Tuesday, January 30, 2007

Babel e o Menino da Porteira

Tive um final de semana esquisito. Fui pra São Paulo, pra festa de amigos queridos que reencontrei nesses dias paulistanos, e foi muito legal tudo. No domingo, passeamos, coisas legais aconteceram, e fui assistir Babel. Bom, mas no meio do caminho da rua Augusta vi um amigo muito antigo. Na verdade, no início, ele foi uma grande paixão, mas depois de vários sobressaltos, desentendimentos e encontros, a gente ficou amigo. Eu sabia que meu amigo estava muito doente, mas no domingo eu descobri que infelizmente ele tem problemas bem sérios.
E assisti ao filme, que tem partes legais e outras nem tanto, mas que fala da fragilidade da vida nos dias que correm. Eu me senti muito frágil no domingo, em meio à tempestade que caía sem trégua sobre a combalida cidade em que nasci, senti medo, raiva, mas vi solidariedade, carinho, delicadeza.
Enquanto eu sofria ao constatar que o tempo passou muito mal pro meu amigo, pensei que ao mesmo tempo, algum casal fez amor e uma criança vai nascer disso, que gente morreu mas teve quem nascesse, quem trouxe uma boa notícia, quem inadvertidamente impediu um assassinato, quantos sorrisos foram dados, quantas risadas, e pela primeira vez eu vi que as coisas boas podem ser mais voláteis e frágeis, mas por elas a gente se guia em meio à metrópole.
Meu pai adorava o Menino da Porteira. Eu acho tão linda essa música, porque fala de uma lembrança, e eu lembro do meu pai chamando um colega da Cesp, que era de Ouro Fino, de Menino da Porteira ( meu pai às vezes mandava mal). Então é isso.

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