Nada me alivia. É triste essa fase. E o pior, a bolsa acaba, e o que vou fazer? Sei que tem gente com problemas bem piores que os meus, que isso não é nada perto de passar fome, etc, etc. No fim, até envergonhada fico, nesse escritório em plena Campinas, tamborilando sobre problemas de séculos passados, enquanto tomo chá inglês.
Também fiquei deprimida com a história do menino assassinado com brutalidade no Rio, e tudo o que se escreve depois, sobre a punição dos culpados, sendo que um é menor de idade e tal. Não tenho cabeça pra refletir agora, leio as colunas e vago num cinza de tristeza, sem conseguir proferir uma opinião inteligente. Fiquei olhando o rosto do garoto de 19 anos, suposto líder do grupo que fez o que fez, e não reconheço nem em mim nem nele piedade. O ódio é assim, frio, transforma sangue e carne em nada, uma criança num boneco, e uma mente num abismo.
No meio dessa fase delicada, triste pra burro, falta de grana, nervoso, ansiedade, vejo o jogo do Corínthians com o São Paulo, meu time, e ouço uma música que eu tenho a impressão, ser brega, do Flávio Venturini, Noites com Sol. "Hoje só tem o breu/ vem me trazer o sol/ vem me trazer amor/ Pode abrir a janela/ Noites com sol e neblina/ Deixa rolar nas cantinas/ Deixa entrar o sol/ Livre será se não te prendem/ Constelações/ Então verás que não se vendem/ Ilusões/ Vem que eu estou tão só/ Vamos fazer amor/ Vem me trazer o sol"...

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