Friday, February 16, 2007

É Carnaval...

E chegou o Carnaval. Tô pulando doidamente, da sala pro quarto, do quarto pra cozinha, da cozinha pro banheiro e assim sucessivamente, com paradas no camarote das bibliotecas do IFCH e do IEL. Ninguém merece tanta chatice.
Essa fase de final de tese, sinceramente, isso sim eu queria pular, acordar e ter a tese pronta. Como isso não ocorre, lá vou eu de parágrafo em parágrafo, consertando coisas. O que falta deixo em amarelo, e minha tese parece um queijo suíço, de tão amarelinha e cheia de buracos.
Ando com uma fome louca e com a bronquite a toda, acho que nunca estive tão panda em toda minha vida. Que miséria, só penso no Gerião, no Virgílio e nas duzentas páginas que já consegui ajuntar. Minha mãe foi super fofa, me mandou me concentrar na coisa e ir pra frente. Eu estou com a minha casa uma zona, dois dentes estourados esperando tratamento, IPVA pra pagar, roupa pra lavar, um inferninho, e no meio disso eu consigo quebrar todos os foninhos disponíveis. Vou na loja de 1,99 e compro foninhos que não duram uma semana, nessa rotina de ligar o Neguinho do Pastoreio a toda quando faço todo tipo de atividade, ouvindo de Milton Nascimento a Wando, de Pet Shop Boys a Barry White. Mas que desgrama.
Fico lendo os jornais, nos intervalos dos trabalhos de Hércules, e me deprimo ainda mais. Não tô podendo. Nesses anos de universidade, eu vi muitos colegas na fase de final de tese, e achava que o povo exagerava. Não, não, é um ritual de iniciação dolorido. Num certo sentido, é mais fácil que no mestrado: você já tá mais escaldado, preparou várias coisas, deixou o feijão de molho e a cebola cortada. Mas, ao mesmo tempo, é uma despedida de uma fase da vida. Depois, com o título, é outra história: você abraçou de vez a carreira acadêmica, é concurso, banca, aula, o caramba a quatro. Vejo alguns professores rodando IFCH e IEL, nesses dias, e colegas, e penso, todo mundo passou por isso um dia: o desespero de ter escrito uma mísera linha quando se deveria ter escrito cinqüenta páginas; o medo da banca te detonar; e a impressão de que se fez tudo errado, que tudo foi pro brejo sem remissão.
Que fazer, como perguntaria Lênin? Sentar a bunda na cadeira e castigar o teclado. Fazer o quê?

2 comments:

Zé Luis said...

Deixa Lênin prá lá. Escreva, torço por ti e vou rezar pro espírito soprar por aí.

Saudades do Carnaval é coisa que devemos superar. Batucada em meio a barbárie não é sabedoria, é desespero. Foliões não são parâmetro de nada, non raggionam di lor, ma guarda e passa.

Abraço e boa sorte.

Maria said...

Zé, como sempre com a razão. A Virgem de Almudena veio em meu socorro. Beijo.