Saturday, September 26, 2009

Encontros e desencontros

Essa semana fiz aniversário. Passei o dia feliz, feliz. Apesar da ressaca de mais um concurso e da preocupação constante com meu futuro profissional, acho que no geral as coisas vão bem. Quer dizer, tem horas que eu identifico claramente meu mal estar, eu sei onde está o buraco, e é sempre melhor saber onde está nosso buraco do que ficar totalmente no buraco. Enfim.
Filosofias de botequim à parte, tirei uns dias de folga, e li um livro muito bom, Elizabeth Costello, do Coetzee. Eu li Desonra, um romance dele bem difícil, em inglês, e não digeri bem algumas coisas. Agora, Elizabeth Costello, gostei demais. São narrativas curtas sobre uma escritora australiana, que na juventude escreveu um livro sobre os Bloom, personagens de Joyce, e que aos 60 e poucos anos entra no circuito de prêmios em universidades americanas e palestras para aposentados em cruzeiros para a Antártica. Costello é vegetariana convicta e tem idéias pouco heterodoxas sobre a relação dos homens com os animais, Literatura, humanidades e qualquer outra coisa, pra desgosto da nora e dos que ouvem suas palestras.
Me identifiquei de imediato com a personagem, que, ao que parece, é um alter ego do próprio Coetzee: sou mestra em falar o que a audiência não quer ouvir, e a criatura que escreveu de forma completamente casuística textinhos que alguns colegas infelizmente precisam citar. Ou seja, fracasso de público e crítica. Mas mesmo assim eu fiquei feliz no meu aniversário- acho que uma certa impopularidade profissional cai bem nas pessoas.
Fica um ar decadente, que é bastante divertido; tive vontade de aprender a costurar, a fazer aula de artesanato e zerar o QI vendo estrelas.

Sunday, September 20, 2009

Avohai

Dias difíceis. Tem quem acredite em inferno astral, e hoje Patrix me informou muito gentilmente que uma astróloga famosa, uma certa Susan Muller, falou que a semana passada foi uma conjuntura infeliz dos astros, principalmente os dias 17 e 18. Acreditem ou não, e eu não sou muito fã de Astrologia, depois de ler Adorno, mas realmente essa semana foi uma tristeza, em todos os aspectos.
Se os astros não favoreciam a humanidade, em duplo não me favoreceram, inferno astral e menstruação, além de uma conjuntura política altamente desfavorável, pra não dizer, total péssima. Não sei como os caros leitores fizeram pra suportar a semaninha dantesca, e agora, nel giorno del Signore, é preciso a gente recorrer à uma proteção espiritual de peso. Acho que só um Merlin, um druida bem velho, um avô bem sábio, um Oxalá de branco, um Deus do Antigo Testamento tira a gente dessa.

Saturday, September 19, 2009

Thursday, September 17, 2009

Angústia

Eu sofro muito de uma coisa que tá fora de moda, de angústia. E tenho uma maldição, me sentir culpada por tudo. Então, essas duas coisas fazem com que minha vida às vezes se torne um verdadeiro inferno, digno de Dante. Tem horas que acho que fui estudar o grande florentino por conta disso: pra entender melhor o universo que existe dentro de mim, cheio de diabinhos, torturas, monstrinhos da Antigüidade, gentes do mal e apenas dois poetinhas navegando.
O que sempre me salvou muito da minha angústia foram os estudos, a leitura. Desde pequena, eu lia até rótulo de detergente, e isso fazia com que eu tomasse contato com o mundo lá fora, e visse que meus sofrimentos eram muito relativos. Gostava particularmente de livros de História e Astronomia: hoje vejo que eram os livros que me traziam distâncias enormes de tempo e espaço, o que preenchia os meus vazios.
Em todas as épocas, e principalmente nas particularmente difíceis, as bibliotecas eram meus refúgios secretos. Na escola, eu não era lá muito aplicada, nem tampouco muito caprichosa, mas enfrentava com alegria e disposição as tarefas, principalmente as de leitura. Lembro de sempre pegar os dois livrinhos indicados pelas professoras para ler nas férias, no primário, e minhas redações eram passavéis.
Meu entusiasmo aumentou 450% na universidade. Não sei explicar, mas logo no primeiro ano de Sociais o Espírito Santo baixou na minha cabeça e eu fiz uns trabalhinhos que ficaram célebres, como o Leviatã de Thomas Hobbes em quadrinhos. Eu adorava a biblioteca do IFCH... e assim passei meus anos de graduação e pós-graduação.
Agora enfrento a batelada de concursos por aí. Fico feliz em preparar os pontos. Mas não posso mais ficar calada diante das palhaçadas que eu vejo por aí. Gente que combina nota, candidato que sacaneia outro, enfim, um verdadeiro carnaval. Então, agora, neste momento da minha vida, o que me salvava da minha angústia virou o principal motivo dela. Ninguém merece.

Saturday, September 12, 2009

Cineminha


Há um tempo atrás, eu navegava bastante pela internet procurando o rastro dos brinquedos que tive e que sumiram na poeira dos tempos ( ou nas mãozinhas destruidoras lá de casa, minhas e do meu irmão). Muitos dos nossos brinquedos repousam nos maleiros da minha mãe, aqui em casa eu só tenho meu Snif Snif ( sim, lembram desses cachorrinhos de pano?) e os brinquedos comprados na idade adulta (Pinóquios italianos, etc). Agora, um monte de coisa se perdeu.
Lembro que em 2005, por aí, a Estrela ainda pesquisava a história de seus próprios brinquedos, e eu tinha lido uma linda História do Brinquedo do Walter Benjamin. Até cheguei a pensar em escrever algo e tal, mas acabei me enfiando de vez no Inferno e o tiozão me consumiu os anos seguintes.
Agora, tem um pessoal muito legal fazendo blogs sobre brinquedos antigos ou memorabilia dos anos 80. Acho muito bacana isso, a gente aqui no Brasil infelizmente não tem muito o costume de guardar coisas antigas ou falar sobre elas... o que é uma pena.
Mas enfim, eu achei o registro ( e até alguns pra vender, no Mercado Livre) de um dos meus brinquedos favoritos: o Mini-Cine Disney da Estrela. Era um projetorzinho de cinema, e os filmes eram uns cartuchos que a gente encaixava... vinha com o filme do Mickey Pé de Feijão, e eu adorava a cena que o Gigante ficava todo enrolado nas cordas. Daí começou o meu interesse por desenhos animados, e meu pai levava a gente nas sessões de desenhos no cinema da Cesp, o auditório do prédio que queimou na Paulista. Nas noites de domingo, eu não perdia um Lanterna Mágica, o programa de desenhos que passava na TV Cultura, e que era um grande barato: produções do Leste Europeu, japonesas, enfim, do mundo inteiro passavam lá, e eu gostava demais, além dos desenhos animados nossos de todo dia.
Meu tio tinha um projetor antigo, e passava filmes do Chaplin pra gente. Eu não vou ao cinema quase nunca hoje em dia: penso que tenho uma má vontade atávica com as grandes redes. Em termos de conforto, reconheço, é muito melhor, blá, blá blá, mas sei lá, eu prefiro o Paradiso, e os cinemas antigos, na rua, no centro. Ando morrendo de vontade de pegar uma sessão no restaurado Cine Marabá, em São Paulo. Ah, se alguém achar pra mim um Mini-Cine antigo de aniversário, eu também topo!

Wednesday, September 09, 2009

Orkut

cinco coisas sem as quais não consigo viver:

Pão de mel
Rolling Stones
Tiziano Vecellio
História
Amor

Monday, September 07, 2009

Bolos- desastres ecológicos?

Ontem, sem grandes coisas pra fazer no feriadão, fui atrás, na internet, de receitas de bolo, essas coisas. Fiquei surpresa ao descobrir o mundo da tal pasta americana, essa pasta dura de açúcar que permite, hoje, às boleiras ( ops, cake designers) fazerem mundos e fundos coloridos em decoração.
Dei uma olhada em alguns sites de doceiras e boleiras ( ops, sweeties e cake designers) por aí. Muita pasta americana, muito cupcake ( pra mim, conhecidos como bolinhos) com muito, muito icing ( cobertura) colorida, e blá blá blá.
Fuçei mais e descobri que a tal pasta e muita coisa já se vende pronta, por indústrias do ramo alimentício. Mesmo no ramo de panificação, hoje se compra mistura pra bomba de chocolate, pães e muitas coisas, bastando o pessoal da padaria (ops, bakery) misturar e assar.
Fiquei pensando na industrialização da coisa. Quer dizer, evidente que eu não pensava que as cake designers atuais eram como a minha bisavó, doceira na velha Campos dos Goytacazes, que ficava o dia inteiro virando e revirando tachos de doces, a tal ponto que minha avó traumatizou e não fez doces o resto da vida. Agora comprar tudo pronto... o problema é que fica tudo com o mesmo gosto.
Acho muito sensível a piora da qualidade das comidas que eu vejo por aí, e no setor de patisserie (vocês vejam que eu tô aprendendo a refinar o meu vocabulário culinário) isso é muito sensível. Onde comer um bom doce em Campinas? Digo, um doce diferente, saboroso, um doce que não seja enjoativo, extremamente doce, que não seja feito só de leite condensado? Difícil. Ainda no Rio, em março, dei um jeito de passar na Colombo. Não existem mais confeitarias em Campinas, tinha a Dolder no Centro de Convivência, mas que sumiu, foi parar no Gramado, sei lá.
Levada por essas indagações, ainda fuçei mais e achei uma pérola da blogosfera:
http://cakewrecks.blogspot.com/
Esse blog reúne fotos dos piores bolos e doces que o pessoal encontra pelos EUA afora, pátria da pasta americana, da cobertura azul, da foto de gelatina e de todo tipo de horror culinário. Aviso: as fotos são tenebrosas, tiram a fome de qualquer um e podem traumatizar os mais sensíveis.
Não tenho nada contra as decorações modernas de bolos, mas depois de tudo isso tive muita saudade do pão-de-ló branco, com um creme delicadíssimo, chantilly fininho e morangos, que uma senhora de Jundiaí fazia pra gente. Uma leveza! Decoração: só uns biquinhos de renda de chantilly, moranguinhos e basta.

Friday, September 04, 2009

Para a hora feliz...

Um presentinho pra vocês, de sexta-feira chuvosa.


http://www.4shared.com/file/115845314/6f3104f4/Eduardo_Dusek-_Happy_Hour.html

Mexidinho

Minha mãe, quando eu era criança, pegava o que sobrava ( carne, frango, legume, sei lá), virava na farinha e tava pronto o famoso mexidinho, o restodontê, o clássico da culinária caseira beijomeliga. Às vezes a assistência, vulgo eu e meu irmão, reclamávamos, mas de outras feitas o mexidinho salvava a nossa brava fome, vindos da escola.

Um conto bonitinho da Adélia Prado também fala disso, da pessoa pegando o resto do molho, do arroz, virando na farinha, quebrando um ovo por cima e lascando na panela mesmo. Acontece com quem gosta de cozinhar, com quem precisa cozinhar, as duas coisas e com quem tem a consciência, maior, que sobrinha de comida vira coisa muito boa.

Uma vez, fui falar pra uma pessoa nefasta que eu julgava minha amiga que canja se faz com a carcaça do frango, arroz, muitas vezes sobra mesmo de arroz. Essa criatura me ridicularizou por anos, e pelas minhas costas dizia que eu precisava me tratar por dizer por aí que fazia comida com sobras. Para uma festinha na casa dessa pessoa, fiz uma vez uma torta de palmito com muito esmero, que foi devidamente ridicularizada por ser "torta de sobra de geladeira". Eu devia ter desconfiado do caráter da santa ali. Vai ser ignorante assim no raio que parta: qualquer indivíduo com um mínimo de bom senso na cabeça sabe que muitas coisas da culinária clássica surgiram da fome, da necessidade de comer, do resto, da carne de segunda e do caldo ralo de legumes.

Só pra constar nos autos, hoje minha omelete deu certo.

Tuesday, September 01, 2009

Amor doloroso

A minha alma está maior. Respiro mais fácil e dói.
O inferno é o estreitamento.
Agora, é vida. E dói.

Sunday, August 30, 2009

Problemas metodológicos

Hoje sonhei que assava um frango (???). Eu tinha diante de mim um frango, e o primeiro problema era cortar os pedaços porque o bicho estava inteiro. Depois de cortar, eu tinha o segundo problema, como temperar, e eu fiquei muito tempo no sonho decidindo: laranja, alecrim, uma pimenta, mas qual pimenta, e talvez tomate? Não, pedacinhos de tomate com laranja, ácido demais, tenho que por algo básico, sei lá, um pouco de cerveja?
Acordei e fiquei pensando longamente nos problemas. Tomate, poderia ser o que o povo vende como tomate italiano aqui no Brasil, um dos tipos de pomodori que vem em lata e não são ácidos. O frango, sei lá, meu pai comprava frango numa granja em Jundiaí, que você chegava, falava o peso e o cara enfiava a pobre ave num tonel de água fervente pra depenar, mas de fato o gosto era muito melhor que esse frango gordo que a gente compra hoje congelado. Sem falar nas questões de saúde pública e a eterna questão da crueldade com os animais, fica muito difícil hoje aceitar o que minha avó materna fazia: ela comprava a galinha viva e sim, senhores, degolava a pobre pra fazer molho pardo. No quintal mesmo.
Depois fiquei pensando que minha avó, e meu pai, não teriam problemas metodológicos na hora de escolher os acompanhamentos do frango assado dominical: ou era macarronada e maionese ou era arroz, uma salada verde e as batatas e cebolas que orgulhosamente acompanhavam o frango na assadeira.
Mas o macarrão, meu pai arrumava um fresco, às vezes no Pastifício Selmi, e depois eu meditei longamente sobre o fato de que eu não sei se as coisas do Selmi andam boas e hoje em dia o povo cobra 15 reais o pacote de fettucini fresco, eu vi isso ontem mesmo numa padaria do Cambuí. Eu teria coragem de enfarinhar uma mesa e tentar fazer um fettucini? Pois é, caros senhores, até pra fazer frango assado no domingo a panda se enrola.

Sunday, August 23, 2009

Protesto

Hoje fui atrás, como sempre, das coisas do Um que Tenha, administrado pelo nosso boníssimo santo Fulano Sicrano, quando descobri que o blog foi retirado do ar por conta de questões direitos autorais blá blá blá. Vida longa e brinde triplo ao Fulano!
Aqui fica meu protesto contra a política direitos autorais blá blá blá. Quando tiver tempo eu caço e posto aqui a entrevista do Bono, na Rolling Stones, explicando que músico não ganha dinheiro com CD e que a política dos direitos autorais blá blá blá é puro blá blá blá.

Tuesday, August 18, 2009

Menu du jour

E se tem dias que o almoço nosso é um martírio ( o que fazer? Tem os dias da revolta, do omelete, do miojo e da falta de fome), outros me fazem pensar que fui, em outra encadernação, dona de bistrô dos mais fuleiros. Será reminiscência do meu bisavô, cozinheiro flamengo?
Pois hoje orgulhosamente temos arroz, feijão, carne moída ( músculo passado na máquina duas vezes) com batatas e cheiro verde e salada de rúcula com maçã. E tenho dito.

Friday, August 14, 2009

Teologia e Pintura


Nos últimos tempos, enchi a cabeça dos meus alunos com algumas reflexões sobre Arte Cristã. Chamei o módulo atual de Narrativas Cristãs, pra não chamar de Mitologia Cristã , por medo do castigo divino. Tem sido bastante interessante, até porque por outros motivos comecei a estudar os Triunfos de São Tomás de Aquino e daí comecei a ler sobre a Santíssima Trindade, a virgindade de Maria e outros temas santos ( quem sabe a pequena panda se salva, ou se lasca, de vez).
Nisso, caí no Lutero e me empolguei com os agostinianos contra os tomistas na virada do Quattrocento pro Cinquecento. Até porque, ao que tudo indica, o tiozinho barrilzinho, vulgo Sandro Botticelli, se enfiou nessas paradas. Me faltam as forças intelectuais necessárias pra enfrentar tais paragens, mas acho interessantíssimo a idéia de que um pintor possa, numa imagem, ir mais longe do que padres, monges, hereges e profetas.
Aí em cima, um pedaço do afresco Três Tentações de Cristo do tiozinho, na Sistina. Vejam que beleza, até os diabos dele são lindos ( olha o castigo divino aí, gente).

Thursday, August 06, 2009

Arquitetura Campineira


Acho que já falei aqui, em algum lugar, de um dos meus hobbies: tirar fotos de fachadas do final do século XIX e início do XX em Campinas. Aqui perto da minha casa tem vários desses sobrados antigos, com fachadas com ornamentos: guirlandas, leões, cavalos marinhos, animais fantásticos, rostos animavam o traçado retilíneo e uniforme da cidade sede da expansão cafeeira.
Começou assim: fui prestar um concurso no IEB, na USP, e precisava montar um ponto sobre Ecletismo no Brasil. Fuça daqui, fuça de lá, resolvi que não ia falar sobre o trivial, Victor Dubugras, Ramos de Azevedo em SP, Teatro Municipal do Rio, enfim, eu, indo e voltando do meu caminho das aulas de francês, resolvi que ia falar sobre Campinas mesmo. Comecei a andar sistematicamente com a máquina na mochilinha vermelha e comecei a me apaixonar, cada vez mais, por detalhes. Hoje, fui buscar umas coisas na casa da minha mãe, e de repente bum! Vejo um gradil de ferro todo em forma de cavalos marinhos fantásticos. Nessas horas me arrependo de estar sem máquina...
Apresentei tais esforços em outra seleção, malograda, na Pucc. Enfim, bola pra frente, tudo isso me levou à Catedral e, no dia de hoje, consegui alinhavar um artigo e algumas coisas a respeito.
Existem, no meio acadêmico, certos consensos sobre não só como as pessoas devem estudar, mas também as coisas que eles devem estudar. Sempre achei tudo isso grande besteira. Evidente que o trabalho acadêmico tem especificidades e eu não quero que ninguém apresente, como tese de doutorado, uma foto pelado com o cabelo verde. Existem linhas de raciocínio, argumentos, trechos, citações. Agora, também observo uma grande caretice na hora do pessoal montar aulas, cursos e projetos. O patrimônio arquitetônico se ressente disso: você não estudar aqueles edifícios é sinônimo dos mesmos ficarem caindo as pedaços, como é o caso do belo Palácio da Mogiana aí em cima. Sede da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro até a década de 60, depois Museu e depois Secretaria Regional de Cultura, hoje o Palácio é nada, perdido no meio do corredor de ônibus da Campos Salles, pichado, quebrado, exemplo máximo de que é preciso a gente urgentemente rever algumas coisas.

Tuesday, August 04, 2009

Bolo de fubá da Gui

Hoje, Gui, minha anjinho-ajudante, resolveu me ensinar a fazer bolo de fubá.

Havia comentado, há duas semanas atrás, minha total incapacidade na hora de fazer bolos. Gui resolveu me ajudar, conforme narrei no post sobre meu forno, Malebolge. Ela me passou sua receita, infalível, de bolo de fubá rápido de liquidificador, aquela receita que ela faz quando chega uma visita daquelas do nada:
BOLO DE FUBÁ DA GUI ( como ela, rápida, prática, eficiente e ninja)
3 ovos
1 copo ( copo de requeijão) e meio de açúcar
1 pouco menos de um copo de óleo
1 copo de leite
1 copo cheio de fubá mimoso
1 copo cheio de farinha de trigo
1 colher de sopa de fermento
Pré-aquecer o forno na temperatura máxima ( no caso de Malebolge, 295). Untar uma assadeira grande de pudim. Bater no liquidificador os ovos, o açúcar, o óleo, o leite, o fubá, a farinha, bater bem. Pôr por último o fermento, e dar umas três ou quatro batidas rápidas. Por pra assar no centro do fogão, forno alto o tempo todo. Voilà! Passar aquele café preto. E bater papo.

Wednesday, July 29, 2009

Lembrete

"O resultado da crise, no que me diz respeito, foi desilusão acerca de muitos colegas e um considerável cinismo acerca da política universitária. Depois da crise, realizei pouco pela Faculdade, tanto externa como internamente, porque fiquei profundamente desestimulado pelo jogo político sujo de que fui testemunha e vítima, e que me convenceu de que, até mesmo dentro da Faculdade, havia pessoas dispostas a promover, por baixo do pano, sua agenda política, e mesmo político-partidária, às custas da vontade expressa da maioria absoluta da comunidade da UNICAMP, em geral, e da Faculdade de Educação, em particular. A crise me fez perder a ingenuidade política, que me levava a crer que as pessoas, dentro da Universidade, estavam primariamente interessadas em preservar a integridade da Universidade contra ingerências externas, viessem de onde viessem, mostrando-me que muitos colegas, na Universidade, se opuseram à intervenção, não porque ela era intervenção, mas porque os interventores não portavam as mesmas cores e bandeiras políticas, e que estariam plenamente dispostos a conviver com a intervenção, desde que os interventores iniciais fossem trocados por interventores politicamente corretos, como o economista Carlos Lessa".
Testemunho do prof. Dr. Eduardo Chaves, diretor da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, quando da intervenção decretada pelo então reitor Plínio de Moraes em 1981. O reitor exonerou os diretores das Faculdades e nomeou interventores, que não conseguiram assumir seus cargos. Porém, no IFCH, o grupo dos economistas sugeriu o nome do economista Carlos Lessa, para substituir o exonerado sociólogo André Vilallobos.
Eduardo Chaves, em seu site, afirma que a "solução Lessa" foi aventada na Faculdade de Educação. Chaves foi o primeiro diretor exonerado a procurar a Justiça, e outros seguiram seu exemplo.
A crise da Unicamp de 1981 encerrou-se com a eleição, para a Reitoria, do médico José Aristodemo Pinotti, recentemente falecido. Pinotti era o 11o. nome da lista de nomes escolhidos pela comunidade universitária. Eustáquio Gomes, jornalista que trabalha na Reitoria, e que escreveu O Mandarim, biografia de Zeferino Vaz, fundador da Unicamp, para o 40o. aniversário da cidadela unicampítica, fala que o tal grupo dos economistas resolveu o nome de Pinotti numa mesa do Giovanetti, bar mítico aqui de Campinas.
Essas linhas precisam ficar como um lembrete pra mim, pequena panda que aventa carreira universitária.

Saturday, July 25, 2009

Carregar aquele peso

Enquanto eu escrevia a tese, ouvi muito Abbey Road. Acho que estou perdida no meio dos Concertos de Bradenburgo e no final do Abbey Road: de "She came in though bathroom window" a "The End", vocês podem me encontrar, perdida, no momento que vocês quiserem.
Acho que escrevi aqui, uma coisa linda que foi, eu dormi com a janela aberta, tarde da noite, depois de lutar com o tiozão narigudo, e acordar com "Here comes the sun"na cabeça. E assim vai.
Li não sei onde ( também não lembro direito) que Abbey Road foi gravado na intenção de ser o último, ou foi gravado depois do Let it be, não sei. De fato, o final tão rápido do disco me parece uma colcha de retalhos necessária: eles estavam se separando, resolveram nos 45 do segundo tempo não brigar, juntar todas as quase infinitas direções e pela última vez, no sentido físico, serem os Beatles. No final, dão aquela coisa que faz com que você tenha vontade de ouvir tudo de novo, de novo, de novo, de novo, de novo. E carregar aquele peso todo no peito.

Wednesday, July 22, 2009

Lindo balão azul

Mais um dia dureza.

Hoje aconteceu uma coisa. Eu fui falar com um dos professores mais queridos que tive, no IFCH. Ele deve ser uma das pessoas mais legais do mundo. Um cara muito sério, ético, bom professor, bom marido, bom pai, bom profissional. Um cara legal, enfim. Eu estava mal, um pote até aqui de mágoa, e chorei, chorei, chorei. Eu fiz uma pergunta pra ele: o mundo acadêmico é isso? E ele, com a doçura que só um mestre pode ter, me disse que eu tava generalizando, uma situação absurda, pessoas idiotas e filhas da puta, e achando que tanta gente séria, que segura o rojão por aí, seria igual a isso.
E eu lembrei de uma coisa, de uma das minhas músicas favoritas da minha infância. Um passeio de balão pra todo mundo!

Tuesday, July 21, 2009

Pronto, falei

Hoje encontrei com um casal de amigos e tomei café a tarde toda, antes de ir dar aula. Hoje me dei conta que encontrei gente muito legal, que me faz me curar de vários processos kármicos dos últimos anos. Os piores, infelizmente, foram profissionais.
Pois eu era uma jovem sempre intrépida a resolver problemas teóricos e práticos. Vocês podem não acreditar, mas é verdade, teve um momento da minha vida que eu era uma pessoa disciplinada, que passava manhãs e tardes na biblioteca do velho IFCH a ler Weber, Parsons, Durkheim, Adorno, Marx e de quebra ainda encontrava manuscritos do Gonzaga Duque perdidos nos arquivos do Rio e de Campinas.
Eu tinha uma formação sólida, dois mestrados e o Programa de Formação do Cebrap nas costas, quando resolvi amarrar meu burro, como diria meu avô, no poste errado. Passei alguns anos num lugar onde aluno, funcionário, professor não era respeitado, onde a picaretagem era normal e o mínimo de seriedade acadêmica não existia. Mais não posso falar: não quero um processo nas minhas costas. Vi coisas muito, muito, muito sérias acontecerem. Pior, cada vez que eu sei de outras, que vão se ajuntando a um poço de infâmias e disparates. Queria poder desabafar por inteiro: estou cansada de passar dor no fígado de tanta raiva e revolta. Fazer o quê, a gente vive numa sociedade minimamente democrática, e pelo menos eu posso escrever aqui algo. Algo muito tênue, mas algo.
Quando penso que o dinheiro do contribuinte é tratado desse jeito, me pergunto qual é a diferença entre isso que eu via e as tramóias do Sarney no Senado. Nenhuma. Não, nenhuma. Edital engavetado, curso de marmelada, isso pra mim é a mesma coisa que ato secreto e namorado de neta empregado. Pronto, falei.

Thursday, July 16, 2009

Esperança

Hoje foi um dia muito triste pra mim, mas quando eu achei que não tinha mais salvação, eis que a Dani no meu celular anunciou que brilha uma nova estrela: Henrique nasceu! Vivas pra ele!

E que ele tenha saúde, força, amor, paz, muita alegria, disposição pra enfrentar esse mundão.. e que ele sempre possa contar com a tia panda...

Tuesday, July 14, 2009

O papel do forno na vida da mulher moderna

Eu ainda vou escrever um livro sobre as minhas relações com o meu forno a gás. Sério.

Sei que a panda agora vai chocar opiniões, mas eu não tenho forno de microondas. Sim. Sim! Eu sou uma pessoa que nunca teve forno de microondas. Durante um breve período, na casa da minha mãe, tivemos um imenso Brastemp, que meu pai comprou num surto de empolgação, e que as pessoas só utilizavam para fazer a temível pipoca de microondas. Outro dia, almoçando com a minha progenitora, notei que ela deu um fim definitivo ao elefante branco culinário. Enfim, deve ser de família então a minha desconfiança aos fornos de microondas.
Segundo lendas urbanas, o forno de microondas é capaz de assar bolos, pudins e até pernis. Não acredito, nunca vi nenhum destes artefatos proporcionarem tais milagres na cozinha. A panda é cética quanto a essas narrativas. Mas eu amo meu forno a gás de paixão. Na verdade, Malebolge, meu forno ( que é batizado de acordo com o setor mais bacana do Inferno do tiozão) já fez milagres espetaculares, e me acompanha na luta diária pela sobrevivência. É engraçado, não tenho a mesma relação de intimidade com minha geladeira, pra mim mero depósito de coisas e que é capaz apenas de fazer gelatinas. Mas Malebolge não, de manhã cedo ele já faz meu café, meu leite quente, meu pão na chapa e meu mingau de aveia, com o auxílio de minhas panelinhas já gastas. No almoço, Malebolge faz omeletes, arroz sempre soltinho, feijão, couve refogada... à tarde Malebolge começa a esquentar minha chaleira, e já assou sequilhos, bem como no jantar oferece sopinhas de legumes, de feijão e brigadeiros de madrugadas afora.
Mas eu tenho um problema com Malebolge: os bolos. Meus bolos são uma catástrofe, tirando um de fubá cremoso que inclusive ornou o Meio do Caminho, tempos atrás. Assim como não tenho microondas, também não possuo uma batedeira, de modo que muitas receitas ficam fora do alcance de minhas patinhas gulosas. Mas premida por necessidades afetivas, que todos nós temos, de vez em quando eu sentia vontade do cheiro de um bolinho de laranja dentro de casa, e, devo confessar, sucumbia à tentação de comprar um bolo de caixinha ( SIM, SIM! Mea culpa, mea maxima culpa). Mas não! Nem isso! O bolo saía solado, péssimo, sem sabor, digno do lixo na primeira fatia.
Hoje, a anjinho Guiomar, que de vez em quando vem me dar uma força na arrumação da sempre caótica toca da panda, e eu decidimos que teríamos torta de liquidificador de sardinha para o almoço, já que uma panela fumegante de feijão estava à nossa disposição. Fiz seguindo a receita do Meio do Caminho (vejam o primeiro post de fevereiro) e estava às voltas com os botões de Malebolge, quando Guiomar sensatamente observou que eu punha o forno baixo demais. Pronto! Posto o forno quente, a tortinha saiu digna das mais altas considerações filosóficas! Por isso, meus caros, agora nada segura a panda boleira! Como pude não entender o desejo de Malebolge de arder na sua potência máxima?

Sunday, July 12, 2009

He's back!


Posto mais um retrato do velho tiozão... hoje retomei meus parcos estudos da obra do homi, e de suas implicações nos círculos de letrados e artistas da minha Pisa lindinha.
Este é o de um tal Juste de Gand, ativo entre 1460 e 80, óleo sobre madeira, 110 x 64 cm, Louvre.

Thursday, July 02, 2009

O menino de Gary, Indiana

Soube da morte de Michael Jackson no cinema. Ouvi umas meninas atrás de mim falando que o Rei do Pop tinha morrido. Achei que fosse piada, infelizmente nos últimos anos tudo que a mídia veiculava eram as bizarrices, os escândalos, a falência. Mas não, o garoto de Indiana foi, mesmo, pra eternidade. A Pati escreveu um post excelente sobre o Michael no Kind, não vou ficar chovendo no molhado, acredito que ela pegou bem o espírito da coisa, pelo menos pra mim.
Pra todo mundo da minha idade, Thriller foi um divisor de águas, um marco mais que histórico, a potência da música em si. Lembro que meu primo tinha o disco, que a gente ouvia sem parar, e a popularidade do rapaz negro era impressionante. A gente esperava os clipes passarem no Fantástico com ansiedade redobrada; tentávamos desesperadamente fazer o moonwalk e todos os passos. Depois, meu pai comprou pra gente todos os CDs, inclusive o Off the Wall, anterior às tentativas desesperadas de coreografias da panda no tapete da sala. Nem passava pela minha cabeça que o riff da guitarra era do Van Halen, que o produtor era o Quincy Jones, que o diretor do video do Bad era o Scorcese, a gente só via que o cara era bom, e ponto.
Quando estive nos EUA, pegava o trem de Chicago pra South Bend, em Indiana, e passava por Gary. Um subúrbio pobre, com uma enorme placa: a terra natal dos Jacksons. Ficava imaginando a odisséia do garoto fofo que todo mundo amava, e que virou uma caricatura de si mesmo. A vida ficou maior que a música, e isso é triste, porque o cara, repito, era bom e ponto. Quando ouço Billie Jean, ou Black or White ( que é a minha favorita, talvez) penso no quanto a indústria cultural, e a vida, são cruéis com os talentosos. E nem importa se você é preto ou branco.

Monday, June 29, 2009

Ao meu pai


Hoje seria aniversário do meu pai.


Dia de São Pedro, era dia do seu Pedro. Saudades, muitas. Se vocês me permitem, deixo aqui um presente pra ele, que gostava tanto de seus aniversários...
Camille Monet e seu filho Jean. Claude Monet, 1875. Óleo sobre tela, 100x81cm. Washington: National Gallery. Um dos últimos retratos que Monet fez da primeira esposa, que faleceria um pouco depois. Depois da morte de Camille, Monet não fez mais retratos.

Thursday, June 18, 2009

A ilha bonita

Cansada do cinza, do frio, das obrigações e dos sapatos pretos, resolvo sair por aí, depois de me enrolar no edredom e ligar o abajur.

E de repente me vejo com você lá, onde sempre quis estar: naquela praia paradisíaca de algum lugar dos mares do Caribe, lugares tão bonitos que, para Cristóvão Colombo, eram a prova cabal de que o Paraíso Terrrestre, da descrição do Dante, existia mesmo. Faz aquele calor gostoso dos sonhos; tudo é colorido, tudo traz a brisa do mar.
Beira de piscina, margaritas, o dia inteiro pra vadiar. As pessoas falam espanhol, inglês, todas as línguas, e de repente não é mais Caribe, são as velhas Canárias, é Açores, Madagascar, Fernando de Noronha, Taiti, Fiji, Guarujá, pode ser o que for, que eu estou lá com você, na ilha dos meus desejos, onde todas as aspirações cessaram de existir; se tornaram a mais concreta realidade.
E ao invés da austeridade da camisa, dos brincos pequenos de rubis falsos, um bíquini lilás, havaianas e sol. E ao invés do frio campineiro, do chá chinês medicinal, furar ondas e contar estrelas, no céu e na areia, uma saída de banho colorida, o vento nas palmeiras.
De repente acordo, e estou de novo enrolada no edredom, pra não ter dor no ciático. E tocou La Isla Bonita da Madonna no meu i-pod, revivendo a utopia antiga.

Friday, June 12, 2009

História Universal da Infâmia

Nesse feriado frio e eu gripada, só me restou ficar no casulinho quente do meu edredom e cobertor favoritos e mergulhar no primeiro volume das Obras Completas do Borges, além de tomar mais chá do que o habitual.
Um dos livros que eu mais gosto do Borges é o História da Infâmia. Realmente, ao ver as declarações da reitora da USP, a dra. Suely Vilela, pensei no quanto as pessoas se esforçam para entrar pra tal História com garbo e decisão. Incrível a falta de caráter, de vergonha na cara, do mínimo de lucidez de certos personagens. Tem gente que é tão infame... eu acho que a pessoa se esforça mesmo. Quer ser infame. Quer entrar pros anais com alguma façanha bem escrotinha.
Lembro agora de vários personagens que vou me abster de citar, até para não dar a essas pessoas o apanágio da glória. A estes personagens só nos resta uma saída: o silêncio e ignorar, mesmo. Silêncio aos infames, ora pois.

Wednesday, June 10, 2009

Universitas


Os últimos dias têm sido pavorosos, na USP. Eu cheguei a presenciar os carros de som do sindicato na ronda do campus, vi os meninos sem o bandeijão e vi várias das unidades, incluindo a FFLCH, funcionando normalmente, num clima de descrédito geral e desmobilização, mais profundo ainda que o de 2007.
Podemos discutir as razões de parte de funcionários, alunos e professores entrarem em greve; podemos discordar destas, e até nos enfastiar de certos discursos esquerdistas, e não nos sentirmos representados pelos movimentos. Agora, ontem, a tropa de choque da PM se confrontou com os manifestantes; na mídia, se diz que não se pode saber quem começou as agressões. Agora, evidente que os alunos, funcionários e professores nada podem contra bombas de efeito moral, de gás lacrimogêneo, cacetetes e outros artefatos da violência estatal. Por mais que se possa fazer críticas a qualquer coisa, a violência física é algo inadmissível.
Como professora universitária, lamento que a minha colega, profa. Dra. Suely Vilela, a reitora da USP, "lamente" apenas o ocorrido (http://www4.usp.br/index.php/institucional/16825-reitoria-lanca-comunicado-lamentando-confrontos) . Eu, se fosse a cara colega profa. Dra. Suely, não lamentaria nada; tomaria providências sensatas para que o diálogo fosse reiniciado na universidade, e, sensatamente, ao constatar o fracasso total, irrestrito e absoluto de minha atuação no cargo, abriria mão deste de imediato. Porque a cara colega profa. Dra. Suely Vilela entrou para a história da Universidade de São Paulo como a pior ocupante do posto.

Friday, June 05, 2009

Batmacumba

E agora que eu perdi toda a minha coleção de mp3s, incluindo meus CDs do Wando, Rosana e Agnaldo Timóteo, pergunto a vocês: o que fazer, meu Deus? Hoje comecei timidamente a ir no 4shared caçar alguma coisa, sem o meu mau gosto musical eu não vivo.
De repente, me bateu uma saudade de I won't let you down, do PHD, uma dupla inglesa, vocês lembram da "Aaaaa, eu vou ler jornal, vou ler jornaaaal"? Pois é. Recomecemos a construir a coisa mp3, de algum lugar, please.

Wednesday, June 03, 2009

Solidariedade

E aqui presto minha solidariedade às famílias das vítimas do vôo da Air France, que desapareceu de domingo pra segunda. A cada segundo a espera se torna mais trágica, e, se forem confirmados os óbitos dos tripulantes e passageiros, que descansem em paz.

Farfarello

Não bastasse o stress e certos graves dissabores das últimas semanas, eis que ontem o Hard Drive do meu laptop novo, que eu nomeei de Farfarello ( o nome de um dos demônios que seguem o terrível Malacoda e enchem as paciências do tiozão narigudo), mórrêu. Foi para o céu dos HDs.
Farfarello é novo. Fazia companhia, garbosamente, ao velho Caronte, com suas riscas azuis na tela e sua falta de teclas. Agora, Caron dimonio me salva novamente, porque Farfarello, apesar de bebê, deu um pau fenomenal, daqueles que eu vi poucas vezes nessa minha vida computadorística.
Moral da história: perdi toda a minha coleção de mp3s, um monte de coisas e principalmente, o trabalho nas últimas duas semanas. Eu tinha uns CDs de backup e o próprio Caronte servia de reserva para Farfarello. Mas até eu chegar em casa ( o ocorrido se deu em Indaiatuba, aos nove graus centígrados) e na casa do Celo, pra ver o que tinha ocorrido, achei que eu própria iria para o Inferno, fazer companhia ao Cérbero, Gerião, Farfarello, Malacoda e Plutão. Caronte me salvou na vala dos desesperados, e passei a nuit en blanche, recuperando de memória ( não da memória binária, mas da minha mesmo) os passos da panda nos últimos dias. O mais crucial foi todo recuperado e está salvo, agora, em novos CDs de backup.
Enfim, lá se foi o HD, e ficaram-se alguns dados.

Tuesday, May 26, 2009

Mundo louco

E no mundo véio sem porteira, as últimas semanas foram repletas de surpresas... desagradáveis.


Sabe quando a gente percebe o quão tonto foi nas últimas décadas? Pois é. A panda é tonta demais. E taca sofrer. Me digam, o mundo é isso aí sempre?

Wednesday, May 20, 2009

Por que isso não pode ser amor?

Taí, eu fiz tudo pra você gostar de mim. E sempre tem a hora em que a gente se pergunta, se o outro me diz que não ama, que não quer, porque me olha desse jeito, porque a gente se encontra e rola, pior do que se a gente se encontrasse e não rolasse nem um aperto de mão.

Nessas horas é difícil discernir o que é pura fantasia nossa do que é, de fato, parte do reino do indizível. Na minha vã filosofia, só uma coisa esclarece: o tempo. E daí, a gente tem que ter paciência, tem que ficar ali levando a nossa vida da forma mais digna, sincera possível, e esperar pra que na curva do rio o outro venha, mais uma vez, nos encontrar. Mas sem forçar, sem criar situação chata, sem pagar mico de escrever email descabido e esperar resposta imediata. O amor não é obrigação, felizmente pros fofos de espírito, infelizmente pros déspotas sentimentais.

E toca ouvir Why can´t this be love do Van Halen no talooooo!

Saturday, May 09, 2009

Pirulito

Essa aqui eu roubei da Pati. Pronto, viciei!








Táqui, táqui:

http://www.4shared.com/file/42106904/a4a4ee49/Mika_-_Lollipop.html?s=1

Thursday, May 07, 2009

Vitoriano, Bernardino e Francisco


Gente, não me agüentei, roubei também as imagens do CD da santa que gravei pro Luís Fernando, e também não me agüentei e mostro algo pra vocês!Táqui uma foto do interior da nossa linda Nossa Senhora da Conceição de Campinas, obra e graça de Vitoriano dos Anjos, Bernardino de Sena e Francisco Ramos de Azevedo, entre 1863 e 1881.

Monday, May 04, 2009

Arco-íris

Hoje foi daqueles dias que teve de tudo um pouco. Calor, frio, chuva, sol. E finalizou com dois imensos arco-íris, a cortar os céus metade cinza-chumbo, metade azul de outono, do campus da Unicamp ao final de tarde. Daqueles arco-íris pesados de lindos.
Acordei, calor, sandália e roupa leve, singrei pra Indaiatuba, fazer mon français toujours. Volto pra Campinas, como uma salada, quando saio do restaurante, vento frio, tudo escuro, cai um toró daqueles, eu e mais uma multidão correndo de encontro da velha Nossa Senhora da Conceição de Campinas. Chego no Museu, uma bagunça como sempre, o Ricardo enlouquecido com uma gripe e eu com a brava missão de decifrar um manuscrito de 1871, e conseguir gravar um CD com umas imagens pro Luís Fernando. O micro do Ricardo não colabora muito e ele proibiu pen drives lá, enfim, muitos vírus e um banco de dados que não pode morrer de jeito nenhum. Por precaução, gravei dois CDs.
No andar térreo, um monte de velhinhas do grupo da Escuta Cristã rezando e cantando, e eu e o Ricardo como dois loucos atrás dos cortes de pedra da tchurma carcamana. Quando a gente vai examinar pela enésima vez a maledetta facciata, vejo que não trouxe um dos CDs. O Ricardo sobe as escadas e me joga lá de cima o dito, e eu solto um puta merda que caralho, NA FRENTE DAS VELHINHAS DA ESCUTA CRISTÃ. Começo bem minha relação com elas.
Saí correndo que nem uma refugiada, porque estava um frio do caralho (desculpa, senhorinhas) e quando chego do meu prédio, batendo o recorde no trajeto Catedral malditinha- toca da panda, o elevador está quebrado.
Subo as escadas batendo outro recorde, ponho uma bota de sete léguas, um colete de lã e saio correndo. Tanta pressa tinha explicação: eu precisava entregar o CD pro Luís antes das cinco, quando ele britanicamente pegaria o fretado pra SP. Consigo chegar quatro e meia no IFCH, e berro o nome do Luís lá de baixo e ele no terceiro andar enfia a cara na janela gritando também. Um negócio discreto, elegante e fino.
Consigo entregar o CD, ganho o carinho de sempre do velho amigo, tomo cinco cafés e ainda consegui encontrar o mestre Nelson, Brenoboy, Celo, todo mundo na velha cantineta do IEL. E vi dois arco-íris hoje.

Thursday, April 30, 2009

Big uncle strikes again

E mais duas pérolas do mundo pop a eternizar o tiozão narigudo mais sexy da História da humanidade:

Descobri que teve uma banda de música disco chamada Dante's Inferno, que lançou uma musiqueta chamada Could be magic:

http://www.4shared.com/file/100063187/9149b81/Dantes_Inferno_-_Could_It_Be_Magic.html

Isso devemos a um produtor e músico chamado Ron Dante, conforme vi num fórum de discussão de música disco. O tal Ron Dante foi o vocalista que cantava para The Archies, uma banda de desenho animado a quem também devemos a antológica Sugar Sugar:

E vai ter um game de violência, porrada e pancadaria baseado no Inferno do tio:

http://tvig.ig.com.br/88425/game-dante-s-inferno-ira-recriar-o-poema-de-maneira-sangrenta.htm

A panda vai se viciar nesse game aí. Beijo nas crianças!

Monday, April 27, 2009

Kinder Ovo


Apelidei a Catedral Metropolitana de Campinas, carinhosamente, de Kinder Ovo: porque a santa todo dia tem uma surpresa diferente. Você entra lá e pode te acontecer de tudo: ser atacado por um bêbado dizendo que é o diabo, achar documentinho do século XIX embaixo de santo e ver, dos janelões do terceiro piso, o milagre do são que vira aleijado ( pois é, crianças, no tempo de Jesus os aleijados andavam, agora na Catedral de Campinas tem quem chegue andando do Terminal Central e vire deficiente físico pra pedir esmola. Meninos, eu vi!).
Desse tudo e mais um pouco que é a carinhosa e heregemente apelidada, também, de malditinha, tenho já uma coleção de histórias. Segundo um amigo, eu poderia escrever um roteiro pro Roberto Benigni, de tanta confusão que rola na nossa santa piccola maledetta. Pois vejam:
1)Hoje eu chego lá e o Ricardo tinha encontrado um pacotão de documentinhos infernais que estavam sabe-se Deus aonde. Todo o dia que eu piso no sagrado recinto, o Ricardo sempre põe um pacotão a mais de documentinho infernal de recibo de tijolo, pedra, cal, madeira, relatório de arquiteto do século XIX desmentindo um monte de História da Arquitetura que rola por aí, enfim, o Inferno de Dante total e absoluto. Agora me digam, será que existe uma mágica e o povo lá tem uma máquina do tempo, e eles trazem as coisas da construção em tempo real????
2)Hoje, igualmente, um dos estagiários da Pucc ( motivos de muitas polêmicas) disse que uma senhora entrou do nada no Museu ( que é no terceiro piso) de luvas de borracha e que começou a mexer no Cristo Flagelado que estava em cima da mesa, sendo higienizado. A moça não respondeu a nada do que o menino perguntou e quando ela enfiou a mão no bolso, o rapaz achou que ia ser assaltado (???) e começou a berrar do janelão, detalhe, isso no meio da missa do meio-dia. Disse que o pessoal embaixo riu e continuou a rezar. E a mulher sumiu, e a porta que dá acesso a tudo estava trancada. Agora me digam, onde essa pessoa achou essas luvas que a gente usa lá??????
3)Pra completar a antologia. Disse que domingos atrás, manhã tranqüila, uma senhora passava na entrada da igreja, indo ou voltando da missa, quando a cabeça do São Marcos da fachada despencou lá de cima (altura: 40 metros) e caiu a 5 cm dela. Passado o susto, constatou-se que a senhora estava ilesa, que o santo estava descabeçado e que a cabeça dele abriu um rombo imenso no chão. A cabeça está na sala do Ricardo, em cima de uma padiola. O Ricardo foi num armarinho, comprou uns sacos de estopa, subiu lá em cima (Jesus, me dá nervoso só de pensar) e fez uma touca pro santo sem cabeça. Nada a fazer, a não ser esperar a segunda fase da obra ( SIM, CRIANÇAS, a panda conviverá com neguinho restaurando as fachadas, mesmo com toda a sua bronquite). É, gente, a santinha é fogo!

Thursday, April 23, 2009

Emiko Nakayama, Chiaki Nakamura ou Miharu Minawa?

Em tempo: hoje vi no Facebook que um amigo achou um Japanese Name Generator Tabajara, uma brincadeira em que você acha, supostamente, seu nome japonês. O meu deu Emiko Nakayama ( lembrando sempre que os japoneses invertem, primeiro vem o sobrenome, Nakayama, e depois o prenome, Emiko).
Procurei na internet e achei outro Japanese Name Generator Tabajara (http://rumandmonkey.com/widgets/toys/namegen/969/) , e daí ficou
中村 Nakamura (centro da cidade) 千秋 Chiaki (muito bem/ muito bonita no outono). Invertendo meu prenome e sobrenome, deu:
三輪 Minawa (três círculos) 美晴 Miharu (lindo céu claro).

Considerando que nasci na primavera (outono no Japão), considerando que me sinto muito bem nas meias-estações (onde o céu é bem claro) e considerando que meu pai quase se casou com uma nissei, acho que meus nomes japoneses ornaram bem com a minha pessoa...

Outono

E o outono bateu na porta, anda fazendo aquele tempo louco, de dia um calorão, de noite aquele friozinho que já convida sonhar com céu estrelado, quentão, um cobertor xadrez bem quentinho e o ser amado ao lado.

Hoje tive minha primeira sessão de acupuntura. Resolvi seguir os conselhos de minha sagrada progenitora e ando cuidando mais da minha sempre combalida saúde. Fui a uma médica muito legal, clínica geral, que me apoiou no projeto de mandar umas pessoas aí à merda definitivamente ( ver dois posts abaixo) e resolvi encarar aquela chatice de exame e tomar vitaminas e remédios. Como é chato fazer exame, mas fazer o quê né. Enfim, parece que está tudo de acordo com a velha e cada vez mais rabugenta panda.
Daí prosseguindo no programa Panda Fitness 2009, estou mais atenta à alimentação, etcs e etcs. A Jô, minha cabelereira, conseguiu dar um jeito, fazer uma macumba e até meu cabelo assentou um pouco. Bom, pra resumir, hoje fui ser espetada e devo dizer que a sensação depois é a de um bem estar imenso.
Minha santa mãe também descolou uns chás chineses... que são sensacionais! Eles vêm em saquinho, são granulados, é só por água quente e voilà! Gostei particularmente de um, que é de uma espécie de beterraba chinesa, pérola de rio e crisântemo. Para os interessados, esses chás existem na Praça Liberdade, 83, a tiazinha que é a importadora de tais mezinhas.
Então, a panda está numa vibe chinesa total, muito condizente com o bem estar do outono e leituras de trechos do Tao. Pra completar a alegria geral, hoje fui na quitanda e achei um maço de rúcula belíssimo... quem mora em Campinas sabe o que é achar verdura decente nessa região desértica nessa época do ano. Andou chovendo, hoje mesmo caiu um pouco d'água, e eu imagino que o povo conseguiu salvar algum agrião e rúcula por aí. Fiz um capuccino bem cremosão... e espero que vocês estejam curtindo o friozinho também, gente!

Wednesday, April 22, 2009

A alegria e as barbas brancas do prudente patriarca

Fui jogar sinuca com amigos em Barão, na última sexta-feira. Convém dizer que eu não jogava sinuca há aproximadamente, acredito, duas décadas, e que fui pelo prazer da companhia dos queridos e por conta da sempre bem-vinda cervejinha gelada.
Papo vai, caçapada vem, uma hora todos sentamos aproveitando um petisco, quando, não sei porque motivo obscuro, surgiu o assunto músicas infantis assombrantes. Explico: acho que foi Lord Gorino que reclamou do Boi da Cara Preta, e eu disse que li uma coluna do Contardo Calligaris, que dizia aparecer uma das marcas mais profundas da escravidão todas as cantigas de ninar brasileiras serem arrepiantes ( como o Nana Nenê, que de Nana Nenê não tem nada). Vitão também reclamou da casa muito engraçada, que não tinha teto e não tinha nada ( parece certas partes da Unicamp).
Logo lembrei que tal cançoneta é obra e graça de Vinícius de Moraes, poeta e diplomata, da linha direta de Xangô. E logo, assim como a sinuca, as canções do Arca de Noé apareceram na minha cabeça e eu cantei alguns trechos pros meninos.
Cheguei em casa e vi no Youtube trechos dos dois especiais da Arca de Noé, de 1980, época em que a panda, acreditem, era mirim e adorava casas que não tinham teto nem nada. Hoje, gosto demais da primeira canção do primeiro disco: vejam lá, aparece só o Milton cantando, o Chico era proibido de entrar na Globo como todos sabem.
Eu adoro a história de Noé. É uma das partes da Bíblia mais caras a mim: a história de que Deus enche o saco da humanidade e resolve acabar com a moleza do povo, lascando uma água sem fim. Mas os animais eram inocentes, bem como o único homem justo daquele tempo (bom, pelo menos naquele tempo existia um justo, hoje em dia era capaz da raça humana se extinguir), o Noé, que ouve a voz do Chefão e resolve construir seu barco apesar do pessoal tirar sarro dele o tempo todo. Quantas vezes o justo precisa construir a Arca, enquanto os negos ridicularizam, menosprezam. Eu me identifico bastante com o Noé na hora da construção da Arca; depois do Dilúvio, ele inventa o vinho, bebe um pouco demais e ainda tem que amaldiçoar o filho Cam, por ter visto seu velho pai peladão e meio alto. O cara não podia nem beber, que caíam de pau matando. No final, não adiantou muito o Lá de cima mandar água, o pessoal não aprende.
Não liguem, a panda está num momento profetinha do Antigo Testamento!

Monday, April 20, 2009

Pecado capital

Um pecado capital em que incorro muito é a gula, como todos sabem. Mas outro em que a pequena panda se tornou especialista é a preguiça.

Tem gente que me dá preguiça. Quando eu vejo certas criaturas, concordo com tudo que elas dizem, ou faço cara de paisagem, ou pior, desisto de lutar, de argumentar, de querer resolver. Pronto, falei, pra mim gente burra dá preguiça. Gente arrogante. Gente indecente. Gente nó cega. Esse tipo de gente me dá uma preguiça enorme. Isso é horrível: além de incorrer no pecado da preguiça, ainda de quebra levo , no meu caminho pro inferno, um pouco do pecado da ira ( o pior tipo de ira é essa fria aí) e da soberba ( a pessoa pra mim é burra e pronto).
Encontrei por acaso uma colega querida, e tomamos um suco gostoso num final de tarde muito bonito. O que ocorre é que essa colega, pessoa muito competente, séria e responsável, foi vítima durante muitos anos de assédio moral e teve sua reputação, e seu trabalho, desonrados duma forma que, vejo hoje, panda mais madura e escolada, vil. Outra colega, igualmente querida, me chamou prum lance bacanérrimo de trabalho (aliás, nunca trabalhei tanto, e em coisas tão legais, como nessa fase boa de agora), e a história com ela foi a mesma. Detalhe: a mesma turma do mal, mesmas situações, mesmo tudo. E outra colega querida, outro café, mesma história. Ou seja. Percebi a preguiça que eu tinha até de ter raiva desse povo escroto. Resolvi parar de incorrer na preguiça e não tive medo de cair na ira, porque ter raiva desse tipo de gente não é pecado, é obrigação.
Pessoas do mal, podem se sentir ofendidas. Hoje a tia panda manda um vai se foder pra vocês!

Sunday, April 12, 2009

Por que...

Por que hoje eu tenho esperança. Por que eu hoje tenho um sorriso. Por que hoje eu tenho flores amarelas na minha jarra azul de vidro. Por que eu hoje lembro de você, que passou e não voltou, mas passou. Por que hoje é domingo de Páscoa.

Wednesday, April 08, 2009

A chaleira e a rosa amarela

Hoje saí mais cedo da Unicamp e fui procurar uns remédios que preciso tomar. Rodei pelas farmácias do Centro de Convivência e depois passei no Pão de Açúcar. Eu quase nunca vou no Ladrão, ops, Pão de Açúcar, por motivos óbvios: até pra respirar dentro desse supermercado o pessoal cobra. Mas como todos sabem alguns produtos mais refinados só tem lá. Entrei e estavam numa promoção de maços de rosas, todos muito bonitos.
Eu também nunca compro flores pra mim. Sou a própria garota das flores: vivo carregando violetas, margaridas, rosas e lírios pros outros, mas nunca lembro de mandar flores pra mim. Hoje eu não tinha nenhum motivo especial para comemorar, a não ser um suado dinheirinho sobrando no bolso e uma alegria meio sem graça no coração. Fiquei namorando as outras flores, mas as rosas estavam bonitas demais. Acabei agarrando um buquezinho de rosas amarelinhas, amarelinhas como gema de ovo.
Um pão, um queijo minas e uma caixinha de chá Earl Grey. Sim, caros senhores, a panda para seu próprio azar é uma criatura aristocrática: no melhor estilo aristocrata arruinada, eu compro chá inglês. Mais umas coisas e rumo pra casa, ruminando o fato de que minha chaleira antiga, de tantos Earls Greys, camomilas e cidreiras, ficou imprestável e tomou o caminho do lixo. E eu esquentando água na panelinha.
Resolvi num impulso comprar uma chaleira nova. Sei que era um esbanjamento: o Earl Grey, o queijo, as rosas mas eu não quis nem saber. Entrei numa loja que tem tudo de casa aqui perto, a Santarelli, e achei uma chaleira nova.
Então, hoje tenho rosas amarelas na sala, Earl Grey na caneca e uma chaleira nova. O surto de felicidade sem motivo aparente continua.

Monday, April 06, 2009

Feliz, feliz

Apesar de tudo, de todas as dificuldades, de todos os desacertos, desvãos, pirações, eu queria dizer uma coisa pra vocês. Eu, hoje, estou muito feliz. E a Páscoa está aí, brilhante.
"May the good Lord be with you/Down every road you roam/ And may sunshine and happiness/ Surround you when you're far from home/ And may you grow to be proud/ Dignified and true/ And do unto others/ As you'd have done to you/ Be courageous and be brave/ And in my heart you'll always stay/ Forever young"
Forever Young, Rod Stewart

Friday, April 03, 2009

Gente humilde

Hoje uma pessoa me disse que sou humilde demais.

Isso me fez lembrar um trecho de uma das biografias de São Francisco de Assis; diz que o santo escolheu um cara muito, muito humilde pra ser o favorito de seus companheiros, acho que o nome do humilde era irmão João. Mas segundo a biografia, São Francisco cuidava para que a humildade de João não fosse demasiada, porque senão essa grande virtude se tornaria um vício incontrolável, uma marca de distinção muito pronunciada.
Acho essa historinha o maior barato. De fato, parece que a humildade em demasia ofende mais certos indivíduos que a arrogância e a prepotência, e causa mais problemas do que estas. Imagina entre os primeiros irmãos franciscanos, esses mesmos que casam com a pobreza, ter alguém mais humilde do que todos!
A pessoa me disse que no último concurso que prestei, vamos dizer, São Francisco não conseguiu controlar a minha humildade e isso foi um dos motivos para que eu não fosse aprovada por todos os membros da banca. É engraçado isso: fui acusada de responder corretamente as perguntas, com mentalidade de pesquisadora, elencando as diferentes posições sobre os assuntos em questão, mas que eu não tomava partido de nada e que isso era irritante.
Agora, vejam vocês, caros leitores que lêem este malfadado desabafo: se eu tivesse entrado de salto alto, disparando a minha visão (????) sobre o Renascimento italiano (????ao triplo) teria sido acusada de abusada e sem noção. E teria sido reprovada do mesmo jeito. Ou seja: se correr o bicho pega, se ficar o bicho trucida. Respondi para o meu interlocutor que a coisa seria assim de qualquer maneira e que mesmo que eu plantasse bananeira, conceitualmente falando, as pessoas continuariam a me reprovar. Porque, ouso dizer a vocês, tais criaturas nem elencar as diferentes hipóteses historiográficas sobre os fenômenos têm condições de fazer, e como os irmãos franciscanos da história, as pessoas da banca têm inveja da minha humildade.
No final, mais uma vez, São Francisco de Assis tinha razão: mesmo pros humildes o mundo é cheio de perigos!

Sunday, March 29, 2009

Tao


Aceito que a correnteza não me está favorável, e me deixo levar. A princípio, parece que vou me afogar, olho pros lados e só vejo barranca de rio, nada em que possa me apoiar... sinto tudo me levar e sei que pararei muito longe do ponto inicial, e do ponto em que eu queria, rodo, o lodo do fundo se enrosca na perna...


E do fundo da mente vem a certeza, a paz, o consolo, a esperança. E nessa hora exata, consigo alcançar uma borda, levantar,respirar, e continuar vivendo.



Ao que não pode ser definido com palavras (Lao Tsé).

Monday, March 23, 2009

Um homem que sabe o que quer

Gente, cinqüenta anos de carreira do Rei.


Quando fui ao Rio, desta vez, como falei pra vocês, fui ao bondinho e depois eu e meu irmão demos uma volta no lindo bairro da Urca. Na pontinha da orla, daonde a gente vê a Baía inteira, tem um prédio muito bonito, e meu irmão disse que um colega, que mora na Urca, contou que ali mora Vossa Majestade.

Ele merece. Cinqüenta anos de splish splash, de ilegal, imoral ou engorda, de Jesus Cristo estou aqui e de coisa bonita, coisa gostosa, quem foi que disse que tem que ser magra pra ser gostosa. Fala sério. Morro de vontade de ir ver o homem cantar e ganhar uma rosa.



http://musica.uol.com.br/ultnot/2009/03/23/ult89u10440.jhtm

Friday, March 20, 2009

Se a ti me confiou a piedade divina...


Anjo da fachada da Catedral de Campinas. Cerca de 40 m do chão...

Wednesday, March 18, 2009

Novas

Nos últimos meses,
aprendi a comer fruta do conde,
a tomar remédio certo pra minha bronquite,
a ler a relação dos vapores que chegavam no Rio em 1876,
e aprendi que Dante foi condenado formalmente pela Igreja na Ata da última sessão do Concílio de Trento...

Saturday, March 14, 2009

Cartão postal


No meu último dia de Rio, fui com meu irmão ao Pão de Açúcar. E foi aquela emoção.
Muita gente não gosta de fazer os passeios típicos de turista: subir no Redentor, tirar foto com os gladiadores fajutos no Coliseu e subir na Muralha da China e dar tchau. Mas, enfim, uma vez na vida a gente tem que fazer os passeios típicos de turista, senão, que graça tem?
Eu só tinha andado no bondinho uma vez, quando criança, e adorei subir de novo. A vista é magnífica, e no segundo morro passa um filme muito interessante sobre a história da construção do bonde aéreo, que liga o nada ao lugar nenhum, só pras pessoas justamente apreciarem a vista. Ou seja, adorável, e a piada que o amigo do construtor lascou, bom, esse liga da Praia Vermelha ao morro 1, do morro 1 ao 2, e o último do morro 2 ao hospício, também é ótima.
Às vezes o óbvio deixa a gente tão feliz.

Saturday, March 07, 2009

PUTA MERDA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Só rapidamente, antes de eu me pirulitar de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Essa semana foi dureza nas terras cariocas: o calor realmente foi de lascar e bandidos e policiais resolveram atirar numa estação de trem urbano em Bangu com gente indo trabalhar e tornaram o caos da avacalhada urbs mais caótico ainda.
Pra completar a semana, tivemos todos os desdobramentos do pavoroso caso da menina de 9 anos, estuprada pelo padrasto em Alagoinhas, Pernambuco, e, que, grávida de gêmeos, precisou recorrer a uma intervenção cirúrgica. O caso por si só seria pavoroso, mas o arcebispo de Recife e Olinda resolveu torná-lo ainda mais trágico, excomungando os responsáveis pelo aborto e a mãe da menina. O interessante é que o filho da puta do arcebispo, além de não excomungar o padrasto, ainda disse que o cara tinha cometido um crime grave, "mas existem tantos crimes graves". Hoje no Jornal Nacional, apareceu o lançamento da Campanha da Fraternidade em Recife, e um dos bispos resolveu lascar a lenha nesse filho da puta desse arcebispo, que, depois da dura do nosso presidente, resolveu falar de perdão e não sei o que mais. Sem citar o padrasto, ainda. Bom, desse caso, declaro que, se não importa a gravidade do crime, gostaria muito que alguém enrabasse com requintes de crueldade o arcebispo.
Pra piorar as coisas, que já estavam totalmente fodidas, uma equipe médica de hospital público atende uma dona de casa com um coágulo no cérebro, fruto de uma queda, e abre o lado errado do cérebro da moça. De novo, Jornal Nacional, a corajosa irmã da vítima, denunciando esse crime sem nome. Segundo os responsáveis pelo hospital, os caras perigam ser cassados. Só cassados? Cara, de novo, se ninguém se importa, essa equipe médica, os arcebispos, os bandidos e os policiais da estação de Bangu tinham que ser queimados vivos.
Sabe o que falta? Viagra na água do povo. Os brasileiros estão brochas e não honram o que tem no meio das pernas. Acontece umas coisas dessas e ninguém fala nada, ninguém da universidade se pronuncia, os babacas da OAB nada dizem, quer dizer, foi-se o tempo que nesse país existiam homens de verdade.

Wednesday, March 04, 2009

O samba da panda doida


E eu lhes escrevo do inacreditável Rio de Janeiro, como diria Clarice Lispector.


Depois de uma noite insone, aporto às terras fluminenses por motivos profissionais. E , como vocês estão carecas de saber, os motivos profissionais da cada vez mais velha pandinha sempre estão diretamente relacionados com o tiozão narigudo. Veio uma professora francesa falar do vate florentino. Essa professora, de Paris VII, falará também na Unicamp e na USP, mas por motivos que escapam da minha compreensão no presente momento, só falará de Dante aqui no Rio.

Apesar de pandas não se darem muito bem em climas tropicais, ou, no caso do Rio nessa semana, climas supermegaultra desérticos, peguei o restava da minha coragem e vim. Fala sério, não entendi porque o povo não pediu pra professora Irène Catasch falar do tiozão lá na terra da garoa ou na terra da Catedral de taipa ( que também tão fritando), mas tudo bem. Aproveitei pra ver meu irmão (ele tá morando aqui há séculos e eu nunca vim visitá-lo, e ele, puxa, você veio só pelo Dante, mas tudo bem né) e fiz um pequeno cronograma de atividades, que seriam tirar fotos de obras do século XIX ( maiores informações mais tarde), ir na Biblioteca Nacional, até pegar uma praia, e correr atrás de italianinhos construtores de Catedral no Arquivo Nacional.

Mas não gente, acho que o bafão dantesco vai acabar me matando. Tá quente demais. Pra quem acha que eu tô exagerando, vejam essa singela reportagem:


Quando até os cariocas desistem, sinal que o bicho tá pegando mesmo. Eu fui pro centro, desci na Carioca e o negócio tava um pesadelo. No ICHS, no Largo de São Francisco, puseram a gente numa sala bem legal, mas o ar condicionado derrubou a professora Irène, que teve uma crise respiratória no final da aula. Ela como toda boa francesa mandou ver e foi excelente, mas no final acho que os demoninhos do Malebolge resolveram aprontar e ela quase foi ver Virgílio em pessoa.

Cometi a temeridade de depois da aula ir pra Cinelândia, e entrei na Biblioteca Nacional atrás de livros e do busto que o artista francês Marc Ferrez fez de Dom João VI. Os guardas me deixaram tirar as fotos, mas suando em bicas, e tremendo de choque térmico, consegui tirar só foto tremida de Vossa Majestade. Foda total.

Pra terminar a saga, resolvi comer uma pipoca na Cinelândia e ir pra Botafogo pra ver um cinema, sei lá, e esperar os hebreus fugirem para o Egito ( o povo se lascar pra Pavuna de metrô) mas no meio da pipoquinha achei um caquinho de vidro. Pronto, foi demais, depois de um Cometão, de me perder pra ir pra estação de metrô da casa do meu irmão, depois de ver a professora quase bater as botas, achei que depois da pipoca maldita eu mesma iria para o reino das trevas. Mas no final correu tudo bem, e de qualquer forma se eu fosse de fato pro reino de Lúcifer, com certeza lá estaria mais fresco que o Rio.
Acima, uma das luminárias da escada da Biblioteca Nacional. Inveja dessa moça que pode ficar pelada o dia todo! E também da Luma, gente vocês viram a Luma esse ano?

Monday, February 16, 2009

Torta de liquidificador

Eu não sei quanto a vocês, mas tenho certeza que a nuvem negra está em cima da minha cabeça quando paro de cozinhar. A nuvem negra passou no sábado, quando fui comprar coisas pra nachada. Pra quem não sabe, o meu amigo Chapolin Colorado veizinquandu dá uma festa de comida mexicana na casa dele, e eu sempre tento inovar o menu da dita festividade, com pimentas, doces como pirulitos que viram chiclé e marshmallows. Fui com o Luís comprar as coisas e no Oba tive a inspiração necessária para voltar a cozinhar, essa coisa escolher o cardápio, limpar a pia da cozinha, amolar a faca e mandar ver na panela ( minhas panelas estão velhas, mas como diria Sérgio Reis...).
Hoje, plena segunda-feira de trabalho e mais trabalho, o coração dividido entre o Renascimento e a empreitada do intrépido Cristovam Bonini na Campinas oitocentista, resolvi fazer uma torta de liquidificador. É, aquela mesma, que a mãe da gente fazia com presunto, mussarela e tomate. É evidente que o céu pra mim ainda está nublado: prova disso é o caos que fiz na cozinha para assar uma singela torta de liquidificador. Taí a receita do Tudo Gostoso:



TORTA SALGADA DE LIQUIDIFICADOR

Massa:
3 ovos
13 colheres de farinha de trigo
1 e1/2 xicara de leite
3 colheres de queijo(opcional)
1 colher de fermento
um pouco menos que 1/2 xicara de oleo
sal a gosto
Podemos usar qualquer um desses recheios :carne moida/sardinha/frango desfiado/presunto e muzzarela.
1 cebola
alho e sal a gosto
1 pimentão
2 tomates sem pele
orégano
1 pimenta de cheiro
cheiro verde
óleo para refogar.

Agora, detalhe IMPORTANTE: essa receita é para ASSADEIRA PEQUENA. Parte do caos que a velha e sempre desmiolada panda fez na cozinha foi que o pessoal do site Tudo Gostoso nem pra deixar indicado o tamanho da fôrma. Tudo bem que eu sou uma pessoa estressada, mas também não colaboram. Enfim, assuntos para outros posts!

Thursday, February 12, 2009

Minha nova turma


E eu arrumei uma turma nova, diferente!


Pois estava eu a naufragar nas altas ondas, quando peguei um jacaré. Por motivos gerais, resolvi estudar algo que está próximo de mim fisicamente, e que em dezembro ficou mais pertinho do coração: a velha e linda Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Conceição, sim, a Catedral da também velha Campinas do Mato de Dentro de Jundiaí ( sim, nome original de nossa brava cidade).


Caros e queridos leitores, a coisa toda se processa da seguinte forma: existe a Catedral, as missas, o grupo de orações de senhoras animadíssimas, os mendiguinhos na porta e a conta de água de não sei quantos mil reais, por conta do banheiro que é o único público no centro da sempre desvalida Campinas. O pessoal da secretaria calcula mil pessoas por dia circulando por ali, por baixo. Mas também existe o Museu de Arte Sacra e o acervo da Arquidiocese, o órgão francês à espera da reforma que lhe dê a plenitude, enfim, um universo que parece de sonho. Subi as escadarias e descobri esse Aleph, como diria Borges: os documentos da construção da igreja.


Se eu contar pra vocês tudo que achei nesse mês chuvoso, ninguém acredita. Adianto que achei os tempos dos escravos sofridos lascando terra no pilão, um arquiteto italiano arrojadíssimo, outro paulista muito meticuloso, muitos, muitos operários recém-chegados do Vêneto e que abalaram Bangu, todos os primeiros trens que singraram São Paulo, o início da expansão cafeeira, dois assassinatos, uma legislação tributária muito esperta, muitas arrobas de café, projetos, aspirações e telegramas de 1882. Fiquei emocionada quando os vagões de pedra da cantaria da fachada chegaram, 147 vagões entre 76 e 77, obra e graça do tal itálico arrojado e que já ganhou, ovviamente, um lugar especial no coração da também velha e desvalida panda.
Fiquei feliz, apesar do dilúvio desses dias, com esses segredos novos a me aquecer.

Wednesday, February 11, 2009

Recorte de jornal

Deixei guardado o seguinte recorte virtual, aqui pro meu Meio:
24/01/2009, Folha de São Paulo

A mulher como medida
Luiz Caversan

"Nunca confie num homem que não respeita a mulher.
Esta frase, com a qual há de se concordar inteiramente, é do jornalista Caco Barcellos. Foi dita durante uma entrevista a Marília Gabriela no final do ano passado e é absolutamente coerente com o caráter do rapaz, talvez o repórter mais sério, dedicado e correto da TV brasileira, um batalhador incansável pela justiça, tendo o jornalismo como arma, o que lhe valeu inúmeras perseguições e desafetos, sobretudo dentre quem usa outros tipos de armas, muito mais efetivas.
Caco não se referia ao homem que respeita apenas a sua própria mulher, embora tivesse ele mesmo motivo de sobra para isso, posto que é casado com a maravilhosa estilista Bibi Barcellos, uma fada das tesouras especialista em noivas. Não, quis dizer que não se deve confiar no homem que não respeita mulheres, o gênero como um todo, com o que se deve concordar mais ainda.
O desrespeito, muitas vezes derivado do despeito, com que tantos homens (des) tratam mulheres, seja por meio do simples desprezo, de ofensas sexistas ou, infelizmente também frequentemente, por meio da violência, é revelador de fraqueza de caráter e pequenez da alma.
Daí ser entristecedor observar uma realidade em que seja tão usual esse tipo de comportamento, só não mais hediondo do que a ofensa a crianças e idosos, também trivial e repetitivo nos dias de hoje.
Já estava para escrever sobre a frase do Caco, linda e das que devem ser registradas, mas faltava oportunidade ou o chamado "gancho" --ou seja, a motivação jornalística que leva alguém a escrever alguma coisa".
Caversan prossegue falando do carinho que Barack Obama reserva à esposa Michelle. No caso, o gancho de Barcellos, que virou o de Caversan, virou o meu também: achei que o colunista foi muito feliz ao definir algo que sempre senti: homem misógino, machista, é covarde e indigno de confiança. Como é bonito quando um homem nos entende, nos admira e nos trata como iguais. É o que existe de mais bonito num homem...

Monday, February 02, 2009

Mais uma da gaveta


Hoje, apesar do desânimo geral, irrestrito e absoluto, cumpri parte de minhas funções pandísticas, como estudar francês, fazer planos de dominar o mundo através do estudo sistemático e persistente da obra do tiozão narigudo e encher a paciência alheia em vários momentos do dia.
Caiu um toró daqueles, em pleno dia de Iemanjá. Eu e messer Masiero ficamos ilhados na velha cantina da Física, conversando sobre a amizade de Oxum e Exu (maiores detalhes adiante) enquanto o resto dos orixás, santos, deuses e afins se reuniam para organizar uma nova edição do Dilúvio Universal. Enfim.
No meio de nossas idílicas conversações, tão nobre artista me indagou sobre as razões que me fizeram ir ter na cidadela potawatomi, há quatro anos atrás. Lembrei-me de um arquiteto florentino, que um dia foi a Roma e no seu retorno ao pântano natal, falava tanto, tanto da nobre cidade Eterna que foi denominado pelos colegas de Cronaca (crônica, narrativa) di Roma, ou só Cronaca mesmo. Eu sou a Cronaca das velhas edizioni vistas às margens do Michigan, enquanto eu não tiver novas aventuras dantescas vão as velhas mesmo. Daí lembrei-me de postar uma pequena imagem, detalhe de uma das xilogravuras do incunábulo ( os livros de 1460, data da invenção da prensa por Gutenberg, até 1500, são chamados incunábulos, do latim cuna, por serem gravados por tipos presos em grades, página por página) da Comédia de 1487, Bonino Bonini, em Brescia.
Essa foi a primeira edição totalmente ilustrada da Comédia. Detalhe da ilustração do Canto XVIII, onde os tios itálicos pegam carona no Gerião véio de guerra.

Monday, January 19, 2009

Os amantes de Roma

A primeira vez que estive em Roma, tinha 20 anos.


Foi a primeira cidade que conheci, o primeiro lugar fora do Brasil. Lembro da chegada, de manhãzinha cedo, era novembro e fazia frio. No trem de Fiumicino para a cidade, eu vi trigais dourados, e no táxi o cara ouvia Elton John. Mas era Roma.
Eu não sabia o que queria da vida, era boba e mané de tudo. Mas chegando, fomos ver, eu e o grupo que acompanhava um de nossos professores, a Porta Pia de Michelangelo. Puxei a manga do casaco de um amigo e perguntei, mas esse é o Michelangelo da Sistina? E ele, é, shiiiit.... fala baixo. E eu descobri que tem gente que é pintor, escultor, arquiteto e que é, enfim, Michelangelo. E era Roma.
A pequena panda, sempre desligada e nada a ver, se perdia horrores do grupo, era deixada pra trás em tudo quanto era ruína, igreja, ruela, buraco, ônibus pro Vaticano e salas com Caravaggios, Tizianos e outros do mesmo quilate. Consegui entrar na igreja de Gesù sozinha e ir a Santa Maria Maggiore, no caminho inverso ao que todo mundo fazia. Mas era Roma.
Não entendia picas de italiano, e o chuveiro do meu quarto no hotel quebrou. Estava com uma senhora uruguaia, e uma mocinha nipo-descendente, que chorava todos os dias de saudade da mãe. A senhora não queria ligar pra portaria e a mocinha começou a chorar.A portaria, lotada de rapazes da La Sapienza, que inclusive fumavam um ali, era realmente um obstáculo difícil. Liguei pro nosso professor, ele tinha saído, mas me armei de coragem e falei com os tios. Um deles atendeu e eu falei em inglês, e ele em francês. No meio da zona toda, lembrei-me que fui criada no Cambuci, uma espécie de mini-Nápoles. Falei com o cara em português e ele entendeu perfeitamente. E ainda era Roma.
Se o chuveiro eu resolvi, evidente que meus pedaços de pizza vinham frios, eu não sabia que caldo era quente, enfim. E evidente que um dos rapazes do hotel, numa da noite, resolveu me levar pra passear e me agarrar, eu tinha 20 anos e era Roma.
Era Roma, eram as cores ocres, amarelas, os tons terrosos, as laranjeiras nos vasos, eram as fontes e as igrejas, eram os homens lindos e os padres todos de negro.
Quando voltei, é outra história, mas conheci um grande amigo, que me apresentou essa pérola do Gianmaria Testa, Gli amanti di Roma. Logo depois que voltei, então hoje eu queria deixar um pouco da minha Roma, um pouco do meu mistério pra vocês:

Saturday, January 10, 2009

E dá-lhe tiozão!


Provando que o tiozão narigudo mais sexy da História da humanidade continua no hit parade da cultura popular, com seu charme e nariz característicos, adentrando as valas das almas danadas da internet para pesquisar detalhes de ilustrações do Inferno, achei nada mais nada menos que esse jogo de tarô, publicado pela La Scarabeo, editora italiana especializada em baralhos de tarô, em 2001.
Andrea Serio desenhou e Giordano Berti coloriu a pastel as 78 cartas, perfazendo arcanos maiores e menores. Agora, o tarô deve ser gracinha porque além dos símbolos e personagens da Comédia, também tem cartas que representam episódios da vida do tio, como ele nos conta na própria Comédia e na Vita Nuova, e conceitos por ele discutidos no Convivio, De Monarchia e em outros escritos.
Pelo menos, com esse tarô, você fica sabendo antecipadamente se sua vida vai virar um verdadeiro inferno!

Thursday, January 08, 2009

Lema

Outro dia, eu estava no 4shared, baixanu umas musiquinhas como de hábito. Search vai, search vem, e eu acho uma pérola da música infame popular brasileira. Eu já conhecia a dupla Teodoro e Sampaio por outras canções horríveis, como Quem vai mandar no mundo é a mulher e A Rabanada da minha cunhada.
Mas essa que eu achei superou minhas expectativas trash, tá no quilate de um Fuscão Preto ou de um É bom para o moral, da Rita Cadillac.
Sabem, eu andei tendo umas decepções feias com pessoas muito queridas por mim, como todos já puderam ler no Meio. Estou muito melhor, tanto é que achei graça na cançoneta dos infernos, e pus o título no messenger, o que provocou perguntas, risos e perplexidades dos meus sempre carinhosos e pacientes interlocutores. Mas é o seguinte: como é um pára-choque de caminhão, acho que pode ser sim um bom lema de vida, uma boa orientação moral, um dístico digno de um brasão pra pôr no meu velho e combalido Gerião, o carrinho também carinhosamente apelidado de Exumóvel.
Pois é o seguinte, meus caros leitores: agora, eu só dou carona pra quem deu pra mim.

Sunday, January 04, 2009

Com que roupa eu vou

Tendo atividades profissionais em vista, e coisas meio importantes, a panda teve que encarar as plagas dantescas dos shoppings, calçadões e outros lugares apinhados de gente atrás dos descontos de janeiro para descolar um figurino à altura da minha habitual deselegância.
Noel Rosa matou tudo. Difícil escolher a roupa pra ir pro samba que me convidaram. Primeiro, rondo as vitrines. Fiquei namorando uma camisa na Forum, namoro totalmente platônico e não-correspondido. Dou um suspiro e reconto mentalmente meu (baixo) orçamento. Vamu lá, entro na C&A, e tudo até simpático, mas muito decotado, muito florido, muito alegre, sexy, atrevido. Ué, tá certo, as pessoas nessa época do ano estão na praia, curtindo o verão. Se eu pudesse, enfiava esse biquíni, a havaiana bacanuda e a saída de praia gracinha e ia tomar chicabon. Outro suspiro, me imagino enfrentando o que terei que enfrentar de biquíni branco, havaiana de plataforma e saída de praia multicolorida, com um chicabon na mão. Pelo menos eu ia me divertir mais!
Vamos lá, verás que uma filha tua não foge à luta, ó Pátria ingrata que me faz trabalhar quando na verdade eu queria estar em Fernando de Noronha olhando os golfinhos pularem. O meu consolo é que o pintor Peter Paul Rubens teve que pintar golfinhos pulando pra Maria de Médicis, nega muito mais baranga e muito chata que nem deixar o rapaz descansar deixava.
Entro na Luigi Bertolli. Pego umas peças, uma camisa, algo assim. Mas quando eu entro no provador, cara, tudo com cara de secretária. Tá bom que desisti de ir pra praia tomar chicabon, mas também não preciso passar o verão metida em roupa de executiva. Eu tenho um problema: o mau gosto. Adoro roupa estampada, colorida, coisa diferente e sou 80´s total, acho certas coisas muito caretas. Tudo bem que já passei da idade de ser moderninha (se bem que meu sonho às vezes é pintar o cabelo de azul), mas também o que vesti na Bertolli tava muito senhôra, se é que vocês me entendem.
Vou pra Zara, milhões de campineiras enlouquecidas e um monte de roupa bonita... pro inverno. Cara, tudo bem que a Zara é européia, mas casaquinho xadrez nesse calor vai ser dureza.
Resolvo que vou pintar o cabelo de azul, ir com minha calça jeans rasgada (é, meus caros, a panda rasgou suas carsas jeans antes do Natal), minha camiseta Hering e beijomeliga. Cansei!

Saturday, January 03, 2009

Desejo de ano-novo


Do site http://www.mcphee.com/, que tem coisinhas exóticas tipo máscaras, camisetas maneiras, caixas de mágicas, essas coisas que a gente adorava ver anúncio nos gibis da Mônica, eu tirei isso aqui, meu desejo master de ano-novo. Diz aí se essas balinhas de canela não são o máximo!

Friday, January 02, 2009

Brilliant disguise, ou como pandas saem de bad trips

Espero que todos vocês tenham passado bem o reveillón. Eu passei, sim, ao lado de gente muito amada e com muita comida e bebida, e muitos fogos.

Passado o feriado, voltei para minha toca e meus afazeres da minha panda vida, agora vida de panda concurseira. Para meu desespero, tenho provas já no início deste janeiro, o que me impediu de esticar o feriadão e ficar no dolce far niente, na rede tomando água de coco. Precisava arrumar material pra dois pontos dignos de Hércules, e no final acabei meio cansada e tendo umas bad trips de cansaço mesmo.
Daí no meio de uma bad trip, eu resolvi fuçar coisas no Youtube, sempre ajuda a gente a se distrair e parar de noiar em coisa do passado, coisa que não dá pra resolver, coisa inútil e/ou tudo isso junto. Decidi procurar o clipe de Brilliant Disguise, que é uma das minhas canções favoritas e que eu nunca tinha visto.
Todos sabem que um dos meus ídolos, além do tiozão narigudo renascentista, é o tiozão ítalo- batavo-irlandês de New Jersey. Eu sou fã do Bruce Springsteen, tenho tudo de todas as fases dele, mas talvez uma das canções que mais me emocionam dele é essa do disfarce brilhante. Ele escreveu essa música quando estava se divorciando da primeira mulher, uma modelo-atriz belíssima,entre 1987 e 88, porque havia se apaixonado pela Patti Scialfa, guitarrista e vocalista da sua banda, uma mulher bonita mas que não estava no padrão bonequinha de luxo da outra.
O primeiro casamento do cara, segundo consta, foi um desastre tão grande que ele paga uma nota até hoje pra ex-mulher não escrever um livro tell all, enfim. Daqueles desastres tão desastrosos que ninguém acredita que aconteceram. E ouvindo essa música de novo, pela milionésima vez, fui salva da minha bad trip totalmente.
A gente entra em tanto labirinto de sentimento, depois pra sair tem que achar o fio de Ariadne, ou melhor, uma música do Bruce...