Friday, December 16, 2005

Campinas

Ontem, fiquei pelo velho e sempre combalido centro de Campinas. E me deu uma depressão...
Não quero que o povo me entenda mal. Problemas, tive muitos em Chicago, a cidade não é um paraíso na Terra, e blá, blá, blá. Aliás, andando pelo centro desta cidade que me acolheu em 1992, percebi que a administração doutor Hélio deu uma boa garibada, luzes bonitas de Natal, recapeamento de algumas das principais vias, a praça do Centro de Convivência revitalizada, e o pastel do Voga continua o melhor do melhor.
A Praça Carlos Gomes resplandece, é Natal, a decoração é de bom gosto e alegra as senhoras no ponto de ônibus, esperando o velho 370, rumo a um Terminal Barão Geraldo com placas novas, e grafites bonitos e coloridos nas paredes. Os ônibus estão coloridos também, as placas nos pontos voltaram, e no Palácio Municipal um enorme pinheiro de luzes me esquentou o coração. Mas...
Campinas carece de vida cultural. Isso não dá pra negar. O mais estranho é que as instituições existem: nós temos um Museu de Arte Contemporânea, uma Biblioteca Municipal, temos o Bosque, o Taquaral, o Centro de Convivência, o Observatório de Joaquim Egídio, temos o Teatro Castro Mendes... a CPFL... às vezes acontecem coisas muito legais. Lembro das exposições no Museu, Lasar Segall, Portinari, até o rinoceronte do Dalí, que tanto encantou e que desejou ficar pra sempre no início da velha Rua Padre Vieira. A Orquestra, impecável e soberana. A nossa Catedral, com alguns concertos. Mas algo falta, algo falta.
Uma política de valorização do acervo do Museu. Uma completa e bem-feita reformulação da Biblioteca. Exposições dos artistas locais, discussão, cinemas. Falta dar uma ajuda pro povo do Paradiso. Teatro, a Campanha de Popularização do Teatro, nos últimos anos, tem servido pra despopularizar o teatro. E o calcanhar de Aquiles: a falta de uma política social, o cinturão de miséria e violência ao redor da cidade, e que os campineiros do Cambuí e Taquaral cismam em não ver, se trancando dentro de casa e na highway que virou a Rodovia Dom Pedro. Menos shopping, Campinas precisa de mais espaços públicos.
O outro calcanhar de Aquiles, no meu ponto de vista, é o transporte público. Inviável uma cidade onde todo mundo usa carro. Há alguns anos atrás, lecionei num cursinho pré-vestibular popular, num bairro imenso, a Vila União. Pra se chegar lá era um sacrifício, e eu via meus alunos sofridos nos parcos e atrasados ônibus. Peguei o mapa da lista telefônica e fiz as estações do METROCAMP. Sim, Campinas precisa de um metrô. Cidades muito menores tem. Campinas é uma cidade horizontalizada, segundo os dados do censo mais da metade mora em casa. Com uma malha urbana tão espalhada, Campinas se daria bem com um metrô. Sei que é caro, e que uns filhos da mãe pegaram o nome METROCAMP e disso fizeram uma faculdade particular ( não tenho informações para avaliar a qualidade do ensino na citada instituição). Sei que é utópico. Mas um pouco de utopia não faria mal a Campinas.

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