Hoje encontrei com um casal de amigos e tomei café a tarde toda, antes de ir dar aula. Hoje me dei conta que encontrei gente muito legal, que me faz me curar de vários processos kármicos dos últimos anos. Os piores, infelizmente, foram profissionais.
Pois eu era uma jovem sempre intrépida a resolver problemas teóricos e práticos. Vocês podem não acreditar, mas é verdade, teve um momento da minha vida que eu era uma pessoa disciplinada, que passava manhãs e tardes na biblioteca do velho IFCH a ler Weber, Parsons, Durkheim, Adorno, Marx e de quebra ainda encontrava manuscritos do Gonzaga Duque perdidos nos arquivos do Rio e de Campinas.
Eu tinha uma formação sólida, dois mestrados e o Programa de Formação do Cebrap nas costas, quando resolvi amarrar meu burro, como diria meu avô, no poste errado. Passei alguns anos num lugar onde aluno, funcionário, professor não era respeitado, onde a picaretagem era normal e o mínimo de seriedade acadêmica não existia. Mais não posso falar: não quero um processo nas minhas costas. Vi coisas muito, muito, muito sérias acontecerem. Pior, cada vez que eu sei de outras, que vão se ajuntando a um poço de infâmias e disparates. Queria poder desabafar por inteiro: estou cansada de passar dor no fígado de tanta raiva e revolta. Fazer o quê, a gente vive numa sociedade minimamente democrática, e pelo menos eu posso escrever aqui algo. Algo muito tênue, mas algo.
Quando penso que o dinheiro do contribuinte é tratado desse jeito, me pergunto qual é a diferença entre isso que eu via e as tramóias do Sarney no Senado. Nenhuma. Não, nenhuma. Edital engavetado, curso de marmelada, isso pra mim é a mesma coisa que ato secreto e namorado de neta empregado. Pronto, falei.

4 comments:
Clap clap clap clap.
Mas o buraco... Não direi que é muito mais embaixo. O buraco está por toda parte.
O buraco está por toda parte e, sendo assim, que é que sobra pra amarrar o burro???
Acho que no rabinho do burro do amigo. Beijo, florzinha.
É, não é fácil... Eu estou desanimado faz tempo também, sem saber no que acreditar e por que dar continuidade a um trabalho que não parece somar nada. Por outro lado, na festa dos 20 anos do pessoal do IFCH em SP, fiquei muito impressionado com a diversidade de opções de vida - especialmente carreira - que as pessoas acabaram seguindo. São poucos realmente no meio acadêmico, ainda que quase todos tenham feito Mestrado e Doutorado. E ficou um gostinho de que talvez haja nesse mundo um outro tipo de canto para deitar a cabeça e sonhar, sabe? O problema, como sempre, é a coragem de mudar mesmo...
Pois é, a coisa dos caminhos. É tão difícil parar no meio do caminho. Beijo, Celo.
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