Esse Orkut salva a gente. Tem uma comunidade, uma das minhas favoritas, a “Músicas Baranga dos anos 80”. Porque sim, vamos combinar, não tem nada mais baranga que ouvir bem baixinho, pros pais não acordarem, “Total Eclipse of the Heart”, da Bonnie Tyler, molhando de lágrimas sua camiseta verde-limão da Pakalolo e sua calça semi-baggy ( a famosa Saint-Tropeito) porque o Renatinho não te falou oi na escola.
O revival dos anos 80 já fez muita grana rolar na economia recessiva dos anos 2000, e até reportagem da Veja virou, ou seja, datou, mumificou há séculos. Tudo que vira reportagem na Veja, foi moda no verão retrasado, é incrível a falta de antena dos caras.
Pra mim, no entanto, foi a volta dos que não foram, porque eu nunca deixei de ouvir as pérolas do período em que eu enfiava gel com purpurina na cabeça e achava o máximo. O meu grande ídolo é o Ritchie.
O Vasari, biógrafo dos artistas do Renascimento, escreve que a grandeza do Rafael, entre outras coisas, consistia no fato de que ele fazia tudo como se esforço nenhum demandasse. Guardadas as devidas proporções ( pelamordeudeus, não me crucifiquem) eu falo o mesmo do autor de “Menina Veneno”: parece que o cara fez a música que grudou na sua cabeça a vida toda em cinco minutos.
Primeiro, são ótimos os tecladinhos, sintetizadores e solos de sax. Depois, tem o eu-lírico do cara, um sujeito melancólico no bom sentido do termo, digamos, no sentido inglês do termo. Eu adoro com todas as minhas forças “Pelo Interfone”. O cara aperta o botão no prédio da moçoila, uma luz acende na janela, e a voz no interfone lasca “ela não está/ não sei se vai chegar/volte amanhã, mas antes telefone”. E o cara, desiludido, não sabe se vai ou se fica, e disca. Toca, toca, toca, finalmente a nega atende. Minha filha, preciso falar com você pessoalmente. Que telefone, celular, msn, que Orkut, que email que nada, o negócio é ali, no duro, ao vivo, olho no olho, dente por dente, é uma noite a menos pra gente, e a noite é para a gente. Nos anos 80, a gente era brega e falava com as pessoas pessoalmente.
Na comunidade, outro dia, pelas mãos de alguém que precisa ser canonizado, ressurgiu “Sopra o Vento”, música-tema da personagem Jô, da Christiane Torloni, na antológica novela “A Gata Comeu”. A Jô tinha um cabelo que todo mundo queria, um chanel crespíssimo assimétrico, vivia de ombra de fora, cintão de couro branco e minissaia, e tinha uma família comédia, que vivia cobrando o fato da cidadã ser rabugenta, chata e encalhada, enquanto a irmã, a Bia Seidl, era meiga, doce e cheia de pretendentes ricos. Uma turma de amigos, cheia de crianças, fica presa numa ilha, e a tal da Jô conhece um professor atrapalhadíssimo, duro e cheio de problema, o Nuno Leal Maia. Foi-se o tempo que a mocinha tinha o cabelo crespo, era rabugenta e encalhada, a fim de um professor de escola pública, e com uma música do Ritchie de presente, que o britânico eu-lírico lembra que a primeira vez que viu a moça, que vive de “alô e olá”, passando como o vento, foi na praia ( e não no msn).
Tudo isso pra dizer que são onze da matina, eu perdi esse post três vezes, e em pleno IEL a tese vai aos trancos e barrancos.
O revival dos anos 80 já fez muita grana rolar na economia recessiva dos anos 2000, e até reportagem da Veja virou, ou seja, datou, mumificou há séculos. Tudo que vira reportagem na Veja, foi moda no verão retrasado, é incrível a falta de antena dos caras.
Pra mim, no entanto, foi a volta dos que não foram, porque eu nunca deixei de ouvir as pérolas do período em que eu enfiava gel com purpurina na cabeça e achava o máximo. O meu grande ídolo é o Ritchie.
O Vasari, biógrafo dos artistas do Renascimento, escreve que a grandeza do Rafael, entre outras coisas, consistia no fato de que ele fazia tudo como se esforço nenhum demandasse. Guardadas as devidas proporções ( pelamordeudeus, não me crucifiquem) eu falo o mesmo do autor de “Menina Veneno”: parece que o cara fez a música que grudou na sua cabeça a vida toda em cinco minutos.
Primeiro, são ótimos os tecladinhos, sintetizadores e solos de sax. Depois, tem o eu-lírico do cara, um sujeito melancólico no bom sentido do termo, digamos, no sentido inglês do termo. Eu adoro com todas as minhas forças “Pelo Interfone”. O cara aperta o botão no prédio da moçoila, uma luz acende na janela, e a voz no interfone lasca “ela não está/ não sei se vai chegar/volte amanhã, mas antes telefone”. E o cara, desiludido, não sabe se vai ou se fica, e disca. Toca, toca, toca, finalmente a nega atende. Minha filha, preciso falar com você pessoalmente. Que telefone, celular, msn, que Orkut, que email que nada, o negócio é ali, no duro, ao vivo, olho no olho, dente por dente, é uma noite a menos pra gente, e a noite é para a gente. Nos anos 80, a gente era brega e falava com as pessoas pessoalmente.
Na comunidade, outro dia, pelas mãos de alguém que precisa ser canonizado, ressurgiu “Sopra o Vento”, música-tema da personagem Jô, da Christiane Torloni, na antológica novela “A Gata Comeu”. A Jô tinha um cabelo que todo mundo queria, um chanel crespíssimo assimétrico, vivia de ombra de fora, cintão de couro branco e minissaia, e tinha uma família comédia, que vivia cobrando o fato da cidadã ser rabugenta, chata e encalhada, enquanto a irmã, a Bia Seidl, era meiga, doce e cheia de pretendentes ricos. Uma turma de amigos, cheia de crianças, fica presa numa ilha, e a tal da Jô conhece um professor atrapalhadíssimo, duro e cheio de problema, o Nuno Leal Maia. Foi-se o tempo que a mocinha tinha o cabelo crespo, era rabugenta e encalhada, a fim de um professor de escola pública, e com uma música do Ritchie de presente, que o britânico eu-lírico lembra que a primeira vez que viu a moça, que vive de “alô e olá”, passando como o vento, foi na praia ( e não no msn).
Tudo isso pra dizer que são onze da matina, eu perdi esse post três vezes, e em pleno IEL a tese vai aos trancos e barrancos.

2 comments:
Hehehe ótimas lembranças dos 80... como dei risada aqui!
Agora, reparou como quando mais precisamos nos dedicar ao trabalho/tese, mais a inspiração vai parar no blog?!
Beijinho!
Chris
Ai, Clis, não me fala isso, foi exatamente o que aconteceu e eu tava pensando justamente nilson... que que é essa vida! Beijos!
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