Sunday, December 18, 2005

O setor de serviços e a picaretagem

Mais um capítulo da novela Cartão Visa International Nossa Caixa Nosso Rolo. E uma prova de que o capitalismo brasileiro não vai pra frente por causa da picaretagem.
Pois bem, depois de clonagem, cartão bloqueado, fatura cobrada duas vezes, estorno pedido pra conta corrente, a gerente da agência da Reitoria da Unicamp liga constrangidíssima pra mim, ainda em fuso horário do Meio-Oeste... gringo.
Bem que eu pedi pra ela tirar a fatura do débito automático, mas tudo bem. Ainda meio dormindo, fui uma lady, a tratei super bem. Hoje, domingão do Faustão, tentei como sempre trabalhar, e meu futuro cônjuge foi almoçar na mamma. Matei a fome com o clássico spaghetti de molho de atum ( a falta de grana) e sentei no Caronte pra começar os trabalhos de Hércules.
O futuro cônjuge volta acalorado de Barão. Depois, deu fome no povo, vamos sair pra jantar. Ligo na Central de Cartões, vulgo a Porta da Desesperança, e recebo a notícia que tenho o limite intacto. Nada em fatura, nada em nada, resolvo presentear o amore e eu mesma com o super jantar nipônico do Shogun, aqui no Convivência campinense.
Enfrentamos a tempestade típica do clima subtropical, nessa época natalina. Portas fechadas no Shogun. Nishino, Costelaria Carro de Boi, todas as estrelas do firmamento gastronômico de Campinas, tutti chiusi, e filas gigantescas nos fast foods da Norte-Sul. Cidade admirável, centro nervoso do interior do Centro-Sul brazuca, no domingo não tem lugar nenhum pra comer nada.
Vamos pro horrível, tenebroso e lotado Shopping Dom Pedro. Pelo menos lá tem o Premiatto de sempre, as boas carnes e bons risotos. Vou pagar, transação negada.
Chego em casa com a fome saciada e a sede de vingança. Ligo na Central, o carinha me diz que preciso usar o cartão novo, que neguinho mandou por debaixo da minha porta essa semana. E que o estorno ainda, ainda não entrou na minha conta. Sei disso, a luz e o telefone já me deixaram cinquenta paus negativa na conta corrente. E vocês não vão pagar os juros e o limite da conta estourada.
Tentei me conectar o dia inteiro. Explico: aqui na Padre Vieira, centro da Ponte Preta, tenho acesso discado ao provedor Terra. E nada, nada o dia inteiro. Ligo no Auxílio Técnico. O rapazola me diz que o meu modem ficou preso de tanto tentar, muda minha senha, pede pra eu desligar Caronte e tentar novamente. E se não der certo? Aí, minha senhora, precisa migrar de plano. É, migrar de plano. Prum mais caro, porque o meu, o mais simplinho, não garante meus direitos de consumidora.
Detalhe: se eu mudava a opção de cobrança dos pulsos, conectava, e caía numa página da Telefônica, gentilmente me convidando pra entrar num Plano SuperMegaUtraPlus de Internet Ilimitada. É demais.

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