Wednesday, April 22, 2009

A alegria e as barbas brancas do prudente patriarca

Fui jogar sinuca com amigos em Barão, na última sexta-feira. Convém dizer que eu não jogava sinuca há aproximadamente, acredito, duas décadas, e que fui pelo prazer da companhia dos queridos e por conta da sempre bem-vinda cervejinha gelada.
Papo vai, caçapada vem, uma hora todos sentamos aproveitando um petisco, quando, não sei porque motivo obscuro, surgiu o assunto músicas infantis assombrantes. Explico: acho que foi Lord Gorino que reclamou do Boi da Cara Preta, e eu disse que li uma coluna do Contardo Calligaris, que dizia aparecer uma das marcas mais profundas da escravidão todas as cantigas de ninar brasileiras serem arrepiantes ( como o Nana Nenê, que de Nana Nenê não tem nada). Vitão também reclamou da casa muito engraçada, que não tinha teto e não tinha nada ( parece certas partes da Unicamp).
Logo lembrei que tal cançoneta é obra e graça de Vinícius de Moraes, poeta e diplomata, da linha direta de Xangô. E logo, assim como a sinuca, as canções do Arca de Noé apareceram na minha cabeça e eu cantei alguns trechos pros meninos.
Cheguei em casa e vi no Youtube trechos dos dois especiais da Arca de Noé, de 1980, época em que a panda, acreditem, era mirim e adorava casas que não tinham teto nem nada. Hoje, gosto demais da primeira canção do primeiro disco: vejam lá, aparece só o Milton cantando, o Chico era proibido de entrar na Globo como todos sabem.
Eu adoro a história de Noé. É uma das partes da Bíblia mais caras a mim: a história de que Deus enche o saco da humanidade e resolve acabar com a moleza do povo, lascando uma água sem fim. Mas os animais eram inocentes, bem como o único homem justo daquele tempo (bom, pelo menos naquele tempo existia um justo, hoje em dia era capaz da raça humana se extinguir), o Noé, que ouve a voz do Chefão e resolve construir seu barco apesar do pessoal tirar sarro dele o tempo todo. Quantas vezes o justo precisa construir a Arca, enquanto os negos ridicularizam, menosprezam. Eu me identifico bastante com o Noé na hora da construção da Arca; depois do Dilúvio, ele inventa o vinho, bebe um pouco demais e ainda tem que amaldiçoar o filho Cam, por ter visto seu velho pai peladão e meio alto. O cara não podia nem beber, que caíam de pau matando. No final, não adiantou muito o Lá de cima mandar água, o pessoal não aprende.
Não liguem, a panda está num momento profetinha do Antigo Testamento!

2 comments:

Anonymous said...

hey!
hoje é dia de Sao Jorge!!!!!!
Perere

Maria said...

E viva ele! E viva o Pererê! Salve Jorge!