Bom, os dias na Toscana tem sido azuis e dourados, muito lavoro nelle biblioteche, etcs e etcs. Florença é linda, mas muito fresca. Voce chega na cidade, sai da estaçao que da de cara em Santa Maria Novella, a igreja do Trecento construida pela Ordem Dominicana, e cai nas butiques das grifes de luxo: Armani, Dolce e Gabanna, Versace et caverna. Uma loja imensa da Victor Hugo, etcs e etcs. E ai voce se depara com uma das manias nacionais italianas: o prestigio das marcas consagradas.
Porque no inicio, tudo era artesanal, o Valentino fazia um vestido a cada cinco anos pra Jacqueline Kennedy. Depois dos anos Berlusconi, a Italia se desindustrializou: voce vai no supermercado e ate o iogurte é alemao. Mas ao mesmo tempo, esse pais que era pobre ate ontem virou a patria da frescura da marca.
E ai, é aquela coisa nouveau riche: eles usam marca até o pé. Tudo carissimo, tudo cheio de strass, peles, estampa de oncinha, cores berrantes, laque no cabelo e muita, muita, muita maquiagem. Saias irregulares com botas de cavalaria, usadas com casacos de pele e muita, muita, muita, muita joia ou bijuteria, ai entra no bolso de cada um. A antiga elegancia italiana? Ainda se ve nos velhinhos e num moço ou moça ou outro, de tweed, cashmira e um jeito simples.
Bom, aqui em Pisa eu fiz um amigo. Dei sorte, no dia que cheguei em Madri e precisava voar ate Milao, conheci o Giovanni, que faz Direito aqui em Pisa. Ele me rebocou de trem ate a Toscana e agora a gente se encontra quase todo dia. O Giovanni estuda num predio na frente da Normale, que é onde eu fico de manha. Bom, toda vez que eu encontro o Giovanni, que é calabres e tem uma namorada brasileira ( de Belem do Para), ele ta com seu tenis Puma dourado gritando no celular. Outra mania italica: o telefonino. Todo mundo, ate o mendigo na rua, tem um. E a coisa se passa da seguinte forma: o Giovanni, que tem cara mesmo de calabres ( ou seja, de arabe) grita, grita, grita no celular, desliga, olha pra mim e começa, mas voce precisa comprar um celular, mas é um absurdo, como eu vou falar com voce? Voce some ( detalhe, a gente se ve quase todo dia) e eu tenho que fazer o que, sinal de fumaça? Ta ficando maluca? Vou te falar uma coisa ( ai esquece, quando a italianada te diz, vou te dizer uma coisa, esquece, eles começam e nao param nunca mais), essa sua mania de ficar sem telefone, e bla, bla, bla, bla...
Depois, o Giovanni te introduz na outra mania italiana: reclamar. Ele começa a reclamar de voce, do tempo, de Pisa, da Normale, da Universidade, do papa, da selecao italiana, da politica italiana, mundial e brasileira, e ta, ta, ta, ta, ta, ta... Ou seja. Uma comedia. Eu dou risada ( porque alem de tudo eles ainda nao se unificaram, tem sotaque dos mais diferentes jeitos na Bota) e so fico escutando.
Os italianos sao assim: ou eles nem olham na sua cara e sao os mais grossos do mundo, ou eles te adoram e ai, sinceramente, eu acho pior. Porque eles querem falar, falar, falar, falar... ontem o Giovanni me deixou quase maluca, porque alem de reclamar de tudo ele ainda desceu a lenha no meu casaco (!!!!!). So falei assim, Giovanni, essa semana a gente enche a cara, ele riu e falou, seu italiano ta otimo.

2 comments:
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Cool, isn't it?
bacio,
Celo
Florzinha de Pisa:
O casaco pode ser Armani, mas as chinelas são Havaianas...he, he, he. Volta logo, flor. Eu quero ver as suas fotos. Tô com saudade!!!!
Beijocas
Raquel
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