Já faz um tempo, apareceu uma figura maravilhosa nas ruas de Campinas.
Motoqueiro, moto antiga, daquelas da Corrida Maluca, com banco do lado e tudo. Mas o detalhe básico: a moto, tudo, tudo, é pink. E um som poderosíssimo anuncia a chegada da Penélope Charmosa...
Toca de tudo naquele som, I will survive, Gloria Gaynor, o hino-mor dos GLS e XYZE, de quem quer se divertir, viver sem o preconceito feio na cabeça.
Livre, livre, passa sorrindo, ouvindo Abba, alegrando todos. Criando raiva na cabeça dos campineiros burgueses, desses que não suportam a feira hippie no Centro de Convivência ( meu, vai morar em outro lugar, você compra um apartamento do lado de um lugar chamado Centro de Convivência e não quer barraca e show na porta? Vai morar em outro lugar!) nem os travestis e as moças nas ruas do Bosque.
Hoje, pseudo-engarrafamento, daqueles típicos campineiros. Explico: não é excesso de tráfego, é sempre uma dona em fila dupla atendendo o celular, neguinho dando marcha-ré louca, coisa de gente provinciana que entope a via. Plena Moraes Salles, eu de saco muito cheio dos pseudo-rushs que infestam essa cidade, passa o querido motoqueirinho, livre, leve e solto, do outro lado.
Vou pra Barão pela velha e enjoada Dom Pedro. Na altura do Tilli Center, a surpresa: ouço Jingle Bells, é ele, de chapéu de Papai Noel e tudo, e laços vermelhos na motoca. Passou rápido, não deu tempo de eu fazer o que decidi na Moraes Salles: abrir a janela do meu Celta e gritar: EU TE AMO, MOTOQUEIRO COR-DE-ROSA! Eu amo seu jeito alegre, sua moto doidinha, a cor e o som! Amo quando você aparece em Barão, e eu olho pro Celo e a gente concorda, manso, simples: você é nosso ídolo!
Corro atrás do charmoso, que, esperto como ele só, se enfia a toda na Estrada da Rhodia. Não consegui segui-lo. Mas não vou desistir: motoqueiro cor-de-rosa, eu ainda vou gritar eu te amo no meio dessa cidade tão sofrida.

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