Passei o dia tentando, de todas as formas, alinhavar um artigo que estava emperrado há séculos. Eu queria escrever sobre as concepções de justiça no inferno de Dante; peguei a figura do Minós e comecei a descascar o abacaxi. Mas eu estou preocupada.
Com um monte de coisas. Eu sou uma pessoa preocupada, angustiada, ansiosa e no limite da maluquice. Eu me importo e me preocupo com as pessoas. Isso às vezes me atrapalha muito.
Vou dar um exemplo: a fofa Pati pegou um avião e foi pro Canadá. Ontem tentei falar com ela no msn, e nada, nada, e eu começo a achar que a menina virou homeless, e está congelando num beco deserto. Não sei se vocês se lembram daquela cena da Amélie Poulan, em que ela espera o rapaz no café, ele se atrasa e ela acha que ele foi parar no Afeganistão. Pois é, aquela cena sou eu.
Outro exemplo: eu briguei com uma pessoa que eu amei muito. Ontem, fui almoçar no chinês vagabundo da Barão de Jaguara e tudo estava cinza, e tudo pesava muito dentro de mim, a ponto de eu não conseguir chorar. E hoje eu acordei muito cansada.

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