens materiais não determinam o bem-estar de ninguém ( senão, uma vaca holandesa seria a criatura mais feliz do planeta) mas ficar sem dinheiro nenhum porque o "capitalismo é selvagem" é coisa de quando temos 20 anos, somos jovens e intrépidos e... alguém paga as nossas contas. Dinheiro não é tudo mas é 100%, já dizia nosso ídolo Falcão.
2) "sexo não é tão importante assim num relacionamento": essa é a base de tanta infelicidade conjugal que não dá nem pra acreditar. Vou ser agora radical, mas é minha obrigação: sexo é fundamental, primordial, crucial, é tudo. Não caia nessa, nem com 70 anos. Ninguém merece. Hindus, judeus, romanos, vikings, cossacos, gregos e baianos escreveram sobre a importância do sexo na vida dos casais. Alguma razão esse povo todo tem, né?
3) "ah, mas no fundo aquela pessoa é legal": essa a panda caiu tantas vezes que já não é nem mais um buraco, mas um Grand Canyon. Não, aquela pessoa não é legal nem no fundo, nem na superfície, nem de ladinho! Se alguém da sua convivência já mostrou as garras, corte. Sério. Faça isso por mim e por todas as pessoas de bom coração. Sai pra lá, Exus!
4) "ah, mas eu nem queria tanto assim": não, você queria, e o pequeno Exu foi lá e te ferrou. Diga isso. Pra todo mundo. Quéisso! Eu cansei de ver gente de bem sendo passada pra trás. A gente precisa ter uma Liga da Justiça! Me avise quando alguém te ferrar, que eu bato! Kung Fu Panda!