Ontem fui pra Assisi. Sim, doida pra ver o Giotto, peguei il treno basico pra Firenze Santa Maria Novella, pra depois pegar outro pra Foligno, que para justamente em Assisi. No trem, em Empoli, entram varios africanos, que lotam o vagao e sentam do meu lado, espremendo eu e um italiano com uma cara de antipatico. E ai começa meu drama.
Eu desde criança tive crises de sinusite. Quando ia pra praia, piscina, quando esfriava em Jundiai, onde eu morava. De vez em quando rola, e é um Deus nos acuda, porque como ja tomei muito antibiotico pra isso, nem trezentas Bezetazil resolvem. Tem que comprar muito lenço de papel, tomar muita agua, no maximo uma aspirina, e sentar e esperar. Mas no meio da Toscana, o negocio começa a doer, doer, e o diluvio apareceu.
Gente, passei muito mal nos dois trens. Porque detalhe, cheguei em Firenze e precisei correr pra nao perder o outro, a viagem, o Giotto, tudo. Corro de um binario pra outro, graças aos britanicos atrasos dos trens de Pisa pra Firenze ( todos que eu peguei atrasaram religiosamente) o trem pra Umbria estava indo embora, sem tempo de ir a um banheiro, a uma farmacia, a uma igreja pra rezar. Sento no trem. Na estaçao Firenze Campo di Marte, sobem varios professores italianos de escola media catolica, que estavam indo pra alguma reuniao em Assis. Uma delas, uma senhora mal educadissima, me espreme na cadeira e sem olhar pra minha cara, começa a falar todo tipo de besteira: fofocas da escola, intrigas, maldades, uma enciclopedia. Eu passando mal, fico pior. Levanto e vago pelo trem, observando a paisagem que começa a se elevar em morros, rios, lagos, belissimos. Estou na Umbria, sim, e estou com sinusite. Felicidade com dor de cabeça, ja ouviram falar?
Chego em Assis. Tomo um cafe, como uma focaccia bonita, gostosa, na estaçao, e me sinto melhor. Ja sabendo e tendo a experiencia de Siena, compro o bilhete de onibus e pego a unica linha de Assis rumo a Basilica de Sao Francisco. Bom, nem precisa falar, Assis é linda, linda, preciosa, como uma pérola: simples, elegante, comedida. Uma doçura. A Basilica é tudo e mais um pouco, o Giotto é algo celestial, enfim, felicidade pura, simples, completa.
Na volta, tiro fotos da paisagem, da cidade, das outras igrejinhas, compro medalhinhas e terços, lembrancinhas da peregrinaçao, e encontro um rapaz mineiro, com quem volto pra Firenze conversando e com a cabeça doendo. Ainda tive forças pra em Pisa ir numa Osteria comemorar, comer bem, tomar vinho, fazer tudo como manda o figurino. E fiquei pensando, ainda bem, ainda bem que mesmo com sinusite, eu peguei aquele trem pra Umbria.

2 comments:
minha flor,
a sua braveza e seu mau humor sao um doce!
vc tem razao Assisi e celestial!
Quem seriamos se nao fosse o Giotto?
beijo bem grande pra vc
Oi Filó! Estou com saudades sabia? Fico imaginando como este deve ser um momento especial para você! Adoro ler o que vc escreve.
Ontem fui caminhar na lagoa e me lembrei daquele nosso dia no qual tentávamos caminhar e papear ao mesmo tempo. Lembra: Quase morremos!
Bj
Lála
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