Thursday, February 12, 2009

Minha nova turma


E eu arrumei uma turma nova, diferente!


Pois estava eu a naufragar nas altas ondas, quando peguei um jacaré. Por motivos gerais, resolvi estudar algo que está próximo de mim fisicamente, e que em dezembro ficou mais pertinho do coração: a velha e linda Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Conceição, sim, a Catedral da também velha Campinas do Mato de Dentro de Jundiaí ( sim, nome original de nossa brava cidade).


Caros e queridos leitores, a coisa toda se processa da seguinte forma: existe a Catedral, as missas, o grupo de orações de senhoras animadíssimas, os mendiguinhos na porta e a conta de água de não sei quantos mil reais, por conta do banheiro que é o único público no centro da sempre desvalida Campinas. O pessoal da secretaria calcula mil pessoas por dia circulando por ali, por baixo. Mas também existe o Museu de Arte Sacra e o acervo da Arquidiocese, o órgão francês à espera da reforma que lhe dê a plenitude, enfim, um universo que parece de sonho. Subi as escadarias e descobri esse Aleph, como diria Borges: os documentos da construção da igreja.


Se eu contar pra vocês tudo que achei nesse mês chuvoso, ninguém acredita. Adianto que achei os tempos dos escravos sofridos lascando terra no pilão, um arquiteto italiano arrojadíssimo, outro paulista muito meticuloso, muitos, muitos operários recém-chegados do Vêneto e que abalaram Bangu, todos os primeiros trens que singraram São Paulo, o início da expansão cafeeira, dois assassinatos, uma legislação tributária muito esperta, muitas arrobas de café, projetos, aspirações e telegramas de 1882. Fiquei emocionada quando os vagões de pedra da cantaria da fachada chegaram, 147 vagões entre 76 e 77, obra e graça do tal itálico arrojado e que já ganhou, ovviamente, um lugar especial no coração da também velha e desvalida panda.
Fiquei feliz, apesar do dilúvio desses dias, com esses segredos novos a me aquecer.

6 comments:

Anonymous said...

que legal! conta mais novidades quando der!
Perere

Maria said...

Esse povo vc vai gostar Pererê! Os caras simplesmente fizeram a fachada em cinco anos, cara! Eu vou trazer mais fotinhas... bjo grande!

meme said...

Lindo!! Manda ver com estes novos amigos aí! Leia tudo, estude tudo, depois conte e escreva tudo num lindo livro sobre a Catedral de Campinas que, há muito, merecia um estudo assim. Nós, campineiros, agradecemos! Bjs daqui do século XVII.

Maria said...

Mary Kate! Você tá bem?

Nossa, agradeço demais a leitura, o carinho seu e do povo batavo. Sei que vocês são muito ocupados e cada visita sua é uma grande honra!

Bjos muitos, e vamo que vamo!

meme said...

Dona Panda, ler o seu blog é um imenso prazer, especialmente neste momento ocupado (e às vezes sofrido) da vida. Rogo, pois, que escreva novos posts com freqüência, e ainda com trema! Hehe... Aqui para você ter uma idéia estamos relatando a encenação da batalha de Zama encenada por ninguém menos que a tchurma do conde num casamento na goma germânica dele em 1652...esse pessoal do XVII nem precisava de ecstasy para ir além!
Bjs!

Maria said...

Jesus Cristo. Pelo menos esse meu povo traz cal de Sorocaba! Bjo grande, flor, go ahead! Estou louca pra ler sua tese.