Foi a primeira cidade que conheci, o primeiro lugar fora do Brasil. Lembro da chegada, de manhãzinha cedo, era novembro e fazia frio. No trem de Fiumicino para a cidade, eu vi trigais dourados, e no táxi o cara ouvia Elton John. Mas era Roma.
Eu não sabia o que queria da vida, era boba e mané de tudo. Mas chegando, fomos ver, eu e o grupo que acompanhava um de nossos professores, a Porta Pia de Michelangelo. Puxei a manga do casaco de um amigo e perguntei, mas esse é o Michelangelo da Sistina? E ele, é, shiiiit.... fala baixo. E eu descobri que tem gente que é pintor, escultor, arquiteto e que é, enfim, Michelangelo. E era Roma.
A pequena panda, sempre desligada e nada a ver, se perdia horrores do grupo, era deixada pra trás em tudo quanto era ruína, igreja, ruela, buraco, ônibus pro Vaticano e salas com Caravaggios, Tizianos e outros do mesmo quilate. Consegui entrar na igreja de Gesù sozinha e ir a Santa Maria Maggiore, no caminho inverso ao que todo mundo fazia. Mas era Roma.
Não entendia picas de italiano, e o chuveiro do meu quarto no hotel quebrou. Estava com uma senhora uruguaia, e uma mocinha nipo-descendente, que chorava todos os dias de saudade da mãe. A senhora não queria ligar pra portaria e a mocinha começou a chorar.A portaria, lotada de rapazes da La Sapienza, que inclusive fumavam um ali, era realmente um obstáculo difícil. Liguei pro nosso professor, ele tinha saído, mas me armei de coragem e falei com os tios. Um deles atendeu e eu falei em inglês, e ele em francês. No meio da zona toda, lembrei-me que fui criada no Cambuci, uma espécie de mini-Nápoles. Falei com o cara em português e ele entendeu perfeitamente. E ainda era Roma.
Se o chuveiro eu resolvi, evidente que meus pedaços de pizza vinham frios, eu não sabia que caldo era quente, enfim. E evidente que um dos rapazes do hotel, numa da noite, resolveu me levar pra passear e me agarrar, eu tinha 20 anos e era Roma.
Era Roma, eram as cores ocres, amarelas, os tons terrosos, as laranjeiras nos vasos, eram as fontes e as igrejas, eram os homens lindos e os padres todos de negro.
Quando voltei, é outra história, mas conheci um grande amigo, que me apresentou essa pérola do Gianmaria Testa, Gli amanti di Roma. Logo depois que voltei, então hoje eu queria deixar um pouco da minha Roma, um pouco do meu mistério pra vocês:

5 comments:
que bonitinho!
perere
Que bom que gostou... hihihihi... vc baixou a música também? Vale a pena viu.
Hoje no meu orkut tava escrito: "Muitas das grandes realizações do mundo foram feitas por homens cansados e desanimados que continuaram trabalhando."
Será que vale a pena, Perere?
Eu me pergunto a mesma coisa todo dia...
No fim das contas, acho que vale a pena sim.
Um abraço do Perere
Pois é, abraço daqui também.
Acho que vou voltar a tentar fazer biscoitos. Vi outro dia numa padaria aqueles biscoitos alemães de natal. Será que dá certo? Fiquei com saudade dos sequilhos com chá. E um amigo do folclore me prometendo coisas pro chá! tsc, tsc, hehehehe
sim, pro cha e tambem aquela bolsa da guess que vc um dia sitou no blog. Mas nao tenho seu endereço no brasil pra te mandar pelo correio...
Proxima ida ao brasil so em dezembro... ou entao manda o endereço!
Perere
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