Friday, March 02, 2007

A família Dó-Ré-Mi

Com essa comunidade Marchinhas de Carnaval, baixei músicas que eram verdadeiros sucessos no hit parade lá de casa.


Meus pais adoravam música, a gente ouvia música o dia inteiro. Todo tipo de música. Já falei aqui do Gradiente prateadão, que foi nossa alegria nos idos de 1982 ( pois é, a panda sofre de problema de dna, data de nascimento antiga)... e das fitas Basf laranjas, que eram ocupadas pelos pedidos de todos, dos meus pais, do meu irmão e meus, da Teresa, que durante algum tempo ajudou minha mãe nas lides da casa, dos nossos amigos, que partilhavam nossas famosas mesas de lanche ( lá em casa não tinha janta. Mas tinham os lanches, que começavam às três da tarde e terminavam de madrugada, se deixasse).
Mas umas músicas, digamos, mais antigas, eram esgoeladas nos nossos ouvidos, com letras trocadas, inventadas e/ou substituídas por infernais sucessões de pá pá pá, lá lá lá e tchubi tchubi du, pelo internacionalmente famoso seu Pedro, que vinha a ser, dentre outras coisas ( engenheiro, professor, torcedor enrustido do Parmeira e cantor) meu digníssimo pai.
O show de calouros começava cedo. Seu Pedro esgoelava nos meus ouvidos, enquanto minha mãe lascava a escova na minha cabeça sonolenta e preocupada com mais um dia de escola, a clássica Nega do Cabelo Duro, que ele entrecortava com trechos recitados de Nega Fulô, do Jorge de Lima. Não satisfeito, ele saía de casa gritando o lerê lerê dos Retirantes, do Dorival Caymmi.
Depois, no retorno, todos os dias, eu disse, TODOS OS DIAS, enquanto viveu, ele lascava Saudosa Maloca da porta de casa. Não, era um espetáculo, no coração do Cambuci, a poucas quadras de onde vivia Alfredo Volpi e Dani Mônica, da baixada do Glicério e da igreja neogótica agulhão, o cara trotava o samba do Adoniran na maior. Depois, no sopé da Serra do Japi, e no chapadão de Campinas do Mato de Dentro de Jundiaí, era a Saudosa Maloca, às sete da noite, de um lado, e o Guarani do Gomes no outro, anunciando a malfadada Voz do Brasil, e uma hora de rádio desligado, o que pra mim era uma tortura. Outra era ver o seu Pedro exigindo o café e o queijo minas dele, e chamando minha mãe de Flozudinha ( cara, daonde o cara tirava, eu não sei). De lascar.
Minha mãe tinha outro repertório. Ela é difícil de ficar alegre, sabe esse tipo? A própria rabugenta. Mas de vez em quando baixava o santo, e ela desfiava a Chiquita Bacana pra mim. Que lindo, pra um eu era a Nega do Cabelo Duro, pra outra, a Chiquita Bacana. A panda sofria. Mas às vezes, meu pai presenteava todos com sua fantástica interpretação do Leãozinho, do Caetano, ou de Eu Também Quero Beijar, do Pepeu ( vocês podem imaginar o que era!). E de Milton Nascimento, eu berrava os Peixinhos, do Sentinela, ou Não se Reprima, dos Menudos. Não é à toa que meu irmão se revoltou e anos depois era só Iron Maiden pra todos.
E era Elis, Chico, e era a rádio de música sertaneja, depois, em Campinas, pra agradar a Luzia, e todo mundo ficou fã escondido de Leandro e Leonardo. A coisa era feia lá em casa. Disso sobrou um enigmático e compulsivo amor por música, de todo naipe. Pelo menos, eu canto a letra inteira, se bem que num estilo heavy metal, segundo o Celo. Ah, e o filme preferido lá em casa era a Noviça Rebelde!

5 comments:

Anonymous said...

O nosso tambééééém!!! rssss....
Se a gente se conhecesse na época, vc com certeza faria parte dos von trap versão cambuci... kkkkk....
bjos linda, e venha qdo quiser!

Viu q a tam tá com promoção de fim de semana?

Maria said...

A família Von Trap no Cambuci seria lindo!

Aliás, eu vi sim essa promotion... vou procurar pras terras alagoanas...


Beijossssssssssss!

Maria said...

Dani, esqueci de dizer. Notícia certa: vão demolir o velho Anglo Latino, lá na Aclimação. Tô a fim de ir lá tirar umas fotos. Que triste! Mas o Yokoyama ainda tá de pé!

Anonymous said...

Não acredito!!!!!! Por que será??????? Não sobrou nenhum Arcuri?? Isso que dá apagar todas as comunidades do orkut... não tava sabendo... :(
Vai lá, sim, que pra mim tá difícil... rs... Depois quero ver as fotos. Beijo!

PS, dúvida cruel, as esfihas do yokoyama diminuiram substancialmente ou fui eu que cresci?

Maria said...

Então, parece que sobrou, o Serjão. O pessoal da comunidadade afirma que o cara faliu o colégio. Putaquepariu, né?

Sobre o Yokoyama, eu vou ter que ir lá pra conferir. Mas os caras foram homenageados pela Vejinha, então sabecumé. Eu vou postar sobre o Cambuci, a propósito. Beijo!!!!!!!!!