Fiquei com o Meio na cabeça todos esses dias, entre Natal, Reveillon, tratamento dentário, problemas com a tese e casa, nachada, e finalmente uma temporada relâmpago no velho Piratininga. Queria postar uma música do Lucio Dalla pra vocês, de Feliz Ano Novo, e não postei, queria postar a receita recém inventada do camarão e nada, vários posts na cabeça e quando fica assim, melhor encarar de qualquer jeito e retomar os trabalhos de Hércules.
Problemas em geral, mas muita felicidade no meio, revi gente muito querida, blablabla. E ouço todo dia Cama e Mesa do Roberto, e todo homem precisa saber o que quer. Não há vento favorável pra quem não sabe onde vai, sei que parece auto-ajuda barata, mas é a verdade. Eu quando criança achava a música do Roberto breguíssima e hoje sei que Maria Bethânia tava certa quando mandou o Caetano "prestar atenção em Roberto". Hoje prestei atenção em Roberto mais uma vez e descobri que em Cama e Mesa está o mundo em que habito por vários instantes do meu dia.
Quando a gente sabe o que quer, tudo fica Roberto: a voz límpida, certeira, a paisagem se descortina, a vida se renova.
Também tive um sonho lindo. Peguei na estante do Paulo, o anjo que me recebe na velha São Paulo natal, a edição comemorativa dos 70 anos de Raízes do Brasil, que a gente chamava, carinhosamente, lá no IFCH, de Mandioca, Inhame e Batata Baroa. Muitas fotos lindas do Serjão, o fantasma que embala os sonhos dos jovens historiadores unicampistas. Eu assisti aos dois filmes-biografia do Sérgio num dia péssimo da minha vida, quando sofri um acidente de carro e quase me junto ao pai do Chico. Pois bem, vi o livro e no meio da manhã adormeci, e sonhei que estava numa casa cheia de gente, almoço na mesa, aquela zona, e eu com um cigarro nas mãos, querendo fumar, e prestando atenção e meio que não prestando atenção em nada. E aí, Sérgio Buarque de Hollanda se senta do meu lado, e gentilmente acende meu cigarro, pra minha surpresa, eu que não tava esperando nada disso de ninguém naquela cena. E pensei, homens assim não existem mais, nasci na época errada. Lindo, não?
Outra coisa foi ir na Pinatoteca, ops, Pinacoteca, e ver o Brecheret que tiraram do Cemitério, a Musa Impassível, lindo, lindo, tão lindo ver algo que nunca se viu de um artista de quem se pensa que se viu tudo. Fui almoçar no grego do Bom Retiro com velha comparsa de crimes e tramóias, fui jantar na Liberdade com velho comparsa de crimes e tramóias, tomei um café no Sujinho da São João com idem, ibidem, e agora volto a dormir pra encontrar o Serjão. Feliz 2007 pra todos.
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