Saturday, January 20, 2007

Lentilhas e tese

Ontem fiz um bolo de caixinha ( quer dizer, hoje em dia o Dona Benta vem em saquinho) e a Yna pôs uma cobertura em cima, um brigadeiro mole com café. Hoje estava o dilúvio, a gente tinha combinado um passeio em Joaquim Egídio, pra ver o cometa no Observatório Municipal. O Observatório, que tem um dos maiores telescópios óticos do Hemisfério Sul ( believe me), fica na Serra das Cabras, uma serrinha linda, mas tem um bom pedaço de terra subindo. No caminho, tem um restaurante siciliano excelente. O Observatório é um dos meus lugares favoritos no planeta Terra.
Mas voltando, choveu demais. Meio dia me levanto, com uma fome danada pensando, mas que faço pro almoço. Fiz uma panela de arroz que ficou soltinho. Pus lentilha de molho, batatas pra cozinhar. Resolvo descer pra comprar uma linguiça de frango e uma couve, sei lá, o telefone toca, é Yna desolada com a chuva e o sábado tedioso. Convido pra almoçar, pergunto se ela tem problemas com linguiça de frango. Não sei porque, mas lentilhas me fazem lembrar linguiça de frango, e couve. Saio correndo do prédio, meu zelador que é um anjo vem atrás de mim com um guarda-chuva do Mickey, dizendo, te conheço, o que você vai querer comprar não tem na padaria da esquina.
Não tinha mesmo, rodo, vou até o restaurante português na outra esquina, restaurante velho de guerra com a clássica tv de cachorro na porta. 14 pilas o frango, qué isso. Vou no Itaú, o cartão não passa. Corro em direção ao Centro de Convivência, com fome, pressa, e a chuva molhando a barra da saia. Compro um belo dum frango assado por 5 paus, uma farofa que tava simpática do lado, maçãs, um queijinho, azeitonas. Volto mastigando um salgadinho. A batata está cozidérrima, a lentilha já vai, o pessoal chega, ajuda, a batata vira um troço com margarina e alecrim colhido do pé, o azeite libanês ajuda, asso maçãs com açúcar e canela, o papo rola na sala, uma sangria aparece, e a gente comeu, viu fotos, livros, até brigar brigamos.
Volto pra tese, junto os cacos de quatro anos de trabalho descontínuo e desorganizado, de esforços em direções equivocadas, de muita preguiça, de rolos na vida, Chicago, Pisa, Campinas, São Paulo, Rio de Janeiro, tanta vida dentro disso. Falei com amigos em São Paulo, eu queria muito fazer a tese da tese. Uma exposição de fotos, comidas, receitas, das coisas rolaram com a tese, para a tese, contra a tese, todas as posições socráticas possíveis, toda a ágora quebrando o pau, e ninguém chegando a conclusão nenhuma, mas uma coisa é certa. Esaú vendeu a primogenitura a Jacó por um prato de lentilhas, eu faria o mesmo com a minha tese...

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