Sei que meus fãs querem saber por onde andei, nessa última e derradeira semana potawatomi.
Na segunda-feira, como relatei, fui visitar o Shedd Aquarium e o Adler Planetarium. Na terça, mais Artie e o Field Museum. Ontem, enfrentei pela última vez a Regenstein Library da Universidade de Chicago. Tudo isso num frio de lascar, que assustou mesmo os mais empedernidos chicagoans: ontem olhei pro termômetro da Avenida Chicago e estava 15... abaixo de zero.
Gente, a sensação de um frio desses, piorada pelo vento cortante e constante que vem do Lago, é horrível. Sofri muito esses dias na rua, sofri mesmo de frio. Com blusa, casacão urso polar, cachecol, dois gorros... ontem fiz um sacrifício e enfrentei todas as livrarias e sebos da 57th Street, na Universidade, em busca de uma lista de encomendas brazuquinhas. Não achei quase nada, o que comprova a tese do Gabriel ( meu amigo daqui) que é melhor comprar pela Internet mesmo. Por mais coisas que as livrarias tenham ( e elas tem coisa pra caramba, acredite), dar conta do maior mercado editorial do mundo é fogo.
Depois, fui ter com o Leviatã que é a Regenstein. Consegui achar uma bibliografia bacana e up-to-date, pra impressionar o meu parecerista da Fapesp. Trabalhei até as nove da noite, horário de um ônibus miraculoso que descobri, que sai da frente da Biblioteca e pára aqui do lado de casa, graças a Deus. O problema é que me enrolei pra variar com a máquina self-service de xerox e quase perdi o busão... mas no final deu tudo certo.
Chegando em 55 W Chestnut, dei de cara com um dos meus vizinhos gaúchos. A gente conversou bastante, e sim, Dani, eles trabalham na Fogo de Chão e em outra churrascaria, a Sal e Carvão, dos mesmos donos.
O rapaz que eu conversei ontem se chama Gasparetto, e vem do Paraná. Obviamente tirei sarro dele, mas como que é isso de não ser gaúcho e usar bombacha, mas que coisa picareta, e daí ele me lembrou do que o velho Borges escreveu: gaúcho não é quem nasce no Rio Grande do Sul, é quem vive a cultura que vai desde o Pantanal até quase a Patagônia...
Nem precisa dizer que eles estão ganhando rios de dinheiro aqui. Esse grupo que mora no meu prédio veio pra trabalhar na Flórida, mas os caras de lá não pagavam... daí, os sulistas vieram pra Chicago. Em dois anos, o Gasparetto me disse que comprou terras e ajudou a família, ou seja, faz todo o sentido pensar no porquê decidir imigrar. E ainda ofereceu um emprego de prenda pra mim. E eu, nessa dureza Fapespiana, pensei, mas seria uma boa idéia, eu trazia o povo pra cá e a gente montava um restaurante baiano, quem sabe?

1 comment:
U-hú!
Eu topo, eu topo!! Fico como o degustador de acarajé, pode ser?!
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