Hoje foi daqueles dias que teve de tudo um pouco. Calor, frio, chuva, sol. E finalizou com dois imensos arco-íris, a cortar os céus metade cinza-chumbo, metade azul de outono, do campus da Unicamp ao final de tarde. Daqueles arco-íris pesados de lindos.
Acordei, calor, sandália e roupa leve, singrei pra Indaiatuba, fazer mon français toujours. Volto pra Campinas, como uma salada, quando saio do restaurante, vento frio, tudo escuro, cai um toró daqueles, eu e mais uma multidão correndo de encontro da velha Nossa Senhora da Conceição de Campinas. Chego no Museu, uma bagunça como sempre, o Ricardo enlouquecido com uma gripe e eu com a brava missão de decifrar um manuscrito de 1871, e conseguir gravar um CD com umas imagens pro Luís Fernando. O micro do Ricardo não colabora muito e ele proibiu pen drives lá, enfim, muitos vírus e um banco de dados que não pode morrer de jeito nenhum. Por precaução, gravei dois CDs.
No andar térreo, um monte de velhinhas do grupo da Escuta Cristã rezando e cantando, e eu e o Ricardo como dois loucos atrás dos cortes de pedra da tchurma carcamana. Quando a gente vai examinar pela enésima vez a maledetta facciata, vejo que não trouxe um dos CDs. O Ricardo sobe as escadas e me joga lá de cima o dito, e eu solto um puta merda que caralho, NA FRENTE DAS VELHINHAS DA ESCUTA CRISTÃ. Começo bem minha relação com elas.
Saí correndo que nem uma refugiada, porque estava um frio do caralho (desculpa, senhorinhas) e quando chego do meu prédio, batendo o recorde no trajeto Catedral malditinha- toca da panda, o elevador está quebrado.
Subo as escadas batendo outro recorde, ponho uma bota de sete léguas, um colete de lã e saio correndo. Tanta pressa tinha explicação: eu precisava entregar o CD pro Luís antes das cinco, quando ele britanicamente pegaria o fretado pra SP. Consigo chegar quatro e meia no IFCH, e berro o nome do Luís lá de baixo e ele no terceiro andar enfia a cara na janela gritando também. Um negócio discreto, elegante e fino.
Consigo entregar o CD, ganho o carinho de sempre do velho amigo, tomo cinco cafés e ainda consegui encontrar o mestre Nelson, Brenoboy, Celo, todo mundo na velha cantineta do IEL. E vi dois arco-íris hoje.

No comments:
Post a Comment