Thursday, February 18, 2010

Os problemas sentimentais dos pandas

Carnaval, ziriguidum, muita coisa pra fazer, um calor digno de algumas valas do reino de Lúcifer... e a pequena panda sofrendo de problemas sentimentais.
Claro que panda e melancolia são sinônimos, como bem atestam os leitores (poucos mas fiéis) desse já venerando blog. Já me disseram que eu tenho uma tendência ao masoquismo, e também já me disseram que eu sou que nem a ninfa Eco na história do Narciso: que repito as palavras dos outros e me apaixono por criaturas dadas a um egocentrismo. Acho que as duas coisas são verdadeiras. Mas o que tá pegando, agora, é que eu perdi o pouco do senso prático que eu tinha, enredada em dores d'amor e lembranças desoladoras.
Não que eu fosse uma pessoa prática nesses quesitos; aliás, eu não sou uma pessoa muito prática em nenhum quesito. Mas começo a considerar que tá um pouco demais. Tudo bem, sentimental eu sou. Eu assumo: sou brega pra caralho. Eu gosto de ouvir Besame Mucho, até na gravação do Ray Conniff, e eu guardo recordações, principalmente no coração. Mesmo quando essas recordações são tingidas pela dor, incompreensão, mesquinharias e outros acessórios, na minha modesta opinião, completamente desnecessários, do amor.
Acho que eu poderia escrever várias novelas, porque desde sempre eu tive paixões platônicas, impossíveis, ou simplesmente complicadas demais. Agora, tem o seguinte: eu me lembro bem da minha antiga psicanalista me perguntando o que que eu ganhava com determinado hábito, mesmo que fosse prejudicial à minha sofrida pessoa. Não sei o que eu ganho em ser romântica demais. No caso, penso que eu não ganho nada mesmo, só me ferro e isso tem a ver com a minha baixa auto-estima.
Então, ultimamente eu tenho me esforçado em pôr a casa um pouco em ordem, mesmo que fantasmas, dores e outros dissabores do passado às vezes rondem meu cansado e velho de guerra de coração. Por que também tem o seguinte: cansei de me envergonhar de ser do jeito que eu sou. Cansei de pensar que a culpa é sempre minha, e que eu é que sou a maluca por gostar, ou querer me aproximar das pessoas. Eu não tenho culpa se gosto de carinho, de bebês, de bichinhos e coisas fofas, não tenho culpa se acho o fim as pessoas passarem por cima do sentimento das outras e também não tenho culpa em ficar com raiva quando neguinho me ridiculariza, faz pouco de mim ou não tá nem aí pros meus sentimentos. A gente aprende com os anos que quem tira onda da cara dos outros só é malandro na superfície, e que quando mais velho a gente é, mais bobo, graças a Deus, a gente fica. Que a vida me poupe de me tornar amargurada, é só o que eu peço.

Wednesday, February 17, 2010

É bem assim

www.phdcomics.com

Sunday, February 07, 2010

Poverello


Tô aqui numa labuta danada.



Um AVG desatualizado, e pimba! O velho Caronte ficou doente. De repente, meu email começou a disparar uma besteira pra todos os meus contatos, e o bicho travado até não mais poder. Posto depois a experiência de ter o PC velho de guerra infectado por uma m#$% de vírus, com o perdão da má palavra.


Mas tirando isso, voltando. De maneira fantástica e inesperada, fui chamada pra dar aulas de História da Arte. Incrível. Estou aqui, num tremendo entusiasmo, montando meus cursos, e um deles é sobre... tchanammmmm! Vocês acertaram! Renascimento Italiano! Dá-lhe tiozão!!!!


E monta daqui, monta de lá, e é necessário falar de São Francisco. Talvez a maior força espiritual da modernidade, no catolicismo, Francisco é a base de muita das inovações empreendidas nas cidades da velha Península Itálica, nos idos dos séculos XIV, XV e XVI. Existe uma discussão historiográfica tremenda nisso, mas, de minha parte, acho inegável que o rapaz de Assis foi um modelo pra muita gente naquele meio de campo: dedicou a sua vida a ser santo, a entrar pra História. Antes de Francisco, as pessoas no geral eram santas ou porque tinham participado diretamente da História Sagrada, ou porque foram mártires nos primeiros tempos do cristianismo. Ou seja, pros pósteros, a possibilidade de manobra era nula. Mas Francisco fez a História andar de novo: qualquer um, segundo ele, se seguir o Cristo, vira santo. Tudo bem que falar pras aves de rapina, inventar o presépio, ter os estigmas da Paixão de Cristo e ainda por cima aparecer em Arles, sul da França, quando se estava em Assis na Itália ajuda muito o sujeito, além de ter Santa Clara e Santo Antônio como amigos.


Acima, um fofo São Francisco, artesanato mineiro, de São João del Rey. E abaixo, a interpretação delicada de Maria Bethânia para a Oração do santo, um dos textos religiosos mais bonitos de todos os tempos, na minha e na opinião de pessoas do mundo inteiro, de todas as crenças, que admiram o que casou com a pobreza.


http://www.4shared.com/file/28271232/a1c33790/05_Orao_de_So_Francisco.html?s=1

Friday, February 05, 2010

A quem não gosta de mim- II

Ontem, fiquei sabendo que você escreveu para a nossa grande amiga, que tínhamos em comum até quatro anos atrás. Foi aniversário dela; você se lembrou, eu não. Isso sempre acontecia. Você tinha a delicadeza de anotar e lembrar os aniversários de todos, comprava presentinhos e sempre nos enchia de carinho. Eu sempre esquecia o aniversário de todo mundo, nunca tive dinheiro pra comprar nada pra ninguém e o máximo que podia fazer era te levar, de carona no meu carro, algumas vezes você pagando um pouquinho de gasolina, até o lugar onde os nossos queridos, e eram tantos, estavam.
Ela leu sua mensagem num misto de surpresa, alegria, tristeza, mágoa e decepção. Demorou quatro anos, e você escreveu. Confesso que fiquei envergonhada, triste, com raiva, magoada... mas não surpresa. Você gostava da nossa amiga. Eu sei que você amava muito todos. Mas não eu.
O ponto doloroso de tudo- e sempre tem um ponto muito doloroso em tudo- é que eu estava felicíssima em tê-la como amiga, mas isso não era recíproco. Você tinha os nossos outros amigos, tinha sua família, sua grana, suas coisas. Você se cuidava, você tinha uma vida normal, e eu te admirava em cada coisinha que você fazia... tantas vezes pensei que você era a filha que minha mãe sempre quis ter: era equilibrada, ajuizada, um pouco menina demais, mas sempre muito decidida em se cuidar, com os melhores cosméticos, a melhor alimentação e uma dedicação ponderada, um tanto quanto irônica, aos estudos. Eu ficava como a irmã mais velha, pentelha, tosca, que tirava sarro de você por gostar tanto da sua presença que é isso que os irmãos mais velhos fazem: beliscam, mostram a língua quando a mãe não está olhando, enfim, azucrinam.
Eu era a doida, a perdida, a dramática, a que vivia no vermelho, batia o carro toda semana e falava coisas loucas e sem sentido. Eu era a gordinha, a meio baranga e brega, a que não sabia lhufas de francês, a que não ia nos melhores restaurantes, a que comprava roupa na C&A e achava o máximo, a que não ia passar o Reveillon em Paris e a que ainda por cima fazia análise. Eu ia na análise, e segundo as minhas amigas, que você conheceu melhor do que eu, não adiantava nada, porque eu continuava sendo completamente maluca, não conseguia ter rotina pra nada e só me metia em roubadas sentimentais.
Eu não tinha orgulho nenhum de mim, mas tinha de você. Tanto é que durante um período me matriculei numa academia e comecei a fazer um plano, que denominei de "What a feeling", o que fazia você rir e toda vez que você ria o mundo se iluminava um pouco pra mim, porque eu podia ser pirada, mas fazia você rir, não deixava você sozinha e te amava como uma irmã. Lembro de uma das nossas últimas conversas, eu ia pros EUA e a gente sentada no café, e eu te olhava e dentro de mim era o mais puro afeto, o mais cálido sentimento de bem querer.
Mas uma dia, essa nossa grande amiga me disse que você falava, afirmava, que eu era sua amiga por interesse, e que o meu namorado tinha dado em cima de você. Fiquei sem palavras. Fiquei com raiva, sim, magoada,e senti muita dor ao constatar que era verdade. Sabe, até hoje eu prefiro me denegrir do que acreditar que você mentia. Eu era meio sem noção mesmo. Mas entenda que a dor que eu senti foi tão funda... todos os meses seguintes, eu lembrava de você em vários momentos do dia, da semana, e até hoje lembro.
Queria te pedir desculpas porque gostei muito de você, tanto, tanto, que não te enxerguei direito, não vi que você queria outra coisa, que seu coração estava em outra direção. Não vi o óbvio, eu sou muito burra mesmo e você sabe disso. Desejo o melhor da vida para você, de todo o coração. Mas, por favor, me deixe em paz.

Wednesday, February 03, 2010

Number One

Fiz que nem a Mari no Facebook: googlei a data do meu nascimento pra saber qual era a canção número um da parada da Billboard na semana que vim ter ao mundo, e olha só o resultado:

http://www.4shared.com/file/132288543/992c36e9/Emotions_-_The_Best_Of_My_Love.html?s=1

Ela ficou com "Hot Stuff", da Donna Summer... a minha é simpática também! Viva a era disco!

E nas semanas seguintes, só deu Star Wars Theme! Isso explica muita coisa da minha personalidade...

Monday, February 01, 2010

O povo é quem mais ordena


Esses tempos, tive o privilégio de revisar a dissertação do meu querido Michel. Na epígrafe do trabalho dele, uma coisa tão bem-feita que eu tive problemas ( corrigir texto bom é triste), estava a letra de Grândola, Vila Morena. Eu não conhecia a história, e ele me contou no meio de uma boa canja, como sói acontecer: a canção de Zeca Afonso tocou à meia noite do célebre 25 de abril de 1974. A família de Michel teve que fugir do Portugal salazarista, como tanta gente que anda nessa velha Campinas, e o avô dele não pôde voltar à terra natal. Mas Portugal viu nascer o dia dos cravos.

Saturday, January 30, 2010

Surpresa

Hoje eu pus meu laptop na cama e estava no toc, toc, toc, das preocupações e dos trabalhos de Hércules usuais, quando de repente... já eram oito da noite, e de repente...

O sol bateu direto no meu rosto. Apaguei as luzes do quarto, num sobressalto. Hoje o sol se pôs na frente da minha janela, do meu quarto de dormir. E nesse minuto eu vejo o pôr-do sol, amarelo, laranja, vermelho e violeta, atrás dos prédios, de uma árvore e do perfil da Igreja de São Benedito. Viva o pôr-do-sol, três vezes viva!

Tuesday, January 26, 2010

Saci Pererê


Tá dureza esse início de ano.


Fiquei muito triste com o terremoto no Haiti e os deslizamentos em Angra. O ano já começou trágico. Pra completar, o tempo não se define, e num mesmo dia você passa por um calor senegalesco e um ventinho de Campos do Jordão.


E no jardim das veredas que se bifurcam da panda... pra variar tô muito de saco cheio comigo mesma. A pandinha até tem boas idéias, mas eu tenho muita idéia, e daí eu fico confusa e fico com n coisas sem terminar. Hoje resolvi limpar minha caixa de email, eu tinha email de 2007 pra vocês terem uma idéia, e daí vários projetos, contatos, tramóias e picaretagens que tentei nos últimos três anos vieram à minha mente. Eu só não inventei a roda e/ou descobri a América por telefone. O resto, de tudo eu fiz. Tradução, revisão, tese, artigo, congresso, um oi pra quem tá longe, uma encheção de saco pra quem tá perto, banca, concurso, enfim. Sempre fui muito criticada por isso, na academia: as pessoas preferem a especialização, a calma arrogante do cara que se sabe incontornável, do que uma criatura que vive tendo idéias mirabolantes.


Faz uns anos, isso foi em 2003, eu escrevi um projeto que denominei de Pererê: porque ele era afro-descendente, pobre, deficiente físico e ninguém acreditava nele, já que o dito era parte do folclore popular. Vocês podem não acreditar, mas muito do meu sofrimento no ano passado foi porque o Pererê foi engarrafado e posto pra andar de patinete por aí. Sim, meus caros: cinco anos depois o pobre ser lendário sumiu no redemoinho das ambições e arranjos políticos universitários, e ele, o próprio, pretinho, sem uma perna e peralta, foi parar em outro lugar, muito longe de sua mamãe panda.


Depois de muitos meses sofrendo, resolvi que eu ia atrás do Saci. Enfim. Tive que ter outra idéia mirabolante, pra poder me aproximar do terreiro do povo que prendeu o Exuzinho, e acenar de longe pra ele, preso num garrafão verde.
Mas, como todos sabem, o Saci é uma criatura rebelde e adora fazer travessuras. Ele fez das suas, claro: quando tiraram o cidadão da garrafa, ele resolveu confundir o povo mais ainda e agora ele tá meio sumido. Eu fico aqui no meu terreirinho, e já comprei uma provisão de fumo de rolo pra ele, pra quando ele voltar. Os Pererês são livres, eles vão pra mata e encontram seus amiguinhos Boitatá, Iara, Curupira e Mula-sem-cabeça, mas eu sei que um dia ele vai voltar, porque eu posso não ter acreditado muito nele quando o bolei, só que eu acreditei bem mais do que o pessoal que o levou embora. E também nunca pus ele pra dançar salsa, ou participar de competição de surfe!
Acima, o saci do Lobato.

Friday, January 22, 2010

Garotos se apaixonam

Continuando na saga da música oitentista, pra desespero de alguns leitores...


Acho que uma das músicas que eu mais ouvi na vida foi "Boys do fall in love", do Robin Gibb. Que também é um dos videoclipes mais non sense da história, mas tudo bem... então eu deixo pra vocês, nessa sexta-feira à noite, uma sugestão pra baladinha do finds! Porque garotos se apaixonam, mesmo em naves espaciais. Detalhe pra tequinologia da época, e saibam que os irmãos Gibb ( vulgo Bee Gees) cantam no corinho do refrão.

Monday, January 18, 2010

Estrelas

Fiquei nesses dias me recuperando de coisas tristes, doloridas.

Começo a pensar que cada vez que a gente encontra gente do mal na nossa vida, a gente depois precisa de um tempo pra se recuperar, pra ficar quietinho, na nossa, curando a ferida. Ontem comprei rosas muito bonitas, e fiquei na minha, tomando chá e ouvindo música árabe, pensando no jantar maravilhoso que eu tive no Tenda Árabe com o Michel. Eu quero meu coração batendo inteiro, limpo.

Fucei e achei no Orkut uma comunidade muito legal de música árabe. O povo fala mal do Orkut, mas em termos dos colecionadores de músicas, aquilo é o canal. Você encontra gente carinhosa que ripa LP, e posta preciosidades, pérolas da boa música do mundo todo. Já agradeci, aqui, no Meio, várias vezes, a esses anjinhos do MP3, e agradeço mais uma vez: porque não é pirataria o cara pôr o link da primeira gravação, de 1910, da canção Salma Ya Salama, um dos hinos da canção árabe, na voz do compositor, egípcio, Suef Derwish, ou de melodias que remontam aos tempos que o Califado de Bagdá mandava na Península Ibérica.
Mas voltando. A grande cantora do mundo árabe é a libanesa Fairouz, que, mesmo nos tempos mais duros da Guerra Civil, permaneceu em Beirute, e que canta pra cristãos, muçulmanos, músicas tão bonitas que parecem sonhos. Ela é conhecida como Embaixadora do Líbano nas Estrelas: acho que o título já diz tudo. Ela foi casada com um grande compositor e músico, Assi Rahbani, que, junto com seu irmão, compôs trilhas sonoras de filmes, operetas, peças de teatro, que eles encenaram em vários países durante décadas. Hoje, ela trabalha com músicas do filho dela. A voz dela parece vinda do Paraíso. Abaixo, uma dessas composições dos Rahbani, por Fairouz. A delicadeza disso...

http://www.4shared.com/file/108012992/5705fae5/16_Nassam_Alayna_El-Hawa.html

Saturday, January 16, 2010

A quem não gosta de mim

Eu queria lhe escrever uma carta.
Pra dizer o seguinte, em termos gerais: não aguento mais ficar triste por sua causa. Você não gosta de mim, eu entendo e aceito. Por muito tempo me culpei por isso: revirei todas as minhas ações, gestos, palavras, até a exasperação, pra encontrar o motivo pelo qual você não gostava de mim. Me torturei inteira, me quebrei em todas as partes, me analisei em todos os meus defeitos e falhas, minhas inadequações de linguagem, minhas ignorâncias, desacertos, os limites tão estreitos da minha neurose. Dediquei meu tempo à infelicidade. A me sufocar na dor, na falta de esperança, senti até os ossos saudades suas, senti o frio do seu desamor, sofri com a sua ausência e fiquei sem palavras.
E você se obstinou a não me amar, até o fim, não só me rejeitar, mas passar por cima de mim sem ter compaixão. Você falou claro, não quero fazer nada em relação ao que te aflige. Não importa o que era; era algo grave, grande, sombrio, não dizia nem respeito a mim mesma, mera ninfa que te seguia os passos no bosque e que via você, enamorado de si, olhando pro lago sem parar: era algo que fez até canalhas no mundo inteiro se comoverem, mas não, pra quê sentir compaixão de alguém como eu, mero eco.
Eu quero ser feliz. Como todo mundo. Eu sou banal. Eu sou pequena. Me comovo com facilidade. Sonho sonhos bobos. Não sei tantas coisas, mas sou feliz com poucas. Escrevo besteiras que quase ninguém lê. Gosto de pão com manteiga, dos brilhinhos na minha calça jeans nova, gostei de ontem jantar com um amigo num restaurante árabe, tomar Arak e dançar com a moça da dança do ventre, uma coisa que eu nunca poderia fazer com você, aliás, pra você era triste a minha mania de querer experimentar um restaurante diferente. Pra você era triste me agüentar porque eu dizia que gostava de você. Você não gostava de mim, e não gostava que eu dissesse que eu gostava de você. Detestava os meus arroubos de afeto. Pois é. Eu abraço, beijo, digo que tenho saudades, me preocupo, quero estar junto, eu quero ajudar, me preocupei com pessoas que não conheço no Haiti. Eu sou algo incompreensível pra você: sou alguém que se importa. Me perdoe por isso. Me perdoe por ter lhe dito adeus.

Dor

A dor do Haiti é também a minha.

Sunday, January 03, 2010

Pavê Delícia Perversa

Passei meu Ano Novo com um gatinho carioca! Careca e sem dentes! O simpático Henrique, no alto dos seus 4 meses, até banho tomou com a tia panda... e aconteceu um caso incrível, o caso do pavê esquecido.

Herdei da dona Ana, mãe do Celo, uma receita que faz muito sucesso na família deles: o Pavê Delícia Perversa. Esse pavê é uma coisa incrível, ele fica gostoso, não sei explicar mas é muito bom de fato. Fiz o Delícia e esquecemos, eu, Dani e Evandro, o Perverso na geladeira. Dureza. Fontes me informaram, porém, que o povo aprovou a perversidade.
INGREDIENTES
1 lata de creme de leite
1 lata de leite condensado
3 ovos
1 lata ( como medida) de leite
1 colher de sopa de maizena
3 colheres de sopa de açúcar
chocolate em pó a gosto ( de preferência o dos padrinhos, da Nestlé, não tão adoçado)
1 pacote, grande, de biscoito maria ou maizena
Antes de mais nada, ponha no congelador a lata de creme de leite, um tempo antes de preparar tudo.
Depois, separe as gemas das claras. Cozinhe a lata de leite condensado, as gemas, a lata de leite e a maizena dissolvida no leite até formar bolhas. Reserve.
Bata as claras em neve, com o açúcar. Acrescente a gosto o chocolate em pó, junte o creme de leite sem soro, e misture levemente, não bata.
Faça camadas, num pirex, alternando os dois cremes e os biscoitos. Deixe gelar bem.
Voilà!

Wednesday, December 30, 2009

Votos de Ano Novo

Espero que o ano de 2010 seja muito legal pra todos! Que a gente tenha paz, muita saúde, graninha a mais, amor de todos os jeitos, comidas gostosas, boas leituras, grandes conversas, longos cafés, muitos e muitos chás com biscoito, compreensão, batalhas vencidas e lindos projetos!
Eu não aguentei, acima, mãe-panda e seus filhinhos, em reserva florestal chinesa. Tirei do site People Pets!

Monday, December 28, 2009

Biscoitinho amanteigado de Petrópolis

Eu participo de uma comunidade de receitas de biscoitos caseiros. Hoje, triste e chateada com o passado, resolvi seguir o ditado: pus a mão na massa! Consegui hoje uma fornada de biscoitinhos de manteiga que ficaram divinos...

400g de farinha de trigo
300g de manteiga
200g de açúcar


Modo de Preparo:Amassar tudo com as mãos. A princípio parece uma farofa, mas depois o calor das mãos derrete a manteiga e a massa fica bem homogênea e meio "oleosa".Deixar a massa descansar na geladeira por 30 minutos. Esticar, cortar no formato desejado e assar até dourar levemente.
Eu cortei com cortador de florzinha, e é pouco tempo no forno: 10 minutos se tanto. A receita rende bastante, eu assei uma parte e congelei outra. Perfeitos com chá! Ah! E se estiver muito calor no seu lar, normal nessa época do ano, deixe mais na geladeira. Os biscoitos, sem esse cuidado, ficam disformes! Corte em formatos pequenos, são melhores pequeninos. É daquele petit four amanteigado que derrete na boca!

Saturday, December 26, 2009

Agora!

Eu sou um terror pra me atualizar em moda, música, qualquer coisa. Acho que já tô velha mesmo; sempre preciso dos amigos descolados pra me mostrar as novidades do momento.
Resolvi tirar os dias dos feriados pra sair da minha toca e ver o que rola por aí. Em primeiro lugar, fui conferir a nova coleção das Melissas, e já decidi a que eu quero: uma de florzinhas muito delicada, que parece sapato de fada.
Na casa da minha mãe, a tv a cabo pega: não sei o que eu fiz aqui, tá tudo fora do ar ( desconfio que tem um cabo solto, mas enfim). Zapeando, caí na MTV, e vi um crips que me chamou a atenção. Gostei muito da musiquinha; os infantes chamam Black Kids e a musiquinha, I'm not gonna teach your boyfriend dance with you.
Depois, no comando msn, a fofa Táta me mostrou as Those Dancing Days, baby suecas muito queridas, corram e vejam no Youtube se as meninas não são umas graças.
Jovens na vitrolinha!

Tuesday, December 22, 2009

Roupa nova

Pois é, chegou o Natal.

Pus minhas luzinhas na sacada, a bota do Papai Noel na porta e fui enfrentar as hordas no shopping. Por um bom motivo: comprar uma roupa para o Natal.

Entra ano, sai ano, a panda na dureza da crise econômica mundial, e virou uma pequena tradição: o Natal é a ocasião em que compro roupa nova. Interessante que essas roupas viraram, pra mim, as roupas que eu gosto mais, a saia de linho bordada com um jardim, o vestido de malha com o tecido macio e que parece ter manchas de tinta, e toda vez que eu uso, penso, essa é a roupa do Natal. Comprei outro vestido, esse bordado, esse ano. Fui jantar e começou a tocar essa música, que é outra da qual eu não me lembrava há anos:

Sunday, December 20, 2009

Para 2010

Roubei de um lugar da internet, e virou plano de metas:


clarear a intenção
focar o objetivo
criar uma estratégia
dedicar-se

Friday, December 18, 2009

Na rua

Na rua, eu me virei, vi as horas, peguei a sacola do supermercado, e de repente, eu me lembrei de uma música que não me lembrava há anos. E era exatamente o que eu sentia. Porque só me resta esperar.
Cyndi Lauper, Change of Heart

Saturday, December 12, 2009

Do jeito que a vida quer

Essa semana foi cortando o riscado. Zicas, aborrecimentos, lutas e desvãos. Ou seja, na normalidade.

Hoje fui dar aula, e fomos ver a exposição no Museu de Arte Contemporânea aqui de Campinas, o Macc. Excelente, eu volto lá com calma pra poder escrever aqui uma resenha. Coisas muito boas, vale a pena comentar. Depois, fui com os meninos adornar o City Bar, e na volta pra casa, uma supresa: em plena feirinha, um povo do samba, excelente, lascando no pandeiro. O único senão foi que no meio de tanto Adoniran, dona Ivone Lara e outros bambas, o céu ficou preto, e eu tive que correr de volta pra casa.

http://www.4shared.com/file/59437434/e62df6bb/Benito_di_Paula_-_Do_jeito_que.html?s=1

Tuesday, December 08, 2009

Parabéns!


Aos poucos, ao longo do dia, soube do caos que virou o meu velho Piratininga Natal.



Parabéns ao prefeito Kassab por gastar milhões em publicidade, para registrar os feitos de sua administração! Parabéns ao governador! E aquele abraço pro pessoal de Brasília!
Fonte da imagem comovente: Portal UOL.

Guerra de orixás

Hoje foi o dia.

Saio de casa para um compromisso em São Paulo, não consigo atravessar a minha rua, porque tá tudo alagado. Volto, pego o meu possante, o famoso internacionalmente Exumóvel, e vou pra Rodoviária.

Não tinha passagem pra São Paulo. Sim, caros: o velho Piratininga estava ilhado, a Rodoviária do Tietê fechada porque o rio perdeu a paciência, subiu, neguinho morrendo, e aquilo tudo. Esperei, esperei, consegui uma passagem mas antes de subir sou gentilmente informada que o ônibus das seis da manhã não tinha chegado em São Paulo ainda. Ou seja.
Acho que os orixás resolveram guerrear, minha gente, porque a urubaca tá solta. Aliás, em relação a Unicamp, eu tenho uma proposta pra Reitoria: contratar umas mães de santo pra fazer a lavagem das escadarias do Ciclo Básico, pra ver se dá uma aliviada naquele bando de Exuzinho solto por lá.

Monday, December 07, 2009

Desabafo

Hoje estou triste. Pronto, falei.

Estou triste porque nos últimos dias pensei muito no desperdício de vida que acontece ao redor da gente. Se desperdiça água, comida, madeira, gente, eletricidade, amor, carinho, se desperdiça, não se usa, se prefere a mesquinharia. E a vida é tão maior. A vida é tão maior. Por que desperdiçar o que existe de bom, e se viver num inferno, pra quê causar dor nos outros e em si mesmo? Por que? Tem gente que briga por nada. Tem gente que deixa de conviver por nada. Tem gente que pisa nos outros, sacaneia, faz coisas horríveis, pra nada, por nada, ganhando nada em troca. E a vida é tão maior. Odeio sofrer por coisa que no fundo é besteira.

Friday, December 04, 2009

Nos bailes da vida

Foi nos bailes da vida, ou num bar em troca de pão, que muita gente boa pôs o pé na profissão. Pois é.

Apesar de muita rasteira, tô na luta. Apesar de muita mágoa, surtos, raiva, angústia, ansiedade, the dark side of the Force, a pandinha véia de guerra é brasileira, e não desiste nunca do seu mesopotâmico projeto de ser uma boa pessoa, respeitar os outros e o universo, viver, ter seu ganha-pão, ouvir muita música, etcs.
Não vou esconder de vocês, uns dias atrás eu tava achando que pirar o cabeção de vez. O que me salvou foi que eu tenho o péssimo hábito de acreditar. Um amigo manda o email de um Concurso Literário no Nepal, e eu me animo, e acredito que aquele projeto esdrúxulo pode dar certo!
Eu sempre me animo perto do Natal. Dureza ser uma otimista incorrigível. Adoro estudar e fazer planos enquanto chove lá fora.

Monday, November 30, 2009

Definições

Um amigo me disse hoje que eu sou como chuva: que depende daonde cai, é uma desgraça, agora quando cai na hora certa no lugar certo, é ótimo.

Me disse também que muita gente filha da putinha confunde a minha dor com maluquice. E quem é meu amigo reconhece a minha dor, e ajuda a curá-la.

E que eu tinha que tomar cuidado, pra não rodar de um lado só, se não eu ia me desgastar demais daquele lado.

Saturday, November 28, 2009

Pois é

No post abaixo, Alegria, Alegria, eu soltava o meu parco verbo em relação às arapucas da memória histórica dos anos recentes da História brasileira.
Pois é, caros leitores, o trem da dona História pegou todo mundo na curva e nesta sexta, César Benjamin, ex-guerrilheiro, preso durante muitos anos no regime militar, o famoso Cesinha das intermináveis querelas da esquerda brasileira, resolveu se manifestar e acusar o presidente Lula de tentativa de estupro, nos 30 dias de sua prisão.
Li o artigo, que será a pièce-de-resistance de todos os seguidores de Olavo de Carvalho do universo conhecido, bem como todos os leitores da Folha de São Paulo (que estão com o cu na mão diante das tropeçadas dos tucanos) e todos os da chamada direita brasileira.
Acho incrível que ninguém tenha se perguntado porque o "menino do MEP" nunca tenha aparecido, da razão da bombástica revelação de Benjamin às vésperas de ano eleitoral, via Folha, jornal que se notabilizou, dentre outras pérolas, pela ditabranda.
De fato, é urgentemente necessário pesquisar a história contemporânea do pais. Urgentemente necessário. Está trágico.

Friday, November 27, 2009

Canta, ó Musa, a ira da panda

Agora, enfrento com minha querida turma de alunos a República, de Platão. Não adianta os caras leitores fazerem cara feia: os próprios pediram para se expor a tal sofrimento. A primeira parte é fantástica, com Sócrates e o velho Céfalo falando do envelhecimento, da memória e finalmente da justiça.
Daí o bicho pegou, e ninguém estava entendendo nada. Muitas citações a Homero. No meu primeiro ano de universidade, li a Odisséia em Textos Fundamentais de Poesia, no IEL, e a professora Suzy Sperber nos deu uma prova, pra ver se o povo distinguia Circe dos porquinhos. Eu adorei a Odisséia, e a Ilíada ficou pendente. Numa viagem à Unesp de Assis, enfrentando o famoso ônibus Fergo, que faz qualquer trajeto no sertão paulista em mais de 19 horas, pulei de novo a destruição ruinosa de Ílion e encarei a Eneida, adorando a parte que Enéas se mete com a Sibila no Hades ( claro, almas penadas e monstrinhos é comigo mesma).
Voltando, a discussão da justiça tava pegando fogo, quando resolvi seguir o velho Platão e pegar na Ilíada, texto básico da discussão de Sócrates. Não consegui parar de ler, e estou totalmente envolvida.
Fiz um perfil, faz um tempinho atrás, no Goodreads (www.goodreads.com), que é um site legal, uma espécie de Clube do Livro virtual. Você pode escolher livros que leu, que quer ler, etc, e ver o que outras pessoas falaram do título. Resolvi por Homero na minha estante, e ler o que o povo escreveu das lutas por Helena.
Achei um barato, porque as pessoas se dividem nas discussões de "porque é importante ler um clássico da tal civilização ocidental", "não entendo nada de Mitologia mas acho legal", e uma moça que confessou que não consegue dormir pensando em problemas, e hoje sabe que a melhor coisa pra se fazer à noite é subir numa biga e pegar o corpo do inimigo e ficar arrastando por aí.
De fato, como ela disse, se você tem problemas, esquece de todos ao ler as discussões horríveis dos gregos e as palhaçadas dos deuses. A tal civilização ocidental começou bem: o livro não glorifica os gregos, muito pelo contrário: se você é uma pessoa sensata, torce o tempo inteiro pelos troianos, tal o baixo nível das tropas dos dânaos.
Eu acho Ulisses um tosco, o Agamênmon um bandido e o Menelau mau caráter. Amo Heitor de paixão e estou completamente irada com Aquiles. Ainda bem que tem o Virgílio pra me salvar, Enéas foge de tudo isso, funda Roma e pronto acabou!

Thursday, November 26, 2009

Alegria, alegria

Comecei a escrever sobre História do Brasil há quatorze anos. Evidentemente, agora também faço parte da História do Brasil. Meu objeto de estudo eram algumas manifestações artísticas no período de 1964 a 69, o que se chamou, pela imprensa ( mais precisamente, Nelson Motta chamou) o Tropicalismo. Muito da minha empreitada era encomenda do meu pai, que achava, no início do primeiro governo FHC, que se precisava pensar os acontecimentos da ditatura militar.
Fiquei os quatro anos seguintes na biblioteca do IFCH e no AEL, vasculhando teses, memórias, jornais, revistas, atrás de alguma pista. Li tanto as entrevistas do Geisel e dos homens da repressão quanto os tocantes relatos do Gabeira e de frei Betto.
Claro que, nascida no início da chamada abertura, eu mesma não tinha memórias dos anos de chumbo. Minha mente alcança eu, batendo na TV, toda vez que aparecia Delfim Netto, ou ver pela TV o mundo de gente na Sé, nas Diretas.
Acompanhei, pelos anos seguintes, as discussões sobre o passado recente do país, meio decepcionada, e, depois dos governos Lula, totalmente deprimida. Muito horrível ver pessoas que se advogavam defensoras de valores de esquerda montarem esquemas nababescos de corrupção, e também, ver que o passado se distorce, se fere, se deturpa.
Não vi a cinebiografia de Lula, nem pretendo. Parece que o filme termina na prisão do nosso atual presidente, depois dos idos das grandes greves do ABC. Lembro que, pequenina, tinha fonoaudióloga na rua Tutóia, e passávamos sempre pelo DOI-CODI.
As distâncias da memória são ótimas pros desvãos dos discursos políticos. Eu me ressinto de que a construção da história do Brasil mais recente está marcada, crivada, por escolhas que me parecem meio equivocadas, quando não completamente equivocadas.
O problema é que, penso, não vejo na universidade sair reflexões melhores sobre tudo isso. Aliás, ando muito pessimista em relação à universidade. Não vejo o povo trabalhar no sentido de esclarecer as coisas, só vejo lutas internas e tudo isso, como disse no post abaixo, tá me cansando. Então, nesses dias de calor infernal, leio Machado e pronto.

Monday, November 23, 2009

Preocupações

Passei o dia tentando, de todas as formas, alinhavar um artigo que estava emperrado há séculos. Eu queria escrever sobre as concepções de justiça no inferno de Dante; peguei a figura do Minós e comecei a descascar o abacaxi. Mas eu estou preocupada.
Com um monte de coisas. Eu sou uma pessoa preocupada, angustiada, ansiosa e no limite da maluquice. Eu me importo e me preocupo com as pessoas. Isso às vezes me atrapalha muito.
Vou dar um exemplo: a fofa Pati pegou um avião e foi pro Canadá. Ontem tentei falar com ela no msn, e nada, nada, e eu começo a achar que a menina virou homeless, e está congelando num beco deserto. Não sei se vocês se lembram daquela cena da Amélie Poulan, em que ela espera o rapaz no café, ele se atrasa e ela acha que ele foi parar no Afeganistão. Pois é, aquela cena sou eu.
Outro exemplo: eu briguei com uma pessoa que eu amei muito. Ontem, fui almoçar no chinês vagabundo da Barão de Jaguara e tudo estava cinza, e tudo pesava muito dentro de mim, a ponto de eu não conseguir chorar. E hoje eu acordei muito cansada.

Saturday, November 21, 2009

Abecedário da Música dos anos 80

Amor Perfeito, Roberto Carlos
Barrados no Baile, Eduardo Dusek
Cheia de Charme, Guilherme Arantes
Deslizes, Fagner
Esquece e Vem, Nico Rezende
Forever Young, Rod Stewart
Guilty, Barbra Streisand
Heart of Glass, Blondie
I love rock and roll, Joan Jett
Juliet, Robin Gibb
La Isla Bonita, Madonna
Muita Estrela pra pouca constelação, Raul Seixas e Camisa de Vênus
Nos bailes da vida, Milton Nascimento
Only a Dream in Rio, James Taylor
Por que a gente é assim, Barão Vermelho
Quero só você ( A vida tem dessas coisas), Ritchie
Rádio Pirata, RPM
Sândalo de Dândi, Metrô
The Lady in Red, Chris de Burgh
Ursinho Blau Blau, Absyntho
Vira Virou, Kleiton e Kledir
X- Abecedário da Xuxa
Z- acabou, galera, minha memória pra música oitentista é grande, mas não chegou no Z. É a idade, crianças.

Dança

La Danse, Matisse, 1909. Óleo sobre tela, 259,7 x 390,1 cm. Nova York, MoMa.

Hoje esqueci que ia dar aula. Agora estou com mais uma turma, uns fofos, e eu esqueci completamente que ia dar aula. Acontece nas melhores pandas. Cafézinho na padaria e vambora, falar de Picasso, Matisse e os inícios do Cubismo e do Fauvismo.
Eu precisava estudar mais. Tudo. Sério. Uma das coisas positivas deste lascado e sofrido ano que passou foi que estudei Rubens, Leonardo arquiteto, Charles Perrault e Thomas Hobbes sobre as fadas, o capítulo da Maquinaria e Grande Indústria do Marx, mas no meio disso tudo não pude ir às exposições em São Paulo, nem ver um MASP básico. E eu queria muito estudar Matisse.
Estava andando com os meus alunos na rua, e passou um cara numa Ferrari. Em plena Ponte Preta, rua de paralelepídedo, o cara me passa numa Ferrari. E os meninos me disseram que uma daquelas custa 800 mil, e eu pensei, se eu tivesse esse dinheiro, não ia comprar uma Ferrari, ia me pirulitar pra Paris, só pra ver a Impressão do Sol Nascente, no Marmottan.
Dizem que excelência é gostar daquilo que se faz. Se for assim, devo ser uma das melhores historiadoras da arte do milênio!!!!! Porque meu coração enche de amor ao falar da Dança do velho Matisse.

Thursday, November 19, 2009

Kairós

Os gregos, que sabiam algumas coisas, criaram duas palavras pra falar do tempo.

Uma é chronos, o deus terrível que come seus filhos. O tempo do relógio, que devora, do horário do ônibus, do bater o cartão, das rugas e dos dissabores. Do telefonema que não vem, da escuridão, da angústia.
Outra, é kairós. Kairós é o tempo interno. Ele não se mede no relógio, não se mede pelo visor de nada. É o de dentro. O indizível. O inesperado, o louco, o colorido, o bonito. As horas que passam depressa quando se está feliz, ou devagar quando se está com dor. Einstein dizia que meia hora é uma eternidade pra quem está com a bunda no fogo, e nada pra quem quer conquistar uma mulher.
Tive dissabores meio graves e estava em pleno reino de Chronos. Aconteceram várias coisas... que me fizeram retomar um pouco do meu kairós. Eu vi amigos queridos, sentei num lugar muito bonito para ler Platão, e vim ter numa cidade desconhecida, ensolarada e encontrei uma das noites em que o relógio não importou.
De fato, qual das duas sou eu? A que vive tranqüila e que pode passar dez anos sem ver alguém muito querido, e retomar a conversa do mesmo ponto, ou a que vive angustiada, presa no que não consegue expressar, presa na mágoa, refém do calendário? Li não sei onde, nessas horas douradas, que na medicina chinesa problema de rim, bexiga, é mágoa, e asma, quando a pessoa faz um monte de coisa e não termina nenhuma. Posso atestar a veracidade de tais suposições. Os chineses também sabiam algumas coisas.
Eu penso nos contos do Borges, principalmente no Jardim das Veredas que se Bifurcam... ou no Emma Stuntz. Kairós. Ou no espelho de Tlön, no fundo da chácara que Borges e Bioy Casares alugaram, com a enciclopédia e o verbete. Em qual ponto de Rondônia passa a BR que até hoje não tem asfalto? Edifícios de taipa de pilão, velhas estações ferroviárias abandonadas, o sertão paulista.
O sol, e o tempo que não passa.

Friday, November 13, 2009

Tu tá malandro, hein?

E eu tô passando na frente da obra, com sacola de feira e tudo o mais, um monte de coisa pra fazer, um monte de crise pra resolver, grana no fim, paciência no fim, e o tiozinho pedreiro olha pra mim e começa a cantar Menina Veneno do Ritchie.
Malandro, hein?

Sunday, November 08, 2009

Na paisagem do Paraíso Terreal...


Postei outro dia o lindo retrato de Gonzaga Duque, do Visconti. Hoje posto o retrato de Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806-1879), o outro grande nome da crítica de Arte do Brasil oitocentista. Esse retrato é de 1848, está no Museu Nacional de Belas Artes, RJ, e eu acho também um espetáculo. A paisagem do Rio atrás, a pose... e notem. Na lombada do livro, à esquerda, está escrito Dante.

Meio

Essa semana encontrei gente que veio me dizer que lê meu blog.

Uma pessoa veio me dizer que se diverte e gosta muito, principalmente de umas reminiscências ifichianas; outra veio dizer que o velho Meio do Caminho é muito de "menina", muito tchu tchu tchu.

E ainda tem as pessoas que eu sei que lêem, e não comentam por motivos vários, e tudo bem. Não comecei o Meio querendo repercussões internacionais, fama e aparecer na Veja. Faz quatro anos já, e eu comecei da forma mais despretensiosa possível. O que me espanta é que o Meio continuou, mesmo sendo, no meu entender, muito bobo mesmo. E sendo bobo ganhou adeptos, leitores fiéis, sei lá porque.

Gosto de escrever, me faz bem e é essa a razão disso aqui existir. Pronto, é simples. Não penso muito na hora de postar, posto o que me vem na cabeça e não vejo o Meio como um experimento para a literatura. Nem acho que no Meio tem que ter discussões muito cabeça. É engraçado esse espontaneísmo em mim, logo eu, que devo estar dentre as pessoas mais angustiadas e ansiosas do planeta.

Às vezes leio o Meio e por isso me espanto um pouco, em épocas muito trash saíam frases muito plácidas. É como se esse não pensar na hora de escrever suavizasse um pouco as arestas. E continuamos sempre no meio do caminho.

Saturday, November 07, 2009

De grão em grão...

Essa semana foi a luta.

Luta contra o calor desértico que fez em Campinas: quarenta graus, a gente não consegue dormir, não consegue raciocinar.

Luta contra as adversidades; crises pessoais e crises em pessoas amadas, projeto da Catedral que pegou embalo e que vai demandar, atrasos no trabalho, grana curta, desvios e pirações.


Luta contra a asma, contra a dor nas pernas, contra o cansaço e os cabelos brancos.

Mas de grão em grão, de bambu em bambu, a panda enche o papo.

Thursday, November 05, 2009

Haikai

Cigarras- chorei tanto
quando vi
já era tarde.


Depois de ter escrito, li mestre Bashô:

Ainda que morrendo
o canto das cigarras
nada revela!

Ou:

Imensa calma.
Penetrando as rochas
o canto das cigarras.

Ou:

Canto e morte
da cigarra
na mesma paisagem.

Traduções de Olga Savary, no Livro dos Haikais. São Paulo: Aliança Cultural Brasil-Japão e Massao Ohno Editores, 1987

Tuesday, November 03, 2009

Fita amarela

E eu fui ter no Brasil Central novamente.

Esse feriado, fui ver a fofa Jubinha nas terras que ela adotou como suas. No caso, as terras mato-grossenses, terras de gente que cozinha bem, foge do calor indo em cachoeiras paradisíacas e tomando picolés surreais.
Muito verde, descanso, Jubinha, casarões antigos do centro de Cuiabá, e a imensa de linda Chapada dos Guimarães. Não sei como Chapada consegue ser tão linda, mesmo em tempos de efeito estufa, neguinho asfaltando a cidadezinha inteira, e farofeiros que escutam putz putz na frente de um precipício todo verde.
A pequena e sempre rabugenta panda viveu várias aventuras, como tomar quatro picolés por dia. No meio de tantas peripécias, muito samba. Vai explicar. Podia ser Mozart, podia ser Gardel, podia ser rock indiano, mas foi samba mesmo, arrastando a chinela no arenito. Voltando ao velho Piratininga, que já foi tão verde quanto Chapada, estou na vala dos desesperados pelas malas na esteira de Guarulhos, e tinha um senhor do meu lado. De repente vem um malão preto, daqueles, identificado por... uma fita amarela. O senhor pega a mala, e eu do lado começo a cantar Noel. Ele riu de se acabar.
Começo a achar que a qualidade de vida do indivíduo é diretamente proporcional ao tanto de samba que o cara escuta.

Monday, October 26, 2009

Le plat pays

Eu não sei muito, infelizmente, de parte da história da minha família. Mortes prematuras, distâncias, e o fato de que família de imigrante e migrante perde raiz, as pessoas começam do nada em cada geração. O pouco que sei da minha família paterna, porém, me faz ter um carinho enorme pelo sobrenome deles que carrego, um sobrenome cheio de es e puxado pro estrombótico, na língua portuguesa.
Só sei que saíram da confusão meio Bélgica-meio Holanda, em que as pessoas são católicas mas falam a língua cheia de oos, consoantes, erressss, que ninguém além dos próprios entendem. Confusão daonde saiu também uma das minhas grandes admirações: o imenso Jacques Brel. Apesar de meu conhecimento de holandês continuar negativo, o meu francês melhora a cada dia, graças aos esforços titânicos da minha brava professora fofa. Daí, a minha admiração pelo Brel virou uma cálida paixão, e a voz poderosa me acalmou nesses tempos meio difíceis. Não sei como alguém podia ser tão grande, mas o Brel era; o que dignifica parte das minhas origens familiares, uma terra em que nasceram os Van Eyck da vida e ele, apesar de cinza, me faz feliz.

Friday, October 23, 2009

Só por Deus

E nessa semana de retomada de atividades catedraizísticas e quetais, a pandinha caiu dodói. Mudanças bruscas na temperatura fazem a pequena habitante do Tibete campineiro ter asma, e outros sofrimentos essa semana vieram se juntar a esse. Ou seja, nobody deserves. Agora, aparentemente, estou bem, e no repouso que tive que fazer aproveitei pra retomar outras atividades há tanto emperradas.
Não me queixo de uma coisa: como aprendiz de historiadora, sempre achei coisa interessante demais. O problema é processar o material, como se diz por aí. Um documentinho maldito leva a outro, que leva a outro, que leva a outro... e tem coisa que é pesadona mesmo. Trabalho eu tenho, bastante, acumulado: trabalho de pesquisa, aquela coisa formiguinha. Agora, dar um jeito nisso tudo...
Um exemplo são os vários desdobramentos da tese. Eu não mexi neles até agora, pra vocês terem uma idéia. Fiquei hoje pensando que esse ano foi meio paradão nesses termos, por conta da correria dos concursos e porque eu tive que parar, algumas vezes, pra cuidar da saúde que andava meio abalada.
Outro exemplo, pra piorar a situação, são os desdobramentos da dissertação de mestrado, defendida no longínquo 2002... quer dizer, coisa pra fazer eu tenho de montão, e se a acupuntura der certo,e não aparecer mais NENHUM documentinho maldito nem obra de arte esquecida, alguma coisa disso tudo eu faço, juro que faço.

Thursday, October 22, 2009

Dureza II- a missão

Deu na Folha e no UOl hoje:

"22/10/2009 - 10h06
Concurso para garis atrai 22 mestres e 45 doutores no Rio


da Folha de S.Paulo, no Rio

Com inscrições abertas desde o dia 7, o concurso público para a seleção de 1.400 garis para a cidade do Rio já atraiu 45 candidatos com doutorado, 22 com mestrado, 1.026 com nível superior completo e 3.180 com superior incompleto, segundo a Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana).

Para participar do concurso, basta ter concluído a quarta série do ensino fundamental. As inscrições terminam amanhã.

Somados, os candidatos que já passaram pelos bancos de universidades representam quase 4% dos 109.193 inscritos até anteontem. Os anos de estudo a mais, porém, não devem colocá-los em vantagem na disputa --a seleção é feita por meio de testes físicos, como barra, flexão abdominal e corrida.

Aqueles que forem contratados trabalharão 44 horas por semana e receberão salário de R$ 486,10 mensais, tíquete alimentação de R$ 237,90, vale-transporte e plano de saúde. A remuneração poderá ser acrescida ainda de um adicional por insalubridade.

Aluno do segundo período de história da Estácio de Sá, no Rio, Luiz Carlos da Silva, 23, disse ter ouvido muitos comentários preconceituosos dos colegas quando contou que disputaria uma vaga de gari.

"Disseram que eu era maluco, que eu ia ficar fedendo a lixo... Mas a faculdade hoje não garante emprego nem estabilidade para ninguém. Eu quero segurança", diz ele, que, no entanto, planeja continuar estudando para no futuro trocar o trabalho de gari pelo de professor de escola pública.

"Meu sonho é dar aula, é o que eu gosto de fazer", afirma o estudante de história.

Já Ronaldo Carlos da Silva, 42, ex-aluno do curso de letras da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), vê no concurso de gari a chance de reorganizar a vida, após um ano de desemprego.

Se for bem-sucedido, pretende voltar à sala de aula, que teve de abandonar quando ainda estava no terceiro período do curso -sem trabalho fixo, tinha dificuldades até para pagar o transporte para ir à universidade. Insatisfeito com a faculdade de letras, porém, quer cursar direito. "Vou fazer um curso preparatório", planeja.

Também desempregada, Thaiane do Prado Gomes, 21, estranhou ao ouvir que iria disputar vagas com pessoas com curso superior e até mestrado e doutorado. 'Isto aqui é para quem não tem escolaridade. Para os outros tem mais oportunidade. Eu mesma, que completei o segundo grau, fiquei na dúvida se devia me inscrever.' "

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u641621.shtml


Moral da história: nem pra concorrer pra gari o doutorado garante algo pro indivíduo, neste país.

Moral da história II: o gari no Rio tá ganhando mais do que professor da rede pública em São Paulo.

Monday, October 19, 2009

La vecchia

Hoje, confirmando o ditado que Deus ajuda a quem cedo madruga, acordei de manhãzinha com o barulho da chuva, o que me salvou de um atraso homérico, já que eu tinha esquecido, devidamente, de acertar o relógio do meu celular-despertador.
Fui pra minha aula de francês e pela primeira vez em muito tempo ganhei elogios da minha santa professora, confirmando mais uma vez o ditado supracitado.
Depois de voltar e almoçar, confesso que enrolei um pouco pra entrar na malditinha, ops, Catedral. Eu ando meio em falta com o povo de lá, feriados e outros compromissos me afastaram da italianada, do Ramos de Azevedo, da talha e dos santos sem cabeça; sabia que ia encarar uma parada dura, porque os documentos continuam lá e tudo o mais.
Hoje, la vecchieta estava uma zona de guerra: não sei quem tinha brigado com não sei quem que tinha dito não sei o que e um micro subia e descia, subia e descia conforme a discussão ia avançando. Pra piorar, eu e o Ricardo conseguimos desencavar um monte de documentinho que estava sumido e no meio de uma acalorada discussão e de um escaneamento de documentinho puff! A luz sumiu.
Sério, gente: dona Fátima liga o aspirador lá em baixo, a luz acaba no andar de cima... acredito que o fio que leva energia pro andar de cima sai da tomada que a dona Fátima usa pra ligar o aspirador, ou algo espiritual impede a gente de escanear documento no Museu e o pessoal limpar dignamente o tapete embaixo da cadeira do arcebispo.
Teve uma hora que eu pensei seriamente em me jogar do janelão, e ir parar ou na rua ou do lado do altar de Santo Antônio, tamanha a confusão que reinava... mas tudo bem. Fazer o quê, no fundo eu tava com saudades.

Thursday, October 15, 2009

Dureza

A fonte para a notícia que dou aqui é o Diário Oficial do Estado de SP, de 30/09/2009, Executivo- Caderno 1, p.134, disponível no site www.imprensaoficial.com.br.

Refere-se a Edital para Concurso Público para Docente, no Ensino Médio Técnico Estadual, em várias áreas, aqui na região de Campinas. A carga horária pra cada área também varia... então, pra vocês terem uma idéia, peguem o caso de História; carga horária de 12 horas aula por semana.

"II- Dos vencimentos e composição da carga horária

1. O valor da hora-aula prestada é de R$10,00.

2. A carga horária mensal é constituída de horas-aula, acrescida de 20% de hora atividade, referente ao número de aulas efetivamente ministradas. Para efeito de cálculo da retribuição mensal correspondente às horas prestadas, o mês será considerado como tendo 4,5 semanas, acrescido de 1/6 a título de repouso semanal remunerado."

Peguei a calculadora: ou eu sou muito ruim na Matemática ( de fato, sempre fui), ou o pobre professor de História ganha, pra ministrar aula no Ensino Médio Técnico estadual paulista, menos de mil reais.
Interessante que as ETEPs e CEETEPSs (Escolas Técnicas Estaduais e Centros de Ensino Paula Souza são as meninas dos olhos do PSDBão paulista, caros ao coração de Alckmin e Serra, por serem boas bases de campanha eleitoral (todo mundo quer escola profissionalizante nesse São Paulo de meu Deus, e as três Marias, Unicamp-Unesp-Usp, não dão conta da demanda). O povo vive querendo implantar tal modelo por esse Brasilzão afora, cheio de gente, terra e saúva. Agora, eu aconselharia ao nosso bravo governador aumentar, só um tiquinho, esse valor da hora aula aí, porque tá dureza demais.

Friday, October 09, 2009

A um velho amigo


Hoje, vou para Unicamp para homenagear o prof. Alexandre Eulálio (1932-1988) , que não conheci pessoalmente, mas com quem tive um diálogo muito interessante nos últimos anos. Ele tinha uma paixão especial por um velho amigo meu, a quem tenho grande apreço e consideração: o crítico de arte carioca Luiz Gonzaga Duque Estrada (1863-1911).

A história eu conto depois. Deixo aqui o registro da minha, portanto, dupla homenagem...

Sunday, October 04, 2009

Lutar

Aqui, minha pequena homenagem à Mercedes Sosa, cuja voz foi uma das primeiras pelas quais me apaixonei.

http://www.4shared.com/file/134049584/f8a9f213/Milton_Nascimento_e_Mercedes_Sosa_-_Sueo_Com_Serpientes.html?s=1

De fato, Mercedes, você foi das indispensáveis.

Saturday, September 26, 2009

Encontros e desencontros

Essa semana fiz aniversário. Passei o dia feliz, feliz. Apesar da ressaca de mais um concurso e da preocupação constante com meu futuro profissional, acho que no geral as coisas vão bem. Quer dizer, tem horas que eu identifico claramente meu mal estar, eu sei onde está o buraco, e é sempre melhor saber onde está nosso buraco do que ficar totalmente no buraco. Enfim.
Filosofias de botequim à parte, tirei uns dias de folga, e li um livro muito bom, Elizabeth Costello, do Coetzee. Eu li Desonra, um romance dele bem difícil, em inglês, e não digeri bem algumas coisas. Agora, Elizabeth Costello, gostei demais. São narrativas curtas sobre uma escritora australiana, que na juventude escreveu um livro sobre os Bloom, personagens de Joyce, e que aos 60 e poucos anos entra no circuito de prêmios em universidades americanas e palestras para aposentados em cruzeiros para a Antártica. Costello é vegetariana convicta e tem idéias pouco heterodoxas sobre a relação dos homens com os animais, Literatura, humanidades e qualquer outra coisa, pra desgosto da nora e dos que ouvem suas palestras.
Me identifiquei de imediato com a personagem, que, ao que parece, é um alter ego do próprio Coetzee: sou mestra em falar o que a audiência não quer ouvir, e a criatura que escreveu de forma completamente casuística textinhos que alguns colegas infelizmente precisam citar. Ou seja, fracasso de público e crítica. Mas mesmo assim eu fiquei feliz no meu aniversário- acho que uma certa impopularidade profissional cai bem nas pessoas.
Fica um ar decadente, que é bastante divertido; tive vontade de aprender a costurar, a fazer aula de artesanato e zerar o QI vendo estrelas.

Sunday, September 20, 2009

Avohai

Dias difíceis. Tem quem acredite em inferno astral, e hoje Patrix me informou muito gentilmente que uma astróloga famosa, uma certa Susan Muller, falou que a semana passada foi uma conjuntura infeliz dos astros, principalmente os dias 17 e 18. Acreditem ou não, e eu não sou muito fã de Astrologia, depois de ler Adorno, mas realmente essa semana foi uma tristeza, em todos os aspectos.
Se os astros não favoreciam a humanidade, em duplo não me favoreceram, inferno astral e menstruação, além de uma conjuntura política altamente desfavorável, pra não dizer, total péssima. Não sei como os caros leitores fizeram pra suportar a semaninha dantesca, e agora, nel giorno del Signore, é preciso a gente recorrer à uma proteção espiritual de peso. Acho que só um Merlin, um druida bem velho, um avô bem sábio, um Oxalá de branco, um Deus do Antigo Testamento tira a gente dessa.

Saturday, September 19, 2009

Thursday, September 17, 2009

Angústia

Eu sofro muito de uma coisa que tá fora de moda, de angústia. E tenho uma maldição, me sentir culpada por tudo. Então, essas duas coisas fazem com que minha vida às vezes se torne um verdadeiro inferno, digno de Dante. Tem horas que acho que fui estudar o grande florentino por conta disso: pra entender melhor o universo que existe dentro de mim, cheio de diabinhos, torturas, monstrinhos da Antigüidade, gentes do mal e apenas dois poetinhas navegando.
O que sempre me salvou muito da minha angústia foram os estudos, a leitura. Desde pequena, eu lia até rótulo de detergente, e isso fazia com que eu tomasse contato com o mundo lá fora, e visse que meus sofrimentos eram muito relativos. Gostava particularmente de livros de História e Astronomia: hoje vejo que eram os livros que me traziam distâncias enormes de tempo e espaço, o que preenchia os meus vazios.
Em todas as épocas, e principalmente nas particularmente difíceis, as bibliotecas eram meus refúgios secretos. Na escola, eu não era lá muito aplicada, nem tampouco muito caprichosa, mas enfrentava com alegria e disposição as tarefas, principalmente as de leitura. Lembro de sempre pegar os dois livrinhos indicados pelas professoras para ler nas férias, no primário, e minhas redações eram passavéis.
Meu entusiasmo aumentou 450% na universidade. Não sei explicar, mas logo no primeiro ano de Sociais o Espírito Santo baixou na minha cabeça e eu fiz uns trabalhinhos que ficaram célebres, como o Leviatã de Thomas Hobbes em quadrinhos. Eu adorava a biblioteca do IFCH... e assim passei meus anos de graduação e pós-graduação.
Agora enfrento a batelada de concursos por aí. Fico feliz em preparar os pontos. Mas não posso mais ficar calada diante das palhaçadas que eu vejo por aí. Gente que combina nota, candidato que sacaneia outro, enfim, um verdadeiro carnaval. Então, agora, neste momento da minha vida, o que me salvava da minha angústia virou o principal motivo dela. Ninguém merece.

Saturday, September 12, 2009

Cineminha


Há um tempo atrás, eu navegava bastante pela internet procurando o rastro dos brinquedos que tive e que sumiram na poeira dos tempos ( ou nas mãozinhas destruidoras lá de casa, minhas e do meu irmão). Muitos dos nossos brinquedos repousam nos maleiros da minha mãe, aqui em casa eu só tenho meu Snif Snif ( sim, lembram desses cachorrinhos de pano?) e os brinquedos comprados na idade adulta (Pinóquios italianos, etc). Agora, um monte de coisa se perdeu.
Lembro que em 2005, por aí, a Estrela ainda pesquisava a história de seus próprios brinquedos, e eu tinha lido uma linda História do Brinquedo do Walter Benjamin. Até cheguei a pensar em escrever algo e tal, mas acabei me enfiando de vez no Inferno e o tiozão me consumiu os anos seguintes.
Agora, tem um pessoal muito legal fazendo blogs sobre brinquedos antigos ou memorabilia dos anos 80. Acho muito bacana isso, a gente aqui no Brasil infelizmente não tem muito o costume de guardar coisas antigas ou falar sobre elas... o que é uma pena.
Mas enfim, eu achei o registro ( e até alguns pra vender, no Mercado Livre) de um dos meus brinquedos favoritos: o Mini-Cine Disney da Estrela. Era um projetorzinho de cinema, e os filmes eram uns cartuchos que a gente encaixava... vinha com o filme do Mickey Pé de Feijão, e eu adorava a cena que o Gigante ficava todo enrolado nas cordas. Daí começou o meu interesse por desenhos animados, e meu pai levava a gente nas sessões de desenhos no cinema da Cesp, o auditório do prédio que queimou na Paulista. Nas noites de domingo, eu não perdia um Lanterna Mágica, o programa de desenhos que passava na TV Cultura, e que era um grande barato: produções do Leste Europeu, japonesas, enfim, do mundo inteiro passavam lá, e eu gostava demais, além dos desenhos animados nossos de todo dia.
Meu tio tinha um projetor antigo, e passava filmes do Chaplin pra gente. Eu não vou ao cinema quase nunca hoje em dia: penso que tenho uma má vontade atávica com as grandes redes. Em termos de conforto, reconheço, é muito melhor, blá, blá blá, mas sei lá, eu prefiro o Paradiso, e os cinemas antigos, na rua, no centro. Ando morrendo de vontade de pegar uma sessão no restaurado Cine Marabá, em São Paulo. Ah, se alguém achar pra mim um Mini-Cine antigo de aniversário, eu também topo!

Wednesday, September 09, 2009

Orkut

cinco coisas sem as quais não consigo viver:

Pão de mel
Rolling Stones
Tiziano Vecellio
História
Amor

Monday, September 07, 2009

Bolos- desastres ecológicos?

Ontem, sem grandes coisas pra fazer no feriadão, fui atrás, na internet, de receitas de bolo, essas coisas. Fiquei surpresa ao descobrir o mundo da tal pasta americana, essa pasta dura de açúcar que permite, hoje, às boleiras ( ops, cake designers) fazerem mundos e fundos coloridos em decoração.
Dei uma olhada em alguns sites de doceiras e boleiras ( ops, sweeties e cake designers) por aí. Muita pasta americana, muito cupcake ( pra mim, conhecidos como bolinhos) com muito, muito icing ( cobertura) colorida, e blá blá blá.
Fuçei mais e descobri que a tal pasta e muita coisa já se vende pronta, por indústrias do ramo alimentício. Mesmo no ramo de panificação, hoje se compra mistura pra bomba de chocolate, pães e muitas coisas, bastando o pessoal da padaria (ops, bakery) misturar e assar.
Fiquei pensando na industrialização da coisa. Quer dizer, evidente que eu não pensava que as cake designers atuais eram como a minha bisavó, doceira na velha Campos dos Goytacazes, que ficava o dia inteiro virando e revirando tachos de doces, a tal ponto que minha avó traumatizou e não fez doces o resto da vida. Agora comprar tudo pronto... o problema é que fica tudo com o mesmo gosto.
Acho muito sensível a piora da qualidade das comidas que eu vejo por aí, e no setor de patisserie (vocês vejam que eu tô aprendendo a refinar o meu vocabulário culinário) isso é muito sensível. Onde comer um bom doce em Campinas? Digo, um doce diferente, saboroso, um doce que não seja enjoativo, extremamente doce, que não seja feito só de leite condensado? Difícil. Ainda no Rio, em março, dei um jeito de passar na Colombo. Não existem mais confeitarias em Campinas, tinha a Dolder no Centro de Convivência, mas que sumiu, foi parar no Gramado, sei lá.
Levada por essas indagações, ainda fuçei mais e achei uma pérola da blogosfera:
http://cakewrecks.blogspot.com/
Esse blog reúne fotos dos piores bolos e doces que o pessoal encontra pelos EUA afora, pátria da pasta americana, da cobertura azul, da foto de gelatina e de todo tipo de horror culinário. Aviso: as fotos são tenebrosas, tiram a fome de qualquer um e podem traumatizar os mais sensíveis.
Não tenho nada contra as decorações modernas de bolos, mas depois de tudo isso tive muita saudade do pão-de-ló branco, com um creme delicadíssimo, chantilly fininho e morangos, que uma senhora de Jundiaí fazia pra gente. Uma leveza! Decoração: só uns biquinhos de renda de chantilly, moranguinhos e basta.

Friday, September 04, 2009

Para a hora feliz...

Um presentinho pra vocês, de sexta-feira chuvosa.


http://www.4shared.com/file/115845314/6f3104f4/Eduardo_Dusek-_Happy_Hour.html

Mexidinho

Minha mãe, quando eu era criança, pegava o que sobrava ( carne, frango, legume, sei lá), virava na farinha e tava pronto o famoso mexidinho, o restodontê, o clássico da culinária caseira beijomeliga. Às vezes a assistência, vulgo eu e meu irmão, reclamávamos, mas de outras feitas o mexidinho salvava a nossa brava fome, vindos da escola.

Um conto bonitinho da Adélia Prado também fala disso, da pessoa pegando o resto do molho, do arroz, virando na farinha, quebrando um ovo por cima e lascando na panela mesmo. Acontece com quem gosta de cozinhar, com quem precisa cozinhar, as duas coisas e com quem tem a consciência, maior, que sobrinha de comida vira coisa muito boa.

Uma vez, fui falar pra uma pessoa nefasta que eu julgava minha amiga que canja se faz com a carcaça do frango, arroz, muitas vezes sobra mesmo de arroz. Essa criatura me ridicularizou por anos, e pelas minhas costas dizia que eu precisava me tratar por dizer por aí que fazia comida com sobras. Para uma festinha na casa dessa pessoa, fiz uma vez uma torta de palmito com muito esmero, que foi devidamente ridicularizada por ser "torta de sobra de geladeira". Eu devia ter desconfiado do caráter da santa ali. Vai ser ignorante assim no raio que parta: qualquer indivíduo com um mínimo de bom senso na cabeça sabe que muitas coisas da culinária clássica surgiram da fome, da necessidade de comer, do resto, da carne de segunda e do caldo ralo de legumes.

Só pra constar nos autos, hoje minha omelete deu certo.

Tuesday, September 01, 2009

Amor doloroso

A minha alma está maior. Respiro mais fácil e dói.
O inferno é o estreitamento.
Agora, é vida. E dói.

Sunday, August 30, 2009

Problemas metodológicos

Hoje sonhei que assava um frango (???). Eu tinha diante de mim um frango, e o primeiro problema era cortar os pedaços porque o bicho estava inteiro. Depois de cortar, eu tinha o segundo problema, como temperar, e eu fiquei muito tempo no sonho decidindo: laranja, alecrim, uma pimenta, mas qual pimenta, e talvez tomate? Não, pedacinhos de tomate com laranja, ácido demais, tenho que por algo básico, sei lá, um pouco de cerveja?
Acordei e fiquei pensando longamente nos problemas. Tomate, poderia ser o que o povo vende como tomate italiano aqui no Brasil, um dos tipos de pomodori que vem em lata e não são ácidos. O frango, sei lá, meu pai comprava frango numa granja em Jundiaí, que você chegava, falava o peso e o cara enfiava a pobre ave num tonel de água fervente pra depenar, mas de fato o gosto era muito melhor que esse frango gordo que a gente compra hoje congelado. Sem falar nas questões de saúde pública e a eterna questão da crueldade com os animais, fica muito difícil hoje aceitar o que minha avó materna fazia: ela comprava a galinha viva e sim, senhores, degolava a pobre pra fazer molho pardo. No quintal mesmo.
Depois fiquei pensando que minha avó, e meu pai, não teriam problemas metodológicos na hora de escolher os acompanhamentos do frango assado dominical: ou era macarronada e maionese ou era arroz, uma salada verde e as batatas e cebolas que orgulhosamente acompanhavam o frango na assadeira.
Mas o macarrão, meu pai arrumava um fresco, às vezes no Pastifício Selmi, e depois eu meditei longamente sobre o fato de que eu não sei se as coisas do Selmi andam boas e hoje em dia o povo cobra 15 reais o pacote de fettucini fresco, eu vi isso ontem mesmo numa padaria do Cambuí. Eu teria coragem de enfarinhar uma mesa e tentar fazer um fettucini? Pois é, caros senhores, até pra fazer frango assado no domingo a panda se enrola.

Sunday, August 23, 2009

Protesto

Hoje fui atrás, como sempre, das coisas do Um que Tenha, administrado pelo nosso boníssimo santo Fulano Sicrano, quando descobri que o blog foi retirado do ar por conta de questões direitos autorais blá blá blá. Vida longa e brinde triplo ao Fulano!
Aqui fica meu protesto contra a política direitos autorais blá blá blá. Quando tiver tempo eu caço e posto aqui a entrevista do Bono, na Rolling Stones, explicando que músico não ganha dinheiro com CD e que a política dos direitos autorais blá blá blá é puro blá blá blá.

Tuesday, August 18, 2009

Menu du jour

E se tem dias que o almoço nosso é um martírio ( o que fazer? Tem os dias da revolta, do omelete, do miojo e da falta de fome), outros me fazem pensar que fui, em outra encadernação, dona de bistrô dos mais fuleiros. Será reminiscência do meu bisavô, cozinheiro flamengo?
Pois hoje orgulhosamente temos arroz, feijão, carne moída ( músculo passado na máquina duas vezes) com batatas e cheiro verde e salada de rúcula com maçã. E tenho dito.

Friday, August 14, 2009

Teologia e Pintura


Nos últimos tempos, enchi a cabeça dos meus alunos com algumas reflexões sobre Arte Cristã. Chamei o módulo atual de Narrativas Cristãs, pra não chamar de Mitologia Cristã , por medo do castigo divino. Tem sido bastante interessante, até porque por outros motivos comecei a estudar os Triunfos de São Tomás de Aquino e daí comecei a ler sobre a Santíssima Trindade, a virgindade de Maria e outros temas santos ( quem sabe a pequena panda se salva, ou se lasca, de vez).
Nisso, caí no Lutero e me empolguei com os agostinianos contra os tomistas na virada do Quattrocento pro Cinquecento. Até porque, ao que tudo indica, o tiozinho barrilzinho, vulgo Sandro Botticelli, se enfiou nessas paradas. Me faltam as forças intelectuais necessárias pra enfrentar tais paragens, mas acho interessantíssimo a idéia de que um pintor possa, numa imagem, ir mais longe do que padres, monges, hereges e profetas.
Aí em cima, um pedaço do afresco Três Tentações de Cristo do tiozinho, na Sistina. Vejam que beleza, até os diabos dele são lindos ( olha o castigo divino aí, gente).

Thursday, August 06, 2009

Arquitetura Campineira


Acho que já falei aqui, em algum lugar, de um dos meus hobbies: tirar fotos de fachadas do final do século XIX e início do XX em Campinas. Aqui perto da minha casa tem vários desses sobrados antigos, com fachadas com ornamentos: guirlandas, leões, cavalos marinhos, animais fantásticos, rostos animavam o traçado retilíneo e uniforme da cidade sede da expansão cafeeira.
Começou assim: fui prestar um concurso no IEB, na USP, e precisava montar um ponto sobre Ecletismo no Brasil. Fuça daqui, fuça de lá, resolvi que não ia falar sobre o trivial, Victor Dubugras, Ramos de Azevedo em SP, Teatro Municipal do Rio, enfim, eu, indo e voltando do meu caminho das aulas de francês, resolvi que ia falar sobre Campinas mesmo. Comecei a andar sistematicamente com a máquina na mochilinha vermelha e comecei a me apaixonar, cada vez mais, por detalhes. Hoje, fui buscar umas coisas na casa da minha mãe, e de repente bum! Vejo um gradil de ferro todo em forma de cavalos marinhos fantásticos. Nessas horas me arrependo de estar sem máquina...
Apresentei tais esforços em outra seleção, malograda, na Pucc. Enfim, bola pra frente, tudo isso me levou à Catedral e, no dia de hoje, consegui alinhavar um artigo e algumas coisas a respeito.
Existem, no meio acadêmico, certos consensos sobre não só como as pessoas devem estudar, mas também as coisas que eles devem estudar. Sempre achei tudo isso grande besteira. Evidente que o trabalho acadêmico tem especificidades e eu não quero que ninguém apresente, como tese de doutorado, uma foto pelado com o cabelo verde. Existem linhas de raciocínio, argumentos, trechos, citações. Agora, também observo uma grande caretice na hora do pessoal montar aulas, cursos e projetos. O patrimônio arquitetônico se ressente disso: você não estudar aqueles edifícios é sinônimo dos mesmos ficarem caindo as pedaços, como é o caso do belo Palácio da Mogiana aí em cima. Sede da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro até a década de 60, depois Museu e depois Secretaria Regional de Cultura, hoje o Palácio é nada, perdido no meio do corredor de ônibus da Campos Salles, pichado, quebrado, exemplo máximo de que é preciso a gente urgentemente rever algumas coisas.

Tuesday, August 04, 2009

Bolo de fubá da Gui

Hoje, Gui, minha anjinho-ajudante, resolveu me ensinar a fazer bolo de fubá.

Havia comentado, há duas semanas atrás, minha total incapacidade na hora de fazer bolos. Gui resolveu me ajudar, conforme narrei no post sobre meu forno, Malebolge. Ela me passou sua receita, infalível, de bolo de fubá rápido de liquidificador, aquela receita que ela faz quando chega uma visita daquelas do nada:
BOLO DE FUBÁ DA GUI ( como ela, rápida, prática, eficiente e ninja)
3 ovos
1 copo ( copo de requeijão) e meio de açúcar
1 pouco menos de um copo de óleo
1 copo de leite
1 copo cheio de fubá mimoso
1 copo cheio de farinha de trigo
1 colher de sopa de fermento
Pré-aquecer o forno na temperatura máxima ( no caso de Malebolge, 295). Untar uma assadeira grande de pudim. Bater no liquidificador os ovos, o açúcar, o óleo, o leite, o fubá, a farinha, bater bem. Pôr por último o fermento, e dar umas três ou quatro batidas rápidas. Por pra assar no centro do fogão, forno alto o tempo todo. Voilà! Passar aquele café preto. E bater papo.

Wednesday, July 29, 2009

Lembrete

"O resultado da crise, no que me diz respeito, foi desilusão acerca de muitos colegas e um considerável cinismo acerca da política universitária. Depois da crise, realizei pouco pela Faculdade, tanto externa como internamente, porque fiquei profundamente desestimulado pelo jogo político sujo de que fui testemunha e vítima, e que me convenceu de que, até mesmo dentro da Faculdade, havia pessoas dispostas a promover, por baixo do pano, sua agenda política, e mesmo político-partidária, às custas da vontade expressa da maioria absoluta da comunidade da UNICAMP, em geral, e da Faculdade de Educação, em particular. A crise me fez perder a ingenuidade política, que me levava a crer que as pessoas, dentro da Universidade, estavam primariamente interessadas em preservar a integridade da Universidade contra ingerências externas, viessem de onde viessem, mostrando-me que muitos colegas, na Universidade, se opuseram à intervenção, não porque ela era intervenção, mas porque os interventores não portavam as mesmas cores e bandeiras políticas, e que estariam plenamente dispostos a conviver com a intervenção, desde que os interventores iniciais fossem trocados por interventores politicamente corretos, como o economista Carlos Lessa".
Testemunho do prof. Dr. Eduardo Chaves, diretor da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, quando da intervenção decretada pelo então reitor Plínio de Moraes em 1981. O reitor exonerou os diretores das Faculdades e nomeou interventores, que não conseguiram assumir seus cargos. Porém, no IFCH, o grupo dos economistas sugeriu o nome do economista Carlos Lessa, para substituir o exonerado sociólogo André Vilallobos.
Eduardo Chaves, em seu site, afirma que a "solução Lessa" foi aventada na Faculdade de Educação. Chaves foi o primeiro diretor exonerado a procurar a Justiça, e outros seguiram seu exemplo.
A crise da Unicamp de 1981 encerrou-se com a eleição, para a Reitoria, do médico José Aristodemo Pinotti, recentemente falecido. Pinotti era o 11o. nome da lista de nomes escolhidos pela comunidade universitária. Eustáquio Gomes, jornalista que trabalha na Reitoria, e que escreveu O Mandarim, biografia de Zeferino Vaz, fundador da Unicamp, para o 40o. aniversário da cidadela unicampítica, fala que o tal grupo dos economistas resolveu o nome de Pinotti numa mesa do Giovanetti, bar mítico aqui de Campinas.
Essas linhas precisam ficar como um lembrete pra mim, pequena panda que aventa carreira universitária.

Saturday, July 25, 2009

Carregar aquele peso

Enquanto eu escrevia a tese, ouvi muito Abbey Road. Acho que estou perdida no meio dos Concertos de Bradenburgo e no final do Abbey Road: de "She came in though bathroom window" a "The End", vocês podem me encontrar, perdida, no momento que vocês quiserem.
Acho que escrevi aqui, uma coisa linda que foi, eu dormi com a janela aberta, tarde da noite, depois de lutar com o tiozão narigudo, e acordar com "Here comes the sun"na cabeça. E assim vai.
Li não sei onde ( também não lembro direito) que Abbey Road foi gravado na intenção de ser o último, ou foi gravado depois do Let it be, não sei. De fato, o final tão rápido do disco me parece uma colcha de retalhos necessária: eles estavam se separando, resolveram nos 45 do segundo tempo não brigar, juntar todas as quase infinitas direções e pela última vez, no sentido físico, serem os Beatles. No final, dão aquela coisa que faz com que você tenha vontade de ouvir tudo de novo, de novo, de novo, de novo, de novo. E carregar aquele peso todo no peito.

Wednesday, July 22, 2009

Lindo balão azul

Mais um dia dureza.

Hoje aconteceu uma coisa. Eu fui falar com um dos professores mais queridos que tive, no IFCH. Ele deve ser uma das pessoas mais legais do mundo. Um cara muito sério, ético, bom professor, bom marido, bom pai, bom profissional. Um cara legal, enfim. Eu estava mal, um pote até aqui de mágoa, e chorei, chorei, chorei. Eu fiz uma pergunta pra ele: o mundo acadêmico é isso? E ele, com a doçura que só um mestre pode ter, me disse que eu tava generalizando, uma situação absurda, pessoas idiotas e filhas da puta, e achando que tanta gente séria, que segura o rojão por aí, seria igual a isso.
E eu lembrei de uma coisa, de uma das minhas músicas favoritas da minha infância. Um passeio de balão pra todo mundo!

Tuesday, July 21, 2009

Pronto, falei

Hoje encontrei com um casal de amigos e tomei café a tarde toda, antes de ir dar aula. Hoje me dei conta que encontrei gente muito legal, que me faz me curar de vários processos kármicos dos últimos anos. Os piores, infelizmente, foram profissionais.
Pois eu era uma jovem sempre intrépida a resolver problemas teóricos e práticos. Vocês podem não acreditar, mas é verdade, teve um momento da minha vida que eu era uma pessoa disciplinada, que passava manhãs e tardes na biblioteca do velho IFCH a ler Weber, Parsons, Durkheim, Adorno, Marx e de quebra ainda encontrava manuscritos do Gonzaga Duque perdidos nos arquivos do Rio e de Campinas.
Eu tinha uma formação sólida, dois mestrados e o Programa de Formação do Cebrap nas costas, quando resolvi amarrar meu burro, como diria meu avô, no poste errado. Passei alguns anos num lugar onde aluno, funcionário, professor não era respeitado, onde a picaretagem era normal e o mínimo de seriedade acadêmica não existia. Mais não posso falar: não quero um processo nas minhas costas. Vi coisas muito, muito, muito sérias acontecerem. Pior, cada vez que eu sei de outras, que vão se ajuntando a um poço de infâmias e disparates. Queria poder desabafar por inteiro: estou cansada de passar dor no fígado de tanta raiva e revolta. Fazer o quê, a gente vive numa sociedade minimamente democrática, e pelo menos eu posso escrever aqui algo. Algo muito tênue, mas algo.
Quando penso que o dinheiro do contribuinte é tratado desse jeito, me pergunto qual é a diferença entre isso que eu via e as tramóias do Sarney no Senado. Nenhuma. Não, nenhuma. Edital engavetado, curso de marmelada, isso pra mim é a mesma coisa que ato secreto e namorado de neta empregado. Pronto, falei.

Thursday, July 16, 2009

Esperança

Hoje foi um dia muito triste pra mim, mas quando eu achei que não tinha mais salvação, eis que a Dani no meu celular anunciou que brilha uma nova estrela: Henrique nasceu! Vivas pra ele!

E que ele tenha saúde, força, amor, paz, muita alegria, disposição pra enfrentar esse mundão.. e que ele sempre possa contar com a tia panda...

Tuesday, July 14, 2009

O papel do forno na vida da mulher moderna

Eu ainda vou escrever um livro sobre as minhas relações com o meu forno a gás. Sério.

Sei que a panda agora vai chocar opiniões, mas eu não tenho forno de microondas. Sim. Sim! Eu sou uma pessoa que nunca teve forno de microondas. Durante um breve período, na casa da minha mãe, tivemos um imenso Brastemp, que meu pai comprou num surto de empolgação, e que as pessoas só utilizavam para fazer a temível pipoca de microondas. Outro dia, almoçando com a minha progenitora, notei que ela deu um fim definitivo ao elefante branco culinário. Enfim, deve ser de família então a minha desconfiança aos fornos de microondas.
Segundo lendas urbanas, o forno de microondas é capaz de assar bolos, pudins e até pernis. Não acredito, nunca vi nenhum destes artefatos proporcionarem tais milagres na cozinha. A panda é cética quanto a essas narrativas. Mas eu amo meu forno a gás de paixão. Na verdade, Malebolge, meu forno ( que é batizado de acordo com o setor mais bacana do Inferno do tiozão) já fez milagres espetaculares, e me acompanha na luta diária pela sobrevivência. É engraçado, não tenho a mesma relação de intimidade com minha geladeira, pra mim mero depósito de coisas e que é capaz apenas de fazer gelatinas. Mas Malebolge não, de manhã cedo ele já faz meu café, meu leite quente, meu pão na chapa e meu mingau de aveia, com o auxílio de minhas panelinhas já gastas. No almoço, Malebolge faz omeletes, arroz sempre soltinho, feijão, couve refogada... à tarde Malebolge começa a esquentar minha chaleira, e já assou sequilhos, bem como no jantar oferece sopinhas de legumes, de feijão e brigadeiros de madrugadas afora.
Mas eu tenho um problema com Malebolge: os bolos. Meus bolos são uma catástrofe, tirando um de fubá cremoso que inclusive ornou o Meio do Caminho, tempos atrás. Assim como não tenho microondas, também não possuo uma batedeira, de modo que muitas receitas ficam fora do alcance de minhas patinhas gulosas. Mas premida por necessidades afetivas, que todos nós temos, de vez em quando eu sentia vontade do cheiro de um bolinho de laranja dentro de casa, e, devo confessar, sucumbia à tentação de comprar um bolo de caixinha ( SIM, SIM! Mea culpa, mea maxima culpa). Mas não! Nem isso! O bolo saía solado, péssimo, sem sabor, digno do lixo na primeira fatia.
Hoje, a anjinho Guiomar, que de vez em quando vem me dar uma força na arrumação da sempre caótica toca da panda, e eu decidimos que teríamos torta de liquidificador de sardinha para o almoço, já que uma panela fumegante de feijão estava à nossa disposição. Fiz seguindo a receita do Meio do Caminho (vejam o primeiro post de fevereiro) e estava às voltas com os botões de Malebolge, quando Guiomar sensatamente observou que eu punha o forno baixo demais. Pronto! Posto o forno quente, a tortinha saiu digna das mais altas considerações filosóficas! Por isso, meus caros, agora nada segura a panda boleira! Como pude não entender o desejo de Malebolge de arder na sua potência máxima?

Sunday, July 12, 2009

He's back!


Posto mais um retrato do velho tiozão... hoje retomei meus parcos estudos da obra do homi, e de suas implicações nos círculos de letrados e artistas da minha Pisa lindinha.
Este é o de um tal Juste de Gand, ativo entre 1460 e 80, óleo sobre madeira, 110 x 64 cm, Louvre.

Thursday, July 02, 2009

O menino de Gary, Indiana

Soube da morte de Michael Jackson no cinema. Ouvi umas meninas atrás de mim falando que o Rei do Pop tinha morrido. Achei que fosse piada, infelizmente nos últimos anos tudo que a mídia veiculava eram as bizarrices, os escândalos, a falência. Mas não, o garoto de Indiana foi, mesmo, pra eternidade. A Pati escreveu um post excelente sobre o Michael no Kind, não vou ficar chovendo no molhado, acredito que ela pegou bem o espírito da coisa, pelo menos pra mim.
Pra todo mundo da minha idade, Thriller foi um divisor de águas, um marco mais que histórico, a potência da música em si. Lembro que meu primo tinha o disco, que a gente ouvia sem parar, e a popularidade do rapaz negro era impressionante. A gente esperava os clipes passarem no Fantástico com ansiedade redobrada; tentávamos desesperadamente fazer o moonwalk e todos os passos. Depois, meu pai comprou pra gente todos os CDs, inclusive o Off the Wall, anterior às tentativas desesperadas de coreografias da panda no tapete da sala. Nem passava pela minha cabeça que o riff da guitarra era do Van Halen, que o produtor era o Quincy Jones, que o diretor do video do Bad era o Scorcese, a gente só via que o cara era bom, e ponto.
Quando estive nos EUA, pegava o trem de Chicago pra South Bend, em Indiana, e passava por Gary. Um subúrbio pobre, com uma enorme placa: a terra natal dos Jacksons. Ficava imaginando a odisséia do garoto fofo que todo mundo amava, e que virou uma caricatura de si mesmo. A vida ficou maior que a música, e isso é triste, porque o cara, repito, era bom e ponto. Quando ouço Billie Jean, ou Black or White ( que é a minha favorita, talvez) penso no quanto a indústria cultural, e a vida, são cruéis com os talentosos. E nem importa se você é preto ou branco.