Thursday, April 24, 2008

Meu mundo caiu....

Ontem o Celo me disse que a querida Elisa tava preocupada comigo. Disse que ela de vez em quando passa por aqui e tem a impressão do mundo estar caindo! Achei engraçado a expressão que ele usou, ou que ela usou, não sei... dá vontade de cantar a plenos pulmões, meu mundo caiuuuuuu....
Então. Sim, meu mundo caiu sim. Mas isso foi ótimo! Vou tentar explicar. Eu estou diferente, só isso. Tive a comprovação ontem, fui na Unipunk, compromissos e tal. Rever o lugar, as pessoas, mas me sinto tão diferente... teve um hora, durante o dia, que temi voltar pro mais do mesmo. Mas depois, conforme as horas foram passando, percebi que isso não vai acontecer, não acontece mais, simples assim. Estou diferente. Um certo mundo caiu, mas outro começou no lugar, não se preocupem, fofuras da minha vida! A panda está trampando mais do que nunca, lutando demais e conseguindo coisas legais pra ela. Apertos a gente passa, mas é o normal, o esperado.
Senti ontem, em pessoas, a tensão de "o que essa nega vai fazer agora da vida". Quatro anos no tiozão narigudo e no tiozinho barrilzinho deixaram as pessoas traumatizadas, com medo que a panda virasse uma figura alegórica num afresco de Giotto, ou uma coisa que o valha. Mas não, pessoas, eu sobrevivi, e aquela Paula de antes inventou um lugarzinho pra si própria, sem tanta tensão, sem tanto sofrimento, e melhor, sem algumas almas danadas que me atazanavam a vida! Eu acho que tenho motivos pra comemorar, pra poder ver que realizei algo, pequeno, modesto, mas como disse uma amiga ontem, sério, e que me faz muito feliz.
Foi muito bom essa parada, essa saída do meu novo lugarzinho, e ver que andei até chegar a ele. Tudo nessa vida custa, e às vezes as coisas custam muito. Estava cansada, exausta mesmo de tanto trabalhar,e ontem percebi com clareza que apesar disso, estou muito bem. E que estou mais e mais animada com minhas coisas e meu lugar... estou feliz.

Wednesday, April 16, 2008

Anunciação


Fiquei muito triste nos últimos dias, faleceu o querido professor Luiz Carlos Dantas, do departamento de Teoria Literária. O prof. Dantas foi alguém super importante na minha trajetória, devo muito a ele, e aqui expresso meu pesar e minha homenagem singela.
Mas talvez a melhor maneira de se homenagear um mestre querido que se foi é continuar na luta, na labuta, no plantio e colheita. Hoje acordei mal, mas depois consegui me empolgar com um dos projétios Tabajara e acho que vai rolar. O anjo veio e anunciou, e eu respondo, faça em mim a vontade do Senhor!


E segundo Alceu, a gente escuta os sinais, daquele que vem. Eis, que depois da consumação, a névoa.

Anunciação, atribuída ao jovem Leonardo ou à oficina de Verrocchio, circa 1474.

Saturday, April 12, 2008

Eu vejo flores em você...

Acabei de ver um email da Nenem com a linda notícia de que nasceu ontem, dia 11, Isabela, filha da Ziza e do Mi. Isso porque há dez minutos atrás, chegando na casa do Celo com o próprio, no meu carro, eu gritei desesperada, cadê meu carro! Roubaram! Vejam como está a cabeça da panda!
Mas agora tudo está divino maravilhoso. Parabéns ao Mi, à Ziza, à Nenem, ao Clis e a nós todos, por termos mais uma companheirinha de nachadas e baladinhas. Que a Isabela seja muito feliz, tenha saúde, amor, paz e tudo de bom que a vida oferece, inclusive tias panda!
Voltando ao momento panda stress. Assim como os panda, que são alugados pelo governo chinês para zoológicos de todo o mundo, e de vez em quando precisam morder negos bêbados que entram em suas jaulas ou posar para fotos com a rainha da Espanha, a panda nunca trabalhou tanto na vida. Sério, gente. Agora, nesse momento, eu preciso fazer uma tradução do inglês de um livro de 300 páginas ( pra pagar as conta! O pogréçio vem do tabáio, já dizia Adoniran), estudar pra um concurso de História da Arte brasileira ( no qual minhas chances de aprovação são nulas,ou melhor, inexistentes, mas mesmo assim não vou relaxar e dar vexame, chamando Franz Post de Genival Lacerda), preparar aulas sobre Dante ( sim, caríssimos, chamaram a panda de volta às paragens infernais, aos monstrinhos da Antigüidade e ao tiozão narigudo) e mais cúrsios e projétios Organização Capivara de História da Arte, para diversos meios e fins. Trambiques, tramóias, picaretagens e eventuais surtos à parte, eu acho que nunca estudei tanto na vida.
Talvez no vestibular... onde peguei firme, mas minha vida escolar sempre foi marcada por marretagens de toda a espécie ( as piores delas foram minha tese de doutorado, e um mapa-múndi em quebra-cabeça que fiz na sétima série... acho que a tese foi pior!)... resolvi me tornar uma pessoa séria, ir no Kalunga, comprar cadernos e pastas, arrumar estojos com canetas funcionando, apontar meus lápis... e verás que uma filha sua não foge à luta! Nem teme, quem te adora, a própria morte! Nesse processo de "seriedificação", viciei-me em post-its! Alguém aí é viciado em post-it? Agora inventaram um grandão com pauta, nove pilas, que está na minha wish list, junto com uma passagem para Katmandu e um rolex de Ouro ( mais fácil eu conseguir, em sorteios do feijão Broto legal, os dois primeiros itens, que o post-it com pauta)...
Pois bem, caríssimos. Já podeis da Pátria os filhos, ver contente a mãe gentil.

Sunday, April 06, 2008

De amor e de sombras

Já faz um tempo que o Meio não comenta assuntos das trevas infernais, digamos que a panda entrou num purgatório emocional faz tempo, o que muito me conforta. Mas o caso da menina Isabella Nardoni me deixou com os cabelos em pé, vocês me desculpem mas eu preciso comentar algo.
Não é só no Brasil que casos extremos de violência contra crianças, idosos, mulheres e homens, plantas e animais, ocorrem com uma regularidade e insistência que exaurem a gente, até os ossos. E a cobertura da mídia, sempre aquele circo, além de todo lixo veiculado na internet ( tem quem faça comunidades no Orkut comemorando a morte brutal da garotinha, tem quem brinque e ache legal, e no fundo pense em fazer o mesmo qualquer hora dessas). Tudo tão grotesco, que se repete, sempre se repete, ad nauseaum. Eu sempre penso que a violência e a pornografia, nos dias que correm, são os dois lados da mesma velha e gasta moeda: na pornografia, os casais/trios/equipes sempre transam do mesmo jeito, o mesmo roteiro, a mesma cópula repetida ao infinito ( com requintes da perversão, pro povo comprar pelo fetiche novo ou aberração diferente), e no caso da violência, sempre uma escalada rumo ao terror, ao horror, à brutalidade pura e simples. Tudo virtual, daí pra passar pro real é tão fácil, tem tanta gente no mundo, pode-se matar e jogar pela janela, que está tudo beleza.
Fazendo isso no Brasil, então, ótimo, esse país com essa tradição da violência gratuita, da impunidade, de gente que arrota burrice e acha isso o máximo... penso em todas as vítimas inocentes desse sistema que reinventa, sempre, o significado da palavra perversidade.
Será que Eros vencerá Tânatos, ao menos no íntimo de alguém, nos dias que correm? E no caso Isabella, a montagem de uma cena do crime tão incoerente... uma das características do mal é a arrogância. Sempre que tem arrogância, tem coisa podre, morta, perversa, narcísica grotesca. Podem reparar: quem mata, abusa, corta árvore, mata bicho, é arrogante. Pensa que é imbatível. No nosso caso, voltando, a impunidade reforça a perversidade de muito neguinho desocupado. Nesse vale de lágrimas, só a compaixão, como diria Rousseau, nos salva. Só o ato desprovido de egoísmo: e não, não existe nenhuma razão fora do mundo para que as pessoas ajam corretamente ( não existe mais Deus, nem metafísica, nem nada): essa razão surge do diálogo e do conforto de se saber gente. Do dia-a-dia, do cuidado de si e dos outros, da pitié, essa palavra tão bonita que o Rousseau usa pra dizer da luz delicada de outono, que existe quando o bem surge entre os homens, quando a justiça é feita e quando o mal não é reparado, mas não é esquecido. Ontem saí de casa, e senti o cheiro do inverno, de vida, de piedade e de luto.