Depois do post abaixo, sei lá tipo assim, resolvi escrever sobre o que tô pensando, fritando na cabeça esses últimos tempos.
Reencontrei algumas amigas queridas. Conversa vai, conversa vem, é aquilo: "os homens não prestam", "tô cansada de ficar sozinha, quero um cara legal, que faça tudo por mim", "ai, eu sofro, minha mãe foi e é muito ruim comigo, minha família não presta", "ninguém me ama, ninguém me quer, mas tem um cara a fim de mim, mas eu dei um fora nele, porque espiritualmente não me sinto pronta, mas chega a noite e eu te ligo pra dizer que queria alguém", a criatura te liga e fica três horas ali, martelando os ex, martelando teus ouvidos, e é a ansiedade, e é a ambiguidade, e é o caramba a quatro, e você ali.
Primeiro, não acho que os homens são todos uns filhos da puta. Tem muito homem que não presta, muito mesmo. Teve um que terminou comigo porque "queria uma mulher brilhante", outros terminaram porque "amavam a ex", outro fez isso na semana que eu tinha que entregar minha dissertação, outro me deixou de madrugada, chovendo, na rua, pegando um táxi, enquanto mandava um nas narinas, e assim sucessivamente. Já vi homem largar mulher e filhos, já vi cara que sumiu e nunca mais deu sinal de vida, já vi nego batendo e humilhando a companheira, etcs, e etcs. Mas ainda assim não acho que todos, todos, sem exceção, os seres do sexo masculino não prestam. E porquê?
Agora vem a segunda parte. Porque eu quero ser a responsável pela minha felicidade. 99% da vida é contingência: social, histórica, de gênero, etc e etc. Mas o 1% que me cabe, é meu. Portanto, eu quero cuidar do meu quintal. Eu muitas vezes não prestei, e muitas vezes não presto. Muitas vezes, por ansiedade, botei gente contra a parede, responsabilizei o outro pela minha alegria, pus o ônus da minha satisfação nas costas dos outros, e sim, fiz homens sofrerem. Não penso mais que o amor é ganho ou perda: é uma escolha. Não penso em conquistar ninguém: penso em compartilhar momentos, situações.
Terceiro. Parei de brigar com a minha mãe no pensamento. Minha mãe errou, e feio. Ela tem um gênio difícil, mas descobri que minha mãe fez o que pode, assim como eu faço o que posso. E que minha família tinha todas as neuroses que a família de todo mundo tem. Sofri, pra caramba. Assim como todo mundo. Errei, quebrei a cara n vezes, voltei atrás e fiz mais besteira ainda. Mas ponto. Dei o cano nas minhas amigas esse Carnaval, pra hibernar. Não quero ser mulher desse jeito, quero inventar outro jeito. Não sei qual é ainda, mas não quero me vitimizar, quero ir pra frente. Quero pensar em aliados, não em inimigos. Difícil explicar em palavras a sensação que me domina, eu fico brava e acabo brigando, briguei com as minhas amigas e disse: nessa vida, ninguém é santo. Tem homem que não presta. Mas tem mulher que, também, vou te falar uma coisa.
