Senhor, rezo nessa Catedral, a única coisa feia nessa cidade de Madri, nessa cidade capital de um Império, nessa cidade de homens e realizações, de espelhos e sacadas. Rezo nessa catedral e pergunto a mim mesma de onde meus antepassados espanhóis eram, não importa, em Madri me sinto em casa e em Madri enterrei minhas preocupações.
Peço, ó Virgem de Almudeña, ó mãe das flores e das mágoas, que eu seja amada pelos meus desacertos, que eu seja amada pelos meus desvãos, pelos escuros de sentimento, e não pelas minhas certezas, pelos meus momentos gloriosos, toda mulher erra ao pensar que os homens as amam por esses momentos; nos amam pela nossa fragilidade e não pela pretensa força da vaidade. Nos amam por amar; e amor não se pede nem conquista, amor não é território, é a luz do dia, existe por existir. As pessoas se encontram, não se pertencem. Peço humildade e doçura, e que eu seja flexível: é melhor que ser forte. Peço calma, paciência, serenidade: é melhor que sonhar. Peço para aprender a fazer pão, a usar as ervas na comida, a consolar, a rir e a chorar.
Meu São Francisco, que eu visitei e pedi, peço para não me deixar esmorecer, não me deixar desistir, não me deixar cair nas minhas fraquezas de caráter; que eu permaneça na simplicidade das cores. E que os momentos nessa Catedral cinza e triste se tornem o que eu preciso para viver, continuar, existir.

3 comments:
Lindo texto-prece-canção...
Que bonito...
Ah, hoje eu fui no National Gallery como vc pediu!! Fiquei horas babando lá... maravilhoso!
Beijinhos!!
amém!
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