Então, fomos pra Valparaíso, perto de Araçatuba, terra dos ancestrais maternos da pequena Dani, a eterna menina-xamã.
Ficamos na velha fazenda Tangará, com o divertidíssimo pai de Dani, doutor Jorge, criador de gado kanchin e cardiologista nas horas vagas, e dona Eloísa, cozinheira das melhores e tradutora de Thomas Mann. Gente fina é outra história.
Comemos toneladas, e eu fui picada por tudo quanto é tipo de inseto. Mas valeu muito a pena, a companhia de Dani e Chris, Celo, do Fubá ( um gatinho muito fofo e cinza que tem lá) e do General, um sapão que estava, segundo a Dani, a fim de mim. Além das maritacas no telhado. E das terríveis mutucas. E de Neguinho do Pastoreio tocando sem parar hits dos anos 80.
Volto pra Campinas, dou um show chiliquento em casa porque perdi o IPVA do carro. Janeiro é dose. E taca pagar conta, e taca ir em academia, e eu ainda gastei uma fortuna na Decathlon, em tênis, maiô e camiseta. Ou seja, vou me acabar de malhar pra compensar as compritchas.
Começo a trabalhar no relatório pra FAPESP sem muita empolgação. Não sei o que fazer pra convencer o parecerista que sou uma pessoa séria, e que meu trabalho é cientificamente relevante.
Aliás, momento desabafo: tive a publicação da minha dissertação negada na Editora da Unicamp. Justificativa, nenhuma. Sei que o negócio tá feio, mal costurado e mal escrito, mas puxa, eu merecia uma resposta. Descubro por Letícia que talvez a mesma alma penada que me atazanou a vida esses tempos cometeu tal feito. Que beleza. De novo, entrei na cidadela de Dite.

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