Amor incondicional que eu conheci aos dois anos, meu irmão, estudante de Engenharia Mecânica da Unicamp, também foi cooptado pela Opus Dei. No caso dele foi pior, foi bem pior.
Não sei bem ao certo como ele entrou na onda, mas hoje eu juntei os fatos e entendi porque depois da morte do nosso pai meu irmão se tornou alguém insensível, ao ponto de manipular toda uma situação e me agredir fisicamente.
Infelizmente, meu irmão também foi vítima da lavagem cerebral feita pela Opus Dei. Ao invés de sentir a morte do pai, meu irmão se trancou num círculo de rigidez e ressentimento, que agora, pensando e juntando os fios da meada, sei que vieram de um determinado colega, que o arrastava para um Centro Cultural.
Minha mãe comentou comigo, num momento de rara lucidez, que foi muito difícil pra "tirar o seu irmão daquilo"... porque essa organização, que se diz cristã, prega o desamor nas famílias, a desavença com o diferente, até chega a aconselhar um garoto que acabou de perder o pai que essa dor é nada, e que a irmã é um inimigo porque dorme com o namorado?
Não, não é legal usar cilício. Não, eu discordo do celibato, discordo da política suja e da ocultação dos propósitos. Eu me alisto na fila das pessoas que tiveram ou têm membros da famíla ou amigos que foram abduzidos por uma estrutura desumana e cruel, que de cristã não tem nada ou tem muito pouco.

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