Sunday, July 02, 2006

Climb Every Mountain

Antes que eu me esqueça, queria mandar um beijo muito grande pro meu amigo e companheiro de IFCH e Cebrap Alex, que me escreve no Meio do Caminho da enevoada e cinzenta Curitiba. O Alex é agora professor da Federal, poxa vida, é super legal ver um amigo, um colega ir pra frente na carreira acadêmica pelo seu próprio esforço e dedicação. Beijos, Alex, você é do time dos pandas...
Falando em time. Fim de semana frio, cinzento e triste. Bom, nem vale a pena comentar a atuação ( atuação? tô sendo generosa) da Seleção do Parreira contra a França, quer dizer, vale sim. Eu achei um absurdo a falta de dignidade dos caras, inclusive do técnico. Futebol Geraldo Alckmin: zero de resultado, zero de emoção, zero de qualquer coisa que preste. Bom, tive uma festinha de amigos queridos, hoje fui no shopping do passarinhão ( como diz Felipe meu sobrinho) com Yna, enfim, tudo bem dentro da medida do possível, frio e começando a torcer pra Portugal, chego em casa.
Eu tenho uma vizinha muito fofa, dona Lourdes. Sempre me socorre na hora em que eu preciso de um desentupidor de pia, essas coisas. Eu notava um ar de tristeza e desamparo na sua figura, sempre de moletom e tênis brancos, simples, contrastando com a filha, orgulhosa nas últimas roupas da moda e na beleza padrão atual, carro do ano e muita empáfia no elevador. Pois bem. Hoje eu chego no meu moquifo, no corredor dona Lourdes, chamando por mim, machucada e chorando. A filha bateu na mãe para extorquir dinheiro. Simples assim.
Cara, o sangue subiu na cabeça. Entrei com ela em sua casa, SUA casa, que abriga essa vagabunda desgraçada dos Infernos. Lá dentro, uma ex-sogra da nega, que tem 35 anos, advogada de porta de cadeia, divorciada duas vezes e vagabunda. A ex-sogra defendendo a tal, e eu falei, olha, bater na mãe é fogo, hein? Daqui a pouco a maldita vem, enrolada numa toalha ( tava tomando banho a coitadinha) me encher o saco. Enfim, que beleza não?
Moral da história, quebrei o pau,e agora tô pensando numa coisa. Existe uma resistência muito grande, na classe média brasileira, de viver. Sabe como? Meu, sai de casa, vai dar a cara à tapa, vai tentar ser feliz. Não culpe os outros pela sua infelicidade. A nega bateu na mãe pra roubar e me disse, ah, mas eu perdi meu pai, e agora sou uma coitada. E eu, eu perdi meu pai também, o prédio tá de saco cheio de você, sai fora. Vai à luta.
Essa resistência está estampada na infelicidade das famílias, na hipocrisia dos almoços de domingo. Por covardia, todos ficam no mesmo teto, alimentando ressentimentos, batendo uns nos outros, criando constrangimentos, enchendo o saco. Existe um termo bonito na Psicanálise, individuação. Pega e vai trabalhar, os filhos da classe média gostam do bem bom. A ex-sogra, mas ela vai pra onde? E eu, vai pruma quitinete. Eu fico louca da vida com quem se esconde, se esconde da vida, da luta, e desconta nos outros.
Tem uma cena piegas pra caramba, mas que eu adoro, na Noviça Rebelde. Isso mesmo, Noviça Rebelde, agora vão falar, ah, mas é Hollywood. E daí? É a cena que a Maria, vivida pela Julie Andrews, fala com a Abadessa, que canta magistralmente, em voz operística, Climb Every Mountain. Escale toda montanha, siga todo arco-íris, até você achar seu sonho. Um resumo do que é o processo de individuação. No caso, a pequena noviça estava com medo de encarar uma paixão, sair do convento e ir viver. E a Abadessa, não, aqui não é o seu lugar. Não dá pra fugir da vida: no início, é mais cômodo, é o caminho mais fácil. Mas a frustração tem um preço alto demais. Eu prefiro a pieguice, prefiro escalar cada montanha. Prefiro o caminho mais difícil.
obs) agora me dei conta. Quando Vitor Negrete chegou ao Everest, muita gente de classe média de Campinas falou, mas que irresponsabilidade, com filhos pequenos escalar o Everest. Isso é comentário de burguês ressentindo com a vida, que não foi nem pra Praia Grande. Que não entende o que é uma paixão, um ato de heroísmo, de desprendimento, de coragem. Um tentar passar dos próprios limites. É isso aí.

6 comments:

Anonymous said...

Oi, Paulinha, tudo bem? Obrigadíssimo pela lembrança. Tô falando de Curitiba, ao lado de um aquecedor e com luvas pra não congelar as mãos. Bom, duas coisas. Primeiro: hoje, unanimidade nacional é mesmo a senhora mãe do Parreira. O único problema é que ela não é culpada do filho que teve. Profissão é profissão, e ninguém tem nada com isso (estou falando da profissão de ambos, claro). Segundo: classe média é mesmo uma merda. Se classe média campineira já é essa tripa podre de presunto embrulhada em papel de empáfia, imagina a classe média daqui, que acha que é (quá quá quá) européia.
Aliás, namorada aqui, pelo jeito, só pagando, viu? Mas a senhora mãe do parreira já está devidamente descartada.
É isso aí.
Beijos e bom pós-ressaca-de-copa.

Anonymous said...

E por falar em Victor Negretti... putz, eu conhecia o cara. Foi meu colega na época da graduação, do tempo de DCE. Eram os dois malucos aventureiros, ele e o Igor (que não sei por onde anda, por sinal). Foda saber que um ex-colega morreu assim, via Reuters, né? Mas, se disso se pode tirar alguma coisa, com certeza as pessoas na sala de jantar só serão lembradas pela coluna social do jornalzinho dominical de alphaville. Miséria pouca é bobagem.

Maria said...

Cara, mas você como sempre pegou o ponto, mesmo com o frio curitibano. Imagino que isso aí deva ser a mesma merda...

Agora, uma coisa, Alex. Ainda bem que você não namora essas negas filhas da puta. Porque ninguém merece... imagina você sair com uma desenfeliz dessas e a nega engravida... credo, arreda... ahahahahha....

Falando sério. Alguém precisa me explicar o que acontece com a classe média brasileira... e a mãe do Parreira, coitada, essa já tava na zona mesmo...ahahahhaa, beijos pra você, viu?

Maria said...

Sobre o Vítor, pois é, eu não o conheci, mas todo mundo diz que ele era ótimo. A Marina, esposa dele, foi super digna e bacana no episódio todo... dá-lhe Negreteeeeeeeeeeee!

Anonymous said...

Vc quer sugerir que a senhora mãe do Parreira já estava na zona o tempo todo? quer dizer, zona de rebaixamento, né?

Anonymous said...

E quanto à gravidez, isso eu não me preocupo, até pq curitibano não trepa, se reproduz por cissiparidade...