Os gregos, que sabiam algumas coisas, criaram duas palavras pra falar do tempo.
Uma é chronos, o deus terrível que come seus filhos. O tempo do relógio, que devora, do horário do ônibus, do bater o cartão, das rugas e dos dissabores. Do telefonema que não vem, da escuridão, da angústia.
Outra, é kairós. Kairós é o tempo interno. Ele não se mede no relógio, não se mede pelo visor de nada. É o de dentro. O indizível. O inesperado, o louco, o colorido, o bonito. As horas que passam depressa quando se está feliz, ou devagar quando se está com dor. Einstein dizia que meia hora é uma eternidade pra quem está com a bunda no fogo, e nada pra quem quer conquistar uma mulher.
Tive dissabores meio graves e estava em pleno reino de Chronos. Aconteceram várias coisas... que me fizeram retomar um pouco do meu kairós. Eu vi amigos queridos, sentei num lugar muito bonito para ler Platão, e vim ter numa cidade desconhecida, ensolarada e encontrei uma das noites em que o relógio não importou.
De fato, qual das duas sou eu? A que vive tranqüila e que pode passar dez anos sem ver alguém muito querido, e retomar a conversa do mesmo ponto, ou a que vive angustiada, presa no que não consegue expressar, presa na mágoa, refém do calendário? Li não sei onde, nessas horas douradas, que na medicina chinesa problema de rim, bexiga, é mágoa, e asma, quando a pessoa faz um monte de coisa e não termina nenhuma. Posso atestar a veracidade de tais suposições. Os chineses também sabiam algumas coisas.
Eu penso nos contos do Borges, principalmente no Jardim das Veredas que se Bifurcam... ou no Emma Stuntz. Kairós. Ou no espelho de Tlön, no fundo da chácara que Borges e Bioy Casares alugaram, com a enciclopédia e o verbete. Em qual ponto de Rondônia passa a BR que até hoje não tem asfalto? Edifícios de taipa de pilão, velhas estações ferroviárias abandonadas, o sertão paulista.
O sol, e o tempo que não passa.
Outra, é kairós. Kairós é o tempo interno. Ele não se mede no relógio, não se mede pelo visor de nada. É o de dentro. O indizível. O inesperado, o louco, o colorido, o bonito. As horas que passam depressa quando se está feliz, ou devagar quando se está com dor. Einstein dizia que meia hora é uma eternidade pra quem está com a bunda no fogo, e nada pra quem quer conquistar uma mulher.
Tive dissabores meio graves e estava em pleno reino de Chronos. Aconteceram várias coisas... que me fizeram retomar um pouco do meu kairós. Eu vi amigos queridos, sentei num lugar muito bonito para ler Platão, e vim ter numa cidade desconhecida, ensolarada e encontrei uma das noites em que o relógio não importou.
De fato, qual das duas sou eu? A que vive tranqüila e que pode passar dez anos sem ver alguém muito querido, e retomar a conversa do mesmo ponto, ou a que vive angustiada, presa no que não consegue expressar, presa na mágoa, refém do calendário? Li não sei onde, nessas horas douradas, que na medicina chinesa problema de rim, bexiga, é mágoa, e asma, quando a pessoa faz um monte de coisa e não termina nenhuma. Posso atestar a veracidade de tais suposições. Os chineses também sabiam algumas coisas.
Eu penso nos contos do Borges, principalmente no Jardim das Veredas que se Bifurcam... ou no Emma Stuntz. Kairós. Ou no espelho de Tlön, no fundo da chácara que Borges e Bioy Casares alugaram, com a enciclopédia e o verbete. Em qual ponto de Rondônia passa a BR que até hoje não tem asfalto? Edifícios de taipa de pilão, velhas estações ferroviárias abandonadas, o sertão paulista.
O sol, e o tempo que não passa.

2 comments:
Linda reflexão.
De fato, o quanto gostaríamos de viver no reino de kairós... E quanto de nós aguentaria muito tempo longe de chronos?
Um pouco de cada uma. Essa sou eu. Vivendo no mundo de chronos e escapando para o reino de kairós, every now and then...
Um bj
Obrigada, Pat, pela leitura e carinho. É assim mesmo, a gente não vive sem Chronos, nem Kairós.
Os gregos sabiam algumas coisas.
Beijo neste sábado pra vc!
Em tempo: eu adoro a Miss Piggy!!!
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