Thursday, February 09, 2012

Lindo lago do amor

Algumas coisas na vida são lentas. A gente às vezes só entende uma música, uma pessoa, um lugar, um livro, muito, muito, muito, muito tempo depois que nos deparamos com aquele, ou aquilo. Pra mim a canção de Gonzaguinha tocava no rádio, tocava muito no rádio, e eu só a ouvia.
Você, para mim, sempre foi alguém; assim como a canção antiga, eu o conhecia, você era familiar, um lugar para voltar, era como a árvore da rua em que eu morei, naquela casa muito velha, quando você veio me visitar.
Nós dois somos água salgada e mato. Mas o mar encontra o mato; na terra dos meus ancestrais o velho Paraíba deságua em delta, e os braços são canais de água salobra, com igarapés tão delicados, mangues cheios de vida, mas que, poluídos, viram tristeza, imundície, pobreza. Nós somos essa coisa delicada, uma confluência de faunas e floras, águas profundas e frias, chuva e folhas no chão. Nós nos encontramos, nos esbarramos, muitas vezes e por muito tempo calamos e não nos vimos mais.
Mas só agora, tantos anos depois, eu entendo perfeitamente Gonzaguinha, e você; e depois desse milagre, só posso dizer: foi uma das coisas mais bonitas da minha vida, te ver no lindo lago do amor.

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