Monday, March 05, 2007

Dito e feito- A hard day's night

Taí, o post debaixo não me deixa mentir. Tive uma puta crise de angústia, hoje, no meio do campus encalorado ( que calor dos infernosssssssss).


Foi assim, eu acordei meio tipo assim mal. Precisava ir buscar meus documentos, na casa da família legal que os guardou pra mim, passar na delegacia, antes marcar médico e dentista ( aqueles problemas passados da panda), escrever alguma coisa da tese e do relatório FAPESP (sim, olha aí o relatório FAPESP aí, genteeeeee, povo da Sapucaí). Fiquei duas horas pendurada no telefone pra marcar os compromissos saúde pública( tratamento de canal, limpeza de gengiva, retorno de tratamento do médico do pesadelo). Depois rumei pra Barão ouvindo "It's a Hard Life", do Queen. Bota hard nisso, pensando no vaso sanitário e no chuveiro quebrados, no protetor de carter do carro e na porta quebrados, no dente quebrado, final de bolsa e tese emperrada.
Cheguei no IFCH, Celo em aula, começando o doutorado. Achei Alessandro, que faz dupla dinâmica com Luís Fernando, que faz dupla sertaneja comigo. E na escadaria, vejo a fulana que mais me fez sofrer na vida. Foi horrível. Almoço na cantina da Bete com amiga, omelete e abóbora. E o povo que mais me fez sofrer na vida do outro lado, rindo, um dia na vida de seriado norte-americano da burguesia campineira feliz. Com a graça de Deus, Luís Fernando de camisa nova me oferece uma grana e almoço.
Acho Celo. O carro não tem um pingo de gasolina e eu não tenho um mínimo de saco. Vou pro IEL estudar. Por sorte, acho uma colega querida que não via há tempos. Sento no computador da salinha cheia de ielinos desesperados pra ver o Orkut. E o Landino não colabora.
Vou tomar um café com a colega. Lá está o cordão da bola preta. Nota de rodapé: a colega sempre foi ridicularizada e teve a orelha queimando durante anos por conta dessa gente. Volto pra biblioteca com outra colega fofa, essa do Latim, que me socorre no Virgílio vezinquando. Landino e Botticelli resolveram ir passear. Luto contra minha ignorância e graças a um velho caderno e linhas escritas há dois anos atrás, em São Sebastião do Rio de Janeiro, escrevo duas míseras páginas. Nunca me senti tão mal intelectualmente falando, em toda minha vida.
Tento ligar pra amigos em São Paulo, do orelhão, no cartão que achei escondido no chão do carro. Nada. Sento na calçada entre o IEL e o IFCH, e choro. Ouvindo "It's a Hard Life", do Queen, em plena crise de paranóia: ninguém me atende porque as pessoas sabem que sou eu no outro lado da linha e ninguém quer falar comigo. Deus se compadece, e manda o Celo, nessa justa hora.
Celo me consola como ninguém, super fofonildo. Vamos pra casa dele. Minha sogra leu meus pensamentos e fez sopa de músculo e legumes. Leio a Bíblia pra achar o Livro de Ester e o fio do meu último capítulo, depois de colocar uma grana emprestada de gasolina no carro. Sim, porque no meio disso tudo tentei tirar dinheiro no Nossa Caixa Nosso Problema, mas dia de pagamento é isso aê. Amanhã terei que amanhecer no lado de fora da minha agência, que vem a ser a da Reitoria da Unicamp, por infortúnio dos deuses.
No msn, Elisinha fofa fica com pena de mim, e uma ex-aluna da PUCC diz que tem saudades. E leio na Bíblia que Moisés passou 40 anos no deserto com uma gente que não colaborava em nada. Penso no Dante, no Landino e no Botticelli, e acho que eles gostariam da sopa da minha sogra.

7 comments:

Skywalker said...

O Moisés deve estar dizendo, lá do céu, na fila para voltar a reencarnar um dia, que tudo isso é provação mesmo. Como eu disse outro dia, na vida, primeiro vem a prova, depois a lição. Agora, 40 anos no deserto comendo maná, sem um pingo de ICE TEA sabor limão para tomar, é dose né? Por isso, keep walking honey, for the world goes round and round...

Beijo e te amo muito,

Do seu Celo.

M. said...
This comment has been removed by the author.
M. said...

Quando eu era criança - a personalidade caxias já se apresentava - eu não gostava de chegar atrasada na escola. E era uma coisa que me frustrava absurdamente, a ponto de me fazer chorar; menos quando alguém também se atrasava e eu não precisava entrar sozinha na sala. Desde então, tenho pra mim que se dar mal com alguém do lado é sempre menos pior, e tem alguma coisa tão consoladora em imaginar alguém (já que não sei realmente quem você é) chorando naquelas calçadas.. Eu também já verti algumas lágrimas por ali, e agora me lanço em solidariedade a você.
E pode não adiantar muito, mas me parece sempre bom saber que há companhia, por aí.

ViviPancheri said...

POis é fofa.... acho que você está precisando mesmo é ler o livro de Jó.... vai ter paciência assim como ele.
Eu tô muito triste de ver vc assim angustiada. Quando a gente se ver no msn eu te passo meu tel pra quando você não conseguir falar com as pessoas!! Liga aqui que a gente papeia :)
Olha, vc é muito bonitona, vai ser gente boa assim lá longe!! Amo muito você!!.... SAI URUCUBACA DESSE CORPO Q NÃO TE PERTENCE!!!!

Maria said...

Nossa, eu adorei seu comentário, Maga! Eu também não sei quem vc é, mas vejo que só pela solidariedade e carinho, é uma boa maga.


Aquelas calçadas estão marcadas mesmo, pra mim. Tanta história... olha, esse seria um post.

Eu vou deixar um comentário no seu blog. E fico feliz e confortada com o que você disse...

Anonymous said...

Paulinha... li quase td.. como me sinto perto de vc... lendo seus textos. Entendo tudo.. vejo as entrelinhas.. e vi o Elisinha Fofa.. :):).. bjssss

Maria said...

Vivi: também te amo muito. Eu vi a exposição, hoje, e fiquei muito feliz. Não fui na colação de vcs porque tava com uma cólica de matar. Beijooooooooooo...


Elisinha, vc é muito fofa e sempre será. O resto eu já falei via msn. Beijitos!