Tuesday, December 30, 2008

Caro amico, ti scrivo, cosi mi distrago un'po



A tempo de lhes desejar um Feliz Ano Novo, a panda se apresenta na blogosfera. Espero que todos tenham passado um excelente Natal, e agora é só no sapatinho até o carnaval, né mesmo?


Eu estou há tempos para postar um pequeno presente para os meus leitores... aqui vai, uma canção do Lucio Dalla, L'ano che verrà. Dá pra entender o italiano, e é bom pra treinar o nobre idioma do outro tiozão master ultra narigudo. Então, eu, o Lucio Dalla e o Dante desejamos a todos, no ano que virá, tudo de bom que podemos ter na vida!http://www.4shared.com/file/78269463/1f0a80ca/06_LAnno_Che_Verr.html
Ao lado, cenotáfio do tio na igreja de Santa Croce, Florença. Muito turista vai lá e fica triste, pensando que é o túmulo dele, mas não é não, é só pra turista ficar triste mesmo!

Wednesday, December 17, 2008

Sei lá tipo assim

Seguindo a sugestão do amigo do folclore brasileiro Pererê, que sempre me lê... resolvi me animar.
Hoje tive uns dissabores, e pior, tive dissabores com uma dor horrível na coluna, não sei que mau jeito dei, no domingo acordei bem e créccccccc... acho que uma vértebra foi pra um lugar onde não devia. Estou rifando minha coluna, se alguém quiser... e também tô rifando concurso público, isso é muito chato. Demais. Pra me inscrever, eu tive que levar uma mochila de alpinista com oito cópias de um trem chamado memorial, e depois agora tenho que estudar um mundo de coisas, minha sala e escritório tomados de livros, a cabeça tensa e a competição toda. Muito chato dor na coluna e concurso público.
Mas eu preciso me animar com alguma coisa, senão se mata. Vida de panda não é fácil, todo mundo te acha fofinho mas é difícil achar a tonelada de bambu que te alimenta e convencer o governo chinês a te deixar passear por aí. Enfim. Mas voltando à animação. Consegui encaixar o tiozão narigudo em todos os pontos do concurso, não me perguntem como, mas o tiozão vai comigo pra mais uma roubada, pelo menos tenho companhia ilustre pra esse mês de estudo e nervoso. Em meio a Jingle Bells e tudo, também consegui terminar as bancas da Pucc e minhas aulas, e até estudar um pouquito de gramática francesa, no meu livro de lições de casa sempre atrasadas.
E outra coisa me deixou animadeeenha. Outra noite dessas, estava na nau dos desesperados, vulgo Internet, quando me deparei com uma cançoneta disco, de uma dupla de cantoras americanas chamada Slick. Tal dupla lançou, em 79, um compacto com essa música, Sexy Cream, que foi censurada no Reino Unido. A música foi considerada obscena, porque as moças languidamente pedem um tal creme sexy, coisa e tal. Enfim, rodei pra achar, mas o pessoal da comunidade da rádio Antena Um sempre salva pandas que gostam de musiquinhas velhotas:
Pelo menos se alguém quiser ferver na pistinha, nesse pré-Natal, taí uma sugestão. Com dor na coluna e concursos pra prestar, estou também rifando ferver na pistinha. A animação da panda vai até um certo ponto.

Sunday, December 14, 2008

Resposta ao tempo

E como na música do Aldir Blanc, pela voz da Nana Caymmi, eu bebo um pouquinho pra ter o argumento, quando o tempo vem cobrar as dores, arrependimentos, besteiras que a gente faz.

Claro que tem coisas que a gente gostaria de apagar da biografia, mas o pior é, como sempre, o que a gente deixou de fazer, por distração, covardia, tosquice ou sei lá mil coisas. E se eu não tivesse surtado, e se na hora tivesse pintado uma paciência maior, uma consciência maior, uma visão maior, e se eu tivesse me esforçado um pouco mais, se não tivesse fugido da verdade; e se eu... tivesse sido eu. E não outra, e não aquela que você viu.

Hoje, conversando com gente muito querida, sobre coisas passadas, me veio aquela dor do lado, do "e se eu"... bobagem de gente velha. Eu tenho tanta saudade, daquele tempo, é, daquele tempo mesmo. Ontem, de madrugada, ouvindo tangos, pensei em tanta gente. É, gente, sábado à noite e eu com uma cerveja, uma só, ouvindo tangos.

Saturday, December 13, 2008

Como uma virgem





E a nega veio e vai quebrar o Maracanã. Pois é, gente, ela, a louca, a maluca, a absoluta Nossa Senhora do Pop, i'm a fucking catholic bitch and you know, you like it. O que toda mulher é, vai ser, será, e se não foi não sabe o que tá perdendo.




E eu tinha apenas nove anos quando ganhei uma fita K-7 dessa pirada, vestida de toureiro e lascando no Everybody. Eu ficava dançando o dia todo, ela sempre teve o dom de me fazer dançar, cantar e me olhar no espelho com a cara toda vermelha, descabelada, e me sentir ótima. Lembro do que foi Like a prayer, eu, menina católica de Jundiaí, ver a minha ídola fazer aquilo foi demais. Na época, a gente achava legal ser louca, strike a pose, i´m a material girl.




Fiquei uns anos meio ressabiada com essa criatura, porque como todo doido, andou fazendo coisa chata, sem graça, como casar com aquele Guy Ritchie e achar que era uma nobre inglesa. Mas de novo ela me pegou pelo pé com Hung Up, e outro dia, estava em Piracicaba depois de uma palestra, e fui beber, mesa cheia de marmanjo, puseram o vídeo da outra turnê dela, e todos, o bar inteiro, parou pra assistir ela se crucificar, ela rebolar, ela lamber o microfone, e o corpo flexível, impávido colosso.


Acima, o meu vídeo favorito, o Like a Virgin, onde se vê, nitidamente, uma incorporação da Pomba Gira em Madonna, em plena Veneza. Esse clipe é um dos meus favoritos da História inteira, porque toda mulher quer que a Pomba Gira baixe em Veneza. Notem para a hora que a nega se acende e acima, um bando de carcamanos abismados com a sacrílega e deliciosa italian mid westearn girl. A tradição clássica é isso aí: a Madonna rebolando numa gôndola e cantando algo que, de novo, toda mulher sente por um cara especial: que a gente é, de novo, uma tímida moçoila casta e pura, pronta pra botar pra quebrar.






Sunday, December 07, 2008

Mais uma estrela


Botando banca

E eu essa semana encarei, intrépida, a argüição de 14 trabalhos de graduação, dos meus ex-alunos da Pucc. Sim, meus caros e raros leitores, 14, uma maratona de duas noites...

Estreei nessa coisa de ser banca. Eu já tinha lascado pareceres por aí, mas banca essa é a primeira. Foi muito bom ver os meninos se formando, alunos que detestavam minha aula de Estética citando Platão, enfim, e mesmo os trabalhos com os quais a gente não se identifica tanto, sempre rola uma sugestão, uma conversa, um desacordo legal. Os meninos estão expostos no Palácio dos Azulejos, vulgo Museu da Imagem e do Som, então se alguém quiser ver...
Me disseram que nas primeiras vezes a gente é meio feroz, por insegurança e pra mostrar serviço, e depois me falaram que a pessoa mostra a sua verdadeira personalidade sendo banca. O engraçado é que se a primeira assertiva não foi verdade comigo, a segunda não poderia ser mais verdadeira. A primeira banca aconteceu no dia em que fiz um ano de doutoramento; comecei minha primeira fala agradecendo o convite e lembrando disso, e fiquei muito, muito tímida. Sempre soube que era uma pessoa introvertida, mas acho que cultivei a ilusão de que não fosse tanto. Engraçado que em aula eu consigo não olhar pra ninguém e passar conteúdo, eu como professora sou meio conteudista, fico correndo atrás do programa pra cumprir minhas obrigações.
Boizé, eu sou tímida e, acredito, fui discreta nas minhas colocações. Nunca mais vou dar ouvidos a quem fala que eu sou, como direi, um tanto quanto grossa.

Tuesday, December 02, 2008

Advento

Quatro domingos antes do Natal, começa o Advento, a preparação para a grande festa cristã. Já estamos em pleno Advento; é hora do povo pôr luzinha, guirlanda, Papai Noel alpinista e tudo o mais, hora do comércio fechar mais tarde, eu jurar que não vou fazer nada no Natal pra depois me arrepender e como todo mundo enfrentar fila de supermercado, shopping e o escambau e ainda suspirar de melancolia quando dia 26 chega e com ele meio peru roído e nozes pela casa.
Sumi do blog porque estava triste. Enfim, eu tava triste, essas coisas acontecem, vocês não reparem. Lembrei muito do amigo virtual Pererê dizendo da minha dificuldade em aceitar a felicidade, a alegria, o prazer. È vero, amigo do folclore brasileiro, se você ainda estiver do outro lado, você tem total razão. Demoro muito pra admitir que certas situações, pessoas, coisas, me são totalmente intoleráveis, demoro muito pra admitir o que eu quero de verdade e nisso tudo demoro muito às vezes em infelicidades que são dispensáveis. Como diz outro grande amigo meu, igualmente folclórico, mister Vitão, eu sou mirim.
Mas isso não ocorre por incapacidade total; o que incomoda incomoda até os santos e anjos do céu. Tem um verso bonito do Rimbaud que poderia servir de legenda pra mim: "Par délicatesse/ J'ai perdu ma vie". Tantas vezes não admito que não gosto do que vejo, ouço e presencio para dar chance aos outros viverem, falarem, sentirem, quantas vezes me vem na beira da cabeça que aquilo não é pra mim, mas como recusar, como causar embaraço, sofrimento ou mesmo um leve contratempo aos outros, eu sou uma pessoa que pensa nos outros, eu dou meu lugar na fila, no ônibus, por pura delicadeza, distração de mim mesma e por achar que a vez é a vez dos outros, a minha vem depois.
Eu hoje por exemplo vivi uma situação assim, totalmente incômoda, mas não disse nada, só pedi água e um pão de queijo, a água desceu raspando na garganta e eu quase não engoli, me senti meio desolada mas mesmo assim me manti firme, dizendo pra mim mesma, mas você é muito besta, porque você não aceita isso de boa e tal, me sentindo meio culpada por não gostar. Enfim. Fui almoçar e de repente encontrei um professor muito querido, que estava de saída, indo levar um grupo de outros professores, de outras áreas, desde Biologia, todas as Engenharias e tal, para conhecer o centro de Campinas.
Ora, direi, ouvir estrelas, como dizia Bilac, o que tem pra ver no centro de Campinas, os mais céticos estarão se indagando. Fomos ao Solar dos Azulejos, no Museu da Imagem e do Som, já rolou milhões de coisas legais, risadas, e depois fomos à linda Catedral de Nossa Senhora da Conceição. Lá, nos esperava o cônego, o responsável pela igreja oferecer três missas diárias, banheiro, abrigo, apoio psicológico ou mesmo um banco com sombra pra milhares de pessoas por mês, e o arquiteto responsável pela restauração do prédio, intrépido no subir e descer escadas, limpar retábulos, salvar cabeças de apóstolos e quetais e pela primeira vez eu pude subir até a torre, os sinos, os anjos tão queridos lá debaixo, a 13 de Maio inteira, o cedro, sentei no órgão, entrei debaixo do altar...
A Catedral de Campinas, pra quem não sabe, demorou mais de um século pra ficar pronta, obra da determinação da cidade em ter uma igreja bonita e durável. Então, durante décadas, os campineiros amassaram o que vinha do chão vermelho, socaram em formas de madeira de um metro de lado, e com pilões de seis, sete quilos, encaixaram a lama para subir as paredes, paredes que estão lá até hoje, cheirando à terra fresca. Depois, dois artistas de talento esculpiram cedro, encaixaram os ornamentos, e por último um grande arquiteto remodelou a fachada, dando-lhe uma imponência que vem antes da simplicidade que da escala.
E foi tudo tão bonito, tão emocionante, e o cônego me lembrou que o Advento é o início do ano litúrgico, o calendário das festas, todo mundo esperando o menino nascer. Fiquei pensando em tanta coisa, no fato dos bravos campineiros do passado que socavam terra no pilão pra construir uma casa que lembrasse a jovem judia, de mil e oitocentos anos antes... peguei chuva e fiquei tão feliz, tão leve, e cheia de esperança, e cheia de palavras de novo, mais uma vez renovada e mais uma vez um pouquinho mais perto de mim mesma.