Estou numa correria danada.
Explico: preciso entregar o último relatório pra FAPESP agora dia 10, e resolvi tentar um concurso, que será dia 12, mas nem sei se consigo me inscrever. Enquanto isso, na sala de justiça, fui tirar a segunda vida do meu RG, dei aula no IA pro primeiro ano sobre os afrescos de Giotto em Assis, cuidei da baixa na minha carteira de trabalho e entreguei as maquetes dos meus alunos do semestre passado, na PUCC( tarefa que me tomou toda uma manhã, porque as maquetes eram lindas, enormes: precisei parar o prédio, descer tudo de um jeito louco, lotar meu carro e encher a paciência de cinco funcionários da PUCC). Coisas que estavam atrasadas, enquanto outras ( o tratamento dentário, o vaso sanitário e o chuveiro quebrados, a vontade de comprar um violão e de aprender a tricotar) permanecem adiadas.
Acordo de manhã e a primeira coisa que penso, ainda dormindo, é "o que que eu tenho pra fazer hoje". Hoje, sabadão sertanejo, acordei cedo, fui tirar xerox de n coisas e zarpei rumo ao cartório da rua Barão de Jaguara. Fechado. Corri na loja central dos Correios, na Glicério ( um lindo prédio art-déco destruído por uma cor horrenda, o velho mau gosto campineiro). Depois, faxina.
Pois é. Eu que faço tudo, tudo, aqui em casa. Faxina, supermercado, banco, Perda de Tempo (ops, Poupa Tempo), pagar conta, arrumar dinheiro pra pagar as contas. Porque aqui é uma república de um, ou melhor, de uma panda só. Há dez anos, desde que saí da toca da minha panda-mãe, sou arrimo de família ( no caso, a família consiste na pequena curumim aqui). Se eu não faço, ninguém faz, por mais que Celo, amigos e dona Meire quebrem galhos imensos, ou melhor, árvores e florestas inteiras, muitas vezes. Eu tô acostumada, mas tem hora que cansa a beleza. Tipo hoje, eu preciso escrever umas linhas sobre o Tratado da Pintura, do Leonardo, mas tive que encarar um lerê-lerê básico, porque isso aqui tava uma zona.
E taca passar aspirador, lavar dois banheiros. O mais incrível é que eu gosto de fazer algumas coisas de faxina. Tipo lavar banheiro, eu ADORO lavar banheiro ( pois é, cada louco com sua mania). Lá em casa, durante muitos anos, nós não tínhamos faxineira. E aí, a gente fazia tudo, eu, minha mãe e meu irmão. Em contrapartida, eu odeio passar roupa e limpar a cozinha. Arear panela e peça de fogão é uma tortura pra mim, mas o pior é o chão da cozinha, o meu pesadelo constante.
No meio do segundo banheiro, a fome. E agora, José? Penso em descer na feirinha hippie e traçar um espetinho do japonês, mas a minha lombar começa a dar sinal de vida. Fico com saudade de anos atrás; quando tinha visita em casa, eu fazia a faxina com perfeição, descia, corria no supermercado, fazia o almoço, me arrumava, arrumava a casa, botava a mesa e até sobremesa tinha. Agora, com essa dor na coluna, não ando dois passos. Vou até a cozinha e espio o armário. No final comi farfalle no.65 da Barilla ( o famoso gravatinha) com um sugo que eu inventei.
Tinha uma lata de tomate pelado da Mastroianni, mas qualquer lata dessas serve. Tem que ser o italiano, que andou em promoção por aí, porque daí não fica ácido. Alho, manjericão, molho de carne e um pouquinho de geléia de pimentão. Isso, geléia de pimentão da Companhia das Ervas, doce, vale a pena o investimento. Queijo por cima e boa. Agora, ao chão da cozinha, depois, ao Leonardo, depois, ao nervoso com o concurso, e depois chega.

2 comments:
Maria
tenho muito gosto em "conhecê-la" assim plo éter :)
Para além de partilhar o seu Calvino, também gostei da sua escrita blóguica
um abraço transatlantico
Querida caminhante,
estou com saudades! Espero que seu caminho rumo ao relatório não esteja muito pedregoso.
Assim que você estiver tranquila, me liga pra gente fazer algo.
Beijão,
Dani.
Post a Comment